Jacaricultura

Jacaricultura

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”

CAMPUS EXPERIMENTAL DE REGISTRO

BACHARELADO EM ENGENHARIA DE PESCA

CAROLINA FERREIRA DE SOUZA

DIEGO FRANCO TRUZZI

ELISABETE DIAS DE MELO

JACARICULTURA

REGISTRO

2015

SUMÁRIO

  1. INTRODUÇÃO 2

    1. Espécies de jacarés 2

      1. Jacaré-açu 2

      2. Jacaré coroa 2

      3. Jacaré do pantanal 3

      4. Jacaretinga 4

      5. Caimão-de-cara-lisa 4

      6. Jacaré-do-papo-amarelo 5

    2. Principais produtos da jacariculturra 6

      1. Pele (couro) 6

      2. Carne 6

      3. Outros 7

    3. Sistemas de criação 7

  2. HISTÓRICO 8

    1. Situação nacional 9

    2. Situação mundial 10

  3. LUCRATIVIDADE 10

  4. PERSPECTIVAS FUTURAS 11

  5. REFERÊNCIAS 11

  1. INTRODUÇÃO

A jacaricultura, atividade de criação de jacaré em cativeiro, teve início como uma alternativa para os fazendeiros protegerem suas propriedades das invasões de caçadores de jacaré. Hoje é uma atividade industrial com uma grande preocupação com a preservação ambiental e responsabilidade social. A Portaria n. 126/1990 do IBAMA deu o suporte legal a esse tipo de manejo, regulamentando a implantação de criadouros comerciais (AVEIRO, 2012). O Brasil, que antes era responsável pela produção de milhões de peles de jacaré, atualmente encontra-se à margem de um mercado avaliado em cerca de US$ 200 milhões anuais (COUTINHO, 2004 apud AVEIRO, 2012).

    1. Espécies de jacarés

Segundo o site Criar e Plantar ([200-?]), os jacarés pertencem à classe Reptilia, ordem Crocodilia e família Crocodilidae. A família é dividida em três sub-famílias, oito gêneros e vinte e duas espécies. Cinco delas pertencem à sub-família Alligatorinae que se localiza no Brasil. A seguir, são apresentadas seis espécies com suas devidas características (AVEIRO, 2012).

      1. Jacaré-açú

O Melanosuschus niger, conhecido popularmente como jacaré arurá, jacaré-açu e lagarto negro, ocorre na Amazônia,Guiana Francesa, Colômbia; Equador, Peru e Norte da Bolívia (MATTAR, [200-?] apud AVEIRO, 2012). Indivíduos desta espécie apresentam coloração negra com faixas amarelas, têm grandes olhos e narinas que ficam semissubmersos; se alimentam de peixes, pássaros e caranguejos.

É um dos maiores jacarés, podendo atingir 6 metros de comprimento e peso de 300 quilos. Se reproduz uma vez ao ano, sendo que a fêmea pode pôr até 50 ovos. Vive, em média, 80 anos podendo chegar a 100. Este tipo de jacaré está ameaçado de extinção. O seu couro é cobiçado e a sua carne é saborosa (FUNDAÇÃO OSVALDO CRUZ, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

      1. Jacaré Coroa

O Paleosuchus palpebrosus, conhecido popularmente como jacaré-paguá cachirré, cuviers dwarf caiman, coroa e musky caimam, está distribuído na América do Sul e, no Brasil, ocorre ao longo dos rios Amazonas, Orinoco, Araguaia-Tocantins, São Francisco, Paraguai e Paraná, e a área central do Pantanal (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

