O processo de implantação do MACS em face das políticas públicas de Turismo locais

O processo de implantação do MACS em face das políticas públicas de Turismo locais

O Trabalho “O PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DO MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE SOROCABA (MACS) EM FACE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE TURISMO LOCAIS” de Carlos Henrique Meirelles de Castro e Rafael Paulino Pires Rocha Teixeira foi disponibilizado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - SemDerivados 3.0 Não Adaptada. Contato: bit.ly/meirelles e (1) 98499-8150.

Sorocaba 2011

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Sorocaba 2011

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Ciências e Tecnologias para a Sustentabilidade da Universidade Federal de São Carlos, campus Sorocaba, para obtenção de título de bacharel em Turismo.

Orientação: Prof. Dr. Thiago Allis

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Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Ciências e Tecnologias para a Sustentabilidade da Universidade Federal de São Carlos, campus Sorocaba, para obtenção do título/grau de bacharel/licenciado em Turismo. Universidade Federal de São Carlos. Sorocaba, 9 de dezembro de 2011.

Orientador _ Dr. Thiago Allis Universidade Federal de São Carlos, campus Sorocaba.

Examinadora _ Dra. Alissandra Nazareth de Carvalho Universidade Federal de São Carlos, campus Sorocaba.

Examinador _ Dr. Sílvio César Moral Marques Universidade Federal de São Carlos, campus Sorocaba.

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CASTRO, Carlos Henrique Meirelles; TEIXEIRA, Rafael Paulino Pires Rocha. O processo de implantação do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS) em face das políticas públicas de Turismo locais. 2011. 244 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Bacharelado em Turismo) – Centro de Ciências e Tecnologias para Sustentabilidade, Universidade Federal de São Carlos, Sorocaba, 2011.

O presente trabalho tem como objetivo abordar os aspectos do processo de implantação do MACS – Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba, no atual cenário turístico da cidade, na ótica dos atores envolvidos com este último.

Para o desenvolvimento desta tarefa foi necessário selecionar as entidades integrantes do cenário turístico Sorocabano, bem como entender suas finalidades, articulações e participações neste contexto. Portanto, foram selecionadas três entidades, além do MACS, para a realização desta pesquisa, foram elas: o Conselho Municipal de Turismo, a Secretaria da Cultura e Lazer e o Sorocaba e Região Convention & Visitors Bureau. A pesquisa se deu, basicamente, pela análise de documentos pertencentes às entidades selecionadas e por entrevistas realizadas com representantes de cada uma destas.

Finalmente, os resultados colhidos durante a pesquisa demonstraram a necessidade de ações que modifiquem, no cenário turístico de Sorocaba, a articulação institucional, a ampliação de ações no campo do turismo cultural e a representatividade do turismo no poder público sorocabano.

Palavras-chave: Turismo Cultural. Políticas Públicas. Articulação Institucional. Museus.

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This study aims to approach the aspects of the implementation process of the MACS - Museum of Contemporary Art in Sorocaba, in today's tourist city, from the perspective of the actors involved.

For the development of this task was to select the entities in the tourism scene Sorocaba, as well as understand their purposes, and joint participation in this context. Therefore, we selected three entities, in addition to MACS for this research, they were: the Municipal Tourism Council, the Department of Culture and Leisure and Sorocaba and Region Convention & Visitors Bureau. The research took place primarily through the analysis of documents belonging to the selected entities and interviews with representatives of each of these.

Finally, the results collected during the research demonstrated the need for actions that change in the tourism scene of Sorocaba, institutional coordination, the expansion of activities in the field of tourism and cultural tourism representative government in Sorocaba.

Keywords: Cultural Tourism. Public Policies. Institutional Coordination. Museums.

