LPL IV - Trabalho - Persuasão

LPL IV - Trabalho - Persuasão

Fatec-SP

Faculdade de Tecnologia de São Paulo

PERSUASÃO NA PROPAGANDA

PERSUASÃO NA PROPAGANDA

Prof. Dra. Maria Cecilia de Salles F. César

Automação de Escritórios e Secretariado

Língua Portuguesa e Literatura IV

Data de Entrega: 3/09/2012

Alunas:

Carolina Felix Moura 1110863-9

Gislaine de Souza Alves 1110855-9

Juliana Rodrigues de Camargo 1110854-1

Pricila Yessayan 1010825-1

Sumário

Introdução

A presente pesquisa trata das diversas formas como a persuasão se apresenta nas propagandas publicitárias no Brasil. Para isto, foram escolhidos quatro canais de comunicação utilizados muito frequentemente para anúncios de produtos e serviços, são eles: o cinema, a mala direta, as novelas e as propagandas exibidas em intervalos da programação televisiva. Após uma explicação sobre cada um destes, foram transcritos exemplos que foram analisados quanto às características persuasivas estudadas no livro de Adilson Citelli, Linguagem e Persuasão.

Propaganda no Filme

Sobre a Mídia

O cinema é fonte de entretenimento popular, destinado a educar.Ele é exportador entretenimento, cultura e estilos de vidas entre sociedades e países” (CIPRIANI, SILVA E BONA, 2007, p.3). Por ter o poder de comunicação universal é tido como uma arte poderosa, porque pode tornar-se um método eficaz de influenciar os cidadãos. O que o faz ser uma importante ferramenta de publicidade e propaganda, “enquanto os telespectadores apreciam o filme, sua mente captura as imagens de merchandising, que fazem parte do contexto” (CIPRIANI, SILVA E BONA, 2007, p.2).

Segundo Feltrin (2011), o merchandising editorial nasceu no cinema, a sua prática era utilizada para custear as produções cinematográficas. Essa forma de divulgação é trabalhada de uma forma sútil, onde o telespectador não percebe a intenção direta de venda. De acordo com Antonopoulou (2010), quando os primeiros filmes foram lançados, por exemplo, os irmãos Lumiere incorporaram uma marca de sabonete de pedra em seus filmes, por causa de sua associação com um publicitário da marca.

As empresas tem interesse em fazer este tipo de divulgação de seus produtos e serviços pelo cinema ter:

... um período de veiculação indeterminado, aumenta a exposição da marca, pelo filme ser apresentado em vários moldes: cinema, DVD, TV fechada e, por fim, a TV aberta. Possibilita ao produto ou serviço anunciado, estar sempre em destaque e na mídia. Além disso, são criadas dezenas de ações promocionais da relação dessas marcas com seus produtos como pré-estreias, sorteios entre outros, o que aumenta o seu ponto de contato com o espectador.” (FELTRIN, 2011, p. 5)

Análise Prática

(Netflix, 2012)

“O primeiro mentiroso” foi analisado por ter seu enredo num mundo sem mentiras onde supostamente não há a persuasão, mas como iremos ver o autor Adilson Citelli tem razão em afirmar a dificuldade de rastrear discursos que escapem à persuasão. A cena transcrita abaixo se passa aos 8min da trama, Mark Bellison (Rick Gervais) está no quarto, depois de seu encontro com Anna McDoogles (Jennifer Garner), e se prepara para dormir com a televisão ligada ao se deitar inicia o comercia da Coca-Cola:

Oi, eu sou o Bob, porta-voz da Coca-Cola. Estou aqui para pedir que continuem comprando Coca-Cola. Sei que a bebem há anos e, se ainda gostam, queria lembrá-los para comprar de novo em breve. É basicamente açúcar com açúcar mascavo. Os ingredientes não mudaram muito, então, não há nada novo que eu possa contar. Mudamos um pouco a lata. As cores estão diferentes aqui e colocamos um urso para as crianças gostarem de nós. Tem muito açúcar, e como qualquer refrigerante de alta caloria pode levar a obesidade de crianças e adultos que não tenham dietas saudáveis. É isso. É a Coca. É muito famosa. Todos a conhecem. Sou Bob. Trabalho na Coca-Cola. E peço para não pararem de comprar Coca. Só isso. <Bob bebe a Coca-Cola> Meio doce. Obrigado <Anúncio: Coke - It's very famous (Coca-Cola – É muito famosa) >“. (O PRIMEIRO Mentiroso. 2009)

