Analise da Minissérie Capitu baseada na obra Dom Casmurro de Machado de Assis

Analise da Minissérie Capitu baseada na obra Dom Casmurro de Machado de Assis

2013

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA PROF. MAHOMED BAMBA ALUNA HELENA BARBOSA ANTAS CINEMA E LITERATURA

Analise da Minissérie Capitu baseada na obra Dom Casmurro de Machado de Assis

Apresentação

O objetivo desse trabalho é discutir os pontos de contato entre a obra literária Dom Casmurro de Machado de Assis e a obra audiovisual Capitu (Globo, direção de Luiz Fernando Carvalho, 2008). Apresentando uma análise comparativa do texto sobre a produção da minissérie Capitu. Vamos estudar três pontos principais: 1 ) A proposta e ruptura de padrões da linguagem audiovisual, com possível repercussão no plano comunicacional. 2) Ambientação, a preocupação poética e percepção do diretor sobre o cenário, posições de câmera como analise descritiva na minissérie, a musica como dialogo entre cenas e performance artística e iluminação.3) Encenação, a peculiaridade do formato contemporâneo e modernista em contraste com a narrativa do romance. Narrativa, a importância do ator-narrador da história onde por vezes mantém distancia e contato com as determinadas épocas do enredo.

A proposta

A proposta e ruptura de padrões da linguagem audiovisual, com possível repercussão no plano comunicacional. O trabalho do diretor, roteirista, fez com que proporcionasse uma leitura fílmica por vários ângulos, a direção de fotografia de Adrian Teijido, que trabalhou com Luiz Fernando Carvalho em A Pedra do Reino, respeitou a improvisação do processo criativo da minissérie. Elementos como projeções, sombras, texturas e gelatinas ajudaram a contar a história, que é constituída de lembranças. Como a arte e o figurino, a luz também acompanhou o tom operístico da série. Equipamentos como canhão de luz e refletores móveis foram essenciais na composição de várias cenas. As duas fases do romance estão bem marcadas pela iluminação: a infância é mais luminosa, de cor branca, sem muita interferência de gelatinas artificiais; a maturidade ganha cores mais intensas, como o vermelho, e as imagens são mais densas e contrastadas, com áreas claras e escuras compondo o quadro. 

Bentinho (César Cardadeiro) beija Capitu (Letícia Persiles)

“A Opera” foi o principal capitulo do romance Dom Casmurro para a minissérie pois foi tirada o fragmento do enredo do livro, teve como inspiração para a criação da ambientação. O teatro opera grandes partes dos cenários foram feitos em um único espaço: um salão na sede do Automóvel Club do Brasil, situado no centro do Rio de Janeiro. É um palácio em ruínas, tem aparência de um teatro antigo, o cenário foi feito por poucos moveis antigos e reciclagem, onde os próprios atores moviam os objetos, o uso de cortinas eram bem explorados e da iluminação, como foco de luz.

Por hora temos momentos onde cenas externas do Rio de Janeiro são mostradas, na atualidade, outras uma brincadeira com o narrador da história que em quase todo momento é conta com ironia, a minissérie manteve o roteiro com fidelidade ao romance, fazendo o ritmo narrativo agitado e por vezes e gritante.

“Mas é tempo de tornar àquela tarde de novembro, uma tarde clara e fresca, sossegada como a nossa casa e o trecho da rua em que morávamos. Verdadeiramente foi o princípio da minha vida; tudo o que sucedera antes foi como o pintar e vestir das pessoas que tinham de entrar em cena, o acender das luzes, o preparo das rabecas, a sinfonia... Agora é que eu ia começar a minha ópera. "A vida é uma ópera", dizia-me um velho tenor italiano que aqui viveu e morreu... E explicou-me um dia a definição, em tal maneira que me fez crer nela. Talvez valha a pena dá-la; é só um Capítulo. “ (Dom Casmurro, 2003 p. 16)

Ambientação

A preocupação poética e a percepção do diretor sobre o cenário, fez com que dinamizasse como um diferencial de produção da minissérie, as posições de câmera como analise descritiva fílmica, muito jogos de câmeras, as musicas como dialogo entre cenas e performance artística dialogando com a iluminação. A tradução da obra para o ambiente cinematográfica faz perceber uma escolha inovadora para a importância do trabalho teatral dos atores.

Trilha sonora 

A trilha de Capitu contou com músicas originais de Tim Rescala, músicas clássicas, rock de cantores e grupos internacionais, canções brasileiras e músicas da banda nacional Manacá, que tem como vocalista Letícia Persiles, a intérprete de Capitu jovem. 

A minissérie é embalada, entre diversas outras músicas, pelos sons de Jimi Hendrix e Janis Joplin; pelos acordes metálicos de Iron Man, de Black Sabbath; por Cheek to Cheek, cantada por Fred Astaire; pela canção Juízo Final, de Nelson Cavaquinho e Elcio Soares; e por Elephant Gun, da banda Beirut, de Zach Condon, rapaz nascido no Novo México que toca trompete e ukulele (instrumento havaiano semelhante a um banjo, mas menor), misturando sons do Leste Europeu com ofolk americano. Tema de Bentinho e Capitu, esta canção foi um dos grandes sucessos da trilha. Na qual trás um toque de agitação que propõe, faz o embalo de Capitu adolescentes: uma menina brincalhona, sorridente, curiosa e gênisa, e Capitu adulta: uma mulher linda, atraente, misteriosa e apaixonada.

