Estudo agroclimático do Município de Cabaceiras-PB

Estudo agroclimático do Município de Cabaceiras-PB

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Estudo Agroclimático do Município de Cabaceiras-PB

Organizadores

Paulo Roberto Megna Francisco Raimundo Mainar de Medeiros Valneli da Silva Melo

Estudo Agroclimático do Município de Cabaceiras-PB

1.a Edição

Campina Grande-PB 2016

© Todos os direitos desta edição são reservados aos autores/organizadores e à EDUFCG FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL DA UFCG

EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE - EDUFCG UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE – UFCG editora@ufcg.edu.br

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Leandro Fontes de Sousa Revisão, Editoração, Arte da Capa:

Antônia Arisdélia Fonseca Matias Aguiar Feitosa (CFP)

Benedito Antônio Luciano (CEEI)

Consuelo Padilha Vilar (CCBS) Erivaldo Moreira Barbosa (CCJS)

Janiro da Costa Rego (CTRN)

Leonardo Cavalcanti de Araújo (CES)

Marcelo Bezerra Grilo (CCT)

Naelza de Araújo Wanderley (CSTR) Railene Hérica Carlos Rocha (CCTA)

Rogério Humberto Zeferino (CH) Valéria Andrade (CDSA)

Realização

Os organizadores externam seus agradecimentos a todos os autores, em especial à

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela concessão de bolsa de estudo e ao Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Campina Grande – PB.

O clima e suas variações temporais exercem grandes influencias sobre a sociedade e a natureza, podendo ser positiva ou negativa. Sendo o ser humano e a sociedade vulnerável as variações climáticas, as atividades do homem são essencialmente voltadas para a agropecuária e o armazenamento de água e sua distribuição para a sobrevivência. A pergunta que fica atualmente é se o clima global é vulnerável ao homem.

A coleta de informações espaço-temporal dos recursos climáticos é fundamental em diversas áreas (Agronomia, Floresta, Agrícola, Recursos Hídricos) dentre outros gamas de usuários e técnicos. O nosso trabalho Estudo Agroclimático do município de Cabaceiras-PB trata de temáticas atuais e das inquietações futuras acerca de aspectos climáticos e socioambientais desse município paraibano.

Sendo uma coletânea de artigos que trata da produtividade de vários aspectos climáticos do município de Cabaceiras – PB, Brasil, visando alcançar aos setores competentes de tomadas de decisões em caso de eventos extremos (chuva, seca, desmoronamento queimadas, irrigação, alagamentos, enchentes, dentre outras catástrofes), além de auxiliar os setores da agropecuária e também a parte socioeconômica.

O trabalho é destinado também aos técnicos e engenheiros que tratam dos recursos naturais, energia, comunicações, planejamentos urbanos, rurais, regionais e recursos hídricos como forma de armazenamento e abastecimento de água aos seres vivos, como fonte de pesquisa que poderá auxiliar nas tomadas de decisões.

Os organizadores e os autores oferecem aos estudiosos do tema e ao público em geral a oportunidade de conhecer as variabilidades climáticas de um município do semiárido paraibano. Essa temática está sempre sujeita a críticas ainda mais quando a região de estudo enfrenta problemas históricos relacionados às mudanças climáticas.

Vicente de Paulo Rodrigues da Silva Prof. Dr. UACA/CTRN/DCA/UFCG.