Os machos desta espécie chegam a atingir 1,6 metros e as fêmeas 1,2 metros de comprimento total. A pele do jacaré coroa parece uma armadura ossificada envolvendo o dorso e o ventre; é uma super proteção para seu corpo. Existe desvalorização comercial de sua pele, o que diminui a sua captura por caçadores. Comercialmente, esta espécie não apresenta alto valor – evido à ossidificação, sua pele não pode ser aproveitada. Apresenta uma coroa de cristas protuberantes no final da cabeça, daí seu nome vulgar Jacaré-coroa. A coloração geral é marrom chocolate e a íris do seu olho é castanho escuro. Seus filhotes não apresentam coroa de cristas, a cabeça é lisa e de cor marrom claro. O corpo possui faixas escuras com um fundo amarelado e o ventre é esbranquiçado (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

O Jacaré Coroa habita em rios com vegetação nas margens, córregos e florestas alagadas em torno de grandes lagos. Nos períodos mais frios do ano se esconde em tocas. Durante à noite locomove-se percorrendo grandes distâncias. Quando jovem, alimenta-se de invertebrados (crustáceos) e, depois de adultos, de peixes, caranguejos, moluscos e camarões. Seus dentes, virados para trás, servem para capturar crustáceos (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

      1. Jacaré-do-pantanal

O jacaré-do-pantanal Caiman crocodilus yacare é, também, conhecido popularmente como jacaré do pantanal, yacare caiman, paraguayan caiman, red caiman, jacaré piranha, coscarudo, yacare de hocico, angosto, yacare negro, southern spectacled caiman, caimán del paraguay, caimán yacaré, jacará de lunetos. Esta espécie é encontrada no Norte da Argentina; Centro-Sul do Brasil; Sul da Bolívia e Paraguai. No Brasil, encontra-se na bacia do rio Paraguai e no Pantanal dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

O Jacaré-do-pantanal chega a atingir 3 metros de comprimento total e apresenta escama. Durante o período de seca, esconde-se em rios, riachos, lagoas artificiais ou permanece enterrado no barro para se proteger. Sua alimentação consiste de peixes, capivaras, cobras, caranguejos, caramujos e insetos, Esta espécie possui um couro de alta qualidade e pode ser criada em cativeiro e o seu comércio internacional é permitido. Atualmente, pode-se exportar produtos e subprodutos para os Estados Unidos (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012; CRIAR E PLANTAR, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

A população de Jacaré-do-pantanal no Brasil é estimada entre cem mil a duzentos mil e durante as estações de seca é que se pode verificar a alta densidade populacional desses animais (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

      1. Jacaretinga

O Caiman crocodilus crocodilus, conhecido como jacaré comum, jacaré de óculos, tinga, baba, babilla, babiche, cachirré, jacaré branco, jacaré do brasil, cascarudo, jacaretinga, lagarto, lagarto blanco, yacaré blanco, é encontrado nos seguintes países: Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Guiana Francesa, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Suriname, Tobago, Trinidad e Venezuela. No Brasil, se distribui na região norte nas bacias do Amazonas e do Orinoco e, também, no Centro-oeste, nas bacias dos rios Araguaia e Tocantins (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

O Jacaretinga é pequeno, sendo que os machos chegam a atingir, no máximo, 2,5 m de comprimento e as fêmeas 1,4 m. Quando jovens são amarelados com manchas e faixas escuras pelo corpo e se alimentam de insetos, crustáceos e moluscos, mas quando adultos ficam de coloração verde-oliva comem peixes, anfíbios, répteis, aves aquáticas e pequenos mamíferos. Esta espécie é pouco estudada e, por isso, ainda não se sabe muito a seu respeito. É o mais comum dentre os crocodilianos brasileiros, sendo estimado mais de um milhão de animais, apesar de algumas populações terem sido reduzidas (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

      1. Caimão-de-cara-lisa

O caimão-de-cara-lisa (Paleosuchus trigonatus), também conhecido como Jacaré-pedra; Caimã; Smooth-fronted Caiman; Schneider´s Dwarf Caiman; Cochirre, ocorre na Bolívia, no Brasil, na Colômbia, no Equador, nas Guianas, no Peru, Suriname e Venezuela. Esta espécie ocupa habitats diferenciados dos outros jacarés amazônicos: basicamente riachos rasos com áreas de floresta. Ocorrem nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco e rios da costa das Guianas (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

