Metodologia Pesquisa

Metodologia Pesquisa

(Parte 1 de 12)

Metodologia da Pesquisa Eduardo Moresi (Organizador)

Brasília – DF Mar 2003

1. O Pesquisador e a Comunicação Científica5
1.1. Introdução5
1.2. O sistema de comunicação na ciência5
1.3. O trabalho científico e sua avaliação7
1.4. O pesquisador e suas qualificações7
1.5. Considerações finais7
2. A Pesquisa e suas Classificações8
2.1. Introdução8
2.2. Classificações das pesquisas8
2.3. O planejamento da pesquisa1
2.4. Considerações finais1
3. Métodos Científicos12
3.1. Introdução12
3.2. Conceito de Método12
3.3. Conceitos Básicos15
3.4. O método de Galileu Galilei20
3.5. O Método de Francis Bacon21
3.6. O Método de Descartes23
3.7. Concepção Atual do Método24
3.8. Método dedutivo25
3.9. Método indutivo25
3.10. Método hipotético-dedutivo26
3.1. Método dialético26
3.12. Método fenomenológico26
3.13. Considerações finais26
4. As Etapas da Pesquisa27
4.1. Introdução27
4.2. As etapas da pesquisa27
5. Escolha do tema32
5.1. Como nascem as idéias?32
5.2. Escolha do assunto32
5.3. Delimitação do assunto3
5.4. Estudo preliminar34
6. Revisão de Literatura e Referencial Teórico35
6.2. Escolha do tema36
6.3. Elaboração do plano de trabalho36
6.4. Identificação37
6.5. Localização e compilação37
6.6. Fichamento38
6.7. Redação38
7. Como Levantar Informações39
7.1. Fontes de informação para pesquisa39
7.2. Fontes de informação impressas (em papel)39
7.3. Fontes de informação digitais39
7.4. Serviços de orientação49
8. Leitura, Resumo, Citações e Referências50
8.1. Introdução50
8.2. Leitura50
8.3. Resumos50
8.4. Citação52
8.5. Referências54
9. Problema, Objetivos e Hipóteses de Pesquisa58
9.1. Introdução58
9.2. O que é um problema de pesquisa?58
9.3. Definição de Objetivos60
9.4. O que são hipóteses61
9.4. Considerações Finais62
10. Pesquisas quantitativa e qualitativa64
10.1. O que é uma Pesquisa Quantitativa?64
10.2. O que é uma Pesquisa Qualitativa?69
10.3. Comparação entre pesquisa qualitativa e quantitativa72
10.4. Comparação entre abordagem positivista e interpretativa73
1. O Projeto de Pesquisa (Qualificação)75
1.1. Introdução75
1.2. Roteiro para Qualificação75
1.3. Elementos constitutivos do projeto de qualificação76
12. Elaboração e Apresentação do Relatório de Pesquisa (Dissertação/Tese)82
12.1. Introdução82
12.1. Elementos textuais83

3 12.2. Elementos pós-textuais ................................ ................................ ........84

Tese)85
13.1. Introdução85
13.2. Como normalizar a apresentação gráfica de teses e dissertações85
14. Como Elaborar Artigos para Publicação?100
15. Estudo de Caso102
15.1. Definições102
15.2. Características básicas102
15.3. Áreas que costumam utilizar estudos de caso103
15.4. Métodos de coleta de dados mais usados103
15.5. Quando aplicar o estudo de caso103
15.6. Vantagens104
15.7. Críticas e respostas às críticas104

13. Como Apresentar Graficamente seu Relatório de Pesquisa (Dissertação ou Referências ................................ ................................ ................................ ....106

1. O Pesquisador e a Comunicação Científica

- Descrever o processo de comunicação na pesquisa científica e tecnológica;

- Identificar e descrever os canais de comunicação usados pelos pesquisadores;

- Apontar as qualidades de um bom pesquisador.

