Conservação pós-colheita de rosas de corte

Conservação pós-colheita de rosas de corte

(Parte 1 de 2)

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO- UEMA

CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE IMPERATRIZ- CESI

DEPARTAMENTO DE QUÍMICA E BIOLOGIA

CURSO DE AGRONOMIA

VALERIA LIMA BARBOSA

CONSERVAÇÃO PÓS-COLHEITA DE ROSAS DE CORTE

IMPERATRIZ

2014

VALERIA LIMA BARBOSA

CONSERVAÇÃO PÓS-COLHEITA DE ROSAS DE CORTE

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Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Agronomia do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz, como requisito de conclusão do curso de Bacharelado em Engenharia Agronômica da Universidade Estadual do Maranhão.

Orientadora: Profa.ESpCristiane Matos da Silva

Co-orientador: Prof. DSc. Paulo Henrique Aragão Catunda

IMPERATRIZ

2014

VALERIA LIMA BARBOSA

CONSERVAÇÃO PÓS-COLHEITA DE ROSAS DE CORTE

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Agronomia do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz, como requisito de conclusão do curso de Bacharelado em Engenharia Agronômica da Universidade Estadual do Maranhão.

Aprovada em ______/_____/_____

BANCA EXAMINADORA

___________________________________________________________________

Profa. ESp. Cristiane Matos da Silva (Orientadora)

Universidade Estadual do Maranhão UEMA/CESI

___________________________________________________________________

Prof. DSc.Paulo Henrique Aragão Catunda (Co-orientador)

Universidade Estadual do Maranhão UEMA/CESI

___________________________________________________________________

Prof. DSc. Wilson Araújo da Silva– UEMA/CESI

Universidade Estadual do Maranhão UEMA/CESI

Aos meus pais que sempre me compreenderam e apoiaram estando presente em todas as dificuldades e aos meus mestres pelo esforço e companheirismo de sempre.

Dedico.

AGRADECIMENTOS

À Deus pelo dom da vida, pela força, sabedoria e oportunidades que foram a mim concedidas no decorrer do curso.

Aos meus pais pelo incentivo e por ter sempre acreditado na minha capacidade.

Aos meus mestres que mesmo em meio a tanta dificuldade sempre lutaram para oferecer o melhor possível.

Aos meus amigos que foram grandes companheiros de estrada e estiveram presentes em todos os momentos de alegrias e de dificuldades.

Ao meu namorado, pelo amor e compreensão, sempre me deixando mais tranquila nos momentos mais difíceis do curso dando – me apoio nas minhas decisões.

"Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor. Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto". (Jeremias 17.7-8)

RESUMO

A floricultura está presente em todo o mundo e aqui no Brasil é responsável por uma aquisição na faixa de bilhões de reais anualmente. Esta é de grande importância social devido a grande necessidade de mão de obra em todo o seu processo produtivo. As rosas de corte estão na frente do ranking das flores mais procuradas pelos consumidores para servir tanto de presente como na ornamentação nas mais variadas datas comemorativas. Um grande entrave no desenvolvimento da floricultura são as perdas na pós – colheita que são agravados nos estados de clima temperado, onde as altas temperaturas aceleram o metabolismo das hastes e estas tendem a ter uma menor longevidade comercial devido à perda das características qualitativas. O presente trabalho teve como objetivo a avalição de três métodos de armazenamento de rosas de corte ‘Vega’ para verificação se estes são capazes de aumentar em numero de dias a longevidade comercial. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com três tratamentos, quatro repetições e três hastes por parcela onde no primeiro tratamento foi avaliada somente a refrigeração, o segundo foi o consorcio de refrigeração com pulsing de glicose e o terceiro foi o consorcio de refrigeração com pulsing de acido giberélico. Para o tratamento envolvendo glicose foram utilizadas 24 g.L-1 de glicose e para o outro tratamento foi utilizado 25 mg.L-1 de GA3. Para o pulsing, as hastes foram mantidas por 12 horas com as bases imersas nas soluções, e após esse período, colocadas em vasos com água de torneira a 25±2 °C. As hastes foram avaliadas no quarto dia quanto à variação de massa, qualidade visual e longevidade comercial. Os dados obtidos nos experimentos foram submetidos à análise de variância e comparados pelo teste de Tukey (p=0,05). Verificou-se que tanto o acido giberélico quanto a glicose não influenciaram significativamente na variação da massa das hastes quando comparado com o tratamento que utilizou apenas a refrigeração. Constatou-se ainda que a aplicação tanto de Acido Giberélico como de Glicose via pulsing, não manteve significativamente a qualidade das hastes por maior período de tempo. Conclui-se que a glicose e o ácido giberélico nas proporções utilizadas não contribuem para a manutenção da qualidade de hastes de rosa ‘Vega’.