Os machos desta espécie atingem 2,3 metros de comprimento e as fêmeas 1,5 metros de comprimento total. As projeções laterais na fileira dupla de cristas pontudas da cauda são mais achatadas dorso-ventralmente do que em outros crocodilianos. A íris apresenta coloração marrom. Sua pele é ossificada, pouco flexível e de pequeno tamanho, o que a torna de baixo valor comercial. Não é uma espécie muito caçada (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

O Caimão-de-cara-lisa constrói ninhos em cupinzeiros, para que o calor dos cupins aqueça seus ovos. A fêmea deposita de 10 a 20 ovos e sua encubação pode durar até 115 dias. O jacaré adulto escava o ninho quando os ovos estão prestes a eclodir. A alimentação dos juvenis consiste de invertebrados terrestres e quando adulto passa a comer mamíferos, serpentes e peixes, em menor quantidade (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

      1. Jacaré-do-papo-amarelo

O jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris) é, também, conhecido como jacaré do focinho largo ou ururau, ocorre desde a linha oceânica do nordeste até o sul da Argentina; ocorre, também, na Bolívia, no Paraguai, Uruguai, região central do Brasil, nos rios São Francisco, Paraná, Doce e Paraguai (MATTAR, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

Esta espécie é classificada como de porte médio. Os machos podem chegar a 3 metros de comprimento e as fêmeas não passam de 2 m. Têm o focinho largo e de coloração pálida. Quando jovens, possuem manchas escuras na mandíbula e na cauda. Já nos animais velhos, a coloração se torna escura e o ventre fica amarelo esbranquiçado (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIOS, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

O jacaré-do-papo-amarelo pode ser criado em cativeiro, porém a criação só é permitida para fins científicos por ser uma espécie ameaçada de extinção. Somente a segunda geração nascida em cativeiro pode ser comercializada (CRIAR E PLANTAR, [200-?] apud AVEIRO, 2012). Se reproduz entre os meses de janeiro e março, coincidindo com o período de enchente dos rios. A fêmea põe entre 30 a 60 ovos por ninhada. São animais que chegam a viver 50 anos, no entanto, estão na lista de extinção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A diminuição da população se deve à destruição do seu habitat e à poluição dos rios (FUNDAÇÃO OSVALDO CRUZ, [200-?] apud AVEIRO, 2012). Ele se alimenta de insetos, crustáceos, moluscos e alguns vertebrados. Por apresentar o focinho menor e mais compacto que outros crocodilianos, o Jacaré-do-papo-amarelo tem dificuldade em capturar peixes vivos, razão para que estes não façam parte de sua alimentação. Costuma escavar o leito de corpos de água em busca de gastrópodes para sua alimentação (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIO, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

A pele é bastante valorizada devido à pequena presença de osteodermos e ao padrão de suas escamas. Os produtos manufaturados com a sua pele podem ser de alta qualidade (CENTRO NACIONAL DE PESQUISA E CONSERVAÇÃO DE RÉPTEIS E ANFÍBIO, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

    1. Principais produtos da jacaricultura

      1. Pele (couro)

A comercialização só pode ser feita a partir do sexto mês de vida, com tamanho mínimo de 18 cm de largura (medida na parte mais larga do corpo –dorso), quando o animal mede em torno de 1,2 m de comprimento (OPNAL, 2015).

No Brasil, o mercado de pele de jacaré está avaliado em US$ 200 milhões ao ano. De acordo com a lei nº 2.553, de 1955 determina a proibição da exportação do couro de jacaré em bruto. O nível mínimo de curtimento admitido para exportação é o de “Wet Blue” (OPNAL, 2015).

