História da Arte - Do Gótico ao Romantismo

História da Arte - Do Gótico ao Romantismo

(Parte 1 de 5)

Licínia de Freitas Iossi

Katherine Zuliani Scaliaris

Thaís GoldKorn

Fernando Ramos Geloneze

Vinícius Ramires Álvares

Lívia Cerqueira Leite Guilherme Amaral

Bauru

Maio de 2005 SUMÁRIO

1. Arte Gótica3
1.1. Arquitetura – Catedrais4
1.2. Arquitetura Civil5
1.3. Escultura6
1.4. Pintura10
1.5. Iluminura12
2. Gótico Final13
2.1. Arquitetura13
2.2. Pintura14
2.3. Escultura16
3. Estilos Internacionais17
3.1. Gótico Francês17
3.2. Gótico Alemão18
3.3. Gótico Espanhol19
3.4. Gótico Italiano20
3.5. Gótico Inglês21
4. Tradição Italiana23
4.1. Introdução23
4.2. Tradição Italiana23
4.3. Influência Cristã, Clássica e Burguesa24
4.4. Corpo Humano26
4.5. Ritmo e Equilíbrio29
4.6. Influencia na Arte Italiana3
5. Arte Romântica34
5.1. Pintura Romântica36
5.2. Romantismo X Classicismo37
5.3. Escultura Romântica38
5.4. Arquitetura Romântica41
Bibliografia4
Sitiografia45

1. Arte Gótica

A arte gótica desenvolve-se na Idade Média, dos séculos XII ao XIV. A princípio era conhecida sob o nome de opus francigenum – “obra francesa” - devido à sua principal origem. A arte gótica ficou conhecida também como a “Arte das Catedrais”.

Há controvérsias quanto à denominação “gótica”: alguns autores ligam tal denominação com os Godos, os bárbaros mais conhecidos na Idade Média, também conhecidos pela habilidade como arquitetos. Porém, outros autores crêem que os humanistas do Renascimento tenham adotado o termo “gótico” como sinônimo de bárbaro, no sentido de origem da região de além-Alpes, por oposição a românico.

A arte gótica surgiu num contexto histórico muito importante: final do sistema feudal e início da criação das cidades, ascensão de novas categorias sociais dedicadas ao artesanato e ao comércio, consolidação do absolutismo (como na França e na Inglaterra) e forte influência do clero na vida social e política . É possível dizer que a arte gótica nasceu com as cidades, produto de uma sociedade dinâmica, em evolução. Os habitantes da cidade tiveram grande participação nas construções góticas e eram incentivados por dois motivos: religioso e orgulho cívico, pois a rivalidade entre as cidades era intensa, elas disputavam entre si.

Da França (mais especificamente da Île-de-France, região a Norte de Paris), o estilo gótico espalhou-se por toda Europa. Na Inglaterra, a primeira construção gótica foi a Catedral de Cantuária de 1174, logo depois seguiram outras obras como a Catedral de Lincoln e a abadia de Westminster. O gótico alemão abrange todo o território lingüístico das populações germânicas além de estender sua influência à Europa oriental e à Escandinávia, alguns exemplos são: a Catedral de Colonia (Alemanha) e a Catedral de Santo Estevão (Viena- Áustria). Na Espanha e na Itália o gótico é menos puro, surge “latinizado”, perdendo as suas características mais puras.

Acreditava-se chegar a Deus não apenas pela fé, mas também pela razão, por um esforço do pensamento. Tal conceito pode ser aplicado na arquitetura e explica a grandiosidade das construções complexas e requintadas, ricas em pormenores.

1. 1. Arquitetura - Catedrais: As principais características da arquitetura gótica são:

•Verticalismo:

O verticalismo das edificações góticas enfatiza as transformações dos ideais estéticos, do gosto e do pensamento filosófico da época traduzidos no plano arquitetônico. Os mestres góticos desenvolveram técnicas, com o conhecimento das leis mecânicas e da resistência dos materiais, que permitiam cada vez mais a verticalização das construções (as flechas da Catedral de Estrasburgo chegam a 142 metros). Tais construções foram possíveis devido à utilização de abóbadas sustentadas por cruzarias ogivais e do arco quebrado em vez do arco de volta perfeita, além do emprego do arcobotante e dos contrafortes.

