coma_parkinson_alzheimer

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COMA

Definição

É um estado clínico de inconsciência no qual o paciente não tem consciência de si mesmo nem do ambiente por períodos prolongados (dias a meses ou, até mesmo, anos). Compreende um dos estágios de alteração do nível de consciência.

Fisiopatologia

O coma, assim como todos os outros estágios de alterações do nível de consciência, não é um distúrbio em si, mas sim um sinal e sintoma de múltiplos fenômenos fisiopatológicos. A causa pode ser neurológica, toxicológica ou metabólica.

Manifestações clínicas

O paciente em coma não abre os olhos, não responde verbalmente, nem move os membros em resposta a uma solicitação para fazer isso.

Diagnóstico

Exame físico completo, com maior atenção ao sistema neurológico. O exame neurológico deve ser o mais completo possível, e o nível de consciência é avaliado através de Escala de Coma de Glasgow (abertura dos olhos, resposta verbal e resposta motora). A PET, a RM e o EEG podem ajudar a identificar a causa do rebaixamento no nível de consciência.

Complicações

As complicações potenciais incluem insuficiência respiratória, pneumonia, úlceras por pressão e aspiração.

Tratamento

Consiste em obter e manter uma via aérea permeável (intubação ou traqueostomia com VM); monitorização cardíaca contínua (PA, FC, PTP); inserção de cateter venoso de bom calibre (jelco 22 ou 20) para infundir líquidos e medicamentos EV; o cuidado neurológico focaliza a patologia neurologia, quando existente; o suporte nutricional deve ser feito através de SNG/SNE ou por tubo de gastrostomia. O tratamento farmacológico visa reduzir as complicações.

Cuidados de enfermagem

Manter a via aérea pérvia; proteger o paciente (contra traumas); manter o equilíbrio hídrico e nutricional (parceria com a nutrição); realizar a higiene (em especial a oral); manter a integridade tissular (pele, articulações, extremidades); manter a integridade da córnea (se os olhos estiverem abertos); atingir a termorregulação; prevenir a retenção urinária; promover a função intestinal; fornecer a estimulação sensorial; atentar e atender as necessidades da família.

DISTURBIOS DEGENERATIVOS DO SN

A doença de Parkinson e a doença de Alzheimer fazem parte dos distúrbios degenerativos do sistema nervoso. São caracterizados pelo estabelecimento lento dos sinais e sintomas característicos desses distúrbios. Os pacientes são geralmente tratados em casa, e admitidos no ambiente de cuidados agudos quando nas exacerbações, para tratamento e intervenções cirúrgicas.

DOENÇA DE PARKINSON

Definição

É uma afecção de evolução crônica com alteração neurológica progressiva, que afeta os centros cerebrais responsáveis pelos movimentos do corpo. Levando, mais adiante, à incapacidade. Manifesta-se aproximadamente aos 50 anos de idade. Embora a etiologia da maioria dos casos seja desconhecida (degenerativa ou idiopática), existe uma forma secundária de causa suspeita ou conhecida. Neste caso os fatores apontados podem ser vários, incluindo a genética, aterosclerose, acúmulo excessivo de radicais livres de O2, infecções virais, TCE, uso crônico de antipsicóticos e algumas exposições ambientais. É a quarta doença neurovegetativa mais comum.

Fisiopatologia

A doença de Parkinson está associada a níveis diminuídos de dopamina (neurotransmissor inibitório) – o neurotransmissor excitatório é a acetilcolina – devido à destruição das células neuronais pigmentadas na substância negra nos gânglios da base do cérebro.

Os sintomas clínicos não aparecem até que 60% dos neurônios pigmentados tenham sido destruídos e que o nível de dopamina na área esteja diminuído em torno de 80%. A degeneração não afeta as células motoras do córtex. Mas sim os tratos que controlam as funções semi-automáticas e os movimentos coordenados.

Manifestações clínicas

É caracterizada por lentidão do movimento, rigidez muscular (movimentos em solavancos), tremor (lento, unilateral e em repouso). Outros aspectos incluem distúrbios na deambulação e instabilidade postural.

Incluem-se, também, os seguintes sinais e sintomas: cabeça inclinada para frente, tremores na cabeça e nas mãos, face inexpressiva, rubor paroxístico, salivação e sudorese excessiva, hipotensão ortostática, retenção gástrica e urinária, constipação, distúrbios sexuais, postura inclinada, perda de peso, andar arrastado. Alterações psiquiátricas estão frequentemente interrelacionadas, incluindo a depressão, a demência (com padrão parecido ao do Alzheimer), distúrbios do sono, alucinações, déficits cognitivo, perceptual e de memória.

Diagnóstico

Os exames laboratoriais e os exames de imagem não são valiosos no diagnóstico da doença de Parkinson, embora a imagem por PET (tomografia por emissão de pósitrons) seja utilizada. A doença é diagnosticada a partir da historia do paciente e da presença de 2 ou 3 manifestações principais.

O diagnóstico precoce pode ser difícil, porque raramente o paciente identifica o início dos sintomas. Com frequência um membro da família é quem faz essa identificação.

Tratamento

O tratamento é dirigido para o controle dos sintomas e para a manutenção da independência funcional. O cuidado é individualizado com base nos sintomas e nas necessidades emocionais, sociais e ocupacionais de cada paciente. O tratamento farmacológico é o sustentáculo do tratamento, embora haja avanços nos resultados das intervenções cirúrgicas.

