Missoes Jesuiticas ago2012

Missoes Jesuiticas ago2012

Karina Correa Teixeira Gularte

A Arquitetura das Missões Jesuíticas dos Guarani

Técnicas Construtivas

Porto Alegre

Agosto de 2012

Sumário

1Introdução

Este trabalho tem como objetivo apresentar as técnicas construtivas das edificações das missões jesuíticas do povo guarani.

Os povos latinos foram evangelizados por muitas ordens religiosas católicas. Dentre elas esta a ordem da Companhia de Jesus, criada no contexto da Reforma Protestante. Os Jesuítas chegaram na América um pouco depois que as demais ordens religiosas mas em 1593 chegaram ao Chile e logo depois, a bacia do Rio da Prata – do Paraguai ao Novo Reino.

As primeiras missões no Brasil foram consideradas ambulantes, com os padres apoiados nas residências jesuíticas fora do local aonde iam evangelizar, ou seja fora das aldeias indígenas. Mas com o passar do tempo o padre Manoel da Nobrega se destacou ao apresentar planos para uma reforma nas missões, o Dialogo sobre conversação dos gentis e o Plano civilizador. Foram documentos para justificar as dificuldades do acesso dos missioneiros ao campo.

Em seu plano, Nobrega defendia a organização das aldeias para que dessa forma os índios ficassem submetidos a lei que lhes proibiriam de fazer muitas coisas dentre elas a poligamia e o canibalismo. Com essas novas instruções seria possível então construir um vilarejo fundado a partir de um esquema ortogonal, com um amplo espaço publico junto as casas e com uma praça central configurando uma ordem espacial.

Um povo que os Jesuitas evangelizaram foi o povo Guarani. O Guarani veio ambulantes da Amazonia em direção ao sul chegando a região platina a dois mil anos atrás. Eles sempre andavam divididos em grupos independentes de estruturas variáveis e algumas ate inimigas apesar da sua estrutura linguística ser a mesma. Os primeiros contatos com os espanhóis e portugueses foram no Rio da Prata com alguns relatos a partir de 1528. Muitos autores concordam que esses contatos geraram alianças baseados em interesses sociais, econômicos e políticos.

A partir de então, se multiplicaram os registros de documentos oficiais, correspondências e publicações dos sacerdotes mostram novos comportamentos desse povo indígena em relação a estrutura e organização social.

Sendo assim as condições do material da região e a experiência dos nativos aliado aos padrões culturais europeus resultou-se a um método construtivo muito desenvolvido que observaremos a seguir.

As Construções

As Reduções

As reduções eram centros comunitários, núcleos urbanos onde os indígenas ficavam reduzidos onde antes viviam dispersos em áreas rurais. Sua finalidade estava em assegurar a máxima concentração dos índios de maneira que a aprendizagem e a evangelização fossem mais eficazes e que houvesse um maior controle financeiro.

As construções principais eram a igreja, a escola e os jardins da igreja estavam de um lado da praça. As casas dos nativos estavam nos outros três lados da praça. As reduções também continham uma casa para as viúvas e órfãos (os cotiguaçus), hospedaria ( o tambo) hospital e muitos armazéns. No centro da praça na parte mais alta, erguia-se uma grande cruz e a estátua do santo padroeiro. Toda redução tinha o nome de um santo.

Alguns dos componentes da estrutura das reduções variavam, mas sempre obedeciam a um esquema geral. As estruturas que mais mudavam de posição eram o cotiguaçu, o tambo e o cabildo, um tipo de edificação usada para reuniões de Caciques. Em cada redução havia dois padres e ate seis mil índios.

A arquitetura

A arquitetura missioneira se adaptou a construção dos nativos e as condições de material da região. As edificações se caracterizam pela presença de alpendres, para proteção do calor e das chuvas. A presença de grandes pátios internos também com alpendres mostra a intensão de manter a tradição europeia.

A principio teve um caráter provisório mas com o passar dos anos veio o apogeu deste povo onde vieram a construir edifícios mais sofisticados fruto de arquitetos jesuítas. Referencia usada foi a igreja de Jesus, de Roma. As abododas de madeira, as talhas de santos em tamanho natural, os retábulos dourados, as artes murais ou em telas representavam um conteúdo didático dirigido ao coração do povo.

O domínio das técnicas tradicionais da escultura europeia não impediu o uso de pita e madeira americanas, assim como cores procedentes das fibras locais.

A forma tradicional de construção guaranitica, consistia em formar uma estrutura independente de madeira que suportasse a cobertura, fazendo com que as paredes fizessem o papel de somente separação.