Aparentemente não se nota nenhuma intensão persuasiva na cena, porém um profissional de marketing editorial poderá apontar todos os quatro modelos básicos de Márcio Schiavo (1999), citado por Feltrin (2011), na cena:

  1. Menção no texto: O que acontece por cinco vezes quando a personagem Bob menciona Coca-Cola ou Coca;

  2. Uso do produto ou serviço: Depois de dizer “Só isso” a personagem Bob bebe o refrigerante;

  3. Conceitual: a personagem explicita as inovações “As cores estão diferentes aqui e colocamos um urso para as crianças gostarem de nós.” e as vantagens: “É muito famosa. Todos a conhecem.”;

  4. Estímulo visual: na cena, a lata de Coca-Cola e um copo com o refrigerante gelado estão em um pódio ao lado da personagem num fundo branco. Bob não tira o foco do refrigerante por estar usando um paletó cinza, o olhar do telespectador acaba se voltando na lata por ter uma cor mais vibrante. A câmera foca no refrigerante ao menos uma vez e a marca é exposta em letras grandes no fim do comercial.

Em uma das falas, é também possível notar um tom de persuasão indireto. Quando a personagem diz o silogismo “É muito famosa. Todos a conhecem.” pode-se compreender que se o espectador não conhecer a marca ele não é ninguém.

Propaganda em Novelas

Sobre a Mídia

A apresentação de slides “O Merchandising não é mais o mesmo” feita pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) aponta que, nos EUA, as novelas receberam o nome de “soap-opera” exatamente por causa das propagandas. Traduzindo literalmente essas duas palavras, tem-se algo como opera do sabonete. A denominação deve-se ao fato de que o mercado de produtos de higiene e limpeza eram os que mais pagavam para anunciar suas marcas nos horários de grande audiência, ou seja, durante as novelas.

Essa apresentação diz ainda que, no Brasil, as radionovelas também foram preenchidas de anúncios de produtos que pudessem interessar as mulheres da época, como os da Procter & Gamble (P&G), organização multimarcas transnacional. Segundo o IBOPE, a P&G foi a pioneira do merchandising nas novelas, ela levou o gênero à TV no início dos anos 50. As produções eram criadas com o objetivo de cativar a audiência feminina. Os produtos faziam parte do dia-a-dia dos personagens da novela, de maneira a persuadir as telespectadoras a consumir o mesmo sabão que a “mocinha” do folhetim, por exemplo.

Em “O Merchandising não é mais o mesmo”, o Instituto faz menção à primeira produção nacional a introduzir propagandas em seu roteiro foi a novela Beto Rockfeller (TV Tupi, 1969). Luiz Gustavo, o ator que representava um personagem boêmio, recebeu uma proposta do fabricante do Engov, para cada menção, ele receberia 3 mil cruzeiros. Em determinadas cenas ele dizia: “Estou com uma ressaca... preciso tomar um Engov”. Em um só capítulo, ele mencionou 33 vezes o produto. E assim surgiu no Brasil um novo formato para inclusão de marcas em conteúdos.

Análise Prática

Exemplo

O exemplo é de uma propaganda de uma promoção da Coca-Cola na novela “Malhação” da Rede Globo de Televisão. Trata-se de uma novela destinada ao público adolescente e infantil que é transmitida normalmente por volta das 17h 30min. O episódio foi transcrito de vídeo disponibilizado no “YouTube”, mas foi ao ar, na televisão, no dia 16 de março de 2010.

Transcrição

A cena começa com a chegada de Jonas (João Vithor de Oliveira) no espaço de arquibancadas de um rinque de patinação, onde Clarinha (Luciana Didone) e Limão (Igor Rudolf) se preparavam para patinar. Cada um dos três tinha uma lata de Coca-Cola, ou nas mãos ou próxima ao corpo. A propaganda se refere a uma promoção da Coca-Cola, na qual o consumidor concorria a ser um carregador da bandeira brasileira na Copa do Mundo de 2010.