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Figura 01. Representantes das entidades escolhidos para entrevistas14
Figura 02. Localização das futuras instalações do MACS26
Figura 03. Foto da parte interna do prédio que abrigará o MACS28
Figura 04. Foto do Chalé Francês, sede provisória do MACS29
Figura 05. Conselhos do MACS na fase de implantação30
Figura 06. Organograma atual do MACS31
Figura 07. Organograma da SECULT35
Figura 08. Quadro de programas e eventos da SECULT36
Figura 09. Organograma do SRC&VB39
Figura 10. Organograma da SEDE43
Figura 1. Quadro de tópicos para elaboração da análise45

LISTA DE FIGURAS . Figura 12. Quadro comparativo entre CMT e SRC&VB...............................................83

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AECA – Associação de Educação Cultura e Arte

A&B – Alimentos e Bebidas

CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo

CMT – Conselho Municipal de Turismo

CNM – Cadastro Nacional de Museus

CVB – Convention and Visitor Bureaus

DEMU – Departamento de Museus e Centros Culturais

FUNDEC – Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba

IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil

IACVB – International Association of Convention and Visitors Bureaus

IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

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LINC – Lei de Incentivo à Cultura MACS – Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba

NUPLAN – Núcleo de Planejamento Urbano

OMT – Organização Mundial do Turismo

OSCIP – Organização da Sociedade Civil de interesse Público

PIB – Produto Interno Bruto

PODI – Polo de Desenvolvimento e Inovação de Sorocaba

PROAC – Programa de Ação Cultural

SEADE – Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados

SECULT – Secretaria da Cultura e Lazer

SEDE – Secretaria do Desenvolvimento Econômico

SPTURIS – São Paulo Turismo

SRC&VB – Sorocaba e Região Convention and Visitors Bureau

SISEM – Sistema Estadual de Museus UFSCAR – Universidade Federal de São Carlos

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UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” UNISO – Universidade de Sorocaba

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1INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 1
2 TURISMO CULTURAL E MUSEUS17
3 ANÁLISE DE CONTEXTO24
3.1Sorocaba como destino turístico ...................................................................................... 24
3.2Apresentação geral das entidades .................................................................................... 25
3.2.1 MACS25
3.2.2 Secretaria da Cultura e Lazer3
3.2.3 SRC&VB - Sorocaba e Região Convention & Visitors Bureau37
3.2.4 Conselho Municipal de Turismo (CMT)41
4 ANÁLISE DE ENTREVISTA45
5 ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS71
5.1As visões [concepções] do Turismo no contexto atual em Sorocaba .............................. 71
5.2Políticas públicas de Turismo e Cultura: análise das intenções, ações atuais e
perspectivas7
5.3A articulação institucional para a implantação do MACS ............................................. 86
5.4MACS e o Turismo em Sorocaba: perspectivas, interesses e possibilidades. ................ 90
6CONCLUSÕES ............................................................................................................... 95
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS9
8REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 100
9APÊNDICES ................................................................................................................. 105

SUMÁRIO 10 ANEXOS ....................................................................................................................... 149

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1 INTRODUÇÃO

A atividade turística vem, ao longo dos anos, se tornando uma das principais fontes de renda de diversas cidades e estados. Hoje, existe um maior interesse em investir na atividade e fomentá-la com o objetivo de gerar renda para o município (VELOSO, G., 2010, p.14). Dentre seus segmentos, destaca-se o turismo cultural, privilegiando e contemplando diversos “recursos” (DIAS, 2003, p.59), como cidades históricas, apresentações de artes performáticas, visitas a galerias de artes, museus, entre outros.

Sorocaba, conhecida pela sua notável vocação industrial, apresenta-se também, devido sua gama de serviços e sua história, contendo três momentos históricos que contribuíram para o desenvolvimento do estado e país, com um potencial turístico variado. Dentre os serviços oferecidos em Sorocaba, considerados como prováveis motivadores turísticos, estão: os hospitais, os shoppings, os restaurantes, entre outros. Dentre os momentos históricos, potencialmente turísticos, estão: o Bandeirismo, o Tropeirismo e a Expansão Ferroviário. Entretanto não se nota no poder público local, uma variedade de ações que estimulem o uso turístico das ditas potencialidades, nem que fomentem mais as que, aparentemente, já ocorrem na cidade. Um exemplo disto se dá pela inexpressividade turística dos museus municipais, baseada na falta de guias para visitação, horário de funcionamento e no relato de pessoas responsáveis que confirmam o baixo fluxo de visitantes.

Ainda, o município não possui uma pasta ou departamento exclusivo para fomentar a atividade turística. Ela é representada pelo CMT – Conselho Municipal de Turismo, onde seus representantes – do poder público e iniciativa privada – atuam com o desenvolvimento de diretrizes e políticas públicas para a atividade. Contudo, apresentando caráter consultivo, o referido Conselho torna-se dependente de outras secretarias e entidades do setor privado para que suas ações planejadas sejam colocadas em prática.

