Caracterização e análise das secas na sub-bacia hidrográfica do Rio Taperoá e avaliação dos impactos e ações de convivência com a seca de 2012-2014 no município de Taperoá - PB

Caracterização e análise das secas na sub-bacia hidrográfica do Rio Taperoá e...

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Universidade Federal de Campina Grande Centro de Tecnologia e Recursos Naturais Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais

Caracterização e análise das secas na sub-bacia hidrográfica do Rio

Taperoá e avaliação dos impactos e ações de convivência com a seca de 2012-2014 no município de Taperoá - PB

André Aires de Farias

Campina Grande - PB Fevereiro - 2016

André Aires de Farias

Caracterização e análise das secas na sub-bacia hidrográfica do Rio

Taperoá e avaliação dos impactos e ações de convivência com a seca de 2012-2014 no município de Taperoá - PB

Área de concentração: Sociedade e Recursos Naturais Linha de pesquisa: Manejo Integrado de Bacias Hidrográficas

Orientador: Dr. Francisco de Assis Salviano de Sousa

Campina Grande - PB Fevereiro - 2016

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais, Universidade Federal de Campina Grande, como parte dos requisitos para obtenção do título de “Doutor em Recursos Naturais”.

F224cFarias, André Aires de.

Caracterização e análise das secas na sub-bacia hidrográfica do Rio Taperoá e avaliação dos impactos e ações de convivência com a seca de 2012-2014 no município de Taperoá - PB / André Aires de Farias. - Campina Grande, 2016. 185f. : il.

Tese (Doutorado em Recursos Naturais) - Universidade Federal de Campina

Grande, Centro de Tecnologia e Recursos Naturais. “Orientação: Prof. Dr. Francisco de Assis Salviano de Sousa”.

1. Precipitação. 2. Secas - Categorias. 3. Precipitação - Regime. 4. Secas-

Severidade. 5. Rio Taperoá - PB. I. Sousa, Francisco de Assis Salviano de. I. Título

CDU 551.577(043)

Agradecimentos

contribuíram para que um sonho fosse realizado. Mas vamos lá

Diante de uma fase que termina, me faltam palavras para agradecer a todos que

A Deus, por me passar proteção, conselho, força, inteligência, paz e saúde, não permitindo que eu desanimasse durante essa longa caminhada.

Aos meus pais, Maria Nazarete e José Rodrigues, que desde cedo batalharam para que os filhos conseguissem estudar e tivessem mais oportunidades do que eles tiveram. Pelo amor, carinho, compreensão e por terem nos mostrado os caminhos que deveríamos percorrer durante toda nossa vida. Aos meus avós, em especial ao meu avô Inácio Aires de Amorim (in memoriam), que foi uma pessoa especial para todos que o conheceram, deixando em nossas mentes e nos nossos corações, exemplo de amor, dedicação, respeito e união.

À minha família, Andréia, Ana Dark, Andreza, Jobson, Julian, Hermano, Sofia

Gabriely e João Vitor, pelo apoio, amor e carinho. Um agradecimento especial para minha noiva, Telma Bezerra, pessoa iluminada, inteligente, do bem.

Ao Centro de Tecnologia e Recursos Naturais, Universidade Federal de Campina

Grande, pela oportunidade proporcionada para a realização do Doutorado.

À Coordenação do Programa de Pós-graduação em Recursos Naturais, pela prontidão para resolver os problemas.

Aos professores da Pós-graduação em Recursos Naturais, pelos conhecimentos e experiências repassados.

Ao Professor Francisco de Assis Salviano de Sousa, pela atenção, paciência, incentivo e orientação durante todo o curso.

À banca examinadora, pelas importantes contribuições para melhorar o trabalho. Aos colegas de curso, pelo companheirismo e amizade. À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pela ajuda financeira durante todo o curso.

pelos conselhos

Aos amigos: Daniel, Idalécio, Valmir, Thyago, Franklin, Felipe, Fabrício e Anderson

Aos alunos do Curso Técnico em Agropecuária, da Escola Melquiades Vilar, Taperoá-

PB, pela ajuda durante o desenvolvimento da pesquisa. A todos, os meus sinceros agradecimentos...