•Arco de Ogiva:

Também conhecido como “arco quebrado”, é formado por dois arcos de círculo que se cortam em ângulo agudo. É o principal elemento da arquitetura gótica.

•Abóbada de arcos cruzados:

A abóbada de arcos cruzados é constituída pelo cruzamento de duas abóbadas de berço. As estruturas que suportam o peso da abóbada e que se intersectam em forma de X, tomam o nome de arestas e convergem no ponto mais alto da abóbada, chamado chave da abóbada. É um sistema racional e dinâmico de distribuição e equilíbrio de forças.

•Contrafortes e os Arcobotantes:

Os arcobotantes (arcos com a abertura de um quarto de círculo) têm uma função estática definida: eles recebem pressões laterais das abóbadas de cruzaria ogival, descarregam-na sobre os contrafortes (estruturas de sustentação dispostas na parte de fora das paredes exteriores da catedral), e daí, para o chão. São destacados do corpo do edifício e vão até os pilares de sustentação externa, ou seja, aos contrafortes que têm finalidade de reforçar as paredes e de contrariar a pressão descarregada sobre eles.

•O Vitral:

A arquitetura gótica é uma arquitetura de paredes transparentes, luminosas e coloridas. O vitral é um importante elemento, pois cria uma atmosfera mística que deveria sugerir, na visão do povo medieval, as visões do Paraíso, a sensação de purificação. A luz externa é filtrada pelos vitrais, dessa forma é criada uma atmosfera luminosa que não parece provir de uma fonte natural, transmitindo ao fiel uma sensação de êxtase.

Os vitrais figurativos, além da função da luz, também serviam para mostrar às pessoas que não sabiam ler (e não conheciam as Escrituras) aquilo em que deveriam crer, ou seja, os vitrais também tinham função educativa. A transparência do vidro colorido sugeria que a luz provinha diretamente de Deus.

•Rosácea

A rosácea (localizada na zona superior nas fachadas das catedrais) é um elemento muito importante na arquitetura gótica, pois sua forma circular remete a dois símbolos: o sol, símbolo de Cristo e a rosa, símbolo de Maria. A rosácea também tem a função de constituir fonte de luz.

Principais Construções Góticas: abadia de Saint Denis –1º construção gótica (França),

Catedral de Notre Dame (Paris e Chartres - França), Catedral de Beauvais (França), Catedral de Colonia (Alemanha), Catedral de Estrasburgo (Alemanha), Catedral de Lincoln (Inglaterra), Abadia de Westminster (Inglaterra), Catedral de Siena (Itália), etc.

1.2. Arquitetura Civil:

Quanto à arquitetura civil, o exemplo mais típico da arquitetura gótica é o Palácio dos

Papas, em Avignon (França) composto pelo Palácio Velho (construído para o Papa Bento XII) e pelo Palácio Novo (construído para o Papa Clemente VI). A construção lembra uma fortaleza (as paredes são maciças e as janelas pequenas e estreitas), pois os papas passavam por tempos difíceis e tinham a necessidade de defesa.

1.3. Escultura

A arte da escultura atingiu um grande desenvolvimento durante a Idade Média.

Entretanto até o século X, essa arte foi pouco praticada, mas quando se iniciou o seu processo de desenvolvimento e de difusão o mesmo ocorreu de forma bastante rápida. Em pouco tempo os escultores adquiriram uma grande técnica, tornando-se capazes de realizar obras de arte de nível tão elevado que poucas vezes foi igualado na História. Portanto muito do que se pode observar na elevada arte escultural da renascença deve-se não só ao resgate da cultura clássica greco-romana, mas também á técnica desenvolvida no período medieval que é considerado muito erroneamente como uma época obscura e infrutífera, principalmente no que se refere às artes e a ciência.