Neste contexto, especificamente no que concerne o segmento do turismo cultural e as políticas públicas de turismo em Sorocaba – ou a falta destas -, surge à ideia, por parte da AECA, da criação e implantação de um museu de arte contemporânea, hoje denominado MACS – Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba. O projeto que já caminha por oito anos sem implantação tem dificuldades para arrecadar verbas para restauração de seu prédio, porém já desenvolve atividades externas com a comunidade sorocabana. Embora não

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cite em seu plano museológico, o museu é visto por seus representantes e por membros do CMT como um potencial ponto turístico para a cidade de Sorocaba após sua implantação.

Desta forma, notou-se necessidade de um estudo que visasse selecionar as instituições que, na falta de uma secretaria de turismo em Sorocaba, estivessem integradas, de forma geral, com os cenários turísticos e museal na cidade para tentar elaborar um panorama, do ponto de vista turístico, sobre a implantação do MACS no município.

Para a elaboração do já referido estudo, foi utilizada a análise de conteúdo, conforme proposto por Bardin (1977), que prevê a coleta de informações, sua organização e tratamento foram conduzidas a partir da análise de conteúdo, que elenca três etapas nesta técnica: pré-análise; exploração do material; tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação (BARDIN, 1977, p.89). Assim sendo, faremos a descrição das atividades realizadas, dentro da proposta de Bardin (1977) e, ao final delas, uma retomada identificando os pontos descritos.

Em um primeiro momento, quando soubemos da intenção de implantação de um Museu de Arte Contemporânea em Sorocaba por um grupo de pessoas envolvidas com o meio artístico na cidade, achamos pertinente o desenvolvimento de um trabalho acerca deste potencial novo equipamento turístico e cultural para a cidade. Definido o objeto de estudo, efetuamos o primeiro contato com o MACS, por sua presidente, Sra. Cristina, para conseguirmos as primeiras informações pertinentes à implantação do museu em Sorocaba. Neste contato, nos foi passada a primeira noção do que o museu em questão pretendia se tornar, não só no cenário municipal, mas também nacional. Após a conversa, notando a dimensão de representatividade pretendida pelos organizadores ao MACS, decidimos por desenvolver a pesquisa sobre as pretensões de âmbito turístico do museu, bem como a visão de algumas entidades do setor acerca do futuro equipamento e sua possível interação com o cenário turístico na cidade. Assim sendo, solicitamos à presidente alguns documentos sobre o MACS para que pudéssemos obter uma visão mais crítica acerca do projeto e do estágio em que se encontrava do processo de implantação.

Em um segundo momento, vimos à necessidade de definir quais seriam as entidades, ligadas ao turismo em Sorocaba, poderiam emitir pareceres pertinentes à temática da pesquisa. Dessa forma, selecionamos o Sorocaba e Região Convention & Visitors Bureau, por ser uma entidade com função de agregar o trade em prol do desenvolvimento turístico da cidade e sua região, podendo colaborar com o fluxo de visitantes ao MACS; o Conselho

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Municipal de Turismo, por ser o único órgão com funções ligadas, formalmente, ao turismo no poder público de Sorocaba; a Secretaria da Cultura e Lazer, por ser instituição responsável pela gestão dos museus municipais; e, por fim, o próprio MACS, por ser o alvo central deste trabalho.

A partir deste ponto, iniciamos a busca pelas fontes de pesquisa divididas em dois segmentos: fontes teóricas e fontes da pesquisa de campo. As fontes teóricas utilizadas neste trabalho são obras de diversos autores que dizem respeito aos temas abordados durante a elaboração do trabalho, tais como: políticas públicas (BOBBIO, MATTEUCCI, PASQUINO, 1993; DIAS, 2003), políticas públicas de turismo (BENI, 2001; DIAS, 2003; GOLDNER, RITCHIE e MCINTOSH, 2002; RODRIGUES, 1999), turismo cultural (GASTAL, 1999; HUGHES, 2004; SWARBROOKE E HORNER, 2002) museus (AMARAL, 2003; IBRAM, 2011; SANTOS, 2008; VELOSO, 2003; VERGARA, 2004), entre outros.