Triste Partida

...Meu Deus, meu Deus

Setembro passou

Outubro e novembro Já tamo em dezembro

Meu Deus, que é de nós,

Meu Deus, meu Deus

Da fome feroz

Assim fala o pobre Do seco Nordeste Com medo da peste

Sem chuva na terra Descamba janeiro, Depois fevereiro E o mesmo verão

Meu Deus, meu Deus

Entonce o nortista Pensando consigo Diz: "isso é castigo não chove mais não"

Ai, ai, ai, ai

Apela pra março

Que é o mês preferido

Do santo querido Sinhô São José

Meu Deus, meu Deus Mas nada de chuva Tá tudo sem jeito Lhe foge do peito

O resto da fé Ai, ai, ai, ai

Agora pensando

Ele segue outra tria Chamando a famia

Começa a dizer

Viver ou morrer

Meu Deus, meu Deus Eu vendo meu burro Meu jegue e o cavalo Nóis vamo a São Paulo Patativa do Assaré

Caracterização e análise das secas na sub-bacia hidrográfica do Rio

Taperoá e avaliação dos impactos e ações de convivência com a seca de 2012-2014 no município de Taperoá - PB

Resumo

Objetivou-se identificar e analisar os períodos de secas na sub-bacia hidrográfica do Rio Taperoá (SBHRT) e os impactos sociais, econômicos e ambientais e ações de convivência com a seca de 2012-2014 no município de Taperoá - PB. Dados pluviométricos, série 1963- 2014, foram utilizados para analisar o regime de precipitação da sub-bacia; e a severidade dos anos secos, por meio do Índice padronizado de precipitação. A identificação dos impactos foi realizada utilizando-se o método de listagem descritiva check-list, questionários, dados bibliográficos e documentais. Para analisar as variáveis socioeconômicas e as ações de convivência foram utilizados os mesmos materiais dos impactos, exceto o check-list. O período chuvoso dos municípios da sub-bacia ocorre de janeiro a maio, precipitações menores do que a média nesses meses causaram graves impactos. Verificou-se que a maioria das secas que ocorreram na SBHRT se enquadram na categoria moderada, seguido por severa e extrema. A SBHRT foi atingida por secas severas e extremas durante todas as décadas analisadas, no entanto, o maior número delas ocorreu nas décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010. A seca mais grave foi a de 1998-2000, seguido pela de 1979-1985. A seca de 2012- 2014 não foi a mais grave porque a precipitação foi acima da ocorrida no período de 1998- 2000 e 1979-1985, houve também maior investimento em ações de convivência com as secas e programas sociais implantados pelos governos. Os impactos sociais, econômicos e ambientais da seca de 2012-2014 no município de Taperoá-PB foram: problemas de saúde relativos à baixa disponibilidade hídrica, desigualdade na distribuição de recursos durante a seca, desgaste mental, reduções na alimentação da população, conflitos entre usuários de água, aumento da pobreza, migrações populacionais, redução da pecuária e da produção de culturas, aumento do desemprego, elevação dos custos para transportar água, indisponibilidade de alimentos para animais, perturbação dos ciclos de reprodução, redução de recreação e turismo, prejuízos à flora, à fauna e às espécies piscícolas, e redução da qualidade da água. Os impactos continuaram porque faltou recursos financeiros para implantar programas e as políticas públicas de convivência não foram efetivas, só aparecendo com maior intensidade quando a região estava prejudicada pela seca. Para redução dos impactos é necessário aumentar o número de cisternas, principalmente a calçadão. É necessário também perfurar poços e construir açudes, além de fazer manutenção nos que estejam com capacidade reduzida ou desativados, construir barragens subterrâneas e tanques naturais, terminar e colocar em funcionamento a Transposição do Rio São Francisco, incentivar a gestão dos recursos hídricos, criar programas que visem o fortalecimento da agricultura familiar, incentivando a fenação, silagem, meliponicultura, apicultura, criação de animais e plantas adaptados à região, dentre muitos outros.

Palavras-chave: categorias de secas; regime de precipitação; severidade de secas.