- E aí, galera?- indaga Jonas, interpretado pelo ator João Vithor de Oliveira

- Falta um tempão pra Copa do Mundo começar e você já tá aí enrolado na bandeira do Brasil?- pergunta Clarinha interpretada por Luciana Didone.

- É claro né, Clarinha? Eu já to entrando no clima.- diz Jonas, bebendo do refrigerante ao concluir sua fala.

- Outro dia eu sonhei que tinha ganhado essa promoção e ia ser um dos carregadores de bandeira da Copa. – conta Limão, interpretado por Igor Rudolf.

- Imagina que máximo entrar no meio do Campo que o Brasil vai jogar! – exclama Clarinha.

- É verdade, né galera? Deve ser muita onda, já pensou, hã?- questiona Jonas, bebendo do refrigerante ao concluir sua fala.

- Eu acho que morria do coração. – acrescenta Limão.

- Galera, eu to tendo um pressentimento... não, eu tenho certeza, o Brasil vai ser hexa. Um brinde pro hexa do Brasil!- exclama Jonas.

-Viva!! – exclamam todos, brindando com as latinhas vermelhas da Coca-Cola.

Identificação das Características Persuasivas

Uso do produto ou serviço: depois de dizer“Eu já to entrando no clima” e “É verdade, né galera? Deve ser muita onda, já pensou, hã?”, o personagem Jonas bebe do refrigerante;

Conceitual: cada personagem expõe sua expectativa sobre a possibilidade de carregar a bandeira do Brasil na Copa, dizendo: “Imagina que máximo entrar no meio do Campo que o Brasil vai jogar!”, “Deve ser muita onda” e “Eu acho que morria do coração”.

Estímulo Visual

  • Na cena, as latas de Coca-Cola ficam a todo o momento em evidência, ora nas mãos, ora próximas aos personagens.

  • Os personagens Jonas e Clarinha vestem camisetas das mesmas cores da lata do refrigerante: vermelho, que é conhecida por seu poder de aumentar o apetite; branco e preto. Já Limão veste uma camiseta verde, podendo fazer uma alusão ao Brasil. Não se deve esquecer o fato de Jonas estar envolto na bandeira nacional, fazendo com que o espectador não esqueça que consumido Coca-Cola, ele aumenta as chances de ser vencedor da promoção.

  • No final, as latas são exibidas como taças, sendo proposto um brinde com elas, fazendo uma alusão a momentos de celebração, de festa e de alegria.

  • Há também o fato de os três personagens serem adolescentes bonitos, felizes e descontraídos, características muito cobiçadas, especialmente nessa fase da vida. Portanto a mensagem transmitida é de que o telespectador quer possuir essas características, ele deve consumir Coca-Cola.

A Transparência na Linguagem

  • Em nenhum momento, os personagens falam o nome da marca, o que aumenta o interesse do diálogo e o apelo fica sutil.

  • O vocabulário usado pelos personagens é bastante coloquial, possui gírias e alguns verbos tiveram sua estrutura reduzida como o verbo estar o presente do indicativo, que na primeira pessoa mudou para “to” e na terceira para “tá”. Aproximando o discurso do espectador, que é um jovem em seu momento de entretenimento, ou seja, ele vai se interessar por uma programação que comunique da mesma forma que ele e assim acreditar nela.

  • Uso da figura de linguagem metonímia: a personagem Clarinha chama de Brasil a seleção brasileira de futebol, “Imagina que máximo entrar no meio do campo que o Brasil vai jogar!”, enfatizando a paixão do povo brasileiro pelo esporte. Pode-se entender, portanto, que quando a seleção joga, todos os brasileiros estariam em campo também.

Mala Direta

Sobre a Mídia

De acordo com o site Mald Mala Direta (2009) a mala direta é um sistema de divulgação que utiliza recursos da internet, programas de tratamento de texto, planilhas, imagens, etc.: mensagem publicitária, marketing, avisos, declarações, cobrança, etc. que tanto pode ser enviada pela internet, correio tradicional ou portadores. Assim a utilização da mala direta é bastante eficaz particularmente para a divulgação de produtos, serviços ou para fins informativos.

Fala-se, atualmente, de mala direta quando enviamos um e-mail, (texto, imagem, etc) para vários destinatários. Assim, um comunicado, um anúncio, um alerta, enviado a um grande número de pessoas, sob um mesmo modelo, faz parte de uma mala direta.

