Curso Pintor - curso pintor - parte 1

Curso Pintor - curso pintor - parte 1

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Seja Bem Vindo!

Curso

Pintor

Parte 1 Carga horária: 30hs

Dicas importantes

• Nunca se esqueça de que o objetivo central é aprender o conteúdo, e não apenas terminar o curso. Qualquer um termina, só os determinados aprendem!

• Leia cada trecho do conteúdo com atenção redobrada, não se deixando dominar pela pressa.

• Explore profundamente as ilustrações explicativas disponíveis, pois saiba que elas têm uma função bem mais importante que embelezar o texto, são fundamentais para exemplificar e melhorar o entendimento sobre o conteúdo.

• Saiba que quanto mais aprofundaste seus conhecimentos mais se diferenciará dos demais alunos dos cursos.

Todos têm acesso aos mesmos cursos, mas o aproveitamento que cada aluno faz do seu momento de aprendizagem diferencia os “alunos certificados” dos “alunos capacitados”.

• Busque complementar sua formação fora do ambiente virtual onde faz o curso, buscando novas informações e leituras extras, e quando necessário procurando executar atividades práticas que não são possíveis de serem feitas durante o curso.

• Entenda que a aprendizagem não se faz apenas no momento em que está realizando o curso, mas sim durante todo o dia-a-dia. Ficar atento às coisas que estão à sua volta permite encontrar elementos para reforçar aquilo que foi aprendido.

• Critique o que está aprendendo, verificando sempre a aplicação do conteúdo no dia-a-dia. O aprendizado só tem sentido quando pode efetivamente ser colocado em prática.

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Unidade 4 57

Unidade 3 37

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Conteúdo

História da construção civil e da ocupação de pintor de obras conHecimentos da ocupação e meus conHecimentos

Ferramentas e instrumentos básicos de trabalHo como escolHer tintas e vernizes como calcular quantidades

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História da construção civil e da ocupação de pintor de obras

Ao observarmos nossa cidade, podemos perceber uma infnidade de construções feitas com os mais diversos materiais. Mas nem sempre foi assim.

Os seres humanos sempre procuraram locais para se proteger do frio, da chuva, do ataque de animais, do excesso de sol etc. E essa procura, possivelmente, foi uma de suas primeiras moti- vações para a construção de um lugar seguro para moradia.

Mas, de fato, entre buscar abrigo e começar a criar e construir espaços para morar, muito tempo se passou. Pesquisas confrmam que os primeiros seres humanos abrigavam-se em cavernas e interferiam muito pouco para modifcar esses ambientes.

O ato de construir – ou, mais propriamente, de criar espaços diferenciados, com técnicas também distintas, novas – teve início no fm da Pré-história e começo da Idade Antiga.

Para delimitar as várias etapas do desenvolvimento da humanidade e facilitar a compreensão dos acon- tecimentos, os estudiosos dividiram a História em grandes períodos de tempo:

• Pré-história (ou sociedades sem estado) – da origem do homem, há cerca de 5 milhões de anos, até aproximadamente 3500 a.C. (antes de Cristo), quando surgiu a escrita.

• Antiguidade (ou Idade Antiga) – do surgimento da escrita até a queda do Império Romano, no ano 476 d.C. (depois de Cristo).

• Idade Média – da queda do Império Romano até 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos.

• Idade Moderna – da tomada de Constantinopla até 1789, data da Revolução Francesa.

• Idade Contemporânea – da Revolução Francesa até nossos dias.

É difícil afrmar que a ideia de construção já existisse naquela época, embora se saiba que as pinturas decorativas faziam parte do dia a dia dos homens pré-históri- cos. Aliás, a principal intervenção em moradias foi a pintura de paredes, nas quais eram retratados aspectos da vida cotidiana.

Essas pinturas fcaram conhecidas como arte rupestre. A palavra “rupestre” refere-- -se à “rocha”, local onde essa forma de arte era expressa.

