O apoio logístico no âmbito da Batalha de Almoster

O apoio logístico no âmbito da Batalha de Almoster

(Parte 1 de 3)

ACADEMIA MILITAR Direcção de Ensino

Trabalho de Grupo realizado no âmbito da Unidade Curricular M151 – Logística

Cadete-Aluno Engenharia Militar nº339 André Gonçalves Gomes Cadete-Aluno Engenharia Militar nº401 Vítor Manuel Martins Pereira Cadete-Aluno Engenharia Militar nº421 Pedro Miguel Ribeiro Melro Cadete-Aluno Engenharia Militar nº514 Ricardo Jorge Rodrigues Barbosa Silva

PROFESSORES: Major Inf Fernando Rita Capitão SMat Morgado

LISBOA, DEZEMBRO DE 2013

ACADEMIA MILITAR Direcção de Ensino

Trabalho de Grupo realizado no âmbito da Unidade Curricular M151 – Logística

Cadete-Aluno Engenharia Militar nº339 André Gonçalves Gomes Cadete-Aluno Engenharia Militar nº401 Vítor Manuel Martins Pereira Cadete-Aluno Engenharia Militar nº421 Pedro Miguel Ribeiro Melro Cadete-Aluno Engenharia Militar nº514 Ricardo Jorge Rodrigues Barbosa Silva

PROFESSORES: Major Inf Fernando Rita Capitão SMat Morgado

LISBOA, DEZEMBRO DE 2013

A Batalha de Almoster i

Epígrafe

"Toda a guerra civil é triste.” Eça de Queiroz

A Batalha de Almoster i

EPÍGRAFEI
ÍNDICE GERALI
ÍNDICE DE ILUSTRAÇÕESI
LISTA DE ABREVIATURAS, ACRÓNIMOS E SIGLASIV
RESUMOVI
ABSTRACTVII
CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO TEÓRICO1
1.1 INTRODUÇÃO1
1.2 ESTRUTURA DO TRABALHO1
1.3 PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO: ESCOLHA E JUSTIFICAÇÃO2
1.4 DELIMITAÇÃO DE ABORDAGEM2
1.5 REVISÃO DE LITERATURA2
CAPÍTULO I – ENQUADRAMENTO SOCIAL, POLÍTICO E MILITAR DA ÉPOCA3
CAPÍTULO I – A BATALHA6
CAPÍTULO IV – CONCEITOS LOGÍSTICOS A RETIRAR DA BATALHA9
4.1. PRINCÍPIOS LOGÍSTICOS9
4.2. FUNÇÕES LOGÍSTICAS10
4.1.1. REABASTECIMENTO1
4.1.1.1. VÍVERES1
4.1.1.2. FARDAMENTO12
4.1.1.3. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES13
4.1.1.4. MUNIÇÕES13
4.1.2. MOVIMENTOS E TRANSPORTE14
4.1.3. APOIO SANITÁRIO14
4.1.4. INFRA-ESTRUTURAS15
CAPÍTULO V - CONCLUSÕES16
5.1 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES16
5.2 DESAFIO PARA FUTURAS INVESTIGAÇÕES17
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS18
APÊNDICES21
APÊNDICE A2
APÊNDICE B23
APÊNDICE C24
APÊNDICE D25
APÊNDICE E26
APÊNDICE F27
ANEXOS28
ANEXO A29
ANEXO B30

A Batalha de Almoster i

A Batalha de Almoster iv

D D. - Dom

I Inf. - Infantaria

A Batalha de Almoster v

S SMat – Serviço Material

A Batalha de Almoster vi

O presente trabalho de investigação está subordinado ao tema: “A Batalha de

Almoster”.

A batalha de Almoster é uma das muitas contendas que se deram no período da guerra civil portuguesa de 1832/34, ou guerra da sucessão, ou mesmo guerra dos dois anos. Esta batalha, apesar de pouco conhecida, dá-se quase no final da guerra civil, sendo uma das mais determinantes que levaram à assinatura da convenção de Évora- Monte. A batalha tem como intervenientes as forças de D.Pedro IV, lideradas pelo Marechal Saldanha, e as forças de D.Miguel, lideradas pelo general Lemos. Ambas as forças travam armas na localidade de Santa Maria, mais propriamente na ponte de Santa

Maria de Almoster1 , local onde morreram mais de mil homens, todos portugueses.

A metodologia utilizada para a realização do trabalho respeitou as normas da

Academia Militar e tentou aproximar-se das etapas esquematizadas por Quivy e

Campenhoudt2 , recolhendo-se a informação através de pesquisas bibliográfica, documental, e observações directas.