      1. Carne

Na época do abate, o que leva em torno de dois anos, um jacaré fornece aproximadamente 1,7 kg de carne, com reduzido teor de gordura e rico em proteínas (OPNAL, 2015). No quadro 1 tem-se a composição nutricional por tipo de carne (PIRAN, 2010).

Além disso, possui grande concentração de ferro, que lhe confere lugar garantido nas dietas. A carne cada vez mais ganha notoriedade nos restaurantes especializados com pratos vendidos por R$ 29,00, em média (OPNAL, 2015).

A produção nacional de carne de jacaré alcança 20 mil quilos por ano. Atualmente, os maiores compradores são os restaurantes localizados em Mato Grosso do Sul, onde é forte a atividade de criação de jacarés (OPNAL, 2015).

TIPO

CALORIAS

PROTEÍNAS

LIPÍDEOS

Jacaré

50,6

23,8

0,32

Perdiz

118

21,2

3,1

Avestruz

126

25,5

2,7

Búfalo

131

26,8

1,8

Capivara

135

22,1

4,5

Coelho

162

21,0

8,0

Codorna

184

18,0

12,5

Cordeiro

206

17,1

14,8

Boi

225

19,4

15,8

Frango

246

18,1

18,7

Suíno

276

16,7

22,7

Quadro 1 – Composição nutricional por tipo de carne

      1. Outros

A cabeça e as patas são utilizadas na indústria de artesanato, enquanto a banha é utilizada na indústria de cosméticos e a urina é utilizada na indústria de perfumaria, tida como bom fixador de perfumes (OPNAL, 2015).

    1. Sistemas de Criação

De acordo com FETT (2005 apud AZEVEDO, 2007, apud AVEIRO, 2012), os tipos de sistemas de criação de crocodilianos são os seguintes:

  • Ciclo fechado ou “farming”: neste sistema de criação todas as etapas do ciclo produtivo ocorrem em cativeiro, incluindo a cópula, postura, incubação, eclosão dos ovos e o desenvolvimento dos filhotes até o abate. Para se iniciar o sistema produtivo deve-se capturar os primeiros animais que servirão como reprodutores. Neste caso, para capturar as fêmeas, estas devem medir 1,60 m de comprimento e os machos 1,80 m;

  • Aberto ou “ranching”: neste sistema de criação a cópula e a postura ocorrem na natureza. Os ovos são capturados na natureza e incubados em incubadoras. Os filhotes crescem e permanecem em cativeiro até o abate;

  • Caça comercial ou “harvesting”: todas as etapas produtivas são realizadas na natureza. Este tipo é regulamentado pelas autoridades responsáveis e em períodos pré-determinados, normalmente uma vez por ano.

Além dos três sistemas de criação supra mencionados, existe um quarto tipo denominado “headstarting” e funciona da seguinte forma: o produtor protege os ninhos presentes na natureza, o que garante a incubação e a eclosão. Os filhotes ficam em ambiente semelhante ao que vivem. Para a alimentação dos jacarés, são atraídos para o ambiente de recria insetos e vários invertebrados. Depois de um ano, os animais são identificados e devolvidos a natureza. Os criadores podem capturar a abater jacarés que vivam na fazenda, desde que esteja no limite máximo de 60% do total de animais soltos após a criação. O abate deve ser realizado em local autorizado pela inspeção sanitária (MESQUITA, [200-?] apud AVEIRO, 2012).

  1. HISTÓRICO

Anteriormente 1967, sem restrições à exploração da fauna brasileira, o manejo do jacaré era feito em escala industrial, fazendo com que sua produção atingisse a ordem de milhões de peles (OPNAL, 2015).

Entre 1967 ao final dos anos 80, período em que vigorou a Lei 5.197/67, que proibia o manejo e a caça comercial dos jacarés, a produção nacional foi significativamente reduzida (OPNAL, 2015).