Capítulo 19
Capítulo 21
Capítulo 320
Capítulo 432
Capítulo 537
Capítulo 643
Capítulo 750
Capítulo 856
Capítulo 963
Capítulo1067
Capítulo1178
Capítulo 1285
Capítulo 138
Capítulo 1491
Capítulo 15100
Capítulo 16109
Capítulo 17113
Capítulo 18121
Capítulo 19126
Capítulo 20132
Capítulo 21136
Referências bibliográficas144

SUMÁRIO Descrição da área de estudo Flutuações climáticas e confusões ambientais no mecanismo da desertificação Balanço hídrico a erosividade e seu planejamento agropecuário Variações do balanço hídrico nas últimas três décadas Diagnóstico e tendência da precipitação Flutuações climatológicas pluviométricas Variabilidade anual da precipitação e condições de captação e armazenamento de água Mudanças da precipitação e da temperatura máxima, mínima, média do ar mensal e anual Eventos de precipitação extrema Análise hidroclimática Avaliação hídrica por meio de mudanças climáticas Alteração climática tendo em vista o armazenamento de água Avaliação da erosividade pluviométrica Zoneamento, classificação e aptidão agroclimático de culturas Teoria da entropia da precipitação pluvial Uso do sensoriamento remoto e sig aplicado ao estudo da desertificação Variabilidades mensais, anuais e decadal das temperaturas máximas, mínimas e médias do ar Comparativo dos índices evaporativos das décadas de 1980,1990 e 2000 com a média histórica e as variabilidades da evapotranspiração mensal e anual pelo método de Thornthwaite Oscilações mensais, anuais e decadal das temperaturas máximas e mínimas do ar e as variabilidade mensal e anual da temperatura média do ar Variação média mensal e anual da umidade relativa do ar Contribuição meteorológica à festa turística do Bode Rei Curriculum dos Autores......................................................................................................................156

Capítulo 1

DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO Raimundo Mainar de Medeiros

O município de Cabaceiras localizado no estado da Paraíba apresenta uma área de 400,2 km². Seu posicionamento encontra-se entre os paralelos 7018’ 36’’ e 7035’50’’ de latitude sul e entre os meridianos de 36012’24’’ e 36025’36’’ de longitude oeste.

Cabaceiras está inserido na mesorregião da Borborema e microrregião do Cariri Oriental, limitando-se com os municípios de São João do Cariri, São Domingos do Cariri, Barra de São Miguel, Boqueirão e Boa Vista (Figura 1).

Figura 1. Localização do município de Cabaceiras com destaque para a bacia hidrográfica do Rio Paraíba. (Adaptada por Sousa, L. F. e Santos, E. G., 2015).

A área de estudo localizada na região do Cariri da Paraíba compreende em grande parte, a área da bacia de contribuição do açude de Boqueirão, que apresenta a montante, duas bacias contribuintes, a do Alto Paraíba e a do rio Taperoá. É uma área aberta, sobre o planalto, com relevo suave ondulado, altitude variando em grande parte entre 400 e 600 m, e drenagem voltada para o leste, o que facilita a penetração uniforme das massas atlânticas de sudeste, propiciando temperaturas amenas (<26ºC), e uma maior amplitude térmica diária. Nas áreas com relevo mais deprimido, a precipitação média anual é inferior a 400 m, aumentando com a altitude no sentido dos divisores da drenagem segundo Francisco (2010).

A área de estudo encontra-se inserida na Borborema, na unidade geomorfológica denominada Planalto da Borborema de formas tabulares e convexas. O Planalto da Borborema segundo Souza et al. (2003), se constitui no mais importante acidente geográfico da Região Nordeste, exercendo na Paraíba um papel de particular importância no conjunto do relevo e na diversificação do clima.

O Cariri da Paraíba compreende em grande parte, a área da bacia de contribuição do açude de Boqueirão, que apresenta a montante, duas bacias contribuintes, a do Alto Paraíba e a do rio Taperoá. É uma área aberta, sobre o planalto, com relevo suave ondulado, altitude variando em grande parte entre 400 m a 600 m, e drenagem voltada para o leste, o que facilita a penetração uniforme das massas atlânticas de sudeste, propiciando temperaturas amenas (<260C), e uma maior amplitude térmica diária. Nas áreas com relevo mais deprimido a precipitação média anual é inferior a 400 m, aumentando com a altitude no sentido dos divisores da drenagem.