Concluímos que a logística é mais necessária para o sucesso de uma operação militar, do que o que comummente se pensa. Esta batalha por si é pouco conhecida e estudada, existindo reduzida informação acerca da mesma, sendo necessário mais investigação neste âmbito.

Palavras-chave: Trabalho de Investigação, Guerra Civil portuguesa, Lutas Liberais, Batalha de Almoster, Absolutismo, Liberalismo, Logística

1 Ver apêndice A, que contém as fotos da dita ponte 2 Ver apêndice F, que ilustra as etapas do processo de investigação

A Batalha de Almoster vii

This research work is under the theme : " The Battle of Almoster " . The Battle of Almoster is one of the many battles that occurred during the portuguese civil war of 1832/34 as known as the war of succession, or even two years war. This battle, although little known, takes place almost at the end of the civil war, being one of the determinant battles that led to the signing of the Convention of Evora - Monte. The battle had to interveners forces of King Pedro IV , led by Marshal Saldanha , and D.Miguel forces , led by General Lemos . Both forces waged weapons in the town of Santa Maria, more specifically in the Santa Maria Almoster bridge, where over a thousand men died over, all Portuguese.

The methodology used to carry out the work complied with the standards of the

Military Academy and tried to approach the steps outlined by Quivy and Campenhoudt , collecting information through bibliographic, documentary research , and direct observations .

We concluded that logistics is more necessary for the success of a military operation than commonly thought. Another outcome is that this battle by itself is little known and studied, limited information exists about the same, more research is needed in this area.

Key Words: Research Work, Portuguese Civil War, Battle of Almoster, Liberal Fights, Absolutism, Liberalism, Logistics

A Batalha de Almoster 1

1.1 INTRODUÇÃO

No âmbito da disciplina de Logística, surgiu a oportunidade de realizar um trabalho de investigação, cujo tema seria escolhido por cada grupo.

A escolha teve como objectivo um tema que abordasse uma batalha entre forças militares e que permitisse retirar conceitos logísticos, com base na doutrina actual3 , que tivessem sido aplicados. Assim surgiu o tema “A Batalha de Almoster”, que representa uma das mais importantes batalhas da guerra civil portuguesa de 1832-1834, tal como diz Almeida Garrett (1963, pg.42) “…batalha de Almoster, uma das mais lidadas e das mais ensanguentadas daquela triste guerra.”.

1.2 ESTRUTURA DO TRABALHO

Este trabalho de investigação, como é descrito nas normas da Academia Militar4 , é estruturado em três partes: a pré-textual, o texto e a pós-textual. Cabe-nos aqui descrever sumariamente as partes constituintes do texto, pelo que passamos a referi-las.

No capítulo 1 (Enquadramento Teórico) vai ser realizada uma introdução ao trabalho, seguida das componentes teóricas que o limitaram ou enriqueceram.

No capítulo 2 (Enquadramento Político, Social e Militar da época) vai ser executada uma descrição sucinta dos acontecimentos históricos que antecederam a guerra civil, e que por sua vez levaram à batalha. Trata também o contexto político e social da época.

No capítulo 3 (A batalha) vai ser feita a descrição da batalha de Almoster, tentando escrutinar todos os eventos que se sucederam nesta, por dias e subsequentemente por horas.

No capítulo 4 (A Logística da Batalha) vão ser associados os princípios e funções logísticas da doutrina actual à batalha, retirando conclusões destas associações no seu decorrer.

3 Esta doutrina consta na PDE 4-0 de Abril de 2013 4 Normas presentes na NEP 520 de 30 de Junho 2011

CAPITULO 1 – ENQUADRAMENTO TEÓRICO

A Batalha de Almoster 2

1.3 PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO: ESCOLHA E JUSTIFICAÇÃO O tema do trabalho, O apoio logístico em campanha no âmbito da batalha de

Almoster, foi escolhido devido a alguns motivos, entre os quais o facto da residência de um dos elementos do grupo ser, não mais do que, Almoster. Deste modo, provemos assim de recursos, como por exemplo fotos e conhecimentos do terreno na actualidade, que se provaram valiosos e importantes na execução do mesmo.

1.4 DELIMITAÇÃO DE ABORDAGEM

Esta investigação abordou a batalha de Almoster, porém focalizamos o estudo ao nível logístico da batalha e sua envolvente temporal e contextual, à luz da doutrina actual.

