Regência nominal e verbal sem segredos

Regência nominal e verbal sem segredos

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nominal e verbal sem segredo Série Palavra Final, v. 2

Regência nominal e verbal sem segredo Série Palavra Final, v. 2

v. 2)

SIMÕES, Sérgio Lourenço. Regência nominal e verbal sem segredo. São Paulo : UNINOVE, 2009. (Série Palavra final, ISBN 978-85-909417-2-9 1. Língua portuguesa – Regência CDU 811.134.3’367.625

© 2009 – Universidade Nove de Julho (Uninove) Capa e projeto gráfico: João Ricardo M. Oliveira

Autorizada a reprodução desde que citada a fonte.

Palavra Final, v. 23

Caro leitor,5
Acreditar, pensar5
Agradar6
Agradecer6
Apelar7
Atender7
Chegar8
Comentar(-se)9
Comemorar9
Comunicar10
Comparecer10
Custar1
Debater12
Desfrutar, usufruir, gozar12
Empatar, ganhar, perder, vencer (no futebol)13
Favorecer13
Impedir13
Implicar13
Inaugurar(-se)14
Informar14
Iniciar(-se)14
Inteirar-se15
Interferir e intervir15
Lembrar e esquecer15
Morar16
Namorar16
Pagar e Perdoar16
Pedir17

Sumário Preferir .................................................................................................18

Recorrer19
Refletir19
Responder20
Servir20
Observe agora estes verbos21
Confraternizar21
Simpatizar21
Sobressair21
Alguns verbos pronominais21
Ajoelhar-se21
Aposentar-se21
Arrepender-se21
Deitar-se21
Levantar-se2
Queixar-se2
Sentar-se2
Classificar-se2
Complicar-se2
Desvalorizar-se2
Espalhar-se2
Estragar-se2
Romper-se2
Valorizar-se23
Regência de alguns nomes23
A23
B, C26
D28
E30
F, G, H31
I32
J, L, M35
N, O, P36
Q, R38
S39
T, U, V40

Recomendar .........................................................................................19 Referências ...........................................................................................41

Palavra Final, v. 25

Caro leitor,

Você tem energia de sobra e sabe canalizá-la para o desenvolvimento de tudo o que é bom. Tanto é verdade que, neste momento, você está participando de mais uma sessão de aprendizagem da língua.

Queremos que nos ajude a fazer sempre mais em seu benefício. Para isso, contamos com suas sugestões, perguntas e, principalmente, com a determinação que o impele a avançar na construção do conhecimento.

Continue a buscar e a produzir; incentive seus amigos a fazerem o mesmo. Fale da série Palavra Final, mostre-lhes que é uma fonte importantíssima para quem precisa da palavra.

Neste volume, trataremos da regência de alguns verbos e nomes (substantivos e adjetivos).

A regência cuida das relações de dependência que se estabelecem entre os termos na frase. Tais relações se dão direta ou indiretamente entre os termos regentes (que pedem complemento) e os regidos (que os completam).

Quando a dependência é direta, o verbo é transitivo direto, pois exige que a ele se ligue um objeto direto (sem o auxílio de uma preposição). Se indireta, o verbo é transitivo indireto, o que nos obriga a completá-lo com um objeto indireto (com o auxílio de uma preposição).

Acreditar, pensar

Estes verbos são transitivos indiretos, pois exigem complementos que a eles se ligam com o auxílio de uma preposição:

Acredite e pense em mim, em nós, em todos aqueles que gostam de você e, principalmente, em si mesmo.

Acredite em sua capacidade de resolver todos os problemas.

Pense sempre no recebimento de boas notícias, resultado de seu esforço e dedicação.

No entanto, quando recebem uma oração como complemento, dispensam a preposição.

Regência nominal e verbal sem segredo6

Assim, Acredite que você possa resolver todos os problemas.

Pense que você receberá uma boa notícia, resultado de seu esforço e dedicação.

Agradar No sentido de mimar, acariciar, afagar, use-o sem preposição:

Os avós sempre agradam os netos.

Como contentar, satisfazer, utilize-o com a preposição a:

O show de Roberto Carlos agradou a todos os presentes.

O discurso de Obama agradou aos empresários da construção civil. Sua coerência sempre nos agrada. (a nós).

Agradecer Indica gratidão:

Agradeça sempre alguma coisa a alguém.

Nesta construção, a coisa é sempre o objeto direto, e a pessoa, o indireto. Assim, Agradeça o convite que o presidente lhe fez.

Agradeça ao presidente.