1.1. Introdução

Hoje se reconhece que a ciência e a tecnologia se viabilizam por meio de um processo de construção do conhecimento e que esse processo flui na esfera da comunicação. Garvey (1979), um autor clássico da área de Sociologia da Ciência, incluiu no processo de Comunicação Científica “as atividades associadas com a produção, disseminação e uso da informação, desde a hora em que o cientista teve a idéia da pesquisa até o momento em que os resultados de seu trabalho são aceitos como parte integrante do conhecimento científico”.

1.2. O sistema de comunicação na ciência

O sistema de comunicação na ciência, estudado por Garvey, apresenta dois tipos de canais de comunicação dotados de diferentes funções. O canal informal de comunicação, que representa a parte do processo invisível ao público, está caracterizado por contatos pessoais, conversas telefônicas, correspondências, cartas, pré-prints e assemelhados. O canal formal, que é a parte visível (pública) do sistema de comunicação científica está representado pela informação publicada em forma de artigos de periódicos, livros, comunicações escritas em encontros científicos, etc.

1.2.1 Canais informais

Nos canais informais o processo de comunicação é ágil e seletivo. A informação circulada tende a ser mais atual e ter maior probabilidade de relevância, porque é obtida pela interação efetiva entre os pesquisadores. Os canais informais não são oficiais nem controlados e são usados geralmente entre dois indivíduos ou para a comunicação em pequenos grupos para fazer disseminação seletiva do conhecimento.

1.2.2. Canais formais

Nos canais formais o processo de comunicação é lento, mas necessário para a memória e a difusão de informações para o público em geral. Os canais formais são oficiais, públicos e controlados por uma organização. Destinam-se a transferir informações a uma comunidade, não a um indivíduo, e tornam público o conhecimento produzido. Os canais formais são permanentes, as informações que veiculam são registradas em um suporte e assim tornam-se mais acessíveis.

1.2.3. Função dos canais informais

Os canais informais, por meio do contato face a face ou mediados por um computador, são fundamentais aos pesquisadores pela oportunidade proporcionada para troca de idéias, discussão e feedbacks com os pares. O trabalho publicado nos canais formais, de certa forma, já foi filtrado via canais informais. Os contatos informais mantidos com os pares pelos pesquisadores foram chamados por Price (1979) de colégios invisí- veis; Crane (1972) e Kadushin (1976) denominaram de círculos sociais e, mais recentemente, Latour (1994) denominou de redes científicas. Latour incorporou às redes científicas a idéia de que estas não visam propriamente à troca de informações; representam um esquema operacional para construção do conhecimento e nesse esquema estão incluídos os híbridos, elementos não-humanos, representados pelos equipamentos e toda a parafernália de produtos e serviços necessários à produção da ciência e da tecnologia.

Atualmente, com o advento da Internet, as listas de discussão representam um canal informal semelhante aos colégios invisíveis e os círculos sociais dos tempos passados. As listas de discussão permitem a criação de comunidades virtuais onde pessoas que possuem interesses comuns discutem, trocam informações por meio de um processo comunicacional instantâneo, ágil e, portanto, sem barreiras de tempo e espaço. A internet amplia as possibilidades de troca de informação na medida em que permite ao pesquisador compartilhar e interagir com a inteligência coletiva (LEVY, 1998).

1.2.4. Função dos canais formais

Os canais formais, por intermédio das publicações, são fundamentais aos pesquisadores porque permitem comunicar seus resultados de pesquisa, estabelecer a prioridade para suas descobertas, obter o reconhecimento de seus pares e, com isso, aumentar sua credibilidade no meio técnico ou acadêmico.

1.2.5. Diferenças básicas entre canais formais e informais

No quadro a seguir foram sintetizadas por Le Coadic (1996) as principais diferenças entre os elementos formais e informais da comunicação científica:

Comunicação FormalComunicação Informal

Pública Privada

Informação armazenada de forma permanente, recuperável.

Informação não armazenada, não recuperável.

Informação relativamente velha.Informação recente. Informação comprovada.Informação não comprovada. Disseminação uniforme.Direção do fluxo escolhida pelo produtor. Redundância moderada.Redundância às vezes muito importante. Ausência de interação direta.Interação direta. Fonte: LÊ COADIC, Y-F. A ciência da Informação. Brasília: Briquet de Lemos, 1996.