1.5 REVISÃO DE LITERATURA Com o intuito de enriquecer o trabalho foram consultados bastantes referências bibliográficas, desde livros, teses de mestrado, artigos e documentos da época. Ainda assim, não menosprezando a importância das demais, tendo sido a mais significante, muito devido à descrição detalhada de toda a guerra civil, a obra de José Soriano5 .

Devido à existência de informações, por vezes, contraditórias relativamente à batalha em si, a descrição da mesma feita no trabalho, pode em alguns aspectos não estar precisa ou até mesmo ter informações que se provem erradas á posteriori.

5 História da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal, 1890

A Batalha de Almoster 3

“Curar com uma revolução liberal um país estragado, como são todos os da Europa, é sangrar um tísico: a falta de sangue diminui as ânsias do pulmão por algum tempo, mas as forças vãose e a morte é a mais certa.”

Para expormos de forma correcta o contexto social, político e económico de

Portugal na época, é necessário para tal, que abordemos primeiro o início do século, que como iremos ver é determinante para a situação em Portugal.

A sucessão de eventos que leva, eventualmente, à guerra civil, começa com as invasões napoleónicas, ocorridas no final da primeira década do séc. XIX. Para não serem aprisionados pelas forças francesas, o rei D. João VI, seus filhos e a corte real refugiaram-se no Brasil, assim como um elevado número de oficiais que os acompanharam na viagem.

Este conjunto de acontecimentos levam a um despertar do ‘nacionalismo’ português, do amor à Pátria; ora vejamos alguns brados do povo nas ruas, na época: “Viva Portugal, vivam as cinco chagas, morra França!” (Saraiva, 2013, pág. 10). Consequentemente as tendências e ideais liberais trazidas pelos soldados franceses foram ficando.

A presença do rei no Brasil leva a um rol de acontecimentos que posteriormente se reflectem numa separação política e económica com Portugal6 . Pouco depois do rei se encontrar no Brasil, foram emitidos uma série de diplomas que permitem o livre comércio com todas as potências em paz com Portugal, assim como a implementação de indústrias de manufactura, direito, até então, exclusivo ao mesmo, como nos é dito no livro de José Hermano Saraiva “… um diploma que declarou livre (sem submissão às taxas tributárias) a entrada no Brasil de todos e quaisquer géneros, fazendas e mercadorias…” (Saraiva, 2013, pg. 29).

6 Uma das consequências é uma crise económica, como se pode ver no apêndice E.

CAPITULO 2 – ENQUADRAMENTO SOCIAL, POLÍTICO E MILITAR DA ÉPOCA

A Batalha de Almoster 4

Como nos é referido por Silva (2010, pg. 23), todo este conjunto de transformações que ocorreram foi sinónimo do fim do império colonial, império que perdurava desde o século XV, sendo a independência do Brasil, concedida por D. Pedro IV em 1822.

Ao longo do decorrer das invasões, a participação das forças inglesas foi determinante, por conseguinte, iria ser-lhes conferido um enorme poder político no governo do país, seja exemplo: “Para os governantes portugueses, a linha a seguir devia ser, basicamente a da Inglaterra…” (Saraiva, 2013, pg. 3).

Assim, como nos diz Tomás de Barros, “A ausência do rei D. João VI, a miséria e a devastação causada pela Guerra Peninsular e a preponderância…pelo inglês Beresford… fizeram crescer em Portugal a lista de desgostos, e prepararam, ao mesmo tempo um ambiente revolucionário.” (Barros, 1948, pg. 146). Dá-se então a 1820 a revolução, culminando na elaboração de uma nova constituição baseada nos ideais do liberalismo.

Tal como nos descreve o provérbio popular “ Não há rosa sem espinhos.”, também esta nova constituição não agradou a todos os sectores da sociedade ,isto é, “Fez-se uma constituição pouco mais ou menos republicana, mas inteiramente inadequada ao paiz” (Martins, 1954, pg.252). Posteriormente, os sectores mais tradicionais e conservadores da sociedade portuguesa começaram a conspirar contra o novo rumo do reino, gerando-se assim um ambiente de contra-revolução e de apologia ao regresso à monarquia de estilo absolutista. Entretanto, após uma primeira tentativa de insurreição – a “Abrilada” –, D. Miguel e D. Carlota foram obrigados a sair do país.