Linguagem

A linguagem da mala direta depende de qual público-alvo quer se atingir, porém a intenção é sempre estar o mais próximo possível de quem a recebe por isso utiliza-se o pronome de tratamento você para uma maior proximidade.

Análise pratica da persuasão na linguagem pesquisada

Segundo CITTELLI (2002) a analise dos discursos deve ser considerada em função de quatro elementos: distância, modalização, tensão, transparência que são abordados a seguir:

DISTÂNCIA

A mala direta deve ser emocionante, provocar a ação de quem a lê. Deve ser persuasiva para despertar nas pessoas a vontade ou o desejo de agir. A distância entre o receptor e o emissor quase não existe e constatamos isso logo na primeira frase:

“E aí, já mostrou para o mascote o que você gosta de fazer?”

O falante se torna exclusivo e íntimo, como por exemplo, na frase seguinte:

“E ninguém melhor do que outro brasileiro, como você, para dar essas dicas.”

Vemos neste caso também que a intenção é mostrar ao sujeito que ele é tão importante que sua opinião está sendo requisitada.

MODALIZAÇÃO

O presente texto não é composto por imperativos ou por paráfrases, mas ele faz com que o receptor se sinta único ao participar da campanha e colaborar com a mascote da Coca-Cola.

TENSÃO

Neste caso a propaganda não é um eu impositivo, pois o receptor não está condenado a ser somente o ouvinte, ele poderá ter sua participação na escolha das características da mascote, ou seja, responder a propaganda. Entende-se que a intenção é mostrar a importância que o individuo tem para a empresa que não deixa de ser uma forma de persuasão.

TRANSPARÊNCIA

Como vemos nesta propaganda o enunciado é fácil e não provoca dúvidas daquilo que está sendo anunciado, que é: enviar algo tipicamente brasileiro para empresa para a mascote da copa ser o mais brasileiro possível.

Propaganda na TV

Sobre a Mídia

De acordo com o livro História da televisão no Brasil (2010) a televisão estreou oficialmente no Brasil em 18 de setembro de 1950, de forma incerta e amadora. No início, ocupou o lugar de mera curiosidade tecnológica por parte das elites. Em 1951, o magnata das comunicações Assis Chateaubriand lançou uma campanha publicitária para estimular a compra dos aparelhos, mas o preço continuava alto para a maioria da população: custava três vezes mais do que um produto que era também objeto de desejo da classe média ascendente: a radiola. Em 1952 existiam cerca de onze mil televisores.

Foi só a partir de 1960 que o aparelho passou a se popularizar e o campo televisivo se estruturou dentro do país, passando a se fundir com uma economia em processo de iniciação no capitalismo, os anúncios publicitários já faziam parte da programação e começavam a “ditar” regras comportamentais e culturais.

A televisão é hoje, um dos aparelhos ideológicos mais poderosos e abrangentes da nossa sociedade. Para melhor compreender sua importância, basta sair às ruas, entrar nas casas, chegar à sala de aula e comprovar o que dizem as pesquisas: aproximadamente 80% de tudo o que as pessoas falam na rua, no trabalho, nas viagens, etc. são assuntos que foram apresentados pelos meios de comunicação (GUARESCHI, 1999).

Cerca de um terço do tempo de nossa televisão é dedicado a anúncios publicitários, segundo Manoel Jesus em “A propaganda em televisão criando hábitos de consumo em população de baixa renda”. Em especial destacam-se dois tipos de informação ou comunicação publicitária: Inicialmente a que se fundamenta na informação objetiva do objeto e procura informar as características mais importantes do produto ou tópicos. Pode-se considerar como necessária para o funcionamento da sociedade. O segundo tipo lida com a comunicação afetiva, inconsciente, conotativa. Levam-se em conta forças básicas, que são os desejos e aspirações que todos nós possuímos, como por exemplo, o desejo de realização, de sucesso, de liberdade, de amar e ser amado, força sexual, de ser identificado e aceito como pessoa, etc. Então este último modelo conecta um produto a umas ou mais das forças básicas listadas de forma inconsciente e pouco controlável, com o único intuito: o lucro.

