Flutuações pluviais décadal na bacia hidrográfica do alto rio parnaiba – brasil

Flutuações pluviais décadal na bacia hidrográfica do alto rio parnaiba – brasil

(Parte 1 de 2)

Romildo Morant de Holanda1,

Raimundo Mainar de Medeiros2 , Marcelo Kozmhinsky3

, Vicente de Paulo

Silva 4

1 Prof. Dr. Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail:

romildomorant@gmail.com 2 Dr. em meteorologia e Pesquisador da Universidade Federal Rural de

Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail: mainarmedeiros@gmail.com 3 Mestrando em Engenharia Ambiental,

UFRPE, e-mail: marcelok1963@gmail.com Vicente de Paulo Silva 4 Prof. Dr. Universidade Federal Rural de

Pernambuco, UFRPE, PE, Brasil, e-mail: vicenteufrpe@yahoo.com.br

RESUMO As flutuações decadais nos 13 municípios que entorna a bacia hidrográfica do alto rio Parnaíba destacam índices pluviométricos irregulares com chuvas de intensidade moderadas. Os fatores provocadores de chuvas demostram que suas flutuações dependem das atividades dos sistemas atmosféricos atuantes como: Zona de Convergência Intertropical, Linhas de instabilidades, formações dos ciclones de altos níveis contribuindo para maiores ou menores intensidades pluviométricas da área em estudo. Objetiva-se a realização de análise climatológica da precipitação decadal dos municípios que entorna a bacia hidrográfica do alto curso do rio Parnaíba, utilizou-se de série histórica da precipitação do período de 1962 a 2011, podendo contribuir nas decisões de setores como a economia, agropecuária, irrigação, produção de energia, recursos hídricos e aos técnicos agrícola e tomadores de decisões em caso de eventos extemos que possam ocorrer. As chuvas registradas entre as décadas em estudos mantiveram-se entre as regularidades, demostrando que o armazenamento de água e a produção das culturas, pecuária bovina, e o desenvolvimento da agricultura de sequeiro e/ou familiar exceto para alguns meses isolados onde o período de veranico atuou. Os resultados obtidos mostraram algumas tendências negativas de diminuição das chuvas, mesmo com a alta variabilidade das precipitações ao longo da série amostral decadal.

Palavras-chaves: Irrigação, planejamento agropecuário, urbano e rural.

ABSTRACT Decadal fluctuations in the 13 municipalities that flood the upper Parnaíba river basin highlight irregular rainfall rates with moderate rainfall. The factors provoking rainfall show that their fluctuations depend on the activities of the atmospheric systems acting as: Intertropical Convergence Zone, Lines of instabilities, formations of cyclones of high levels contributing to higher or lower rainfall intensities of the study area. The objective of this study was to perform a climatological analysis of the decadal precipitation of the municipalities that cross the upper Parnaíba river basin, using a historical series of precipitation from 1962 to 2011, which may contribute to the decisions of sectors such as the economy, Agriculture, irrigation, energy production, water resources and agricultural technicians and decision makers in case of external events that may occur. Rainfall recorded over the decades in studies remained between regularities, demonstrating that water storage and crop production, cattle ranching, and the development of rainfed and/or family farming except for a few isolated months where the Veranico acted. The results obtained showed some negative trends of rainfall decrease, even with the high rainfall variability along the decadal sample series.

Keywords: Irrigation, agricultural and livestock planning, urban and rural.

A produção agrícola no semiárido brasileiro é fortemente dependente da precipitação pluviométrica, e, por conseguinte, as suas variações provocam graves prejuízos na agricultura da área estudada. A Paraíba com características climáticas marcantes, nas suas irregularidades, espaço temporal, no seu regime de chuvas. Essas condições climáticas interferem diretamente na produção de alimentos, fazendo com que haja a necessidade de se aumentar a produção e produtividade das culturas, mas para que haja esse aumento são indispensável que sejam aplicadas tecnologias já adaptadas para cada região, bem como, pesquisar novas tecnologias em conformidade com os autores Menezes et al., (2010) e Guedes Filho et al., (2010). A convivência com o semiárido demanda medidas de gestão ambiental sustentável, com iniciativas sociais que resultem em melhoria das condições de vida das populações, sendo de vital importância para o planejamento e desenvolvimentos das gestões dos recursos hídricos desta região e da identificação e caracterização dos períodos de estiagens e de precipitações anômalas, de forma factível e que identifique as flutuações climáticas regionais de acordo com Pinkayan (1966) e Silva (2007).