Com a morte de D.João VI, em 10 de Março de 1826, a regência administrativa do estado é atribuída a uma junta de regência, presidida pela sua filha D.Isabel Maria. Esta circunstância leva ao despoletar da conflitualidade dos três pretendentes ao trono, D.Pedro (imperador do Brasil), a sua filha, Maria da Glória (então com sete anos de idade) e o infante D.Miguel (segundo filho de D.João VI). Porém a instabilidade foi harmonizada, abdicando D.Pedro a favor da sua filha, cujo casamento com D.Miguel foi estabelecido á priori. Deste modo, “ D. Miguel é chamado a assumir a regência até que se complete a maioridade da herdeira legítima ao trono.” (Silva, 2010, pg.24), sendo que para tal efeito é aplicada uma nova carta Constitucional, substituindo a anterior.

O regresso de D.Miguel do seu exílio em Viena de Áustria iria ficar assinalado pela sua aclamação (30 de Junho de 1828), nas Cortes de Lisboa, como rei absoluto. A partir

CAPITULO 2 – ENQUADRAMENTO SOCIAL, POLÍTICO E MILITAR DA ÉPOCA

A Batalha de Almoster 5 desta data, inicia-se uma perseguição aos liberais, ou seja, uma “…forte perseguição e repressão violenta aos seus opositores, naquilo que ficaria conhecido como o “terror miguelista”.” (Silva, 2010, pg.25). Posto isto, é perceptível que, como refere o Sr. Capitão Pedro Amador, estas acções demonstravam a vontade de transformar Portugal numa monarquia constitucional, o vulgo absolutismo, o que se opunha aos princípios praticados até então, os do liberalismo. Esta perseguição levou ao exílio dos liberais quer em Inglaterra, quer na ilha Terceira nos açores, de onde mais tarde viriam a embarcar para o continente.

Sem perder de vista a situação do outro lado do atlântico, D. Pedro IV decide agir, em 1832, abdicando do trono do Brasil em favor do seu filho e assumiu a regência de Portugal, em nome de sua filha D. Maria da Glória. Em seu apoio encontravam-se a Inglaterra e a França. Decidiu então organizar um exército, juntando-se na ilha Terceira, nos Açores, aos exilados liberais e partiu para Portugal, fazendo o seu desembarque no Mindelo, perto do Porto. Ocupa assim essa cidade sem grande resistência. Dando inicio assim, a uma das muitas contendas que se sucederam nesta guerra civil, como se pode ver ilustrado na imagem abaixo.

Fonte: Desconhecida Ilustração 1: Contendas ao longo de toda a guerra civil

A Batalha de Almoster 6

“Foi uma batalha renhida que Saldanha soube ganhar…O melhor resultado da acção veio do abatimento em que deixou o inimigo.”

Muitas abordagens poderiam ser feitas à batalha, igualmente as formas de a descrever, todavia, como militares que somos, nada melhor que uma descrição metódica, não obstante da concisão, através da realização de uma fita do tempo.

A 16 Fevereiro 1834: General Lemos chega a Almeirim com uma força de 2500 a 3000 Homens. Atravessa o Tejo e coloca-se na Portela (meia légua a norte de Santarém), onde D.Miguel o esperava para passar revista à força.

A 17 Fevereiro 1834: General Lemos toma comando da ala direita do Exército

Realista e marcha de tarde para o sul, pela entrada do Cartaxo. Fica toda a noite ‘sobre as armas’7 a 10km de Santarém.

Os Miguelistas souberam, tanto pelos seus espiões, como pelas observações feitas pelo próprio D. Miguel, que Saldanha iria colocar o grosso do seu Exército à retaguarda da ponte da Asseca, deixando o seu flanco esquerdo um pouco desguarnecido.

Assim e com estas informações o plano dos miguelistas estipulava que o ataque seria feito perto da Azambujeira, situado a uma légua de distância do Cartaxo e a outra de Santarém sendo o flanco esquerdo das posições liberais. Porém o ataque também considerava ataques nas pontes do Celeiro e Asseca, que serviriam de distracção para as suas verdadeiras intenções.

A 18 Fevereiro 1834: Ao romper do dia, pelas 6 horas da manhã, iniciaram-se fogos de artilharia junto à ponte do Celeiro com 4 peças e 1 obus (extrema esquerda dos absolutistas).Uma hora depois a artilharia, no reduto da ponte da Asseca, inicia fogos de artilharia com 3 peças e 1 obus.

Pelas 7 horas ressoaram altos vivas D.Miguel na zona da Azambujeira. Estes foram fruto da ordem do dia lida em que D.Miguel promete aos seus soldados, que estariam dia 18 no Cartaxo, dia 19 em Vila Franca e dia 20 em Lisboa, onde contava que se desse

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