Pintura rupestre. Wadi Anshal nos montes Tadrart Acacus. Deserto de Acacus, Líbia. Pintor 1 10

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terra – obra construída (acredita-se) há, aproximadamente, 5 mil anos

Desde as primeiras construções de que se tem notícia, como Stonehenge, na Ingla-

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até as ultramodernas edifcações dos séculos X (20) e XI (21), como o

prédio da Filarmônica de Berlim, na Alemanha, e o Museu Guggenheim Bilbao, na Espanha, muito se evoluiu na arte e nas técnicas de construção.

Com a diversifcação dos materiais utilizados em construções (pedra, argamassa, concreto, madeira, vidro, estrutura metálica, entre outros), houve também a evolução de tintas, vernizes e materiais de revestimento.

Hans Scharoun. Sala de concertos da Filarmônica de Berlim, 1960-1963. Berlim, Alemanha.

Frank Gehry. Museu Guggenheim Bilbao, 1992-1997. Bilbao, Espanha.

Stonehenge, Inglaterra.

Principalmente a partir do século XIX (19), com a Re- volução Industrial e a consolidação do modo de produ- ção capitalista na Europa, as mudanças passaram a ser muito rápidas.

Vamos ver com um pouco mais de proximidade como se deu a evolução das tintas e dos materiais de pintura?

Você sabia?

O período entre o fim do século XVIII (18) e a primei- ra metade do século XIX (19, 1789-1848) é chamado por um importante histo- riador, Eric Hobsbawm, de “A Era das Revoluções”, porque nele se concentra- ram acontecimentos que causaram mudanças pro- fundas no modo de vida europeu, com reflexos na política, na cultura e nas relações econômicas e de trabalho.

Dois processos revolucio- nários ocorreram parale- lamente nesse período: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa.

Conforme o historiador Fabio Luis Barbosa dos

Santos: “Apesar de as duas revoluções (a In- dustrial e a Francesa) terem acontecido em lu- gares distintos, a primei- ra na Inglaterra e a se- gunda na França, esses processos apontam para uma mesma direção: o amadurecimento do ca- pitalismo na Europa”.

Pré-história e Antiguidade

Nas chamadas sociedades sem estado, como já vimos, as pinturas decorativas constituíam-se de cenas repre- sentativas da vida diária – animais, imagens de caça etc. – nos locais que serviam de moradia.

Essas pinturas eram feitas com tintas compostas de uma mistura de ossos queimados, cal, terra e minérios em pó, acrescentando-se água ou gordura animal. Com elas, os homens que viveram nessa época deixaram retratados, gravados nas paredes, aspectos de sua história. E esses puderam ser conhecidos por nós.

Foram encontradas pinturas rupestres em vários países, como França, Espanha, África do Sul, Austrália e Brasil, especifcamente no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí.

Fonte: Educação de Jovens e

Adultos (EJA) – Mundo do

Trabalho: Caderno do Estudan- te Geografia, História e Traba- lho: 6º ano do Ensino Funda- mental. São Paulo: Secretaria de Desenvolvimento Econômi- co, Ciência e Tecnologia

(SDECT), 2011. p. 122. Veado com filhote. Desenhos da Pré-história brasileira. Toca do Boqueirão da Pedra Furada, Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí.

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Na Idade Antiga, por sua vez, a pintura começou a se diversifcar: ganhou novas cores e passou a ser feita com tintas compostas de outros produtos.

A civilização egípcia – uma das culturas mais relevantes no mundo antigo em vir- tude dos conhecimentos desenvolvidos nos campos da matemática, escrita, agricul- tura, arquitetura e artes, entre outros – fabricava tinta com minérios e outros ma- teriais extraídos da terra. Com isso, os egípcios obtinham uma gama bastante variada de cores, que assumiam funções simbólicas nas pinturas.

O branco, por exemplo, obtido do calcário, estava associado à pureza, à verdade, à alegria e ao triunfo. Os tons de pele resultavam de minérios de ferro, assim como o vermelho, que representava o poder, a sensualidade e a energia. Azul e verde, extraí- dos do cobre e da malaquita, eram utilizados para representar a vida e a água do Rio Nilo. Com carvão, conseguia-se o preto, cor associada à morte, à noite, mas também à fertilidade.