Medeiros et al (2016) analisaram a distribuição temporal e a tendência da precipitação pluvial para o município de Bom Jesus–PI com regressão linear, e medidas de tendência central e de dispersão dos índices pluviométricos mensais e anuais. Com base nos resultados verificou-se que a mediana é a medida de tendência central mais provável de ocorrer. Com base nos resultados concluise que a mediana é a medida de tendência central mais provável de ocorrer; a estação chuvosa dura seis meses (novembro a abril com valor médio do período de 875,1 m, correspondendo a 8,86% da precipitação anual). Em 5 anos de precipitação observada sua média histórica é de 984,8 m. Conforme á análise de regressão linear da série histórica de precipitação do período de 1960 a 2014, a tendência de maior variabilidade da precipitação centra-se entre os meses de novembro a abril, e os menores índices pluviométricos centra-se entre os meses de maio a setembro, que possui baixos índices pluviométricos.

Medeiros et al (2015) verificaram mensalmente a frequência de precipitação durante um período de 30 anos e a influência dos fenômenos meteorológicos El Niño(a) nos índices pluviométricos da bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto–PI. Demonstraram que a influência dos fenômenos El Niño(a) sobre a ocorrência de secas ou enchentes na bacia ainda não está bem compreendida, onde se tem anos com atuação dos fenômenos e a variabilidade pluviométrica oscila acima ou abaixo das normais climatológicas; a distribuição da precipitação pluviométrica na área da bacia ocorre de forma irregular e com grande variação durante todo o ano, demonstrando que mesmo em anos de El Niño as chuvas ocorrem praticamente entre a normalidade.

O estudo da pluviometria de determinado local é geralmente de interesse da hidrologia e da meteorologia, mas as informações geradas a respeito possuem importância em muitas áreas da Engenharia como: Ambiental, Florestal, Agronomia, Agrícola, Recurso hídricos, entre tantas aplicações e usos. Outras problemáticas esperadas são as reduções dos índices pluviométricos que poderão atingir faixa de 60% dos valores mensais, com isto os reservatórios de armazenamento de águas ficarão obsoletos restringindo ainda mais a água potável para a sobrevivência humana, animal e vegetal, como a faunas e a flora, podendo algumas espécies entrar em extinção de conformidade com Marengo (2011).

Medeiros et al (2015) mostraram que entre os elementos do clima, a precipitação é o que mais influencia na produtividade agropecuária especialmente nas regiões tropicais onde o regime de chuvas é caracterizado por eventos de curta duração e alta intensidade. utilizaram os dados e suas medias mensais e anuais, do período, e os valores máximos e mínimos absolutos da série histórica. Os resultados demonstraram que os índices pluviométricos mensais são bastante variáveis na sua distribuição espacial e temporal ao longo dos anos. O quadrimestre mais chuvoso são os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março; os meses de maio a setembro, considerados os mais secos, durante os 31 anos estudados, os totais anuais extremos de precipitação pluviométrica foram registrados nas fazendas Paus e Cachoeiras, e os mínimos foram registrados nos municípios de Corrente e Palmeira do Piauí, estes extremos são decorrentes dos fenômenos de larga escala atuante na área estudada.

Medeiros et al (2014) verificaram que o índice de anomalia de chuva pode ser utilizado como ferramenta para o acompanhamento climático de determinada localidade, nesse caso a bacia hidrográfica do rio Uruçuí Preto, além de ser utilizado para regionalização, podendo também, através desse monitoramento gerar prognósticos e diagnósticos da climatologia local. As chuvas nesta área iniciam-se no mês de outubro com chuva de pré-estação e prolonga-se até o mês de abril, tendo como trimestre mais chuvoso os meses de janeiro, fevereiro e março e os meses mais seco oscilam de julho a setembro com variabilidade pluviométrica oscilando entre 0,0 a 1,9 m, sendo estes índices pluviométricos insignificantes para o runoff e agricultura. A partir dos critérios de classificações tomados com bases nos desvios percentuais classificaram-se os meses e ano dos locais que compõem a bacia hidrográfica, onde se obteve oscilações de extremamente chuvoso a extremamente seco.

Objetiva-se a realização de análise climatológica da precipitação decadal dos municípios que entorna a bacia hidrográfica do alto curso do rio Parnaíba, utilizou-se de série histórica da precipitação do período de 1962 a 2011, podendo contribuir nas decisões de setores como a economia, agropecuária, irrigação, produção de energia, recursos hídricos (armazenamento, abastecimento), aos técnicos e tomadores de decisões em caso de eventos extemos que venha a ocorrer.

A Bacia Hidrográfica do rio Alto Paraíba (BHRAP), com área de 20.071,83 km2 , compreendida entre as latitudes 6º51'31" e 8º26'21" Sul e as longitudes 34º48'35"; e 37º 2'15"; Oeste de Greenwich, é a segunda maior do Estado da Paraíba, pois abrange 38% do seu território, abrigando 1.828.178 habitantes que correspondem a 52% da sua população total. Considerada uma das bacias mais importante do semiárido nordestino, ela é composta pela sub-bacia do Rio Taperoá e Regiões do Alto Curso do rio Paraíba, Médio Curso do rio Paraíba e Baixo Curso do rio Paraíba. Figura 1.