Numa outra frente de trabalho, a pesquisa de campo compôs-se basicamente de entrevistas com representantes das instituições selecionadas, bem como a consulta à documentação disponível nestas instituições pertinentes aos assuntos tratados no presente trabalho. Vale destacar também o critério para a escolha dos representantes de cada instituição. Privilegiamos os presidentes de cada instituição, por considerarmos que, como presidentes, detêm uma significativa gama de informações sobre sua instituição e o cenário do turismo em Sorocaba. Ademais, na condição de dirigentes, entendemos que o peso de suas opiniões representa a visão oficial mais contundente das entidades. A exceção a essa regra ocorreu na Secretaria da Cultura e Lazer, optamos por entrevistar a responsável pela Divisão do Patrimônio Histórico e Próprios Culturais, da qual faz parte os museus municipais. Abaixo a figura mostra a instituição com seu respectivo representante escolhido pelo pesquisadores para a entrevista:

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Figura 01: Representantes das entidades escolhidos para entrevistas. Instituição / Órgão Representante entrevistado

Museu de Arte Contemporânea de

Sorocaba – MACS Sra. Cristina Delanhesi

Secretaria da Cultura e Lazer de

Sorocaba - SECULT Sra. Sônia Nanci Pael

Conselho Municipal de Turismo - CMT Sr. Sérgio Aranha

Sorocaba e Região Convention &

Visitors Bureau – SRC&VB Sr. Eduardo Cardum

Ainda sobre as fontes de pesquisas de campo, devemos citar que conseguimos, junto a essas instituições, documentos que nos auxiliaram, principalmente, na caracterização do cenário desta pesquisa, composto por cada uma destas instituições. Os referidos documentos encontram-se em anexo.

Com base nesta pesquisa inicial, refinamos e ampliamos o foco das questões para as entrevistas, visando que estas pudessem compor uma fonte de dados suficientes para que pudéssemos, ao final do trabalho, gerar um panorama geral acerca das expectativas para implantação do MACS no cenário turístico sorocabano. Assim sendo, visamos com a elaboração destas questões direcionadas aos entrevistados, gerar informações suficientes para responder a questão principal deste trabalho, “Dentro da perspectiva dos ‘atores envolvidos’, como se dará a implantação do MACS no cenário turístico de Sorocaba e a possível interação com as entidades envolvidas?”.

Dessa forma, elaboramos dois tipos de questionários: o geral, com questões que seriam aplicadas a todas as instituições de forma semelhante; e o específico, onde incluiríamos as questões específicas destinadas a explorar as particularidades de cada instituição. As questões gerais, em realidade, foram ao longo das entrevistas semelhantes e não exatamente idênticas pois, como tratávamos do MACS como elemento central da discussão, necessitávamos mudar o alvo do questionamento, por exemplo: quando aplicamos a questão “Qual sua visão sobre o SRC&VB, CMT e Museus Municipais (SECULT)?” à Sra. Cristina, em contrapartida, a mesma questão foi elaborada às demais instituições “Qual sua visão acerca do MACS no que tange sua instalação na cidade e atividade turística?”, de forma

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que os representantes destas instituições não respondessem diretamente sobre elas entre si, apenas sobre o MACS.

Após a elaboração dos questionários iniciamos a fase de entrevistas com os representantes das instituições. Com alguma dificuldade, devido à agenda dos selecionados, demoramos cerca de três meses para concluirmos as entrevistas, que foram gravadas com consentimento dos entrevistados. Após todas as entrevistas feitas, iniciamos as transcrições das gravações para que tivéssemos mais facilidade e clareza na captação das informações relevantes ao desenvolvimento do trabalho. Concluídas as transcrições elaboramos sínteses temáticas das entrevistas, com a finalidade de, posteriormente, haver mais facilidade na visualização das informações devido à organização. A partir daí, pudemos desenvolver a última fase deste trabalho, composta por: conjunção das informações temáticas das sínteses e análise do conteúdo gerado, embasada pela proposta de Bardin (1977). Para o caso deste trabalho, estas fases ficaram assim organizadas:

Pré-análise - Esta fase corresponde à leitura superficial do material a ser levado a diante para uma futura análise, como a triagem dos documentos fornecidos pelas instituições, bem como à bibliografia de referência. A seleção das entidades e seus representantes também entra nesta fase, pois estes fariam parte das fontes de pesquisa. Devemos incluir aqui a elaboração da questão principal do trabalho que norteou toda pesquisa, bem como a elaboração e seleção das questões gerais, pela “regra da homogeneidade” (BARDIN, 1977, p.89); e específicas, pela “regra da pertinência” (BARDIN, 1977, p.89). Por fim, aparecem ainda nesta fase, as definições sobre a transcrição das entrevistas para uma melhor visualização e a confecção das sínteses das entrevistas e a separação destas por temas.