A partir de 1990, com a Portaria 126 do IBAMA regulamentando a utilização das populações naturais do jacaré do Pantanal em sistema semiextensivo, foi permitida a coleta dos ovos diretamente na natureza e a criação dos filhotes em cativeiro para fins comerciais, fazendo com que a produção crescesse gradualmente, até alcançar o máximo de 200 mil jacarés em cativeiro (OPNAL, 2015).

Em 2001, sinais de recuperação da produção da produção foram observados, coincidindo com a retirada das restrições imposta pela legislação americana aos produtos fabricados com jacarés originados no Brasil, quando novos mercados foram abertos ao produto brasileiros (OPNAL, 2015).

    1. Situação nacional

O Brasil se encontra em destaque para explorar e desenvolver a utilização sustentada de populações naturais de crocodilianos existentes no País. As grandes extensões territoriais úmidas tropicais, o vigor das populações da espécie de valor econômico reconhecido e o cenário socioeconômico congregam alguns dos principais fatores que tornam o país em um potencial produtor mundial de crocodilianos (OPNAL, 2015).

Atualmente, o Brasil tem população de 20 milhões de jacarés, um dos maiores estoques do planeta, juntamente com a maior densidade crocodiliana já relatada no mundo (150 indivíduos/km2) (OPNAL, 2015).

O país conta com 31 criadouros para fins comerciais, a maioria localizado na Região Centro-Oeste. A legislação em vigor proíbe a captura do animal na natureza para fins comerciais. Mas a criação em cativeiro para abate e comercialização é permitida. Pelas estimativas mais conservadoras, somente o mercado nacional de peles de couro de jacaré situa-se em torno de 200 milhões de dólares anuais. A Cooperativa dos Criadores de Jacaré do Pantanal, localizada a 250 km a oeste de Cuiabá, em atividade há 14 anos, possui plantel de 25 mil animais criados em cativeiro e outros 20 mil da nova safra. Com a expansão, é viável o abate de 100 animais/dia, produzindo duas mil peles e três mil quilos de carne de jacaré por mês. Tanto a pele como parte da carne são exportados para os Estados Unidos (OPNAL, 2015). Em 27 anos, de 1976 a 2003 a produção média anual foi de 449.240 peles (COUTINHO, [20--]).

TOTAL DE EXPORTAÇÕES DE PELES

Figura 1 – total de exportação de peles de jacaré, de 1976 a 2003

    1. Situação mundial

Segundo COUTINHO [20--], a participação por país na produção de jacaré, em ordem decrescente, fica distribuída da seguinte forma: em primeiro lugar a Colombia com 65,542%, mais da metade da produção total, distribuídos em 0,002% na produção de acutus, 61,150% de fuscus e 4,390% de caiman; seguida por Venezuela com 15,34% representados pela produção de caiman; Paraguai com 7,16% representados pela produção de caiman; Panamá com 2,88% pela produção de fuscus; Guiana com 2,76% pela produção de caman; Bolívia como 2,75% pela produção de yacare; Nicaragua com 1,74% sendo 0,03% pela produção de caiman e 1,71% pela produção de fuscus; Argentina com 1,033%, sendo 1,030% pela produção de yacare e 0,003% pela produção de latirostris; e, em último lugar, com menos de 1% da produção total, o Brasil com 0,79%, sendo 0,10% pela produção de caiman e 0,69% pela produção de yacare.

Produção de Jacaré – Participação por país(%)

Figura 2 – Produção de jacaré: participáção por país

  1. LUCRATIVIDADE

A criação de jacaré pode ser lucrativa já que apenas 5% dos animais nascidos na natureza atingem a idade adulta, em cativeiro são 90%. O couro do animal caçado tem só 25% de aproveitamento, em cativeiro é de 100%; e alem disso é caça é ilegal. Um animal de 2 anos produz 1,7 kg de carne e os subprodutos como cabeça e patas podem servir de enfeite (CRIAR E PLANTAR, [20--]).

