(Parte 1 de 8)

INSTITUTO DE FÍSICA DE SÃO CARLOS Licenciatura em Ciências Exatas

Biologia I

Noções de Taxonomia e Classificação Introdução à Zoologia

Ana Paula Ulian de Araújo Nelma Regina Segnini Bossolan

1 CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA1
1.1 INTRODUÇÃO1
1.2 A CLASSIFICAÇÃO DOS SERES VIVOS1
2 A SISTEMÁTICA4
2.1 O CONCEITO DE ESPÉCIE4
2.2 OUTROS GRUPOS TAXONÔMICOS4
3 REGRAS DE NOMENCLATURA5
4 O REINO PROTISTA7
PROTOZOÁRIOS7
4.1 MORFOLOGIA DOS PROTOZOÁRIOS8
4.1.1 CITOPLASMA8
4.1.2 NÚCLEO8
4.1.3 ENVELOPE CELULAR9
4.1.4 LOCOMOÇÃO9
4.2 PROCESSO REPRODUTIVO DOS PROTOZOÁRIOS10
4.3 CARACTERÍSTICAS DOS FILOS10
4.3.1 SARCODÍNEOS10
4.3.1.1 DIVERSIDADE DE SARCODÍNEOS1
4.3.1.2 SARCODÍNEOS PARASITAS DO HOMEM12
4.3.2 MASTIGOPHORA OU FLAGELADOS13
4.3.2.1 FLAGELADOS PARASITAS DO HOMEM13
4.3.3 OS CILIADOS15
4.3.3.1 DIVERSIDADE DOS CILIADOS18
4.3.4 ESPOROZOÁRIOS19
4.3.4.1 O GÊNERO PLASMODIUM19
4.3.4.2 TOXOPLASMA GONDII21
5. O REINO ANIMAL2
A) CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS ANIMAIS2
NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO DO CORPO2
SIMETRIA2
DISPOSIÇÃO DAS ESTRUTURAS RELACIONADAS À DIGESTÃO23
NÚMERO DE FOLHETOS GERMINATIVOS25
PRESENÇA DO CELOMA25
B) ORIGEM E EVOLUÇÃO DOS EUMETAZOÁRIOS26
OS INVERTEBRADOS27
1 FILO PORIFERA (AS ESPONJAS)27
1.1 CONCEITOS GERAIS27
1.2 CARACTERÍSTICAS27
1.3 TIPOS MORFOLÓGICOS29
1.4 FISIOLOGIA30
1.5 ASPECTOS EVOLUTIVOS32
1.6 AS CLASSES DE ESPONJAS3
2 FILO CNIDARIA34
2.1 CONCEITOS GERAIS34
2.2 CARACTERÍSTICAS GERAIS34
2.3 CLASSIFICAÇÃO35
2.3.1 CLASSE HYDROZOA35
2.3.2 CLASSE SCYPHOZOA37
2.3.3 CLASSE ANTHOZOA38
2.4 FISIOLOGIA39
3 FILO PLATYHELMINTHES42

SUMÁRIO 3.1 CONCEITOS GERAIS ...........................................................................................................42