Exploração do material – Esta fase corresponde ao tratamento das categorias, isto é, à qualificação do material colhido. Aqui o houve, de fato, a escolha e estudo da bibliografia utilizada no presente trabalho. Também nesta fase, pudemos qualificar os pontos pertinentes ao trabalho a partir das transcrições. Posteriormente a isso, definimos os pontos temáticos das sínteses e as elaboramos. Finalmente, conjugamos os as sínteses, montando uma tabela com a finalidade de planificar e facilitar a visualização dos núcleos temáticos das sínteses.

Análise e interpretação – Esta última fase, diz respeito à análise das respostas planificadas e ao confronto destas, inicialmente, entre si e, finalmente, com o referencial

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teórico. Para esta análise, dividimos, inicialmente, as informações colhidas em alguns tópicos de discussão. Posteriormente, expusemos, em cada tópico, um apanhado geral acerca do assunto referente ao tópico e, após isso, daremos ênfase às divergências de opinião entre a percepção de cada entrevistado na tentativa de compor um cenário turístico sorocabano e a implantação do MACS.

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2 TURISMO CULTURAL E MUSEUS

Neste capítulo elaboramos um referencial teórico que possa nos auxiliar a definir os conceitos inerentes ao tema deste trabalho. Pretendemos então, a partir daqui, com base no estudo da bibliografia selecionada, conceituar os principais assuntos aqui discutidos e traçar a relação destes entre si e entre estes e o processo de formação do MACS.

Segundo a OMT:

O turismo compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO, 2001 apud CAPATI, 2009, p.63)

Ainda sobre o turismo, Dias (2003, p.16), citando Molina (1997), discorre sobre os benefícios inerentes ao turismo. Dessa forma, pode-se entender que o turismo, dentro da gama de benefícios aqui observada, gera divisas, cria empregos, contribui para o desenvolvimento regional, aproveita recursos renováveis, contribui para o resgate e a conservação de usos e costumes locais, favorece uma rápida distribuição geográfica de renda, tem efeito multiplicador no conjunto da economia, recupera e conserva valores e fatos de caráter histórico, entre outros.

Segundo Gastal (1999), o turismo cultural, até pouco tempo, era apenas uma das segmentações pelas quais os acadêmicos procuravam qualificar as diferentes motivações nos deslocamentos. Hoje, este fator ganhou novos espaços em projetos e no marketing turístico. Isso se dá as novas exigências dos consumidores que exigem além da motivação da viagem, o seu “insumo” específico, no caso a Cultura, ao lado dos atrativos naturais e serviços.

Ainda referente ao turismo cultural, o meio das artes e entretenimento podem não ser uma atração turística por definição, mas são acessados por pessoas que não estão em suas localidades em razão de outros propósitos. Isso inclui aquelas que estão em férias na praia ou a negócios na cidade. O turista de negócios, por exemplo, após cumprir suas obrigações profissionais na localidade, pode dedicar seu tempo livre a atrativos culturais,

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transformando-se então em um turista cultural (SWARBROOK e HOMMER, 2002, p.215). Ainda sobre o turismo de negócios, os mesmos autores dizem que os turistas pertencentes a este segmento, comparados com os turistas de lazer, costumam: viajar com maior frequência; não costumam escolher a destinação; podem possuir um período bastante curto para o planejamento da viagem; podem ter o costume de não orçar conscientemente a viagem, pois a empresa é quem a custeia e são, de modo geral, consumidores mais experientes e exigentes.