Characterization and analysis of droughts in sub-basin hydrographic of the

Taperoá River and evaluation of impacts and living actions with the drought of 2012-2014 in the municipality of Taperoá - PB

Abstract

This study aimed to identify and analyze the periods of droughts in sub-basin hydrographic of the Taperoá River (SBHTR) and the social, economic and environmental impacts and living actions with drought from 2012-2014 in the municipality of Taperoá - PB. Rainfall data, serie 1963-2014, were used to analyze the sub-basin rainfall regime; and the severity of the dry years, through the Standardized Precipitation Index. The identification of social, economic and environmental impacts was performed using the method of descriptive listing check-list, questionnaires, bibliographic and documentary data. To analyze the socioeconomic variables and of actions of living together were used same materials of the impacts, except the checklist. The rainy period in the municipalities of the sub-basin occurs from january to may, precipitations lower than average in these months caused severe impacts. It was found that most of droughts in SBHRT occurred into the category moderate, following by severe and extreme. The SBHRT was hit by severe and extreme dried for all analyzed decades, however, as many of them occurred in the decades of 1980, 1990, 2000 and 2010. The most severe drought was the from 1998-2000, followed by 1979-1985. The drought of 2012-2014 was not the more serious because the precipitation was above occurred in 1998-2000 and 1979-1985 period, there was also greater investment in coexistence actions with droughts and social programs implemented by governments. The social, economic and environmental impacts of the drought of 2012-2014 in the municipality of Taperoá-PB were: health problems of low flow, unequal distribution of resources during the drought, mental strain, reductions in food supply, conflicts water users, increasing poverty, population migration, reduction of livestock and crop production, rising unemployment, higher costs for transporting water, unavailability of feed, disruption of reproductive cycles, reduction of recreation and tourism, losses in flora, fauna and fish species, and reduced water quality. The impacts continued because they lack financial resources to implement programs and public coexistence policies were not effective, only appearing with greater intensity when the region was hampered by drought. To reduce the impacts is to increase the number of cisterns, especially the boardwalk. You also need to drill wells and build dams, in addition to maintenance on that are with reduced or deactivated capacity, building underground dams and natural ponds, finished and put into operation the Transposition of the São Francisco River, encourage the management of water resources, create programs aimed at strengthening family farming, encouraging haymaking, silage, beekeeping, meliponiculture, husbandry of animals and plants adapted to the region, among many others.

Keywords: categories of droughts; precipitation regime; severity of droughts.

Figura 1. Evolução das secas em função da duração e dos impactos29
Figura 2. Parâmetros que são utilizados para análise de uma seca35
Figura 3. Distribuição de áreas sedimentares e cristalinas no Semiárido brasileiro49
Figura 4. Localização geográfica da sub-bacia hidrográfica do Rio Taperoá54
Figura 5. Regime da precipitação pluvial na sub-bacia hidrográfica do Rio Taperoá68
variação (CV) do regime de precipitação pluvial na sub-bacia hidrográfica do Rio Taperoá

Lista de figuras Figura 6. Média, mediana, desvio padrão, valor máximo, valor mínimo e coeficiente de 69

hidrográfica do Rio Taperoá

Figura 7. Distribuição de secas moderadas (A), severas (B) e extremas (C) na sub-bacia 70

1963-2014

Figura 8. Número de secas severas e extremas nos municípios da sub-bacia no período de 71

Figura 9. Índice multivariado do ENOS83
hidrográfica do Rio Taperoá

Figura 10. Número de secas severas e extremas e altitude dos municípios da sub-bacia 84

bacia hidrográfica do Rio Taperoá

Figura 1. Porcentagem de secas moderadas, severas e extremas nos municípios da sub- 85

(D) durante os anos de 2011, 2012 e 2013 no açude Manoel Marcionilo, Taperoá-PB

Figura 12. Valores do potencial hidrogeniônico (A), cor (B), turbidez (C) e cloro residual 107

2012 e 2013

Figura 13. Volume de água armazenado no açude Manoel Marcionilo no período de 2011, 108

município de Taperoá-PB

Figura 14. Impactos da seca de 2012-2014 na área plantada (ha) das culturas agrícolas do 109

município de Taperoá-PB

Figura 15. Impactos da seca de 2012-2014 na área colhida (ha) das culturas agrícolas do 110

agrícolas do município de Taperoá-PB

Figura 16. Impactos da seca de 2012-2014 na quantidade produzida (ton) das culturas 1

culturas agrícolas do município de Taperoá-PB

Figura 17. Impactos da seca de 2012-2014 no rendimento médio por hectare (kg/ha) das 112

município de Taperoá-PB

Figura 18. Impactos da seca de 2012-2014 no valor da produção das culturas agrícolas do 113

