A literatura pintando sua essência

A literatura pintando sua essência

UNIVERSIDADE FECERAL DA BAHIAINSTITUTO DE HUMANIDADES, ARTES & CIÊNCIAS Aluna: Helena Barbosa Antas Orientador: Ivan Maia de Melo 2011

  

A literatura pintando sua essência

Nas obras literárias “o alienista” e “Don Casmurro” de Antonio Candido Machado de Assis como intersemiótica para as criações representativas de cenas transpostas em pinturas.

Introdução

O objetivo deste trabalho é sublinhar a correspondência entre a literatura e a pintura que existe nas obras Dom Casmurro e O Alienista, de Antonio Candido Machado de Assis. Por intermédio de uma linguagem plástica, esta narrativa consegue alcançar efeitos que são próprios da pintura por meio de uma temática que marca toda a narrativa: o tempo. E, nesse sentido, produz imagens distintas que podem ser associadas a quadros criados de modo sobre diferentes estéticas. Procedimentos podendo ser empregados como no realismo, no expressionismo, no cubismo e, de um modo geral, na pintura moderna podem ser evidenciados na composição deste texto literário. Num movimento que vai da expressão literária à expressão plástica, alcançar formas Machadisticas, de maneiras intersemiotica para a pintura por meio da palavra. PALAVRAS-CHAVE: Literatura; pintura; arte.

A tradução intersemiótica, definida como tradução de um determinado sistema de signos para outro sistema semiótico, tem sua expressão entre sistemas os mais variados. Entre as traduções desse tipo, encontra-se a das artes plásticas e visuais para a linguagem verbal e vice-versa. (Thaís F. Nogueira, 1993, p.1)

Na obra de Antonio Candido, que contém força plástica, pois encontramos exemplos em que podem ser observados traços da pintura expressionista, especialmente aqueles em que se manifesta o desejo de captura do instantâneo, do elemento fugaz, esforço que se verifica no decorrer de toda a narrativa:

Grande foi a sensação do beijo; Capitu ergueu-se, rápida, eu recuei até à parede com uma espécie de vertigem, sem fala, os olhos escuros. Quando eles me clarearam vi que Capitu tinha os seus no chão. Não me atrevi a dizer nada; ainda que quisesse, faltava-me língua. Preso. atordoado, não achava gesto nem ímpeto que me descolasse da parede e me atirasse a ela com mil palavras cálidas e mimosas...”(Dom Casmurro, 1899 ,pag. 32 )

Percebemos neste fragmento o interesse do escritor pela reação do personagem diante de uma ação anterior, descrevendo claramente a sensação, o estado, o sentimento, um efeito próprio do pintor e, neste caso, por se tratar da “sensação do beijo”(p.1), do expressionista. Em outros momentos esse interesse pela sensação e estado também se manifesta, o que se observa em: “uma espécie de vertigem, sem fala, os olhos escuros” (p.2) e “ me atirasse a ela com mil palavras cálidas e mimosas...(p.5 a 6). Destacamos aqui uma percepção expressionista dos gestos físicos e do sentimento.

O gênero cultivado por Machado de Assis e seus processos técnicos, eis sem dúvidas a principal razão que lhe impedia consagrar na sua obra longos trechos à descrição da natureza. É, com efeito, a lei de todos os gêneros curtos, como o conto, a novela, resumir o drama ao essencial, concentrar o interesse em vez de deixá-lo dispersar-se em pontos secundários, e é evidente que a paisagem só podia desviar a atenção. A sociedade urbana cria forçosamente uma arte de diálogo e de analise psicológica; dialogo, por causa da importância preponderante que assumem os salões e as conversas, galantes ou de negócios; analise psicológica, por que esta é uma conversa que continua depois da outra, uma conversa que cada um tem de si para si.

De qualquer obra literária, de qualquer texto que tenha por base a intensificação de valores – daquilo que chamamos de uma ou outra maneira aproximada de valores literários – existe sempre, como dizia o grande crítico canadense recentemente falecido, Northrop FRYE, a necessidade de conhecimento de duas linguagens. Segundo ele, "Na leitura de qualquer poema é preciso conhecer duas linguagens: a língua em que o poeta está escrevendo e a linguagem da própria poesia."(João Alexandre Barbosa, 2008, p.23)

Problematização

Será possível existir da linguagem plástica trazida das literaturas “O alienista” e “Dom Casmurro” de Machado de Assis para uma /a produção e criação de obras plásticas? Quais percursos nessa pesquisa seguir, sabendo que a literatura de Machado de Assis é realista, para uma elaboração na pintura em outros períodos, exemplo o moderno? Em que medida, ou até que ponto, poderei considerar o texto, como uma tradução intersemiotica de um texto iconográfico ou pictórico?