3.2.1 CLASSE TURBELLARIA43
3.2.2 CLASSE TREMATODA46
3.2.3 CLASSE CESTODA46
3.3 DOENÇAS CAUSADAS POR PLATELMINTES AO HOMEM48
3.3.1 ESQUISTOSSOMOSE48
3.3.2 TENÍASE49
4 OS ASQUELMINTOS51
4.1 FILO GASTROTRICHA51
4.2 FILO ROTIFERA52
4.3 FILO NEMATODA54
NEMATÓDEOS PARASITAS DO HOMEM5
5 FILO MOLLUSCA (MOLUSCOS)61
5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS:61
5.2 CLASSIFICAÇÃO64
5.2.1 CLASSE BIVALVIA (OU PELECYPODA)64
5.2.2 CLASSE GASTROPODA6
5.2.3 CLASSE CEPHALOPODA67
5.2.4 CLASSE AMPHINEURA OU POLYPLACOPHORA70
5.2.5 CLASSE SCAPHOPODA71
5.2.6 CLASSE MONOPLACOPHORA71
6 FILO ANNELIDA72
6.1 CONCEITOS GERAIS72
6.2 CARACTERÍSTICAS72
6.3 CLASSIFICAÇÃO73
6.3.1 CLASSE CLITELLATA73
6.3.2 CLASSE POLYCHAETA7
6.4 ANATOMIA E FISIOLOGIA GERAL78
6.5 IMPORTÂNCIA PARA O HOMEM80
7 FILO ARTHROPODA80
INTRODUÇÃO80
CARACTERÍSTICAS GERAIS81
7.1 EXOESQUELETO81
7.2 MOVIMENTO E MUSCULATURA83
7.3 CELOMA E SISTEMA CIRCULATÓRIO83
7.4 TRATO DIGESTIVO83
7.5 CÉREBRO84
7.6 ÓRGÃOS SENSORIAIS84
7.7 REPRODUÇÃO85
CLASSIFICAÇÃO DOS ARTRÓPODES85
A) SUBFILO TRILOBITA85
B) SUBFILO CHELICERATA (GR. CHELE=GARRA + KEROS=CORNO)85
C) SUBFILO CRUSTACEA (CRUSTA = CARAPAÇA DURA)94
D) SUBFILO UNIRAMIA101
8 FILO ECHINODERMATA112
8.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS112
8.2 CLASSIFICAÇÃO114
8.2.1 CLASSE CRINOIDEA (CRINÓIDES)114
8.2.2 CLASSE ECHINOIDEA115
8.2.3 CLASSE ASTEROIDEA116
8.2.4 CLASSE OPHIUROIDEA117
8.2.5 CLASSE HOLOTHUROIDEA117
8.3 IMPORTÂNCIA PARA O HOMEM119

3.2 CLASSIFICAÇÃO..................................................................................................................43 9 FILO CHORDATA.......................................................................................................................119

9.1.1 SUBFILO UROCHORDATA (TUNICADOS)121
9.1.2 SUBFILO CEPHALOCHORDATA (ANFIOXOS)122
9.2 SUBFILO VERTEBRATA123
9.2.1 SUPERCLASSSE PISCES124
9.2.2 SUPERCLASSE TETRAPODA135
9.2.2.1 CLASSE AMPHIBIA135
9.2.2.2 CLASSE REPTILIA139
9.2.2.3 CLASSE AVES144
9.2.2.4 CLASSE MAMMALIA152
GLOSSÁRIO160
QUESTÕES DE REVISÃO161

9.1 OS CORDADOS INVERTEBRADOS.................................................................................121 BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................................163

1 1 Classificação e Nomenclatura

1.1 Introdução

Estima-se que existam na Terra milhões de diferentes tipos de organismos vivos compartilhando a biosfera. O reconhecimento dessas espécies está intimamente relacionado à história do homem.

Num determinado momento da história evolutiva, o homem começou a utilizar animais e plantas para sua alimentação, cura de doenças, fabricação de armas, objetos agrícolas e abrigo. A necessidade de transmitir as experiências adquiridas para os descendentes forçou-o a denominar plantas e animais. O documento zoológico mais antigo que se tem notícia, é um trabalho grego de medicina, do século V a.C., que continha uma classificação simples dos animais comestíveis, principalmente peixes.

Assim, a classificação dos seres vivos surgiu com a própria necessidade do homem em reconhecê-los. O grande número de espécies viventes levou-o a organizá-las de forma a facilitar a identificação e, conseqüentemente, seu uso.