Existem muitos termos para descrever o turismo cultural, mas, segundo Hughes:

[...] o turismo cultural inclui visitas, na condição de turista, a patrimônios (museus, catedrais e igrejas, castelos e casas históricas), a locais de exposição de artes visuais (galerias de artes) e apreciação de artes performáticas em teatros e salas de concerto. (HUGHES, 2004, p.5)

Com isso, podemos classificar os museus como um equipamento complementar para o acontecimento e desenvolvimento do turismo cultural em uma localidade, podendo assim fornecer outra fonte de plateias e de receita para as artes. Portanto, Hughes conclui que:

[...] o turismo fornece uma oportunidade importante para organizações culturais e de patrimônio por atrair mais visitantes e aumentar as receitas. Isto, por sua vez, os ajudará a progredir e ter sucesso. (CANADIAN TOURISM COMMISION, 1997 apud HUGHES, 2004. p. 10)

Segundo o Ministério do Turismo, o “Turismo Cultural compreende todas as atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura” (MARCOS CONCEITUAIS – MINISTÉRIO DO TURISMO, p.12). Sendo assim, dentro do que é considerado “Turismo Cultural”, existem bens, ou recursos, artísticos, históricos, científicos e simbólicos, que podem despertar o interesse à visitação e tornarem-se atrativos turísticos.

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De acordo com Dias (2003, p.59), dentro da diversidade de elementos que compõem os recursos culturais de uma localidade, os museus se enquadram na categoria de “recursos culturais contemporâneos não comerciais”, que representam as manifestações de um país ou região que conservam e fomentam seu patrimônio cultural. Os museus podem ainda apresentarem-se como um motivo de orgulho para os visitantes, bem como um atrativo para as pessoas interessadas em conhecê-los.

Amaral (2003) afirma que a vocação do museu, perante a sociedade, é a do diálogo. Isso extrapola a ideia coletiva de que a instituição museológica é um mero espaço estático, destinado à preservação da memória da humanidade. Ainda, discorre sobre a vocação do museu dizendo que este deve assumir sua vocação como instituição de ensino, instituição cultural e atração turística:

Como instituição de ensino, formando profissionais e consagrando-se como espaço de reflexão multidisciplinar e produtora de conhecimento; como instituição cultural, motivando e atuando nos mais diversos segmentos da sociedade e da cidade, estabelecendo-se como elo ente as políticas públicas de cultura e a comunidade; como atração turística, angariar visitantes de elevado padrão cultural, estimulados pela possibilidade do intercâmbio cultural, tendo o museu como centro de referência. (AMARAL, 2003, p.13)

Para Amaral (2003), o Brasil conta com uma quantidade bastante considerável de museus – um universo de 3025 unidades museológicas mapeadas pelo CNM em todo Brasil (IBRAM, 2011, vol.1, p.47) - pertencentes às mais diversas especializações, entretanto, é notável a falta de frequência de público a eles. Amaral ainda diz que:

[...] dentro da perspectiva educativa e libertadora a que se prestam os museus, há um leque interessante de possibilidades de manutenção de fluxo de visitas e da sedimentação do museu como parte integrante dos roteiros culturais de uma cidade. Em primeiro lugar, o museu deve prestar-se a ser um elemento de interlocução com a sociedade que o cerca. A falta de identificação entre os propósitos museológicos e a sociedade é um duro golpe para a sobrevivência dos museus, que perdem sua legitimidade social. (AMARAL, 2003, p.14)

O projeto do MACS sugere a criação do primeiro museu de arte contemporânea de Sorocaba, visando atender, além de outras, a demanda de visitantes de cidades da região interessados por exposições e eventos no âmbito da temática proposta. O

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museu, que é privado, vem enfrentando ao longo de seus sete anos de projeto o problema de implantação em Sorocaba, pois, administrado por uma OSCIP e com falta de recursos é obrigado a buscar leis de incentivos fiscais para promover suas atividades e funcionar provisoriamente.

Porém, como um museu, ele possui espaço, acesso e fruição pública; na busca de troca de experiências de diferentes grupos sociais. Segundo Veloso (2003), no contexto contemporâneo:

[...] o museu deixou de ser apenas um lugar de consagração da cultura, transformando-se num locus de produção de conhecimento, de significados e valores, desempenhando, assim, também o papel de meio de comunicação, por meio do qual múltiplas vozes existentes no tempo e no espaço podem ser ouvidas. (VELOSO, 2003, p. 177)

Atualmente, com o crescimento acelerado da economia no país e no interior de

São Paulo, a qualidade de vida das grandes cidades também apresentou essa nova qualificação de equipamentos culturais, sendo que são requeridos principalmente centros culturais e museus (VELOSO, 2003, p.178).