As igrejas

Um dos fatores evidentes de diferenciação na arquitetura das reduções era as características de suas igrejas. A presença de padres de proveniências diversas e com diferentes formações, dentre os quais alguns arquitetos, moldaram, dentro da tipologia geral, certas características peculiares para cada povoado. Os edifícios mais requintados das reduções foram as igrejas, que envolveram a habilidade de arquitetos e artífices em sua construção. Sempre estiveram associadas, de um lado à casa dos padres e de outro ao cemitério.

Depois da fase inicial, caracterizada por construções simples, de utilização transitória, podemos descrever dois sistemas construtivos principais utilizados nas igrejas missioneiras: o das estruturas independentes de madeira e o das paredes portantes, em pedra.

No primeiro caso o processo construtivo consistia em montar uma estrutura de madeira, composta por quatro carreiras paralelas de pilares alinhados entre si, que sustentam caibros nas duas laterais e tesouras de linhas altas, na cobertura da nave central.

Os pilares possuíam bases quadrangulares ou cilíndricas e às vezes são entalhados. As paredes externas de pedra ou adobe, os envolviam, possuindo o dobro de sua espessura.

Posteriormente estas paredes eram rebocadas e pintadas, recebendo ornamento em profusão. Internamente, conformavam um salão retangular dividido em três naves pelas linhas de pilares de madeira, com três portas frontais e, no mínimo duas laterais, uma para o cemitério e a outra para o claustro. Geralmente a capela-mór ocupava o espaço da nave central, e nas suas laterais estavam as duas sacristias, com portas para a mesma. A cobertura, em duas águas, geralmente avançava sobre o alinhamento da fachada, formando um alpendre frontal apoiado em quatro pilares, às vezes com três arcos que correspondem aos acessos à igreja.

A casa dos índios

Nas missões, a casa da família-extensa da tradição guarani foi adaptada aos novos padrões de moral estabelecidos pelos padres, sendo subdividida em cômodos, que passaram a ser utilizado, cada um, para apenas uma família, evitando a poligamia. Estas unidades de habitação de forma retangular substituíram os quarteirões quadrangulares da ordenações espanholas.

Um sistema construtivo utilizado nos telhados missioneiros é o que usa sobre o caibramento de madeiras roliças, taquaras cortadas ao meio, dispostas lado a lado, ou esteiras de juncos, ao invés de ripas. Sobre elas, vão assentadas as telhas, sobre uma camada de barro. Este sistema, ainda utilizado na Argentina, favorece o condicionamento térmico. As fundações das casas missioneiras eram geralmente de pedra, tais como arenito, itacurú ou basalto.

Da mesma forma que as demais construções das reduções, a arquitetura das casas dos índios também passou por três etapas: a primeira, a das choças, construções precárias fabricadas de taquaras revestidas de barro e cobertas de palha. A segunda, de tijolos cozidos, adobes ou de pedra e barro. A terceira, algumas vezes com paredes e galerias de pedra de cantaria, por vezes trabalhadas; com arcadas de pedra (Trinidad), passeios pavimentados, pisos cerâmicos e portas de madeira trabalhada.

2Conclusão

Nas missões, o plano ideal definiu-se como uma tipologia e foi aplicado em sua tridimensionalidade; isto é, além do traçado, a arquitetura dos povoados foi construída integralmente, sendo a fórmula repetida no mínimo em trinta casos, junto aos Guaranis e dez, entre os Chiquitanos. Casos que apresentaram pequenas variantes, principalmente no que se refere à arquitetura ou à disposição de alguns elementos nos conjuntos. Esta tipologia é plenamente reconhecível como o do espaço missioneiro. Ao lado da arquitetura, estavam práticas sociais características, relacionadas com o funcionamento do sistema reducional missioneiro.

Casos como o das reduções jesuítico-guaranís, fruto de uma concepção urbana integral, que conjuga o espaço estruturado com práticas sociais específicas, numa proposta construída e praticada ao longo de gerações, são uma raridade na história do urbanismo.

Por último, cabe mencionar o caráter utópico que foi atribuído às reduções da Província Jesuítica do Paraguai. Esta denominação já foi objeto de ampla discussão por diferentes autores, em diferentes épocas, sob o enfoque de diferentes disciplinas. Na visão do antropólogo Bartomeu Meliá, a questão da utopia missioneira pode ser considerada como uma armadilha da própria história.

Referências Bibliográficas

CUSTODIO, Luiz Antonio Bolcato. Memorial do Rio Grande do Sul, Caderno de Historia nº 21.

Arquitetura e Urbanismo Jesuitico-Guarani: regras e resultados. 2011

GUTIERREZ, Ramón. As missões jesuíticas dos guaranis.

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