A banda Manacá fez, especialmente para a série, uma releitura da música Quem sabe, de Carlos Gomes. A versão roqueira da canção foi produzida por Chico Neves (produtor do grupo Los Hermanos). Também constava da trilha a canção Diabo, hit da banda. 

Figurino e caracterização

A figuração foi voltada a época na qual se passa o romance no século XIX, com cabelos modelados, luvas, espartilhos e vestidos balão. A caracterização da personagem Capitu jovem na qual a atriz Letícia Persiles tem uma tatuagem no braço e quando adulta a atriz M. Fernanda Cândido também á tem, faz com que tinha um toque de contemporâneo e inovador. O figurino simbólico criado por Beth Filipecki que trabalhou com Luiz Fernando Carvalho em Os Maias (2001) e no filme Lavoura Arcaica (2001), faz o elo dos personagens com o século XIX. Recursos visuais do teatro orientaram o desenho das roupas e a escolha das cores, valorizando elementos que dessem o tom e o ritmo do teatro operístico. A batina de Escobar, por exemplo, tem uma saia com diâmetro propositalmente maior, equivalente a uma saia feminina, para tornar os movimentos do personagem mais sedutores na visão de Bentinho. Para fazer prevalecer a unidade da obra, foi abolido o ângulo reto nas roupas. Segundo a figurinista, a forma mais arredondada facilitou a fusão das diferentes épocas. Não havia uma simetria perfeita ou padrões da época inabaláveis. A intenção foi provocar o espectador com vestimentas que ganhavam diferentes formas pelo movimento dos atores e da câmera. 

Minissérie Capitu da rede globo, personagem Escobar vestindo batina (Ator Pierre Baitelli).

Encenação

A peculiaridade do formato contemporâneo e modernista em contraste com a narrativa do romance. Narrativa, a importância do ator-narrador da história onde por vezes mantém distancia e contato com as determinadas épocas do enredo. Essa é uma maneira de unir a visão do ator narrador Dom casmurro como ambiente, já que o mesmo se mantém irônico ciumento e apaixonado por hora, caberia assim como idéias descritivas da obra. A leitura fílmica por vários meios intermidiático com cenas onde se passam no cinema ou o ator ouve musica na radiola ou atende o celular.

Capitu (M. Fernanda Cândido) põe fone de ouvido em Bentinho (Michel Melamed).

Contar histórias é algo inerente ao ser humano. Segundo Janet H. Murray (2003, p.9), “a narrativa é um de nossos elementos cognitivos primários na compreensão do mundo”. Desde os primórdios o homem transmite suas tradições através de épicas e mitológicas narrativas. O velho costume de se sentar ao redor de uma fogueira para espantar o frio e trazer à tona “causos” e lendas é cultivado até hoje, porém, o modo de se contar uma história se desdobrou numa infinidade de possibilidades narrativas com o advento de inovadores aparatos tecnológicos. “As novas tecnologias de comunicação e informação, ou as novas mídias, abriram-se também para as possibilidades de contar histórias” (GOSCIOLA, 2004, p.19).

Conclusão

Tendo em vista as mudanças culturais na passagem dos quase cem anos entre uma obra e outra, perguntaríamos: E se Capitu conta-se a historia como seria o final? Isso de nada teria importância a proposta principal do romance era narrar a história de um homem amargurado e ciumento e uma mulher que era idealizada mais não podia ser perfeita, a questão é se contássemos a história na nossa época o ciúme amoroso de Bentinho não mudaria e nem a expressão cultural, ainda permaneceria inalteradas. Existem aspectos que não mudaram através do tempo, o ciúme ainda é um tema rotineiro, por isso houve uma facilidade da identificação da obra com nossa época, ainda que uma minissérie com aspectos (figurinos) rebuscados do século XIX, a fidelidade do roteiro com o texto da obra, foi cuidadosamente trabalhada. O Diretor Luiz Fernando Carvalho apostar em um formato nada antiquado, os personagens transitam por um cenário de sonhos que parece existir apenas em outro mundo e no azedume do velho narrador. Tudo isso traz uma visão de vários ângulos da minissérie.

Referências

MURRAY, Janet H., Hamlet no Holodeck – o futuro da narrativa no ciberespaço, UNESP, Itaú Cultural, São Paulo, 2003.

AZEVEDO, Reinaldo. Revista eletrônica Veja. Diogo Mainardi: “Capitu e Machado de Assis encenado por Orlando Orfei ’’ 13 Dez. 2008

GIANNINI, Alessandro. Uol cinema, Crítica: "Capitu" mostra que diretor não está acima do bem e do mal. 10 Dez. 2008

ASSIS, Machado. Dom Casmurro.Ed. Sonia M. dos Sezefredo. 2003 p. 16

N.I. Capitu (minissérie). Disponível em:  < http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitu_(miniss%C3%A9rie) >. acesso em 27 de julho de 2013

N.I. Capitu. Disponível em: < http://minisserie.blogspot.com.br/2010/03/capitu.html > >. acesso em 27 de julho de 2013

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