Antes de chegarem a ser publicados os resultados de uma pesquisa, a informação percorre um longo caminho nesta passagem do domínio informal para o formal. Vale dizer que este processo não é estanque ou linear e que os avanços tecnológicos e as redes de comunicação têm feito com que as duas formas de comunicação estejam se sobrepondo e têm tornado tênues as fronteiras entre os dois domínios da comunicação (informal e formal). A freqüência e o uso de um canal informal ou formal são determinados por sua acessibilidade.

1.3. O trabalho científico e sua avaliação

O trabalho científico, propriamente dito, é avaliado, segundo Demo (1991), pela sua qualidade política e pela sua qualidade formal. Qualidade política refere-se fundamentalmente aos conteúdos, aos fins e à substância do trabalho científico. Qualidade formal diz respeito aos meios e formas usados na produção do trabalho. Refere-se ao domínio de técnicas de coleta e interpretação de dados, manipulação de fontes de informação, conhecimento demonstrado na apresentação do referencial teórico e apresentação escrita ou oral em conformidade com os ritos acadêmicos.

1.4. O pesquisador e suas qualificações

Alguns atributos pessoais são desejáveis para você ser um bom pesquisador.

Para Gil (1999), um bom pesquisador precisa, além do conhecimento do assunto, ter curiosidade, criatividade, integridade intelectual e sensibilidade social. São igualmente importantes a humildade para ter atitude autocorretiva, a imaginação disciplinada, a perseverança, a paciência e a confiança na experiência.

Atualmente, seu sucesso como pesquisador está vinculado, cada vez mais, a sua capacidade de captar recursos, enredar pessoas para trabalhar em sua equipe e fazer alianças que proporcionem a tecnologia e os equipamentos necessários para o desenvolvimento de sua pesquisa. Quanto maior for o seu prestígio e reconhecimento, obtido pelas suas publicações, maior será o seu poder de persuasão e sedução no processo de fazer aliados.

1.5. Considerações finais

Tanto os canais formais quanto os informais são importantes no processo de construção do conhecimento científico e tecnológico. Os canais informais cumprem suas funções como meio de disseminação de informação entre você e seus pares, e os canais formais são responsáveis pela comunicação oficial dos resultados de uma pesquisa. A publicação proporciona o controle de qualidade de uma área, confere reconhecimento da prioridade ao autor e possibilita a preservação do conhecimento. Na verdade você, estando em atividade de pesquisa, participa de um processo permanente de transações e mediações comunicativas.

2. A Pesquisa e suas Classificações

- Definir o que é pesquisa; - Mostrar as formas clássicas de classificação das pesquisas;

- Identificar as etapas de um planejamento de pesquisa.

2.1. Introdução

O que é pesquisa? Esta pergunta pode ser respondida de muitas formas. Pesquisar significa, de forma bem simples, procurar respostas para indagações propostas. Minayo (1993, p.23), vendo por um prisma mais filosófico, considera a pesquisa como “atividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente. É uma atividade de aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação particular entre teoria e dados”.

Demo (1996, p.34) insere a pesquisa como atividade cotidiana considerando-a como uma atitude, um “questionamento sistemático crítico e criativo, mais a intervenção competente na realidade, ou o diálogo crítico permanente com a realidade em sentido teórico e prático”.

Para Gil (1999, p.42), a pesquisa tem um caráter pragmático, é um “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”.

Pesquisa é um conjunto de ações, propostas para encontrar a solução para um problema, que têm por base procedimentos racionais e sistemáticos. A pesquisa é realizada quando se tem um problema e não se tem informações para solucioná-lo.

2.2. Classificações das pesquisas

Existem várias formas de classificar as pesquisas. As formas clássicas de classificação serão apresentadas a seguir:

Do ponto de vista da sua natureza, pode ser:

- Pesquisa Básica: objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais.

- Pesquisa Aplicada: objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais.

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