Todas as formas da escultura, desde o mobiliário à própria escritura, eram determinadas pela arquitetura, então chamada arte maior. O estilo gótico foi criado no século XII. A escultura monumental gótica surge no primeiro período (séculos XII e XIII) concentrada no exterior das catedrais, enquanto no interior é quase despida. A primeira obra de arquitetura gótica foi a realizada por Suger ao reformar a fachada e o coro da Abadia de Saint-Denis. Entretanto, as primeiras esculturas em estilo gótico vão ser encontradas na Catedral de Chartres, em Paris, na França. Inicialmente essas esculturas apresentavam um aspecto estilizado, onde apenas os rostos das figuras parecem humanos e naturais. Os túmulos esculpidos tornaram-se numerosos nessa época. A princípio, os escultores só decoravam os túmulos dos reis e de grandes personalidades. Normalmente eram feitas imagens que reproduziam o aspecto dessas pessoas.

Mais tarde também os cavaleiros e membros inferiores da nobreza conseguiram que escultores entalhassem figuras em seus túmulos. Outra característica presente nesta primeira fase da escultura gótica é a ausência de emoções nos rostos das estátuas, que apresentam uma expressão absolutamente fria. São rostos que não riem nem choram. Fisionomias absolutamente impassíveis. Nelas há uma total ausência de sentimentos e também de movimento.

Também não se dava importância à proporção dos corpos das estátuas em relação às cabeças. Muitas das estátuas da Catedral de Chartres apresentam uma relação anormal entre corpo e cabeça. Sabe-se que essa proporção, normalmente, deve ser de 1 para 7 ou 8; no máximo de 1 para 9. Nas estátuas de Chartres se vai bem além dessas proporções. Era bastante comum o feitio de “estátuas-colunas”, pois a ausência de movimento dava à figura uma verticalidade que fazia dela quase um prolongamento do pedestal, tornando-se ela mesma como uma espécie de coluna. Para acentuar a falta de movimentos essas figuras apresentam os cabelos e os fios das barbas escorridos, quase sem ondulação. As vestes também não apresentam dobras profundas, estas são rasas, estilizadas, quase paralelas e apenas caem ao longo do corpo da estátua.

No segundo período (séculos XIII e XIV), liberta-se progressivamente da arquitetura e vai perdendo, aos poucos, o monumentalismo e o decorativismo, movimentando-se em massas e volumes e adquirindo realismo e vivacidade de expressão. Com o declínio da construção das igrejas, escultores passaram a decorar seus interiores com altares e figuras de santos. Para ornamentação também usavam ferro para muitas finalidades decorativas nos biombos dos coros; especialistas em metal produziram ainda cálices e outros objetos usando filigranas, esmaltes e pedras preciosas. Artesãos esculpiram em marfim, relicários de igreja e outros objetos.

O estilo de arquitetura gótica fornece inúmeros elementos (como colunas, pináculos e fustes), que convidam a decoração com esculturas, tornando essa arte importantíssima no período. A simbologia da arte do período gótico é riquíssima em elementos que atestam a fé dos homens de então. Além da escultura, essa simbologia aparece ainda nos vitrais coloridos, nas pinturas e nas ilustrações de manuscritos. A rejeição da frontalidade do período anterior é considerado um aspecto inovador e a rotação das figuras passa a idéia de movimento, quebrando o rigorismo formal. As figuras vão adquirindo naturalidade e dinamismo, as formas se tornam arredondadas, a expressão do rosto se acentua e aparecem as primeiras cenas de diálogo nos portais.

As esculturas desse período atingem grande perfeição e equilíbrio. Procuram uma representação mais real de corpos. Essa estatuária não recusava representar as emoções e o movimento. As figuras fazem gestos, se voltam, não são mais estáticas. As suas vestes se movimentam também, dando ocasião de representá-las com dobras profundas e majestosas, ou então leves e delicadas. As estátuas desse período revelam emoções, mas sempre emoções equilibradas, sem excessos. Elas jamais gargalham; apenas sorriem. Um exemplo típico disso são os magníficos anjos do sorriso que se podem contemplar na Anunciação de Reims ou na apresentação de Jesus no Templo. Outras obras primas dessa época são a Virgem dourada de Amiens, a serva da apresentação no Templo de Reims e a inigualável escultura do Beau Dieu de Amiens, ainda com alguns traços do gótico primitivo em seu rosto. Esse foi o tempo do chamado “gótico radiante”, do qual são obras típicas as catedrais de Reims, boa parte de Notre Dame de Paris e de Estrasburgo.