Os solos mais representativos é o Luvissolo Crômico Vértico fase pedregosa relevo suave ondulado, predominante em grande parte da região; os Vertissolos relevo suave ondulado e ondulado predominam nas partes mais baixa, no entorno do açude de Boqueirão e os Planossolos Nátricos relevo plano e suave ondulado, ao norte. Nas áreas mais acidentadas, ocorrem os Neossolos Litólicos Eutróficos fase pedregosa substrato gnaisse e granito.

Em toda a área, a vegetação é do tipo caatinga hiperxerófila (Figura 2). É uma região tradicionalmente pastoril, onde tem predominando a criação de caprinos. Outrora com produção expressiva de algodão e na atualidade cultiva palma e culturas alimentares em conformidade com Francisco (2010).

Figura 2. Mapa de solos do município de Cabaceiras. Fonte: Adaptado de Paraíba (2006).

De acordo com a classificação de Köppen, o clima da área e do tipo Bsh - Semiárido quente, precipitação predominantemente, abaixo de 600 m.ano-1 e temperatura mais baixa, devido ao efeito da altitude. As chuvas da região sofrem influência das massas Atlânticas de sudeste e do norte segundo Francisco et al, (2011).

Capítulo 2

Raimundo Mainar de Medeiros Valneli da Silva Melo

Introdução

A influência do clima é essencial no meio ambiente, o mesmo é responsável por todas as interações biogeoquímicas entre os componentes bióticos e abióticos dentro do ecossistema e de acordo com o resultado da percepção atual das complexas relações entre o meio ambiente e a sociedade passa necessariamente pelo diagnóstico de como o clima e seus elementos interferem. O clima de toda e qualquer região, situada nas mais diversas latitudes do globo, não se apresenta com as mesmas características em cada ano em conformidade com Soriano (1997).

Para Monteiro (1976), o clima é como algo dinâmico e interativo em caráter de conjunto, de síntese e de dinamismo (variabilidade e ritmo) e a análise dinâmica é extremamente importante para a definição em mesoescala dos sistemas morfológicos, para a interpretação da dinâmica dos processos erosivos do meio ambiente e de outros aspectos.

Nesse contexto, a desertificação constitui um dos mais graves problemas ambientais enfrentados na atualidade, a mesma está associada à redução da produtividade biológica ou econômica das terras, caracterizada pela fragilidade ambiental, social ou econômica. A desertificação pode ser compreendida como a deterioração do quadro natural, com a progressiva redução da biomassa, o ressecamento marcante do ambiente, a elevação acentuada da temperatura média e intensificação dos processos erosivos, inclusive os eólicos, que diante disso, são vários os fatores que colaboram para esse mosaico de domínios naturais: a dinâmica atmosférica regional, as influências orográficas de média escala e as características oceânicas, principalmente as temperaturas das águas superficiais, nessa conjuntura a desertificação tanto pode ter origem em causas naturais ou desencadeadas pela ação antropogênicas (Conti, 2008).

Aubreville (1949), um dos primeiros estudiosos sobre o tema, salienta dois efeitos principais da desertificação: a) a erosão dos solos, seja pelo processo laminar, seja pelo ravinamento, processos que se instalariam como consequências da retirada da vegetação; b) agravamento do déficit hídrico dos solos, em virtude da maior exposição dos mesmos à radiação solar e a ação dos ventos secos. Silva et al, (2011) afirma que o processo da desertificação, de uma maneira geral, ocorre em áreas em que a razão entre precipitação e evapotranspiração potencial anual é inferior a 0,65, isto corresponde a áreas áridas, semiáridas e sub úmidas secas, na qual uma combinação dos fatores antrópicos e naturais agem de forma a acelerar ou não neste processo.