1.2 A classificação dos seres vivos

Inicialmente, com base no modo de vida, direção da evolução e tipo da organização de seu corpo, os seres vivos foram divididos em dois grandes reinos: Animal e Vegetal. Mais tarde, como o desenvolvimento do microscópio, entre outras técnicas, tornou-se óbvio que muitos organismos não se encaixavam em nenhum desses reinos, por exemplo uma bactéria, que é um organismo unicelular, desprovido de envoltório nuclear e de estruturas membranosas intracelulares como retículo endoplasmático, mitocôndrias, cloroplastos e complexo de Golgi. Essas diferenças que a distingue dos demais organismos é bem mais fundamental que as diferenças entre animais e vegetais.

Outro sistema proposto, e também não mais utilizado, foi o de três reinos: Protista,

Plantae e Animalia. Nesse sistema, reuniam-se no reino Protista organismos com características vegetais e animais.

Posteriormente, surgiu um novo sistema de classificação agrupando os organismos em quatro reinos: Monera (bactérias e cianofíceas), Protista (demais algas, protozoários e fungos), Plantae ou Metaphyta (desde briófitas até as angiospermas) e Animalia ou Metazoa (desde espongiários até mamíferos).

Um sistema de classificação mais recente, compreende cinco reinos e foi proposto por

Whittaker (1969). É composto por um reino procariótico, Monera, e outros quatro reinos eucarióticos (figura 1). Dos grupos eucarióticos, acredita-se que o Protista deu origem aos outros três grupos restantes (Plantae, Animalia e Fungi). Tais grupos, na maioria multicelulares, diferem fundamentalmente no seu modo nutricional.

O reino Monera é constituído por organismos unicelulares procariotos, coloniais ou não, autótrofos ou heterótrofos. Engloba as bactérias e cianofíceas (cianobactérias).

Organismos unicelulares eucariotos, coloniais ou não, constituem o reino Protista.

Neste, existem diversos métodos nutricionais, incluindo a fotossíntese, a absorção e a ingestão. Compreende as algas unicelulares e os protozoários.

Figura 1: Divisão dos seres vivos em 5 reinos proposta por Whittaker (1969).

O reino Fungi é composto por organismos eucariotos heterotróficos, geralmente multinucleados (cenocíticos), sendo sua nutrição realizada por absorção.

Os organismos eucariotos fotossintetizantes (autótrofos) multicelulares compõem o reino Plantae, que compreende desde algas multicelulares até vegetais superiores.

O reino Animalia é composto por organismos eucaritos multicelulares heterotróficos, que têm a ingestão, ou absorção em alguns casos, como forma primária de nutrição. Engloba desde as esponjas até o homem. (A tabela 1 resume as características dos grandes grupos de organismos).

É claro que qualquer sistema de classificação apresenta muitas dificuldades, pois os seres vivos se modificam e evoluem ao longo do tempo e ainda, com o avanço da ciência, surgem novas descobertas a respeito das relações existentes entre os organismos. Todavia, o sistema de classificação proposto por Whittaker é, ainda hoje, o mais aceito e utilizado.

3 Tabela 1 - Características dos grandes grupos de organismos (Curtis,1977)

Característica Monera Protista Fungi Plantae Animalia Tipo celular procarioto eucarioto eucarioto eucarioto Eucarioto

Núcleo sem envoltório nuclear com envoltório nuclear com envoltório nuclear com envoltório nuclear com envoltório nuclear

Mitocôndrias ausentes presentes presentes presentes presentes cloroplastos ausentes, há apenas lamelas fotossintéticas presentes em algumas formas ausentes presentes ausentes parede celular não celulósica (polissacarídeo + aminoácido) presente em algumas formas composta por quitina e outros polissacarídeos

Celulósica ausente meios de recombinação genética conjugação; transdução; transformação ou nenhum fertilização e meiose, conjugação ou nenhum fertilização e meiose ou nenhum fertilização e meiose fertilização e meiose

Modo de nutrição autotrófica (quimio e fotossintetizante) e heterotrófica fotossintetizante e heterotrófica ou uma combinação heterotrófica por absorção fotossintetizante, na maioria heterotrófica, por ingestão