Um aspecto curioso em relação a esse período da escultura gótica é que pela primeira vez na História da arte se teve a idéia de representar uma figura sorridente. Os anjos do sorriso de Reims superam tudo o que se havia feito até então em matéria de escultura. Apesar de toda a beleza e perfeição das esculturas helênicas, nelas, porém, jamais se vê um rosto sorridente. Normalmente as esculturas clássicas gregas são de rosto quase inexpressivo. Apenas nas figurinhas de Tanagra (cidade próxima à Atenas) se pode encontrar a representação de leve esboço do que poderia ser um sorriso. Estátuas risonhas eram, entretanto comuns na arte oriental, tanto hindu como chinesa.

Na terceira fase de desenvolvimento da arte gótica, conhecida como gótico flamejante ou gótico da decadência, que vigorou nos séculos XIV e XV, na escultura tanto nas estátuas pequenas como nas grandes, as figuras tumulares apareceram muitas vezes com poses afetadas e rostos sorridentes. Do belo equilíbrio da fase anterior passa-se a um excesso que corrompe muito da beleza das obras. De modelos idealizados passa-se a um realismo brutal. Os retratos eram feitos da forma o mais realista possível. Se a pessoa a ser representada tinha rugas, na estátua tinham que figurar as suas rugas. Se seu queixo era exageradamente pontudo, o escultor primava em fazê-lo tal qual era.

Assim, apareceram retratos brutais ou ridículos. O mercantilismo e o desenvolvimento do comércio e da urbanização deram grande progresso político e econômico para a burguesia, assim como favoreceram o absolutismo e o crescimento do papel do Estado.

Isso tudo, junto com o individualismo crescente, impulsionaram a vaidade. Pessoas ricas, nobres ou burgueses, quando faziam doação de dinheiro para a construção de um altar em uma igreja, exigiam serem retratados, "piedosa" e um tanto vaidosamente ajoelhados aos pés dos altares que haviam financiado.

A preocupação com o real não recuou nem na representação do prosaico e até mesmo do obsceno. O flamejante se caracteriza pelo triunfo da curva e da contra curva, que vai produzir linhas sinuosas que parecem as de labaredas, por isso o nome do estilo. A contra curva é introduzida nas ogivas, nos arcos, e reina nas esculturas. Isto vai se casar com a preocupação absoluta de representação do real, e para eles o real era o corpo: a curva permitia a representação fiel dos movimentos dos corpos e dos rostos.

A estátua flamejante é sempre extremamente emotiva, e suas emoções são sempre violentas: ou pranto ou gargalhada, ou terror ou prazer. Os rostos flamejantes já não têm paz. O gosto pela curva e pela contra curva faz os escultores se preocuparem em esculpir figuras com cabeleiras e barbas enormes e encaracoladas. O Moisés de Claus Sluter no poço da Abadia de Champmoll em Dijon é exemplo típico disso. O drapeamento também passa a ser riquíssimo e excessivo. E, para que as roupagens tenham curvas e contra curvas, elas são esculpidas como se estivessem agitadas por um vento impetuoso. Ao mesmo tempo que se agitam, riem ou choram, as esculturas flamejantes perdem estatura. O módulo flamejante diminui. As esculturas, em geral, passam a ter tamanho menor.

Normalmente prefere-se esculpir cenas e não mais pessoas isoladas. Exceção são os retratos de doadores, dos quais já falamos, e cuja "piedade" exigia figuras quase sempre em tamanho natural. O caráter violentamente emotivo da escultura flamejante aparece claramente nas figuras sepulcrais.

O século XIV viu a Europa ser atingida por uma das mais terríveis epidemias que houve na História: a peste negra. Esse flagelo dizimou a população européia no longo período em que grassou pelo continente. Calcula-se que tenha morrido mais da metade da população. As mortes eram bruscas e a enfermidade durava pouco. O terror se espalhou por toda a parte. Foi esse pânico que suscitou toda uma série de expressões artísticas. Na música, surgiram as canções terríveis, como os cantos da Sibila e as danças da morte. A conhecida seqüência Dies Irae é desse tempo.

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