Com base nas definições propostas ao longo dos anos, adotou-se como definição de desertificação a degradação das terras nas zonas áridas, semiáridas e sub úmidas secas, resultante das variações climáticas, em maior ou menor grau. Sales (1996) afirma que o município de Cabaceiras, que está localizado na região do Seridó Oriental Paraibano, apresenta um forte comprometimento da economia e do meio ambiente devido à intensidade da degradação do solo, e constitui um dos quatro núcleos de Desertificação do Brasil.

Silva et al., (2010) observa que as altas incidências de raios solares, com consequentes altas de temperaturas aumentam os índices de evapotranspiração, variabilidade climática, assim como os períodos de seca, a intensidade das chuvas, a erodibilidade dos solos, o escoamento superficial e a derivação antropogênica como o desmatamento indiscriminado, as queimadas e o pastoreio da ovinocaprinocultura acima da capacidade de suporte do ambiente, foram os fatores que aceleram e agravam o processo de desertificação na região do município de Cabaceiras.

A extensão e a intensidade da degradação verificada em Cabaceiras são de grande magnitude, sobretudo ao atravessar o período seco à erosão eólica contribui para a mobilização do material, inserindo na paisagem numa fisionomia semelhante à de desertos segundo Cavalcante et al, (2005). Em virtude da gravidade do problema, tornam-se necessários estudos e medidas práticas a serem adotadas no município de Cabaceiras, caso contrário, este espaço pode transformar-se num deserto atípico, com características ecológicas de deserto de acordo com Silva et al, (2011).

No contexto geográfico, percebe-se que a apropriação do solo, do relevo, como suporte ou recurso, origina transformações que começam com a subtração da cobertura vegetal expondo o solo aos impactos pluvierosivos. Todavia, ocorrem alterações nas relações processuais, como as mudanças no jogo dos componentes de perpendicular, correspondente à infiltração, a paralela, assoreamento, agentes externos, escoamento superficial ou fluxo de terra em conformidade com Casseti (1994).

Os estudos sobre este processo de degradação são de suma importância porque comprometem fortemente a economia e o meio ambiente e afeta tanto a população urbana e rural, do município e expande-se nas circunvizinhanças, com muita rapidez pelos domínios morfoclimáticos da Caatinga (CPRM, 1972). O processo de avaliação do impacto ambiental é uma tarefa complexa, pela diversidade de fatores sociais, físicos e biológicos, e também por não ser um conhecimento exato das relações entre os ambientes sociais e físicos. Muitos dos conflitos socioambientais estão associados a grandes riscos, tantos naturais (desastres, extinção de espécies, deslizamentos etc.) como sociais (perigo à saúde, deterioração da qualidade de vida, direitos humanos, sobrevivência econômica, etc.) conforme Vargas (1997).

O objetivo deste estudo é caracterizar a desertificação dentro de uma metodologia sistemática, referente aos aspectos geoambientais, na perspectiva de analisar a influencia dos fatores físicos naturais, procurando situá-los no contexto dos riscos mais amplos e da degradação ambiental, cuja incidência tem grande expressão nas baixas latitudes.

Materiais e métodos

Na metodologia foram utilizados dados de precipitações climatológicas médias mensais e anuais adquiridos do banco de dados da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA) para o período de 1926 a 2014.

Utilizou-se da estatística básica para realização dos cálculos da média; moda; mediana; desvio padrão em relação à média; coeficiente de variância; máximos e mínimos valores.

A estimativa da temperatura média do ar foi realizado pelo software denominado

“Estima_T” (Cavalcanti et al., 1994, 2006), desenvolvido pelo Núcleo de Meteorologia Aplicada da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O Estima_T é um software para fazer estimativas de temperaturas do ar na região NEB. A região foi dividida em três áreas: 1 - Maranhão e Piauí; 2 - Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco e 3 - Alagoas; Sergipe e Bahia. Para cada uma das regiões se determinaram os coeficientes da função quadrática para as temperaturas média, máxima e mínima mensal, em função das coordenadas locais: longitude, latitude e altitude (Cavalcanti et al. 2006).

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