Na busca de seu reconhecimento e o seu principal papel, o museu deve atingir funções pedagógicas visando a aceitação e formação da comunidade. Para alcançar essa diretriz base da Nova Museologia, Santos (2008) explica que o museu deverá:

[...] ter uma capacidade de produção própria, com questionamento crítico e criativo, sem, contudo, deixar de interagir com outras áreas do conhecimento. A pesquisa como princípio científico e educativo é o caminho para que o museu possa contribuir efetivamente para o desenvolvimento sociocultural. (SANTOS, 2008, p.140)

Ainda, a interação e comunicação com instituições e sujeitos sociais externos, segundo Santos (2008), incentiva a criação de novos processos na instituição, repensando as ações desenvolvidas entre museu e escola.

A idealização de um museu de arte contemporânea foge da lógica de um museu histórico, mais comum no interior de São Paulo. Vergara (2004, P.28) expõem a pergunta de “como apresentar os objetos de seus acervos diante da exposição conceitual das teorias da

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comunicação, cognição, antropologia, geografia da inclusão e democratização?”. Para o autor, o museu de arte contemporânea é idealizado a partir de um paradoxo conceitual crítico de sua identidade e função, que ainda não é resolvido. Esse conceito no qual cada instituição idealiza e cria fornece o diálogo da exposição e suas obras expostas no espaço.

Tratando-se de políticas públicas voltadas ao setor cultural, de acordo com

Hughes (2004), o governo local tem um papel fundamental no fornecimento de artes e do entretenimento. Sendo assim, pode-se considerar esta afirmação supracitada como um exemplo de política pública, quando esta ocorre efetivamente, pois, segundo Dias (2003), as políticas públicas são as ações executadas, exclusivamente, pelo Estado com o objetivo de satisfazer ao interesse público e necessitam estar direcionadas ao bem comum. Mais especificamente, pode-se entender política pública como:

[...] o ordenar ou proibir alguma coisa com efeitos vinculadores para todos os membros de um determinado grupo social, o exercício de um domínio exclusivo sobre um determinado grupo social, o exercício de um domínio exclusivo sobre um determinado território, o legislar através de normas válidas 'erga omnes', o tirar e transferir recursos de um setor da sociedade para outro, etc. (BOBBIO, MATTEUCCI, PASQUINO, 1993 apud DIAS, 2003, p.121).

Para Goldner, Ritchie e Mcintosh (2002), citados por Dias (2003), as políticas públicas de turismo definem os termos sobre os quais as operações turísticas devem funcionar; firmam atividades e comportamentos aceitáveis; fornecem a orientação para todos os interessados no turismo em uma localidade; facilitam o consenso em torno de estratégias e objetivos específicos para uma destinação; disponibilizam uma estrutura para discussões públicas e provadas sobre o papel e as contribuições do setor do turismo para a economia e para a sociedade e, finalmente, permite que o turismo estabeleça relações com outros segmentos da economia com mais eficácia.

Destacando a importância da política pública de turismo, Beni afirma que:

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[...] é a espinha dorsal do 'formular' (planejamento), do 'pensar' (plano), do 'fazer' (projetos, programas), do 'executar' (preservação, conservação, utilização e ressignificação dos patrimônios natural e cultural e sua sustentabilidade), do 'reprogramar' (estratégia) e do 'fomentar' (investimentos e vendas) o desenvolvimento turístico de um país ou de uma região e seus produtos finais. (BENI, 2001, P.7 apud DIAS, 2003, p.120)

Sendo o Estado a única entidade legítima da sociedade estruturada, de acordo com RODRIGUES (1999), este tem no Turismo sua direção e atenção setorial com uma política traçada para atendem aos requisitos de crescimento do setor por meio do planejamento. Ainda, a ação do Estado é exercida em primeiro lugar no meio da política, e posteriormente numa etapa sequencial dos programas previstos neste planejamento.

