LPL I - Trabalho - Dorian Gray

LPL I - Trabalho - Dorian Gray

(Parte 1 de 4)

FATEC Faculdade de Tecnologia de São Paulo

SÃO PAULO 2010

Língua Portuguesa e Literatura Prof. Maria Cecilia de Salles F. César

O Retrato de Dorian Gray

FATEC Faculdade de Tecnologia de São Paulo

SÃO PAULO 2010

O Retrato de Dorian Gray

Prof. Dra. Maria Cecilia de Salles F. César

Curso: Automação de Escritórios e Secretariado

Disciplina: Língua Portuguesa e Literatura I Data de Entrega: 26/05/2010

FATEC Faculdade de Tecnologia de São Paulo

SÃO PAULO 2010

Alunas:

Juliana Kawachi 10108367

Katya Galeano 10108349

Penélope Psillakis 10108231 Pricila Yessayan 10108251

Introdução

O presente estudo foi-nos proposto na disciplina de Língua Portuguesa I. Trata-se de um seminário com base no clássico da literatura O retrato de Dorian Gray, escrito na segunda metade do século XIX, originalmente em inglês pelo irlandês Oscar Wilde.

Bem a princípio, nos atentamos apenas na leitura e compreensão da obra. Tanto na versão original como na tradução para o português. Isto porque, caso fosse interessante, seria a versão também apontada na elaboração desta análise.

E, consoante ao próprio autor quando observa ‘um homem que não tem pensamentos individuais é um homem que não pensa’, nos reunimos, debatemos e ponderamos.

O resultado é o que segue, dividido e organizado apenas para facilitar o entendimento:

Crítica social; Linha do tempo;

Biografia;

Contexto da obra:

Na literatura européia;

Na literatura nacional;

No cenário europeu;

No cenário britânico;

No cenário nacional. Gênero da obra:

Personagens principais;

Tempo e Espaço;

Enredo: o Exposição; o Complicação; o Clímax; o Anticlímax; o Desfecho. Curiosidades:

Adaptações;

Literatura;

Pecas e Musicais;

Alusões a obra. Leitura dramatizada;

Conclusão;

Glossário;

Bibliografia.

Crítica Social

Em 1854 a 1900 o mundo testemunhou a unificação italiana (1870), a Guerra Franco-

Prussiana (1870), a Comuna de Paris, em 1871, que acabou com os privilégios e as distribuições de classe. Talvez um dos eventos mais devastadores da época tenha sido a Guerra Civil Americana - 1861 a 1865 - que depois de deixar um saldo de 600 mil mortos termina com a vitória do norte e o fim da escravidão.

A era Vitoriana, associada ao puritanismo e à repreensão, foi um período de prosperidade onde a ciência e a indústria desenvolveu-se. Distinguida pela nascimento de vários estilos artísticos, escolas literárias, como também, movimentos sociais, religiosos e políticos. A importância dada à consciência civil e responsabilidade social estimulou desenvolvimentos notáveis a respeito da igualdade entre gêneros e raças.

A velha aristocracia, reforçada pela burguesia, que devia o seu sucesso ao comércio e a indústria, mantiveram persistentemente o controle sobre o sistema político, privando não só as classes trabalhadoras, mas a classe média de uma voz no processo político. Entretanto, a classe média, poderosa emergente, encarregou-se de organizar um movimento para remediar a situação o seu sucesso foi tanto que a Lei de Reforma (1832) e a abolição das Corn Laws (Leis do Milho), em 1846, foram aprovadas pelo congresso.

Durante estes anos, o puritanismo levou a ficção em direções contraditórias, obrigando a motivar e proibir a discussão de sexualidade. Ambos aparecem em obras literárias na forma de escândalos sexuais e formam através do contexto uma produção literária, demonstram de maneira clara de tornar realidade estas opiniões conflitantes.