Figura 1. Localização da bacia hidrográfica do Alto Curso do rio Paraíba. Fonte: http://www.aesa.pb.gov.br/aesa-website/comite-de-bacias/rio-paraiba/

A bacia é formada de regiões afligidas por eventos sinóticos locais, regionais e de larga escala provocadores de chuvas como a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e as contribuições dos sistemas de Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCANs) quando em atividade sobre o NEB, além dos efeitos decorrentes dos ventos alísios de nordeste em conjunto com os efeitos de brisa marítima, auxiliados pela formação dos vórtices Ciclônicos do Atlântico Sul (VCAS) e das formações das linhas de instabilidade (LI), o Padrão do Dipolo (PD) no Oceano Atlântico Tropical e as perturbações ondulatórias no campo dos ventos alísios, proporcionando eventos de secas, enchentes, inundações, desmoronamento de barreiras, alagamentos, transbordamento de rios, açudes, barreiros, lagoas, lagos e córregos; na sua maioria, o escoamento dos rios nas cabeceiras é temporários devido à má distribuição pluviométrica. Na região paraibana, o período chuvoso com os aumentos das suas cotas pluviométricas provoca aumento significante no escoamento em que a maioria é represada em grandes e médias barragens e seu excesso após os represamentos escoa lentamente para o oceano em virtude do relevo e de seus cursos básico das águas.

As enchentes, alagamentos e inundações já provocaram prejuízos e remoções de diversos povoados e vilas; historicamente as maiores cheias ocorreram entre os trechos do médio, baixo e alto Paraíba, a ocorrência de enchentes é quase que periódica (dependendo da qualidade e quantidade do período chuvoso); sabe-se que nesta área não existem sistemas de contenção de enchentes e suas vazões são aleatórias auxiliadas pelo relevo (SUDENE, 1999).

O relevo apresenta-se de forma geral bastante diversificado, constituindo-se por formas de relevo diferentes trabalhadas e por diferentes processos, atuando sob climas distintos e sobre rochas pouco ou muito diferenciadas. No tocante à geomorfologia, existem três grupos formados pelos tipos climáticos mais significativos: úmido, subúmido e semiárido. O uso atual e a cobertura vegetal caracterizam-se por formações florestais definidas como caatinga arbustiva arbórea aberta, caatinga arbustiva arbórea fechada, caatinga arbórea fechada, tabuleiro costeiro, mangues, mata-úmida, mata semidecidual, mata atlântica e restinga.

Ressalta-se, que nas bacias hidrográficas e nos mananciais, os impactos e a degradação pela poluição, através das redes de esgoto e dos lixões próximos às suas margens e/ou mesmo jogados pelas populações ribeirinhas ou transportados pelas correntes das águas após fortes eventos de precipitações, as intensas quantidades de agrotóxicos que vem sendo utilizados de forma impróprios no setor agrícola. Observa-se que seus excedentes estão chegando diretamente nas áreas da bacia, reservatórios, lagoa, lago, riachos e córregos e nas águas de subsolo atingindo os poços cacimbão e tubulares, contaminando-as e atingindo diretamente o ser humano, animal e vegetal de conformidade com Maruyama et al., (2005).

Utilizou-se de séries de dados mensais e anuais de precipitação coletados pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e fornecidos pela Agência Executiva de Gestão das

Águas do Estado da Paraíba (AESA), apesar da variabilidade dos dados observados unificou-se a série em estudo compreendido entre os anos de 1962-2014, 1926-2016 para o município de Cabaceiras tentando entender a variabilidade da dinâmica pluviométrica na área de estudo, conforme Tabela 1.

Tabela 1. Localização dos municípios e suas coordenadas geográficas seguidamente do período de observações das precipitações mensais e anuais.

Municípios Latitude Longitude Altitude Período

Fonte: Estudo Agrometeorológico do Estado da Paraíba (2015).

As distribuições decadais dos 12 municípios que entorna a bacia hidrográfica do alto curso do rio Parnaíba estão demostrados entre as figura 2 a 13 a seguir.

A distribuição decadal da precipitação para o município de Baixa de são Miguel esta demostrada na figura 2. Entre os meses de dezembro a junho observam-se irregularidades expressivas nos índices de chuvas decadais, oscilando entre 15 a 110 m. Nos meses de março e abril concentram-se as maiores intensidades das chuvas com flutuações entre 60 e 110 m, estas flutuações irregulares estão correlacionadas aos efeitos locais e regionais seguidamente da variabilidade de atuação dos fenômenos de larga escala atuante como El Niño(a). Nos meses de agosto a novembro percebe-se redução nos índices precipitados e sua flutuação ocorre na faixa de 0 a 15 m, exceto a década de 1962 a 1971 que apresentou valores superiores as outras décadas nos meses de setembro e outubro.

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