Palavras chave: Floricultura, rosas, pós- colheita, glicose, ácido giberélico.

ABSTRACT

Floriculture is present around the world and here in Brazil is responsible for an acquisition in the range of billions of dollars annually. This is of great social importance because of the great need for labor in all its production process. The cut roses in front of this ranking of the most popular flowers by consumers to serve both present as ornamentation in various anniversaries. A major obstacle in the development of floriculture are the losses in the post - harvest that are compounded in states with temperate climates where high temperatures accelerate the metabolism of rods and these tend to have a lower commercial longevity due to loss of quality characteristics. This study aimed to rating three methods of storing cut roses 'Vega' to check whether they are able to increase in number of days the commercial longevity. The experimental design was completely randomized with three treatments, four replications and three stems per plot where the first treatment was evaluated only cooling, the second was the consortium cooling pulsing with glucose and the third was the consortium cooling with pulsing gibberellic acid. For treatment involving glucose were used 24 gL-1 glucose and other treatment was used 25 mg.L-1 GA3. For pulsing, the rods were kept for 12 hours immersed in the solutions with the bases, and after this period, placed in pots with tap water at 25 ± 2 ° C. The stems were evaluated on the fourth day as the mass variation, visual quality and commercial longevity. The data obtained in the experiments were subjected to analysis of variance and compared by Tukey test (p = 0.05). It was found that both glucose as gibberellic acid did not significantly change in the mass of stems as compared with treatment using only cooling. It was also found that the application of gibberellic acid so as glucose pulsing means, not significantly retained by the quality of the rods extended period of time. We conclude that glucose and gibberellic acid in the proportions used does not contribute to the maintenance of quality rods pink 'Vega'.

Keywords: Floriculture, roses, post-harvest, glucose, gibberellic acid.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

Ao longo dos últimos anos, a floricultura empresarial brasileira vem adquirindo notável desenvolvimento e se caracteriza já como um dos mais promissores segmentos da horticultura intensiva no campo dos agronegócios nacionais. É nesse contexto, que se visualizam as importantes mudanças estruturais apontadas ao longo desta pesquisa e que sinalizam para o fato de que o Brasil caminha, decisivamente, para a implantação de um modelo de qualidade internacional de gestão e de governança de sua Cadeia Produtiva de Flores e Plantas Ornamentais. Nesse novo panorama estão sendo geradas inúmeras novas oportunidades de negócios e de inserção comercial competitiva, eficiente e sustentável para os pólos emergentes de produção distribuídos por todo o País (JUNQUEIRA; PEETZ, 2008).

A floricultura está presente no mundo todo e abrange o cultivo de flores de corte, englobando desde as flores tropicais até as de clima temperado, movimentando simultaneamente grandes indústrias de insumos agrícolas, além de uma série de serviços paralelos (LIMA; MORAES; SILVA, 2006).

È notável que atualmente há um crescimento anual na exploração econômica de flores e isso tem se justificado principalmente devido a sua alta rentabilidade. De acordo com JUNQUEIRA (2005), a produção de flores e plantas ornamentais propicia rendimentos entre R$ 50 mil a R$ 100 mil por hectare.

Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), KEES SCHOENMAKER (2014) a produção de flores no Brasil movimentou R$ 5,2 bilhões no ano passado, com aumento de 13% sobre 2012. O Brasil tem grandes chances de se tornar um significativo produtor e exportador de flores e plantas ornamentais no cenário mundial, porém há desafios a serem vencidos e que representam a utilização da aplicação de tecnologias avançadas nos sistemas de produção, uso de material genético adequado, treinamento e capacitação da mão de obra, profissionalismo nas áreas gerencial, comercial, de logística e distribuição, explorações das aptidões regionais, organização das estruturas comerciais e incentivos a tecnologias de embalagem e pós-colheita (SALOMÉ, 2007).

Hoje no Brasil existem cerca de 8 mil produtores de flores e/ou plantas ornamentais numa área de aproximadamente 13.800 hectares, envolvendo uma faixa de 206 mil trabalhadores diretos, numa média de 8 trabalhadores/ha, dos quais 102.000 (49,5%) relativos a produção, 6.400 (3,1%) relacionados a distribuição, 82.000 (39,7%) no varejo e 15.600 (7,7%) em outras funções, principalmente de apoio (SCHOENMAKER, 2012).

O ponto de colheita de uma flor equivale a um estádio de abertura que poderá ser completada com sua colocação somente em água. Varia muito em função da região, época do ano, condições de cultivo (campo ou estufa), variedade e distância do mercado (LIMA; MORAES; SILVA, 2006).