Justificativa Teórica

O tema já vem com a intenção de um conhecimento das obras, Dom Casmurro e O Alienista, isso é interessante partindo do processo da linguagem plástica a pintura até o estudo da produção da literatura de Machado, literatura essa que revela um íntimo grau de proximidade entre os recursos e técnicas das duas manifestações artísticas.Por se tratar de obras que se relacionam também com outras linguagens artísticas, o cinema e o teatro.

Mas é tempo de tornar àquela tarde de novembro, uma tarde clara e fresca, sossegada como a nossa casa e o trecho da rua em que morávamos. Verdadeiramente foi o princípio da minha vida; tudo o que sucedera antes foi como o pintar e vestir das pessoas que tinham de entrar em cena, o acender das luzes, o preparo das rabecas, a sinfonia...”(Dom Casmurro, 1842 , p.07)

Outro fato que possibilita uma relação entre a literatura de Machado e a pintura está no impressionismo com que emprega a cor, o tempo, a paisagem, fragmentos da lembrança que o narrador cita antes, com intenção de uma cena teatral.

No período realista, já era observada uma relação de proximidade entre a pintura e a literatura que, usando de diferentes meios, cores e palavras, comunicavam uma interpretação semelhante a da realidade exterior. (DAFFERNER, Silvia, 2009 p.3)

Literatura e pintura

O diálogo entre as artes existe desde a Antiguidade e ele se verifica na produção literária de Antonio Candido Machado de Assis em sua relação com a pintura. Em O Alienista e Dom Casmurro encontramos uma linguagem que se pretende plástica, pela criatividade da linguagem de suas preferências. (LOPES, José Manuel, p.59)

Machado era um paisagista

Machado de Assis se sentiu revoltado: “O meu sentimento nativista… sempre sedo eu desta adoração da natureza. Raro falam de nós mesmos: alguns mal, poucos bem. No que todos estão de acordo, é no‘pays féerique’. Pareceu-me sempre um modo de pisar o homem e suas obras. Quando me louvam a casaca, louvam-me antes a mim que ao alfaiate. Ao menos, é o sentimento com que fico; se não a fiz, mandei fazê-la. Mas eu não fiz, nem mandei fazer o céu e as montanhas, as matas e os rios. Já os achei prontos, e não nego que são admiráveis, mas há outras coisas que ver”( REVISTA USP, 2002-2003

p. 194)

Simão Bacamarte achou em si os característicos do perfeito equilíbrio mental e moral; pareceu-lhe que possuía a sagacidade, a paciência, a perseverança, a tolerância, a veracidade, o vigor moral, a lealdade, todas as qualidades emfim que podem formar um acabado mentecapto. Duvidou logo, é certo, e chegou mesmo a concluir que era illusão.” (O Alienista, 1951, p. 97)

Seguindo Schwarz (1987, p. 167), a literatura machadiana tinha, entre outras fontes, sua inspiração na psicologia dos moralistas franceses do século XVII, voltada para a natureza humana dita geral, como também a recente curiosidade “clínica” pelo funcionamento psíquico e pelos seus aspectos inconscientes. Essas fontes asseguram as preocupações com o universalismo do escritor brasileiro.

Objeto

A releitura de Machado de Assis,teria de ser mediada por vários anos de pesquisa sobre a história social do Rio no Século XIX,a visão do período realista a política, burocracia, a cultura etc, terá também um estudo de sua biografia e sua obras O alienista e Dom casmurro.

Objetivos

Objetivos gerais

  • Pesquisar sobre autores que fizeram intersemiótica literária para criar obras, pinturas.

  • Investigar sobre a relação entre a literatura e artes plástica (a pintura) através de livros ou pela internet.

  • Produzir um conhecimento das obras O Alienista e Dom Casmurro.

  • Pesquisa histórica para reunião de aspectos cotidianos da época da obras O Alienista e Dom Casmurro.

  • Conhecimento biográfico de Machado de Assis.

Objetivos específicos

A idéia neste trabalho é procurar elementos na literatura (textos, parágrafos, palavras) das duas obras O Alienista e Dom Casmurro ,para composição de pinturas transposta das duas obras literárias de Machado de Assis.