Veja, a seguir, um exemplo de pintura egípcia que retrata Nefertari, esposa do faraó Ramsés I.

Detalhe do mural de Nefertari em seu túmulo no Vale das Rainhas, Egito.

No Império Romano (domínio que se estendeu da região onde hoje é a Itália até o Oriente), como apontam os registros, as tintas eram empregadas na decoração e sua fabricação teria sido aprendida com os egípcios.

Ruínas de cidades e estradas construídas pelos romanos – que datam do período de maior expansão desse impé- rio – revelam a utilização de pinturas em cerâmica, formando mosaicos sofsticados.

Você sabia?

Segundo os historiado- res, Conímbriga (que fi- cava no território que hoje pertence a Portugal) estava localizada em uma

via ocupada pelos roma- nos no ano 139 a.C. (antes de Cristo). No século I (1), a cidade passou por um processo de urbanização no reinado de César Au- gusto. Vestígios de obras dessa época continuam bem conservados.

Mosaicos da Casa da Cruz Suástica, ruínas de Conímbriga, Portugal.

Ainda na Idade Antiga, algumas civilizações na Ásia dominaram as técnicas de fabricação de vernizes naturais

a partir de resina de árvores e secreção de insetos, ante- cessores dos revestimentos utilizados atualmente.

Você sabia?

Acredita-se que egípcios e chineses tenham sido os primeiros povos a uti- lizar tintas para escrever.

Na China, fabricava-se um tipo de verniz extraído da resina de uma árvore, a Rhus vernicifera. De cor preta, esse verniz (ou laca) era utilizado na decoração de vasos e outros objetos.

Embora não se saiba exa- tamente quando o nan- quim foi inventado, há manuscritos chineses de aproximadamente 2000 a.C. (antes de Cristo) es- critos com nanquim.

Na Índia, a secreção de insetos era utilizada na prepara- ção do verniz usado tanto para ornamentar objetos como para revestir e proteger superfícies de madeira.

Os primeiros usos de tintas na construção civil tinham objetivo decorativo. Aparentemente, elas resultavam da

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Pintor 1 mistura de calcário e água, e eram utilizadas nas paredes das casas para protegê-las da ação do tempo.

Atividade 1 U m po U co mais so b re a i dad e a nti ga

As regiões que tinham maior destaque no mundo na Idade Antiga não são as mes- mas de hoje. Egito (no norte da África), Mesopotâmia (atualmente, parte do Iraque, no Oriente Médio, onde viveram os sumérios, acádios, babilônios, assírios, persas etc.), China, Grécia e Roma constituíam alguns dos lugares de maior expressão política, econômica e cultural daquela época.

1. Agora, organizem-se em cinco grupos. Cada grupo vai pesquisar uma dessas civilizações e preparar uma apresentação para os colegas.

Grupo 1 - Egito Grupo 2 - Mesopotâmia Grupo 3 - China Grupo 4 - Grécia Grupo 5 - Roma

2. Cada pessoa da classe pode escolher em qual grupo prefere fcar, de acordo com seu interesse, mas é importante que cada grupo tenha pelo menos três pessoas. A classe deve combinar o dia das apresentações.

3. No laboratório de informática, a pesquisa pode ser feita na internet, com a ajuda do monitor. É importante que cada grupo registre as características geo- gráfcas dessas regiões e como era a organização social e política desses povos. Indiquem em um mapa-múndi onde fcavam essas civilizações e a que países correspondem atualmente.

4. Para compartilhar com os colegas o que cada grupo descobriu, planejem a divisão das tarefas entre os par- ticipantes do grupo. Depois, façam um ou mais car- tazes e preparem uma apresentação de aproximada- mente 20 minutos, com cada integrante falando uma parte. Vocês podem organizar algumas anotações para não se perderem na hora da apresentação. Mãos à obra!