Agradeça a ele. Agradeça-lhe. Agradeça-lhe o convite.

Evite a construção com os pronomes oblíquos o e a: Agradeço-o; agradeço-a.

Palavra Final, v. 27

Se quiser, você poderá omitir o complemento: Recebeu o convite e agradeceu.

Obs.: também é possível usar a forma agradecer a alguém por algo, em que o verbo recebe o complemento indireto (pessoa) acompanhado de adjunto adverbial da causa (o motivo pelo qual se agradece): Agradeça a Deus por estar vivo.

Apelar Pode-se apelar a ou para:

Ele apelou aos amigos quando precisou de ajuda. (pedir auxílio) Quando está em apuros, apela para os irmãos. (valer-se)

Na área jurídica, no sentido de recorrer por apelação a, interpor recurso, usa-se apelar de, para; de…para:

O advogado apelou da sentença para a instância superior.

O réu apelou para o juiz.

Temos certeza de que o advogado apelaria da decisão em primeira instância, se a pronúncia do juiz não fosse favorável…

Atender

No sentido de recepcionar, receber, acolher ou ouvir com atenção, use a construção direta para pessoas, e indireta, para objetos, coisas (chamadas, exigências, intimações, pedidos, reivindicações etc.):

O prefeito atendeu a população. O médico atendeu o paciente.

O prefeito atendeu aos clamores da população. As escolas públicas não atendem às necessidades dos jovens.

Regência nominal e verbal sem segredo8

Quando se tratar de campainha, telefone, bairro, cidade etc., prefira a forma direta, pois está implícito na frase que alguém atendeu quem tocou a campainha ou fez a ligação, e alguma pessoa deu atendimento aos moradores de uma dada região:

Paulo, atenda o telefone.

Alguém está tocando a campainha. Você pode atendêla (ou atendê-lo, concordando com alguém)?

Neste caso, pode-se usar o verbo sem o complemento pessoa (está subentendido):

Alguém está tocando a campainha. Você pode atender? O prefeito atenderá o bairro da Mooca e a Vila Sônia. (os moradores)

Chegar Se tiver vontade de chegar bem, chegue sempre a.

O verbo chegar indica movimento, pressupõe que houve deslocamento de um lugar para outro (permita-nos a redundância, pois não há deslocamento se ficarmos no mesmo lugar). E por falar nisso, estamos preparando um prato de redundâncias deliciosas. Você poderá saboreálo em um dos próximos volumes da série.

Mas voltemos ao que nos interessa:

Chegue sempre à praia.

Chegue à empresa para trabalhar. Chegue à conclusão de que tudo é maravilhoso.

Portanto, Chegar em é nunca sair do ponto de partida. Evite.

Palavra Final, v. 29

Comentar(-se)

Sempre comente algo com alguém (se você quiser, é claro), mas jamais comente sobre um assunto, pois o verbo não admite tal preposição:

Assim,

Comentamos o golpe militar ocorrido em Honduras. (correto)

Comentamos sobre o golpe militar ocorrido em Honduras. (errado)

Comentou-se a morte de Michael Jackson. (correto) Comentou-se sobre a morte de Michael Jackson. (errado)

No entanto, se substituirmos comentar por comentários, o sobre aparecerá:

Podemos fazer comentários sobre o golpe militar ocorrido em Honduras.

Houve comentários sobre o desaparecimento do médico de Michael Jackson.

Comemorar

Obs.: Sempre se comemoram fatos positivos: Comemora-se o nascimento de alguém, mas não a morte.

No dia 25 de dezembro, comemora-se o nascimento de Cristo.

Os brasileiros comemoraram, no dia 13 de maio, os 121 anos de abolição dos escravos.

Em outras situações, utilize assinalar, lembrar, marcar, relembrar, reviver etc.:

No dia 16 de julho, relembramos ( e não comemoramos) a derrota do Brasil para o Uruguai na Copa de 1950.

1 de setembro será sempre lembrado como um dos dias mais trágicos da história moderna dos EUA.

Regência nominal e verbal sem segredo10

Obs.: Com o substantivo comemoração, devemos agir da mesma forma: No dia 28 de junho, houve grande festa em comemoração da vitória do Brasil na Copa das Nações.

Comunicar

Sempre comunique algo a alguém, mas nunca comunique alguém sobre ou de alguma coisa:

Assim,

O diretor comunicou as decisões do conselho aos professores. (correto)

O diretor comunicou-lhes as decisões do conselho. (correto)

Comunicou-se a decisão aos professores. (correto)

O diretor comunicou os professores sobre as ou das decisões do conselho. (errado)

Em hipótese alguma diga: Os professores foram comunicados das decisões do conselho.