A colheita deve ser realizada de forma que não cause danos físicos nas hastes, pois estes podem servir como porta de entrada para microrganismos fitopatogênicos e ainda aceleram os processos metabólicos dificultando a conservação do produto diminuindo a qualidade e o tempo de prateleira podendo resultar no aumento das perdas na pós-colheita.

A qualidade e a vida pós-colheita das rosas de corte é decorrente de fatores pré e pós-colheita e de suas características genéticas, que conferem diferentes sintomas de senescência. A senescência é considerada a fase final do desenvolvimento da planta, quando a degradação de estruturas celulares é mais rápida que a síntese, causando o envelhecimento e morte dos tecidos. Para as rosas, os principais sintomas de senescência são o murchamento e escurecimento de pétalas, curvatura do pedúnculo, abscisão e redução da coloração de pétalas e alta atividade respiratória (AGUIAR, 2012).

A imersão das flores de corte ou folhas ornamentais em conservantes, condicionamento ou “pulsing”, pode ser definida como o tratamento utilizado nas primeiras 24 horas após a colheita, em que estas são saturadas com soluções contendo substâncias químicas, como açúcares, ácidos orgânicos e inibidores da ação ou da síntese de etileno (LIMA; FERRAZ 2008).

O armazenamento refrigerado, quando se respeitam as faixas de temperatura adequadas para cada espécie e cultivar, é bastante eficiente para diminuir a perda de água pela transpiração e retardar os processos de senescência dos tecidos vegetais, devido à diminuição do déficit de pressão de vapor e da velocidade das reações bioquímicas inclusive da produção de etileno. As soluções de pulsing podem conter ácido cítrico, cujo pH desfavorece o crescimento de bactérias no interior do xilema, associado às fontes de energia e/ou reguladores de crescimento. As diferentes soluções de pulsing são amplamente utilizadas por produtores de rosas, cravos e lírios para promoção da abertura floral ou para o prolongamento da longevidade das flores comercializadas (FARIA,2011).

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Flores são órgãos de natureza essencialmente efêmera, o que resulta em curta longevidade tanto para as flores que permanecem ligadas a planta mãe durante a comercialização como para as de corte (ARTECA, 1995). De acordo com Finger et al. (2003) as flores, assim como os vários produtos hortícolas, apresentam alta perecibilidade devido aos processos fisiológicos catabólicos intensos. As alterações bioquímicas, fisiológicas e estruturais levam ao processo de desorganização e desagregação dos tecidos e órgãos, as quais promovem a senescência, sendo de natureza irreversível a longevidade das flores em vasos é afetada por diversos fatores endógenos e exógenos de pré e pós-colheita.

A comercialização de flores de corte apresenta grande importância econômica, porém exige práticas de pós-colheita que aumentem a longevidade das flores. Esta depende da quantidade de reservas que as hastes florais apresentam, assim como da ocorrência de bactérias e fungos e da perda excessiva de água, sendo que a principal causa de senescência de flores de corte é a perda de energia necessária para os processos vitais (BRACKMANN, et al. 2002).

Assim, as condições de cultivo, período adequado de colheita e tratamentos pós – colheita determinam em grande parte a extensão de sua vida útil (SANTOS, 2003).

A magnitude das perdas pós-colheita de flores no Brasil até o consumo final, é de no mínimo 30%. Como reflexo de tal fato, tem-se a necessidade de utilizar tecnologia pós-colheita, visando um manejo que venha proporcionar a manutenção da qualidade e redução de perdas na cadeia produtiva (GURJÃO, et al. 2006).

O uso de soluções conservantes para manter a qualidade e prolongar a vida das flores cortadas evoluiu acentuadamente nos últimos anos. Soluções de “pulsing” de condicionamento referem-se a diferentes tratamentos pós-colheita de saturação dos tecidos, nos quais são aplicadas soluções de açúcares, ácidos orgânicos, inibidores da síntese ou ação do etileno e/ou bactericidas, imediatamente após a colheita ou após o armazenamento frigorificado de flores ou folhagens de corte. O tratamento de condicionamento é de curta duração atingindo o máximo de 48 horas. Essas mesmas substâncias também são aplicadas na solução de vaso, porém devem ser utilizadas em baixas concentrações, comparadas a de condicionamento (TAGLIACOZZO, et al. 2005).

Um aumento da vida útil do produto também pode ser obtido através do uso de atmosfera modificada. Nesse processo, a atmosfera é alterada pelo uso de filmes de polietileno, que se caracterizam por serem boa barreira ao vapor d'água e terem permeabilidade seletiva ao O2 e CO2. Esse tipo de filme permite que a concentração de CO2 proveniente da respiração aumente, e a concentração de O2 diminua, retardando a senescência e a diminuição da produção de etileno e da taxa respiratória(CHITARRA; PRADO, 2000).

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