Análise Prática

Transcrição

Comercial escolhido: “Entre no ritmo dos jogos olímpicos 2016”

O vídeo é composto por um jogo de sons produzidos durante a prática de algum esporte olímpico como, por exemplo, tênis de mesa, taekwondo, atletismo, etc. e estes sons combinados dão origem à música tema do comercial.

Segue o relato descritivo do comercial que foi ao ar em 29 de julho de 2012. O vídeo publicitário para televisão tem duração total de 30” (trinta segundos), e um similar foi feito para exibição na internet, com duração de 15” (quinze segundos).

0:00 – vê-se a marca da Coca-Cola e a palavra “APRESENTA”; 0:03 – lê-se: ESPORTE + MÚSICA; 0:02, 0:04, 0:06 – Dois personagens lutam taekwondo: um está com trajes vermelhos e outro com trajes azuis. O lutador de vermelho está em posição superior no vídeo, golpeia seu adversário e está vencendo a luta;

0:06 – Uma garrafa de vidro de Coca-Cola é aberta em menos de um segundo;

0:08 – lê-se: PARA JUNTAR AS PESSOAS;

0:10 – lê-se: EM UM SÓ;

0:11 – lê-se: EM UM SÓ RITMO;

0:22 – Em um show onde se toca a música tema do comercial, uma expectadora levanta uma garrafa de Coca-Cola;

025: - A câmera foca em uma garrafa de Coca-Cola que está levantada acima da multidão no show;

0:26 – Aparece a imagem da bandeira das olimpíadas;

0:26 –Foco em uma garrafa da Coca-Cola sobre o palco;

0:27 – Pessoas dão as mãos e lê-se: TODOS JUNTOS RUMO A 2016!

0:28 ; 0:30 – Lê-se a mensagem: ABRA A FELICIDADE. E vê-se juntos a bandeira do Brasil, os arcos das olimpíadas e uma garrafa de Coca-Cola.

Observações:

  1. Durante o vídeo, diversas personagens-atletas que praticavam esportes olímpicos usavam uniformes ou acessórios em tons vermelhos, ou cores quentes;

  2. Por cinco momentos distintos garrafas de Coca-cola foram exibidas;

  3. A única fala no comercial é o trecho da música tema: “anywhere in the world” de Mark Ronson e Katy B. traduzindo-se para o português: Qualquer lugar no mundo.

Identificação das características Persuasivas

Pôde-se perceber que esse tipo de mídia é capaz de, diferentemente do rádio ou da mídia impressa, fartar-se do uso das imagens em movimento e, embora nesse comercial não tenha sido usado o recurso das palavras, o som da música do comercial, a escolha das vestimentas, a velocidade das imagens, tudo é persuasivo.

No primeiro segundo do vídeo, a marca Coca-Cola aparece, já indicando ao telespectador o anunciante da vez. É notado, a partir disso, que, mais importante do que o produto, é a marca Coca-Cola. A imagem da marca foi escolhida ao invés de, por exemplo, uma pessoa bebendo o refrigerante, segundo Adilson Citelli em Linguagem e Persuasão, isso é uma estratégia para assegurar a fixação da marca.

No terceiro segundo, lê-se “Esporte + Música”, complementando a frase anterior “Coca-Cola apresenta” é notória a intenção da marca de se associar ao esporte e aos jogos olímpicos e o discurso não dá margem para o telespectador refletir sobre a verdadeira relação entre um refrigerante de alta caloria que pode levar à obesidade crianças e adultos e a prática física que é essencialmente saudável. A tensão é, portanto, de um eu impositivo.

Em sequência, a cena de uma luta de taekwondo é repetida por três vezes, com intervalos de 2 segundos em média. É possível analisar as vestimentas dos lutadores. Um está em vermelho (cor símbolo da marca Coca-Cola) e o outro em azul (Cor símbolo da maior concorrente: Pepsi) e não coincidentemente o lutador em vermelho, além de ter uma posição de destaque (parte superior do vídeo), ele ainda golpeia em cheio seu oponente. O “vilão” em azul é o único personagem do comercial que não está com algum acessório ou com alguma vestimenta em tom quente.