Lembre-se de que ninguém pode ser comunicado (e sim informado, cientificado, avisado) de algo.

Portanto,

Os professores foram informados, avisados das decisões do conselho.

A comunidade foi cientificada ou avisada de que as enchentes seriam inevitáveis.

Comparecer Prefira comparecer a:

Jorge comparecerá ao evento. O advogado de defesa não compareceu à audiência.

Palavra Final, v. 211

Usa-se em e não a neste tipo de construção: Fidel Castro não tem comparecido em público faz algum tempo.

No sentido de ir a juízo, prestar depoimento, prestar contas, pode-se usar ante, diante, perante:

Os indiciados compareceram perante o Tribunal. O réu compareceu ante o juiz.

Custar

Tome cuidado com o emprego de custar no sentido de ser difícil, custoso, moroso, pois o que se vê no emprego desse verbo são as marcas da oralidade:

Paulo custou a entender a matéria. Ele custa para resolver os problemas propostos pelo professor.

Para evitar esse desvio normativo, siga estes passos: a) O que foi difícil, custoso a Paulo? Entender a matéria. Portanto,

Custou a Paulo entender a matéria;

Custou a ele entender a matéria; Custou-lhe entender a matéria.

b) O que é difícil, custoso a ele? Resolver os problemas propostos pelo professor.

Portanto, custa-lhe resolver os problemas propostos pelo professor.

Veja mais estes:

Custa-lhe enxergar o bom caminho. Não me custa lutar por uma boa causa.

Regência nominal e verbal sem segredo12

Debater

É bom evitar debater sobre ou a respeito de algum assunto. O verbo debater, em sua regência direta, exige que o objeto do debate seja ligado a ele sem preposição:

Os membros da comissão debateram as propostas de mudança no Código Civil.

Debate-se (analisa-se, discute-se, examina-se) algo com alguém:

Os professores debateram a nova proposta de avaliação com os coordenadores.

Obs.: Com o substantivo debate, pode-se utilizar sobre (e sinônimos), entre e com: Houve uma série de debates entre os concorrentes. Não existe a necessidade de debate sobre os motivos que levaram à suspensão das buscas pelos corpos das vítimas do voo AF 447. Hoje à noite, haverá debates com os líderes do governo sobre as novas propostas de desoneração dos salários.

Desfrutar, usufruir, gozar

Prefira desfrutar, usufruir e gozar os bons momentos que o viver lhe proporciona. (Sem a preposição de)

E agora, mais alguns exemplos para você:

Rosivalda usufrui o que o pai lhe deixou como herança.

Desfrute as delícias desta cidade. Goze; goze, sem medo, os prazeres da vida.

Palavra Final, v. 213

Empatar, ganhar, perder, vencer (no futebol) Um time empata, perde ou ganha por:

O Corinthians empatou com o Internacional por 2 a 2.

A Paraná perdeu por 1 a 0 para a Portuguesa. O Brasil ganhou dos Estados Unidos por 3 a 2. Roger Federer venceu Andy Roddick por 3 sets a 2.

Favorecer Sempre se favorece alguém ou alguma coisa:

No jogo do Palmeiras contra o Santos, o juiz favoreceu o Santos.

No Brasil, os deputados, senadores e vereadores se valem da posição que ocupam para favorecer parentes e aliados políticos.

Impedir Pode-se impedir alguém de alguma coisa ou impedir algo a alguém:

Impeça-o de agir intempestivamente.

Impedimos que todos saíssem. Impedimos a saída de todos.

Impeça-lhes a entrada. Impeça a entrada deles. Impeça que eles entrem.

Implicar

No sentido de acarretar, envolver, pressupor, utiliza-se a forma direta (sem a preposição em):

A isenção do IPI implicará perda de receita para a União. Ser bom profissional implica agir com responsabilidade e competência.

Regência nominal e verbal sem segredo14

Obs.: Usa-se preposição nestes casos: Indivíduos inescrupulosos implicaram o adolescente em crime de tráfico de drogas. (envolver alguém em algo) Jeremias implica com os colegas de turma. (ter implicância)

Inaugurar(-se) Alguém inaugura alguma coisa (sem o pronome):

O presidente inaugurou a plataforma de Campos.

Mas algo sempre se inaugura: A plataforma se inaugurou ontem (foi inaugurada).

Informar Pode-se informar algo a alguém:

O gerente informou aos funcionários o horário de trabalho. O gerente informou-lhes o horário de trabalho.