Fazendo uma relação entre o espaço geográfico e o turismo, Cruz (2001) aponta que a maneira como o turismo se apropria de certa parte do espaço geográfico depende da política pública desenvolvida na localidade. Também cita que cabe à política pública da localidade traçar as metas e diretrizes do desenvolvimento socioespacial da atividade turística, tanto no que concerne à esfera pública como no que se relaciona à iniciativa privada. A autora ainda afirma que um fator importante que diferencia o turismo de outras atividades produtivas é que este primeiro consome, elementarmente, o espaço e é devidamente por este processo de consumo que se gestam os territórios turísticos. (CRUZ, 2001, p.09)

Complementando a questão do uso do espaço e das políticas públicas voltadas ao turismo, Knafou (1996 apud CRUZ, 2001, p.18), aponta três principais fatores como “fontes de turistificação de lugares e territórios”, sendo elas: o turista, o mercado e os planejadores e promotores territoriais. Quanto à primeira fonte, o turista, encontra-se na obra da autora a afirmação de que “é a presença do turista que define a existência do lugar turístico” (KNAFOU, 1996 apud CRUZ, 2001, p.18). Quanto à definição do mercado como fonte de turistificação de lugares tem-se, na obra da autora a afirmação de que, nesse caso específico, “a origem desses lugares como lugares turísticos estaria na concepção e na colocação de produtos turísticos, e não mais, nas práticas turísticas em si” (KNAFOU 1996:70 apud CRUZ 2001, p.21). Com o foco na terceira categoria, a dos planejadores e promotores territoriais, a autora descreve:

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3 ANÁLISE DE CONTEXTO 3.1 Sorocaba como destino turístico

O município de Sorocaba-SP possui população estimada em 585.381 habitantes

(SEADE, 2010), tendo a taxa geométrica de crescimento populacional anual de 1,75%, sendo sede da quarta Região Administrativa do estado de São Paulo em PIB (Produto Interno Bruto), avaliado na ordem de 10,16 bilhões de reais, conferindo ao município a participação em 1,26% do PIB nacional e em 2,6% das exportações dessa unidade federativa (SEADE, 2006).

aspectos histórico-culturais, que vai muito além de transações comerciais

Sorocaba possui um parque industrial bastante diversificado, com empresas nacionais e transnacionais de grande importância para o Estado, fazendo do setor industrial a base de sua economia. Essas atividades econômicas fazem com que o Turismo de Negócios cresça no município, atraindo turistas motivados por fatores comerciais. Apesar de estes turistas trazerem divisas ao município, a atividade turística em Sorocaba ainda não é vista como atividade econômica e social, ficando restrita apenas a esse segmento. Contudo, percebe-se que Sorocaba possui um potencial turístico, principalmente no que tange aos

Em relação aos monumentos e edifícios históricos, percebe-se na cidade que é crescente, porém tardia a preocupação em revitalizar equipamentos de uso público, como a FUNDEC, o Edifício Scarpa, o Mosteiro de São Bento, o Museu da Estrada de Ferro Sorocabana. Há ainda a intenção, por parte do CMT – como veremos no decorrer do trabalho - de implantação de uma rota turística para passeios de trem, aliando a iniciativa pública com a concessão privada do trecho.

Além disso, no que tange aos aspectos naturais, percebe-se uma constante preocupação do município em relação à sua imagem, como sendo uma cidade saudável e educadora, slogan da atual administração, na qual vários espaços públicos como praças e travessias, receberam projetos paisagísticos. Entretanto, alguns parques do município ainda são abandonados pela administração pública, como por exemplo, o Parque Ouro Fino.

Quanto à infraestrutura turística, nota-se que o município, apesar de ter investido recentemente em sinalização turística, ainda apresenta déficit no serviço de informações ao visitante, já que não há um centro de informações turísticas na cidade. Além

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disso, os autores desta perceberam que há a necessidade de mais pesquisas com relação à demanda real e potencial e ainda, com relação ao perfil dos turistas que visitam a cidade, pois as mesmas não existem ou não se apresentam de forma consistente. Um exemplo disso é uma pesquisa (ANEXO A), extraoficial, cedida pelo SRC&VB, realizada em 2001, que visava elaborar um panorama do turismo em Sorocaba, abordando o perfil dos turistas, taxa de ocupação dos hotéis, entre outros pontos pertinentes à atividade.1

Estimando que o turista visitante do município, em sua maioria, é o turista de negócios, poder-se-

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