Durante o jogo de sons e imagens do comercial, podemos contar por seis vezes a imagem da garrafa de Coca-cola, o curioso é que só aparecem garrafas de vidro da bebida, embora as embalagens mais consumidas sejam as latas de alumínio. Aos 22 segundos, no ápice do comercial, uma garota levanta sua garrafa de vidro de Coca-Cola no meio de um show, cujo público jovem e exaltado canta a música tema. Analisando essa imagem, pode-se classificá-la como utópica, esse tipo de embalagem não é comum em shows, por ser pouco prática além de perigosa e de difícil comercialização. Pode-se depreender que o formato da garrafa de vidro é também um símbolo da marca de refrigerantes em análise, ao passo que as diversas embalagens de alumínio não podem ser diferidas apenas pelo formato.

Aos 26 segundos de comercial aparece pela primeira vez algum símbolo referente às Olimpíadas, somente depois de o símbolo da empresa ter aparecido quatro vezes explicitamente, pois o interesse da marca é o de associar-se ao evento e não o de promovê-lo, o intuito fica evidente quando se compreende a mensagem escrita por completo “Coca-cola apresenta: Esporte + Música para juntar as pessoas em um só ritmo”, depois “Todos juntos rumo a 2016!” e a mensagem final “abra a felicidade”. Há transparência, no sentido do enunciado ser de fácil absorção, e não provoca dúvidas ao consumidor quanto ao que está sendo anunciado.

O comercial como um todo conclama a união. Aos 0:08 lê-se : PARA JUNTAR AS PESSOAS , e aos 0:27 segundos a mensagem principal do comercial é revelada: TODOS JUNTOS RUMO A 2016! A imagem atrás da mensagem é a de pessoas dando as mãos. Ao envolver o telespectador nesse sentimento de união, a imagem seguinte do comercial, dos exatos 0:28 segundos até os 0:30, é a da garrafa de vidro do refrigerante, com o logo devidamente destacado, a bandeira do Brasil (país sede das olimpíadas 2016) e os arcos da olimpíada, todos em união. Então sorrateiramente vê-se surgir a mensagem: ABRA A FELICIDADE. Pode-se notar que a palavra felicidade está sendo usada como sinônimo de Coca-Cola, indicando que se o consumidor abrir a Coca-Cola ele será ou estará feliz. Há o uso do imperativo afirmativo “abra”, a mensagem é direta, clara e objetiva e não causa dúvidas ao receptor.

Conclusão

Como se pôde ver neste trabalho, é fácil perceber a conjunções de fatores citados por Citelli nas mídias acima analisadas. Através da originalidade, os publicitários e anunciantes tentam muitas vezes aludir a um texto sem persuasão, mas são eles os detentores do poder da linguagem. O seu objetivo é persuadir o telespectador de que a marca em destaque tornará a vida do consumidor melhor apenas por tê-la.

Essa influência afeta a formação da cultura da própria sociedade, sendo tanto positiva como negativa. Afinal, promovem mudanças na vida das pessoas. Antes de a Coca-Cola entrar no mercado brasileiro, por exemplo, acreditava-se que qualquer alimento ou bebida gelada atacava a garganta e provocava gripe.

A questão que fica é: “Até que ponto a propaganda afetará a nossa sociedade?”. No filme “Amor por Contrato” se tem uma situação extrema onde uma família falsa influencia a sociedade em que está para comprar os produtos que eles divulgam de maneira sutil.

“O filme mostra uma família aparentemente perfeita, que se muda para um novo bairro e imediatamente passa a ser o centro das atenções, sempre pelos melhores motivos. Mas por trás desta perfeição esconde-se um segredo. A família perfeita na verdade é uma farsa, parte de uma campanha de marketing que pretende vender diversos produtos luxuosos a famílias de todo o mundo. Duchovny é o pai e Demmi Moore é a mãe que, entretanto, começa a apaixonar-se pelo marido falso.”

(BLOCKBUSTER, 2012)

Bibliografia

ADMIN (Brasil) (Org.). O que é mala direta. Disponível em: <http://www.maldmala direta.com/archives/9>. Acesso em: 18 ago. 2009.

ANTONOPOULOU, Viki. Product Placement In Film. 2010. 23 f. Pesquisa - Georgian National Film Center, Georgia, 2010. Disponível em: <http://gnfc.ge/uploads/ Researches%20%20kvlevebi%20/Product%20Placement_International.pdf>. Acesso em: 1 set. 2012.