Ou informar alguém de algo:

O gerente informou os funcionários do horário de trabalho. O gerente informou-os do horário que deveriam cumprir. O médico informou a paciente de que ela não poderia dar à luz.

Iniciar(-se) Pode-se escrever que alguém inicia (principia, começa) alguma coisa:

Paulo iniciou as atividades às 15 horas.

Ou alguém inicia (dá as primeiras noções) outrem em algo: O Grão-mestre iniciou-o na maçonaria.

Palavra Final, v. 215

Ou se inicia (busca conhecimento) em algo: Paulo iniciou-se em filosofia.

Em se tratando de evento (coisa), use sempre iniciar-se: As comemorações se iniciarão no dia 1º de setembro.

Inteirar-se Procure inteirar-se (tomar ciência) de todos os assuntos.

O advogado inteirou-se dos fatos.

No sentido de tornar ciente, informar, deve-se utilizar inteirar alguém de algo:

O diretor inteirou os professores da situação provocada pela gripe H1N1.

O diretor inteirou-os da situação.

Interferir e intervir Interfira ou intervenha sempre em:

Interfira em todos os assuntos. Interveio no debate para apaziguar os ânimos.

Lembrar e esquecer

Você deve sempre lembrar ou esquecer alguma coisa ou alguém (sem preposição):

Lembre os bons tempos.

Amigos, lembremos que manter a unidade linguística é reforçar os valores do cidadão.

“Esqueça que ele não ‘te’ ama”.

Regência nominal e verbal sem segredo16

Entretanto, quando lembrar e esquecer estiverem acompanhados de pronome, a preposição de se imporá:

Lembre-se de que é preciso reconhecer-se no outro.

Não se esqueça de que só existe crescimento, se houver comprometimento, vontade e competência.

Lembremo-nos de nosso compromisso maior: amar.

Esqueci-me de que estarias à porta na esperança de conquistar novos amigos.

Morar

Se você quiser morar bem, more, resida, situe-se sempre em, sem medo de errar:

Moro na Rua Jacarandá, 12.

A UNINOVE está situada na Rua Diamantina, 310. Você reside na Avenida Cruzeiro do Sul?

Namorar

Não se atreva a namorar com alguém; namore sem a preposição, pois só assim você poderá desfrutar bons momentos ao lado de quem lhe dedica amor, sem nenhuma interferência (mesmo que seja a da preposição):

Paula namora Marcos.

Quero namorá-la. Hermengarda namorava Eurico.

Pagar e Perdoar

Obs.: Lembre-se de que devemos pagar e perdoar sempre alguma coisa.

Palavra Final, v. 217

Assim,

Pagamos a dívida. Perdoamos os erros.

Obs.: Com referência à pessoa – destinatário do pagamento ou do perdão –, sempre pague ou perdoe a alguém:

Pagamos a dívida ao credor.

Pagamos a ele.

Pagamos-lhe a dívida. Perdoa-lhe os erros.

Perdoamos aos culpados. Perdoaram-lhes as faltas.

Não se esqueça de que Cristo, antes de expiar, implorou ao Pai que perdoasse àqueles que o crucificaram.

A célebre frase do apelo foi: “Pai, perdoailhes, porque não sabem o que fazem”.

E por ser perfeito, deixou-nos uma frase impecável. Por isso, sigamos seu exemplo.

Pedir Sempre peça alguma coisa a ou para alguém.

Peça-lhe que empreste o dinheiro para uma boa causa.

Peço-lhe que me desculpe. Peço-lhe desculpas.

Acompanhe os seguintes passos: Pedimos a quem?

Pedimos ao diretor.

Regência nominal e verbal sem segredo18

Pedimos o quê? Pedimos que justificasse sua decisão.

Portanto,

Pedimos ao diretor que justificasse sua decisão. Pedimos-lhe que justificasse sua decisão.

Obs.: Peça sempre a alguém que faça algo, mas nunca para que o faça (a preposição é inadmissível neste caso).

Pedimos para que fosse embora. (errado)

Pedimos que fosse embora. (correto)

Pedi-lhe para que saísse imediatamente. (errado) Pedi-lhe que saísse imediatamente. (correto)

No entanto, Pedi para ir ao banheiro.

Neste caso a frase está correta, pois o que se pediu foi permissão, licença para ir ao banheiro.

Preferir

É muito comum o uso de do que ou que e, às vezes, mais do que com o verbo preferir e seus derivados, o que demonstra a falta de intimidade do falante com a língua.

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