Taperoá-PB

Figura 19. Impactos da seca de 2012-2014 no efetivo dos rebanhos no município de 114

município de Taperoá-PB

Figura 20. Impactos da seca de 2012-2014 na quantidade de leite (A) e de ovos (B) no 115

ovos de galinha (B) no município de Taperoá-PB
serviços do município de Taperoá-PB
entrevistados no município de Taperoá-PB
2014 no município de Taperoá-PB
açudes, tanques naturais, poços e barragens subterrâneas no município de Taperoá-PB
quantidade de gado influenciaram os impactos da seca

Figura 21. Impactos da seca de 2012-2014 no valor da produção do leite de vaca (A) e de Figura 2. Impactos da seca de 2012 no produto interno bruto da agropecuária, indústria e Figura 23. Condições de posse da terra (A) e tamanho das propriedades (B) dos Figura 24. Quantidade média de gado bovino, caprino e ovino por propriedade com até 10 ha (A), de 1 a 20 ha (B), 21 a 50 ha (C) e acima de 50 ha (D) nos anos de 201, 2012, 2013 e Figura 25. Porcentagem de pessoas entrevistadas que têm cisternas de placas e calçadão, Figura 26. Porcentagem de pessoas que afirmaram que o tamanho da propriedade e a

Lista de tabelas

sub-bacia hidrográfica do Rio Taperoá

Tabela 1. Mesorregiões, microrregiões, altitudes e médias pluviométricas dos municípios da 5

Tabela 2. Valores do IPP e categorias de chuvas e de secas61
de 12 e 24 meses para o município de Barra de Santa Rosa-PB

Tabela 3. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 72

de 12 e 24 meses para o município de Cabaceiras-PB

Tabela 4. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 73

de 12 e 24 meses para o município de Desterro-PB

Tabela 5. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 74

de 12 e 24 meses para o município de Gurjão-PB

Tabela 6. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 74

de 12 e 24 meses para o município de Juazeirinho-PB

Tabela 7. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 75

de 12 e 24 meses para o município de Olivedos-PB

Tabela 8. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 76

de 12 e 24 meses para o município de Pocinhos-PB

Tabela 9. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 7

de 12 e 24 meses para o município de São João do Cariri-PB

Tabela 10. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 7

de 12 e 24 meses para o município de São José dos Cordeiros-PB

Tabela 1. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 78

de 12 e 24 meses para o município de Salgadinho-PB

Tabela 12. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 79

de 12 e 24 meses para o município de São Vicente do Seridó-PB

Tabela 13. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 80

de 12 e 24 meses para o município de Serra Branca-PB

Tabela 14. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 80

de 12 e 24 meses para o município de Soledade-PB

Tabela 15. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 81

de 12 e 24 meses para o município de Taperoá-PB

Tabela 16. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 82

de 12 e 24 meses para o município de Teixeira-PB

Tabela 17. Quantidade, período, duração, IPP médio e categoria de secas obtidas pelos IPPs 82

Tabela 18. Valores do salário mínimo e do percentual de aumento durante 2000-2014119
município de Taperoá-PB

Tabela 19. Condição do produtor, área, número e área média dos estabelecimentos no 120

de Taperoá-PB

Tabela 20. Tamanhos (ha), estabelecimentos (%) e área (%) das propriedades no município 120

2013 e 2014 em Taperoá-PB

Tabela 21. Número médio de gado bovino, caprino e ovino por propriedade em 2011, 2012, 121

no município de Taperoá em 2011

Tabela 2. Quantidade de cisternas, açudes, tanques naturais, poços e barragens subterrâneas 123

PB

Tabela 23. Ações adotadas durante 2012-2014 para reduzir os impactos da seca em Taperoá- 125

2014

Tabela 24. Quantia gasta com a construção de cisternas, açudes, tanques naturais, poços, barragens subterrâneas, cacimbas e distribuição de ração durante 2012- 126

2014

Tabela 25. Quantidade de pessoas assistidas pelo bolsa família, bolsa estiagem, garantiasafra, distribuição de ração, operação carro-pipa e programa venda em balcão durante 2012- 126

Tabela 26. Porcentagem de pessoas entrevistadas afetadas por impactos sociais, econômicos

2014

e ambientais na zona rural do município de Taperoá-PB durante a seca de 2012- 131

Taperoá-PB

Tabela 27. Coeficiente de variação (%) da quantidade de bovinos, caprinos e ovinos para propriedades com até 10 ha, de 1 a 20 ha, de 21 a 50 ha e acima de 50 ha no município de 134

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