Por que dividir a apresentação de modo que cada pessoa fale uma parte? Não seria mais fácil um único colega falar tudo? Sugerimos que todos falem porque falar em voz alta e conseguir explicar um assunto para um grupo de pessoas é um saber importante para qualquer profissional.

Idade Média e Idade Moderna

Nesses dois períodos, a utilização de tintas e vernizes nas construções ganhou importância crescente. Igrejas, resi- dências e prédios públicos passaram a ser decorados com pinturas.

Para a pintura de quadros e afrescos, vários artistas e artesãos fabricavam as próprias tintas, mantendo as “re- ceitas” em segredo.

Afrescos são pinturas artísticas feitas sobre paredes de argamassa de gesso ou cal ainda molhadas/ frescas. Sua origem é remota, mas seu uso foi intenso entre os pintores italianos no fim da Idade Média e início da Idade Moderna, entre os anos de 1300 e 1500. Esse período ficou conhecido como Renascimento.

Mas atenção: além de se referir ao movimento artístico que aconteceu na Europa entre os séculos XIV (14) e XVI (16), o termo “Renascimento” delimita um período de mudanças profundas na socieda- de, na política, na religião, na economia e na cultura europeia.

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Rafael Sanzio. A escola de Atenas, 1509-1510. Afresco, 770 cm largura. Stanza della Segnatura, Palácio Vaticano,

Roma, Itália.

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No começo da Idade Moderna - séculos XV (15) e XVI (16) -, a produção artísti- ca relacionada à pintura estava bastante disseminada na Europa. Com a circulação de artistas pelo continente europeu, as pinturas acabaram conquistando as igrejas e os palácios, sempre retratando fguras religiosas, pessoas da nobreza, paisagens e os próprios pintores. O pintor holandês Rembrandt Van Rijn (1606-1669), por exemplo, produziu cerca de 90 autorretratos.

Vários movimentos artísticos sucederam-se a partir de então. Por exemplo, no sé- culo XVII (17), na Europa, surgiu o movimento que fcou conhecido como Barro- co, marcado por fortes contrastes entre luz e sombra/claro e escuro, uso de várias cores, sensação de profundidade, fguração de diferentes camadas sociais, opção por cenas realistas e intensas.

Veja, a seguir, um quadro do pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) e um quadro do pintor espanhol Diego Velázquez (1599-1660), dois representantes desse movimento, em cujas obras se observam algumas das caracte- rísticas já destacadas.

Michelangelo Merisi da Caravaggio. A ceia em Emaús, 1601. Óleo sobre tela, 141 cm x 196,2 cm. Galeria Nacional, Londres, Inglaterra.

Diego Velázquez. As fiandeiras, c. 1657. Óleo sobre tela, 220 cm x 289 cm. Museu do Prado, Madri, Espanha.

Com a expansão da pintura artística, ampliou-se também a pintura em paredes, tanto para decoração como para revestimento.

Idade Contemporânea

Chegamos à Revolução Industrial. Defnitivamente, o trabalho assalariado e as fábricas passaram a ocupar o lugar dos artesãos e da produção artesanal. O modo de produção capitalista foi instalado.

Como outros tantos produtos, vernizes e tintas começaram a ser fabricados nas unidades de produção recém-criadas, com mudanças tecnológicas no modo de produzi-las.

Além das máquinas, os avanços relacionados aos conhe- cimentos da Química impulsionaram a indústria de materiais de revestimento.

Em 1867, os fabricantes introduziram as primei- ras tintas preparadas no mercado. O desenvol-

Você sabia? vimento de novos equipamentos de moer e misturar tintas no fim do século XIX (19) possi-

No Brasil, as primeiras indústrias de tinta foram montadas, em 1886, na cidade de Blumenau, no Estado de Santa Catari- na, e em 1904, na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República.

Em ambos os casos, os fundadores eram imi- grantes alemães, que vie- ram para o Brasil no sé-

Fonte: Tintas no Brasil. Asso- ciação Brasileira dos Fabrican- tes de Tintas (Abrafati). Dispo- nível em: <http://w.abrafati. com.br/bn_conteudo.

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