Segundo DUARTE [20--], o quilograma da carne de jacaré custa Us$ 3,50 (três dólares e cinquenta cents) pelo preço internacional FOB. O preço da pele de Jacaré com 1 m, mercado interno é de Us$ 25,00 (vinte e cinco dólares).

Em 30 meses, dois anos e meio, o ponto de equilíbrio para a produção de peles de Jacaré, é de 28.118 peles e a produção prevista pelos especialistas é de 160.000 peles. Para a carne de Jacaré, o ponto de equilíbrio é uma produção de 200.843,81 quilogramas e a produção prevista pelos especialistas é de 1.056.000 quilogramas. O lucro líquido, tanto para a carne, quanto para a pele (couro) de jacaré, é de 88% (DUARTE, [20--]).

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, classifica a criação de Jacaré em cativeiro, como “investimento de baixo risco”; e a demanda para os produtos é muito maior que a oferta (DUARTE, [20--]).

  1. PERSPECTIVAS FUTURAS

A criação de animais silvestres tem um futuro promissor no Brasil, muito disso se deve ao fato de que há a necessidade de preservar a espécies nativas ameaçadas de extinção; e o jacaré é uma delas (CRIAR E PLANTAR, [20--]). Contudo, a falta de tradição no uso de espécies silvestres no Brasil, os entraves burocráticos, a falta de profissionais preparados para atender os vários segmentos da cadeia produtiva e a necessidade de um sistema rígido de controle e normalização do comércio, juntamente com problemas na economia nacional e internacional podem dificultar o desenvolvimento do agronegócio de animais silvestres no Brasil (COUTINHO, 2007).

PIRAN (2010) pontua sobre a cadeia produtiva do jacaré-do-pantanal, as seguintes oportunidades e desafios: a inserção dos produtos no mercado nacional (carne) e internacional (carne e pele); estudos sobre a estruturação e coordenação da cadeia produtiva do jacaré do pantanal e estudos para melhoria das atividades produtivas dos elos da cadeia.

  1. REFERÊNCIAS

AVEIRO, A. V. D. Criação de jacaré em cativeiro. [S.l.]: SBRT, 2012. (Dossiê técnico). 22 p.

COUTINHO, M. E. Jacarés: criação ou manejo?. Agroline, 2007. Disponível em: <http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=380&pg=3&n=3>. Acesso em: 03 jun. 2015.

COUTINHO, M. Tecnologias de manejo de jacarés no Brasil: biologia, conservação e manejo de crocodilianos brasileiros. Centro de Conservação e Manejo de Répteis e Anfíbios – IBAMA/RAN. [S.l], [20--]. Disponível em <http://www.sistemafamato.org.br/site/arquivos/Tecnologia%20para%20a%20criacao%20de%20jacare%20do%20pantanal.pdf>. Acesso em 10 maio 2015.

CRIAR E PLANTAR. Jacaré: Produção e Mercado. [S.l.], [20--]. Disponível em: <http://criareplantar.com.br/pecuaria/lerTexto.php?categoria=101&id=596>. Acesso em: 10 maio 2015.

DUARTE, C. Estudo de viabilidade econômica para um projeto de aqüicultura em regimes semi-intensivo e intensivo  pirarucu e jacaré açú. [S.l.], [20--]. Disponível em <http://www.carlosduarte.ecn.br/projetopiracuru.htm>. Acesso em: 10 maio 2015.

OPNAL - Alagoas, Oportunidades de Negócios.Cadeia Produtiva Crocodiliana. Disponível em: <http://www.investimentosalagoas.al.gov.br/op/ag_09.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2015.

PIRAN, C. Cadeia produtiva do jacaré do pantanal. Barra do Bugres: UNEMAT, 2010. Disponível em: <http://bbg.unemat.br/semeng/PalestrasDownload/23-09/4_Prof_MSc_Camyla_Piran.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2015.

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