BLOCKBUSTER. DVD Amor por Contrato: Sinopse. Disponível em: <http://www.block busteronline.com.br/item/3352376/dvd+amor+por+contrato/>. Acesso em: 02 set. 2012.

CIPRIANI, Viviana; SILVA, Roberta Del-vechio de Oliveira e; BONA, Rafael José. Merchandising no cinema brasileiro. 2007. 15 f. Pesquisa - Uniasselvi – Centro Universitário Leonardo Da Vinci, Passo Fundo, 2007. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/ papers/regionais/sul2007/resumos/r0058-1. pdf>. Acesso em: 31 ago. 2012.

CITELLI, Adilson. Linguagem e Persuasão. 15. ed. São Paulo: Ática, 2002

COCA-COLA. E aí, já mostrou para o Mascote o que você gosta de fazer? [mensagem pessoal] Mensagem recebida por: <pri_yes@yahoo.com.br> . em: 28 ago. 2012.

COMERCIAL Novo da Coca Cola Entre No Ritmo Disponível em: <http://www.youtube. com/watch? v=EJuX8JYtH0c>. Acesso em: 30 set. 2012

FELTRIN, Fabio Henrique. Merchandising editorial no cinema: a publicidade inserida na narrativa. 2011. 9 f. Artigo (Pós-graduação) - Curso de Comunicação e Linguagens, Universidade Tuiuti do Paraná, Paraná, 2011. Disponível em: <http://seer.utp.br/index.php/ vol11/article/view/44/36>. Acesso em: 31 ago. 2012.

GUARESCHI, Pedrinho. Sociologia Critica - Alternativas de mudança. 45 ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999.

JESUS, Manoel. Propaganda em televisão criando hábitos de consumo em população de baixa renda. Disponível em: <http://www. intercom.org.br/papers/nacionais/2005/resumos/R1969-1.pdf>. Acesso em: 30 set. 2012

LEMFERS, Patrícia. Para montar uma mala direta eficaz. Disponível em: <http://www. biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/5CE1A948CA2F295403256D520059B2EB/$File/259_1_Arquivos_maladireta.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2012.

MACHADO, Eduardo. Influência da Coca-Cola na cultura brasileira. Disponível em: <http://pt.shvoong.com/humanities/149724influ%C3%AAncia-da-coca-cola-na/>. Acesso em: 02 set. 2012.

MALHAÇÃO ID 16-04-2012 (Merchandising Coca-Cola). Formato FLV. RUDOLF, I. Disponível em: < http://www.youtube.com/ watch?v=7GcuOSP71Bk>. Acesso em 01 set. 2012.

NETFLIX. O primeiro mentiroso. Disponível em: <http://movies.netflix.com/WiMovie/ O_primeiro_mentiroso/>. Acesso em: 31 ago. 2012.

NINHA25. [e-mail] Mala direta, o que é? Disponível em: <http://pt.kioskea.net/faq/ 5344-e-mail-mala-direta-o-que-e>. Acesso em: 31 ago. 2012.

O MERCHANDISING não é mais o mesmo. IBOPE, São Paulo, SP, 17 maio 2012. Disponível em: <http://www4.ibope.com. br/merchanview/Evento_Merchanview DadosMaio2012.pdf>. Acesso em: 01 set. 2012.

O PRIMEIRO Mentiroso. 2009. [Filme] Direção: Rick Gervais, Matthew Robinson. Estados Unidos da América: Warner Bros Pictures.

O TEXTO Publicitário em Diferentes Meios. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/7210897 /O-Texto-Publicitario-Em-Diferentes -Meios>. Acesso em: 31 ago. 2012.

RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor; ROXO, Marco. História da Televisão no Brasil: do início aos dias de hoje. São Paulo: Contexto, 2012. 352 p.

SCHNEIDER, Fernanda. Publicidade E Ideologia: O Poder Da Persuasão Nas Propagandas Da Natura. Universidade de Passo Fundo - UPF . Disponível em: <http://artigos.netsaber.com.br/ resumo_artigo_2828/artigo_sobre_publicidade_e_ideologia:_o_poder_da_persuasao_nas_propagandas_da_natura>. Acesso em: 02 set. 2012.

São Paulo

2º semestre de 2012

Comentários