Motilidade por flagelos, deslizamento ou imóveis cílios; flagelos; amebóide; fibrilas contráteis cílios e flagelos em algumas formas, nenhuma na maioria cílios e flagelos em formas inferiores e alguns gametas, nenhuma na maioria cílios e flagelos, fibrilas contráteis

Pluricelulari- dade ausente ausente presente, na maioria presente nas formas superiores presente em todas as formas

Sistema Nervoso ausente mecanismos primitivos para condução de estímulos em algumas formas ausente ausente presente

4 2 A Sistemática

O estudo descritivo de todas as espécies de seres vivos e sua classificação dentro de uma verdadeira hierarquia de grupamentos constitui a sistemática ou taxonomia. Vamos começar a interpretar o papel da taxonomia revendo o conceito de espécie.

2.1 O Conceito de Espécie Species em latim significa simplesmente "tipo". As espécies são, no sentido mais simples, os diferentes tipos de organismos. Uma definição mais técnica de espécie é: "um grupo de organismos que se cruzam entre si, sem normalmente cruzar-se com representantes de outros grupos". Os organismos pertencentes a uma espécie devem apresentar semelhanças estruturais e funcionais, similaridades bioquímicas e mesmo cariótipo, além da capacidade de reprodução entre si. A definição acima, embora útil para os animais, não é, entretanto, útil na taxonomia vegetal, porque cruzamentos férteis podem ocorrer entre plantas de tipos bastante diferentes. Também não se aplica esta distinção a organismos que não se reproduzem sexualmente.

À luz da teoria evolucionista, observa-se que uma espécie se modifica constantemente, no espaço e no tempo, em vez de ser uma forma imutável, ideal, como foi concebida por Lineu. Desta maneira, a palavra "espécie" possui diferentes significados para diferentes tipos de organismos, o que não é surpresa se considerarmos que a evolução nos vários grupos de organismos seguiu caminhos diversificados. No entanto, o termo permanece sendo útil e possibilita uma maneira adequada de se referir a organismos e catalogá-los.

2.2 Outros Grupos Taxonômicos

O reino é a maior unidade usada em classificação biológica. Entre o nível do reino e do gênero, entretanto, Lineu e taxonomistas posteriores adicionaram diversas categorias (ou taxa). Temos então, os gêneros agrupados em famílias, as famílias em ordens, as ordens em classes e as classes em filos (ou divisão, para os botânicos), seguindo um padrão hierárquico. Essas categorias podem ser subdivididas ou agregadas em várias outras, menos importantes, como, por exemplo, os subgêneros e as superfamílias. Assim, hierarquicamente, temos:

Reino Filo

Classe Classe

OrdemOrdem

Família Gênero

Espécie

5 3 Regras de Nomenclatura

Os animais, assim como as plantas, são popularmente conhecidos por nomes muito variáveis de um lugar para outro. Numa tentativa de universalizar os nomes de animais e plantas, os cientistas têm, há muito, procurado criar uma nomenclatura internacional para a designação dos seres vivos. Mark Catesby, por volta de 1740, publicou um livro de zoologia onde denominava o pássaro conhecido como tordo (sabiá americano) de Turdus minor cinereoalbus non maculatus, que significava: “tordo pequeno branco-acinzentado sem manchas”. Essa foi uma tentativa de padronizar o nome do pássaro, para que ele pudesse ser conhecido em qualquer idioma ou região, mas havia o inconveniente de usar uma denominação muito extensa.

Em 1735, o sueco Carl von Linné, botânico e médico, conhecido simplesmente por Lineu, lançou seu livro Systema Naturae, no qual propôs regras para classificar e denominar animais e plantas. Porém, foi somente na 10a edição do seu livro, em 1758, que ele sugeriu uma nomenclatura mais simples, onde cada organismo seria conhecido por dois nomes apenas, seguidos e inseparáveis. Surgiu assim a nomenclatura binomial, a qual é ainda hoje utilizada. As regras para a denominação científica dos seres vivos foram firmadas posteriormente, no I Congresso Internacional de Nomenclatura Científica, em 1898.

(Parte 1 de 8)

Comentários