Na época o conceito de “homossexualismo” era ligado ao fetiche ou atividade sexual impulsionada pelo desejo de prazer em vez de procriar e dado pelos dicionários a definição de apetites anormais e pervertidos pelo sexo oposto. Porém, alguns atores, nem todos homossexuais, abordavam elementos homossexuais em suas obras que eram censuradas, como não podiam ser publicados durante suas vidas, estes textos ou eram impressos em edições privadas, ou eram publicados apenas a alguns assinantes confiáveis, ou eram publicados no exterior. Tais histórias documentam o esforço quase bem sucedido de silenciar toda discussão pública da orientação sexual e comportamento “que não deve ser nomeado entre Cristãos”, como era às vezes referido. Estes pioneiros bravamente tentaram quebrar o silêncio:

Jeremy Bentham, 1748-1832. "Essay on Pederasty" in the Journal of Homosexuality. New York: Haworth Press, Summer-Fall 1978.

Percy Bysshe Shelley, 1792-1822. "Discourse on the Manners of the Antient Greeks

Relative to the Subject of Love," in James A. Notopoulos, The Platonism of Shelley. New York: Octagon Books, 1969.

John Addington Symonds, 1840-1893. "A Problem in Greek Ethics," in Male Love: A Problem in Greek Ethics and Other Writings. New York: Pagan Press, 1983.

Sir Richard Francis Burton, 1821-1890. "Terminal Essay, Part IV/D, Social Conditions--

Pederasty," in The Book of the Thousand Nights and a Night, Printed by the Burton Club, for private subscribers only [1903?], vol. 10. (Images are v. 10 title page and frontispiece.)

Havelock Ellis, 1859-1939. Sexual Inversion. New York: Arno Press, 1975.

Edward Carpenter, 1844-1929. "The Intermediate Sex: A Study of Some Transitional

Types of Men and Women," in Selected Writings, vol. 1: Sex. London: GMP Publishers Ltd., 1984.

Xavier Mayne [Edward Irenaeus Prime-Stevenson], 1868-1942. The Intersexes. A History of Similisexualism as a Problem in Social Life. New York: Arno Press, 1975.

Sobre o Autor

Oscar Fingal O'Flahertie WillsWilde nasceu em Dublin, Irlanda, em 16 de outubro de 1854.

Seu pai, William Wilde, médico de renome, morreu em 1876. Era dado a aventuras amorosas e teve sua carreira prejudicada por escândalos.

Sua mãe, Jane Francesca Elgee, escritora, defendeu arduamente a causa da Independência

Irlandesa, fazendo com que o filho, desde criança, estivesse sempre rodeado pelos maiores intelectuais da época.

Criado no Protestantismo, Oscar Wilde foi um aluno brilhante, sobretudo nos estudos das grandes obras clássicas gregas e pelos seus altos conhecimentos dos idiomas. Estudou na Portora Royal School de Enniskillem e no Trinity College de Dublin, onde sobressaiu como latinista e helenista. Ganhou depois uma bolsa de estudos para o Magdalene College de Oxford, onde ingressou em 1874, saindo quatro anos depois. Nessa mesma época, em 1878, ganhou o prêmio Newdigate, com o clássico “Ravena”.

Desde cedo, sobressaia-se entre os demais estudantes, tanto pela sua inteligência quanto pelo temperamento forte e anticonvencional, levando-se em consideração a alta moralização dos costumes no século XIX. Mantinha sempre um ar de superioridade por onde ia, mas, sua forte personalidade e seu brilho natural sobrepunham-se a isso, tornando-o figura indispensável.

Passou a morar em Londres e começou a ter uma vida social bastante agitada sendo logo caracterizado por suas atitudes extravagantes.

Em 1882, foi convidado para ir aos Estados Unidos e palestrar sobre o seu recém criado

Movimento Estético, onde se tornou o principal divulgador das idéias de renovação moral. Defendia o ‘belo’ como única solução contra tudo o que considerava denegrir a sociedade da época. Esse Movimento, que contava também com toda a nova geração de intelectuais britânicos, visava transformar o tradicionalismo na época Vitoriana, dando um tom de vanguarda as artes.

Em 1883 vai para Paris e entra para o mundo literário local, levando-o a desistir de seu

Movimento Estético. Nesse período, no qual conquistou vários títulos, começou a publicar suas obras, pequenos escritos com inspiração clássica.

Volta para a Inglaterra e casa-se com Constance Llyd, filha de um advogado de Dublin, indo morar em Chelsea, um bairro de artistas londrinos. Com Constance teve dois filhos, Cyril, em 1885 e Vyvyan, em 1886.