Metodologia

Será pesquisada a biografia de Antonio Candido Machado de Assis, onde analisarei suas preferências na literatura do autor sobre os romances, Dom Casmurro e O Alienista. Será também utilizada a pesquisa histórica, a fim de obter mais aprofundadamente os conhecimentos históricos da época de vida O estudo das obras Dom Casmurro e O Alienista. será feita por meio hermenêutico, isso é:

A hermenêutica é a ciência que estabelece os princípios, leis e métodos de interpretação. Em sua abrangência trata da teoria da interpretação de sinais, símbolos de uma cultura e leis.

Assim como para apreciar devidamente a poesia se necessita possuir um sentido especial para o belo e poético, e para o estudo da filosofia é necessário um espírito filosófico, assim é da maior importância uma disposição especial para o estudo proveitoso da Sagrada Escritura.

Este trabalho tem como objetivo, examinar vários aspectos na literatura das duas obras O Alienista e Dom Casmurro se baseando em abordagens (texto, parágrafo, frases, palavra) com consequência do ponto de vista da recepção a criação de pinturas, em recriação de cenas, cenários, ações tiradas das obras, sendo que terão suas representações particulares de cada livro, isso é uma pintura inspirada em Dom Casmurro, outra inspirada em O Alienista.

Se admite que a situação analítica é, enquanto tal, irredutível a uma descrição de observáveis, cumpre retomar a questão da validade das asserções da psicanálise em outro contexto que não o de uma ciência de fato do tipo naturalista. A experiência analítica tem muito mais semelhança com a compreensão histórica que com uma explicação natural. (Ricoeur 1977, p. 303).

Referencias

SANTOS, Enilce. As imagens literárias na escrita de Mia Couto e a pintura expressionista alemã. 2006. Trabalho de Graduação - Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, 2006.

ASSIS, Antonio Candido Machado,Dom Casmurro, São Paulo: Ática, 1997.

ASSIS, Antonio Candido Machado, O Alienista, São Paulo: Ática, 1997.

LOPES, José Manuel, Traduzir pintura: transposições literárias de obras pictóricas na literatura portuguesa do século XX,São Paulo, 1998.

DINIZ, Thaís Flores Nogueira, Tradução intersemiótica: do texto para a tela,

UFMG Minas Gerais 2001.

ALVES, Joyce ; QUEIROZ ,Helena ,Literatura e pintura: As imagens de Clarice Lispector em Água Viva, s.d.

MISCALÊNEA, Assis,O Conto de Machado de Assis a Partir de uma Perspectiva Sociológica Miscelânea. Revista de Pós-Graduação em letras, São Paulo, vol.4, jan./nov.2008.

DAFFERNER, Silvia. Imagens expressionistas em ANGÚSTIA,

de Graciliano Ramos. Disponível em: <https://www.metodista.br/revistas/revistasims/index.php/ML/article/viewFile/1916/1918> acesso em 04 dez. 2011.

BASTIDE, Roger, Machado de Assis, Paisagista, REVISTA USP, São Paulo, n.56, p. 194, dez./fev. 2002-2003.

SCHWARZ, Roberto, A poesia envenenada de Dom casmurro. Disponível em:<http://xa.yimg.com/kq/groups/23217705/944264334/name/20080624_a_poesia_envenenada.pdf > Aceso em: 02 dez. 2011.

BARBOSA, João Alexandre, Literatura Nunca é Apenas Literatura, Disponível em: <http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_17_p021-026_c.pdf >Acesso em 04 dez. 2011.

NOGUEIRA FILHO, Arnaldo. Releituras- Resumo Biográfico e Bibliográfico.Disponível em: <http://www.releituras.com/machadodeassis_bio.asp> Acesso em: 09 dez. 2011.

CHALHOUB, Sidney, Machado de Assis, historiador, São Paulo: Ltda, 2003.

ZANELLA, A. V.; REIS, A. C; CAMARGO, D.; MABEIRIE, K.; FRANÇA, K. B.; ROS, S. Z.; .Movimento de objetivação e subjetivação mediado pela criação artística. São Paulo: Psicologia USF, jul./dez. 2005.

SOUSA, Natanael Nogueira, SANTANA, Kleber Paulo. Revista e estudos Hermenêutica. Disponível em : <http://revistadominical.sites.uol.com.br/Estudo/hermeneutica.htm > Acesso em: 07 dez. 2011.

MARCELINO, Américo Luís Enes.Representação e realismo, 2002. Dissertação de Mestrado, curso de Filosofia, Faculdade de letras da Universidade de Lisboa, Portugal, jul. 2002

FREIRE, Joyce M. Gonçalves; PEREIRA, Mario Eduardo Costa. A pintura, os desenhos... são imagens que pedem para serem escritas*. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental,São Paulo, 2001. Vol. 4 n.3.

Comentários