O tratamento farmacológico inclui medicamentos antiparkinsonianos (Levodopa), que aumentam a atividade dopaminérgica, reduzem a influência excessiva dos neurônios colinérgicos, e que em uso crônico causam efeitos adversos graves como confusão, alucinações, depressão, discinesia (movimentos involuntários anormais); os agentes anticolinérgicos, controle do tremor e rigidez; os antivirais (cloridrato de amantadina) reduz os três principais sintomas; os agonistas da dopamina, que facilitam a capitação da dopamina orgânica ou sintética; os inibidores da monoamina oxidase - MAO (selegilina), acredita-se que lentifique a progressão da doença; inibidores da cetocol-O-metiltransferase – COMT, aumentam a duração do efeito da levodopa; os antidepressivos (amitriptilina); anti-histamínicos.

O tratamento cirúrgico na doença de Parkinson é utilizado quando a terapia farmacológica já foi totalmente esgotada, ou quando há efeitos adversos graves pelo uso prolongado de Levodopa. O tratamento consiste nos procedimentos estereotáxicos (talamotomia e palidotomia), na estimulação cerebral profunda (implante de eletrodos, marcapasso, no tálamo); no transplante neural (transplante de células cerebrais fetais ou modificadas geneticamente) – esbarrando nas questões éticas, ainda discutids.

Cuidados de enfermagem

Melhorar a mobilidade; estimular as atividades de autocuidado; melhorar a eliminação intestinal; melhorar a nutrição (em parceria com nutricionista); avaliar e estimular a deglutição; estimular o uso de utensílios aprimorados (em parceria com terapeuta ocupacional); melhorar a comunicação (parceria com fonoaudiólogo); estimular a participação ativa do paciente nas atividades; ensinar sobre os cuidados domiciliares.

DOENÇA DE ALZHEIMER

Definição

Também chamada doença senil do tipo Alzheimer, é um distúrbio cerebral crônico, progressivo, degenerativo e irreversível acompanhado por efeitos profundo sobre a memória, a cognição e a capacidade para o autocuidado. Atinge aproximadamente 10% das pessoas acima dos 65 anos, e 47% das pessoas acima dos 85 anos. É um dos distúrbios mais temido dos tempos modernos, por causa das conseqüências experimentadas pelo pacientes e familiares, o que foi denominado de funeral interminável.

Fisiopatologia

Alterações neuropatológicas e bioquímicas específicas foram encontradas nos pacientes com a doença de Alzheimer. Incluindo o emaranhado neurofibrilar (emaranhado de neurônios não-funcionais) e as placas senis ou neuríticas (depósitos de proteína amilóide) no cérebro. O comprometimento ocorre principalmente no córtex, e acarreta na diminuição do tamanho cerebral. Os neurônios colinérgicos são os mais afetados. Os fatores genéticos, o envelhecimento, bem como a inflamação e o estresse oxidativo e os infartos cerebrais desempenham um importante papel na fisiopatologia da doença.

Manifestações clínicas

Inicialmente ocorrem o esquecimento e perda de memória sutil. O paciente pode experimentar pequenas dificuldades nas atividades de trabalho e cotidianas, mas ainda possui cognição para escondê-las. Com a progressão da doença, as manifestações se agravam, a perda de memória se acentua, ele se esquece até de seus familiares, o dialogo fica comprometido, chegando a apenas sílabas sem nexo. As alterações de personalidade ficam evidentes, como a depressão, paranóia, hostilidade e agressividade. O paciente requer ajuda para realizar atividades diárias como a alimentação e higiene íntima. No estágio terminal o paciente fica imóvel e requer cuidados totais, pode durar meses ou anos a morte ocorre em conseqüência de complicações, como a pneumonia, desnutrição ou desidratação.

Diagnóstico

A história de saúde (clínica, sócio-cultural, medicamentosa) e o exame físico (estado funcional e saúde mental) são primordiais no diagnóstico. Os testes diagnósticos, como HC, VDRL, anti-HIV, perfil bioquímico, níveis de vitamina B12 e hormônios tireoidianos, o EEG, a TC, a RM e o exame do LCR podem refutar ou sustentar um diagnóstico preliminar. A depressão pode assemelhar-se bastante a doença de Alzheimer em estágio inicial. Uma escala de depressão é valiosa na triagem desse indivíduo. Os testes de função cognitiva, como o miniexame do estado mental, são bastante úteis.

Tratamento

Farmacológico, com o uso de inibidores da acetilcolinesterase, como o donepezil e a rivastigmina – com muito menos efeitos colaterais – e o cloridrato de tacrina – pode causar intoxicação hepática. Em geral são limitadas aos estágios iniciais da doença, e seus usos devem ser monitorados de perto.

Cuidados de enfermagem

Destinam-se à manutenção da segurança física do paciente; à redução da ansiedade e agitação; à melhoria da comunicação; à independência nas atividades do autocuidado; à provisão das necessidades do paciente para socialização, auto-estima e intimidade; à manutenção da nutrição adequada; ao controle dos distúrbios do padrão de sono; e à sustentação e educação dos cuidados familiares.

Pesquisas mostram que, quando a enfermagem pode fornecer tal apoio, os idosos são capazes de manter níveis elevados de saúde percebida e real.

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