Durante toda sua vida, rumores iam sendo criados em torno da suposta vida irregular que ele teria, o que dava à sua figura um ar de encantamento e atração ainda maior. Podia-se dizer que era amado por uns, repudiado por outros. Alguns estudiosos consideram que essa má fama chegou a atrapalhar sua carreira literária, mas, seus admiradores provam que era justamente o contrário, Oscar Wilde tinha mistura perfeita de petulância e doçura.

O melhor período intelectual de Oscar Wilde é o que vai de 1887 a 1895.

Foi em 1891 que surgiu sua obra mais famosa que o colocaria para sempre no hall dos grandes escritores, O RETRATO DE DORIAN GRAY, livro que retrata a decadência moral humana, a vaidade e o belo.

Em 1892, começou uma série de bem sucedidas comédias, ainda hoje consideradas na dramaturgia britânica: O Leque de Lady Windemere (1892), Uma mulher sem importância (1893), Um marido ideal e A importância de ser sério (ambas de 1895). Publicou contos como O Príncipe Feliz, O fantasma de Canterville, O rouxinol e a rosa, que escreveu para os seus filhos, O Crime de Lord Artur Saville, etc. O seu único romance foi O Retrato de Dorian Gray.

No entanto, no seu apogeu literário, começaram a surgir os problemas pessoais. O que antes eram apenas boatos, passou a se concretizar, dando início à decadência pessoal daquele grande homem.

Suas atitudes, já um tanto quanto audaciosas para a época, ainda desafiaram muito mais a moralidade aristocrática inglesa. Rumores sobre seu homossexualismo, severamente condenado por lei na Inglaterra, apareceram, não podendo mais ser negados por ele. Conforme sua declaração, foi “seduzido” por Robert Ross, um canadense que era hóspede na sua casa. Mas foi em 1892 que Oscar conheceu sua obsessão e ruína.

dizendo: “A Oscar Wilde, conhecido Sodomita”O escritor decide processar o Marquês por

Conhece o Lord Alfred Douglas (ou “Bosie”, como era apelidado), pivô de todo seu drama amoroso. Na época, Wilde tinha 37 anos e Douglas, 21. O pai de Lord Douglas, Marquês de Queensberry, sabendo do envolvimento do filho com o escritor, envia uma carta à Oscar Wilde, onde o ofende e recrimina toda e qualquer relação que ele venha a ter com o jovem Lord, difamação.

Oscar Wilde tinha certeza absoluta de que iria vencer o julgamento, mas acaba sendo condenado por suas práticas homossexuais a dois anos de cárcere. Sua situação social e econômica se deteriora. Seus livros desaparecem das livrarias e suas comédias saem de cartaz. Seus bens são leiloados para pagar os custos do processo e seus filhos são tirados de sua tutela.

Primeiro foi colocado no Cárcere de Wansworth e depois no Cárcere de Reading, de onde foi escrito o belíssimo poema "A balada do Cárcere de Reading".

Constance e os filhos precisaram deixar a Inglaterra e trocar de sobrenome, de Wilde para

Holland, visto a vergonha que seu pai teria “impingido” às suas vidas. O escritor não reencontrou mais os filhos nem a esposa. Ela morreu em 1898 de complicações em uma cirurgia na coluna.

No período da prisão, Wilde redigiu uma longa carta a seu amante “Bosie”, que ficou conhecida como De Profundis.

Foi libertado em 19 de maio de 1897. Poucos amigos o esperavam do lado de fora, entre eles o maior e mais fiel: Robert Ross. Com a ajuda de seu amigo, viajou então para a França, na mesma noite. Então, passou a morar em Paris e usar o pseudônimo de Sebastian Melmoth. Suas roupas, agora, são baratas, mora em um lugar humilde, de apenas dois quartos e acaba se tornando preguiçoso para escrever.

Oscar Wilde morreu de um violento ataque de meningite (agravado pelo álcool e pela sífilis) no dia 30 de novembro de 1900. Foi enterrado como indigente em uma cova de aluguel e somente nove anos mais tarde, Robert Ross teve dinheiro para transferi-lo para seu atual lugar de descanso, no Père-Lachaise.

“Se você não consegue entender o meu silêncio, de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos”

Oscar Wilde

Contexto da Obra

Na literatura européia

O Simbolismo constitui-se na Europa, especialmente na França e na Bélgica, nas últimas duas décadas do século XIX, como um movimento literário em reação ao Naturalismo e aos excessos do Realismo. Isto porque os simbolistas reivindicam uma expressão que privilegie os estados da alma e das subjetividades humanas, contra uma lógica materialista e científica até então fortemente realçada pelo Positivismo.

A retomada de certas idéias do Romantismo explica a grande fascinação do autor por esse tema, já que há nesta fase uma predileção pelo sonho e pelas fantasias misturadas ao gosto refinado.

Na literatura nacional

No simbolismo, um autor nacional de expressão é Cruz e Souza. São de sua autoria as obras que melhor representam o cenário político e social brasileiro desta época. Nestas defende as causas das liberdades civis. Além disso, atribui-se a ele o início desta era literária no Brasil, com a publicação, em 1893, de "Missal" (prosa) e "Broquéis" (poesia).

Outro expoente desta vertente literária é Alphonsus de Guimaraens. O amor, a morte e a religiosidade são seus temas, possivelmente dadas suas experiências particulares, assinaladas pela morte de sua noiva Constança. Publicou, dentre outras obras, "Dona Mística" em 1899.

No cenário europeu

Londres no censo de 1801 contava com 959.0 habitantes.

Na Grã-Bretanha o comércio e os investimentos estrangeiros em 1914 foram de quase

US$ 20 bilhões. A Grã-Bretanha abrange a maior parte do país conhecido como Reino Unido. (Escócia, Inglaterra e País de Gales).

Vivem o fenômeno da revolução industrial = rompante econômico

A rede ferroviária atinge seu apogeu em 1890.

No cenário britânico

A grande mudança de hábitos na Grã-Bretanha entre 1850-1890 foi marcada por uma sociedade notoriamente organizada e equilibrada. Bem como de uma extraordinária tensão social e industrial subjacente. Era o declínio do espírito de ilegalidade. Velho liberalismo = Novo liberalismo e Novo ‘laborismo’.

No cenário nacional

Em 1899 a colônia inglesa inaugurou, na Avenida Paulista o Colégio Anglo-Brasileiro, cujas instalações foram, a partir de 1918, ocupadas pelo Colégio São Luiz.

Estação da luz – urbanização à inglesa e a viagem inaugural do bonde elétrico em São Paulo (maio de 1900).

No último censo do século XIX, São Paulo contava com 240.0 habitantes.

Gênero da Obra

O Retrato de Dorian Gray desde o início revela a marca fundamental do autor: seu sarcasmo. Esse tom é fácil de ser percebido em suas diversas frases paradoxais, outras de humor cáustico, em sua grande maioria proferidas pelo personagem Lorde Henry Wotton.

No livro, Wilde usa como plano de fundo o pacto feito entre Dorian Gray e seu destino, para que o primeiro não recebesse as marcas da vida, permanecendo eternamente belo, enquanto seu retrato pintado pelo artista Basil Hallward enfeava-se, para discutir questões como casamento, amizade, metafísica e, obviamente, valores morais.

Apesar de a obra ter sido originalmente composta em capítulos separados e então agrupados em um único livro, o texto mostra-se fluente, outra característica notável do autor. Mesmo assim, apresenta quebras de fluxo de narrativa, passando rapidamente de uma situação para outra, tornando-se mais evidentes em momentos conflitantes como o atrito entre Sibyl Vane e sua família abrindo um capítulo que se inicia após o outro ter sido concluído com um encontro entre Lorde Henry e Dorian Gray ou ainda uma ação passada uma semana após outra que tenha finalizado o capítulo anterior.

Um ponto importante para se ter noção da natureza desta personagem estava na escolha de sua amada, Sibyl Vane. É interessante observar que o fato da moça ser atriz, representando para ele todas as mulheres e ao mesmo tempo nenhuma, chegando novamente a uma atitude narcisista: a pessoa impossibilitada de amar outra. Sibyl já não possuía charme aos olhos de Dorian e decide deixá-la assim que ela avisa que não poderia mais representar por já conhecer o amor de verdade. Das palavras de Lorde Henry “(…) não desperdice suas lágrimas sobre o cadáver de Sibyl Vane. Era menos real do que elas.”, pode-se concluir que realmente, Dorian gostava da impossibilidade de um amor verdadeiro, preferindo a ilusão que possuía no teatro nas noites que assistia Sibyl representando.

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