Montanhismo

Montanhismo

(Parte 1 de 2)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

BRUNA CAROLINA SEGURO

JULIANA RAZINI

MONTANHISMO

CURITIBA

2009

BRUNA CAROLINA SEGURO

JULIANA RAZINI

MONTANHISMO

Trabalho de Graduação apresentado à disciplina de Turismo e Esporte – Curso de Turismo, Departamento de Turismo, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná sob a orientação do Prof. Dr. Miguel Bahl.

CURITIBA

2009

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................4

2 MONTANHISMO ......................................................................................................6

2.1 Descrição..........................................................................................................6

2.2 Modalidades.....................................................................................................8

2.2.1 Escalada.............................................................................................................8

2.3 estrutura física necessária...................................................................11

2.4 Equipamentos específicos.......................................................................11

2.5 Oferta turística no Mundo......................................................................15

2.6 Oferta turística no Brasil.......................................................................17

2.7 Oferta turística no Paraná.....................................................................19

2.8 Perfil da demanda........................................................................................21

3 CONCLUSÃO ........................................................................................................22

REFERÊNCIAS .........................................................................................................23

1 INTRODUÇÃO

O tema abordado neste estudo é a prática da atividade física desenvolvida em montanhas conhecida como “montanhismo”. Tal atividade dependendo da região em que é praticada exige tanto conhecimentos práticos como, por exemplo, condições climáticas, físicas, quanto conhecimentos técnicos específicos (POURCHIER, 1934).

A busca pela aventura, pelo desconhecido, longe dos padrões urbanos, tem-se mostrado mais frequente ultimamente, quando se percebe o aumento de vivências naturais, presentes nas atividades físicas de aventura em contato direto com meio ambiente natural, no sentido de buscar condições favoráveis à possibilidade de imprimir mais qualidade à vida.

As relações mantidas entre o homem e natureza já vem sendo discutidas há algum tempo, segundo Inácio (1997), nos estudos referentes às várias áreas de conhecimento humano. Estes estudos procuram levar em conta a importância de reflexões sobre esta interação humana com o meio ambiente, apontando o compromisso com mudanças de atitudes e valores, que possam interferir positivamente nessa relação.

De acordo com Schwartz (2002) a vivência de atividades intimamente ligadas à natureza vem tornando-se uma nova perspectiva no âmbito do lazer, no sentido do preenchimento da inquietação humana em busca da melhoria da qualidade existencial, especialmente no que tange a área da educação física cujo universo tem se ampliado em direção a novos segmentos de práticas como por exemplo as atividades físicas de aventura na natureza. Segundo Costa (2000), os esportes de aventura na natureza estão associados à ideia de aventura carregada de um forte valor simbólico e à uma tendência de grupos de diferentes partes do planeta a fazer coisas fora do comum. Estes esportes, no movimento ecoturístico, possuem um carater lúdico, uma vez que a atitude dos sujeitos que vivem a aventura no esporte é tomada por um risco calculado no qual ousam pagar a si mesmos com a confiança do domínio cada vez maior da técnica e da segurança propiciada pela tecnologia As emoções nestas práticas explodem no risco de forma fictícia. São riscos provocados, calculados, de certa forma imaginários, uma vez que essa aventura experimentada diretamente, é altamente controlada por um planejamento rigoroso e por um sofisticado aparato tecnológico e de segurança

Costa (2000). afirma que, o aventureiro, ao buscar sensações mais extremas e vivenciá-las mergulha na natureza, apoiado por equipamentos cada vez mais precisos e especializados, aumentando os custos e setencionando o acesso aos que possuem poder aquisitivo para desfrutá-los.

2 MONTANHISMO

A seguir será apresentado como a atividade se desenvolve, bem como suas modalidades, equipamentos, demanda e oferta turística dentro do Paraná, do Brasil e a oferta mundial.

2.1 Descrição

O montanhismo caracteriza-se por ser uma atividade esportiva baseada no ato de atravessar montanhas, com ou sem a utilização de equipamentos. O termo costumeiramente é confundido com alpinismo, devido às famosas conquistas dos Alpes europeus. A atividade é um gênero dentro do excursionismo.

No início, especialmente a partir do século XIX, a atividade estava associada a um compromisso com a ciência. As primeiras expedições foram em parte financiadas como expedições científicas, cujo objetivo era buscar conhecimentos geológicos e botânicos.

A história do montanhismo como atividade em si é atribuída a Petrarca, que em 1336 subiu ao alto do Monte Ventoux, com 1910 metros de altitude. As primeiras técnicas de montanhismo foram desenvolvidas em Chamonix, na França.

Mas foi, sobretudo, a conquista do Mont Blanc, por Paccard e Balmat, em 1786, que marcou o início da existência do montanhismo.

A partir daí nas décadas seguintes o Montanhismo cresceu espantosamente, surgiram novos equipamentos novas técnicas e consequentemente novas conquistas. As dificuldades técnicas começaram a crescer, uma vez que os adeptos aumentavam e, com eles a vontade de alcançar altitudes cada vez maiores. A expansão do montanhismo como esporte ocorreu no final do século XIX e início do século XX, quando diversas expedições buscavam atingir o cume de montanhas nunca antes visitadas.

Segundo Nicleviz (1995), dentre as maiores conquistas destaca-se o Kilimanjaro na África, em 1897, o Aconcágua na América do Sul, em 1913, a conquista da maior montanha do mundo o Everest, em 1953, pelos ingleses e a do K2 em 1954 pelos italianos sendo esta a segunda maior montanha do mundo e considerada hoje uma das escaladas mats radicais do planeta uma vez que o número de mortes nessa montanha é alto. (NICLEVICZ 1995).

O montanhismo estava intimamente ligado à idéia do pioneirismo, aos desbravadores de terras selvagens. O desejo de ir a algum lugar jamais visitado atraía os aventureiros, bem como a ousadia de desafiar a natureza.

O primeiro clube de montanha do mundo, o Clube Alpino de Londres, foi criado em 1857. Com ele, o esporte passou a se organizar e ganhar adeptos.

Segundo Froés (2004), o montanhismo é um esporte que vem crescendo muito por fazer bem à mente e outros fatores benéficos à saúde. Quem pratica o esporte deseja entrar em perfeito contato com a natureza, usufruindo de tudo o que ela pode oferecer, sem prejudicá-la. No Brasil, o marco inicial da atividade foi durante a primeira metade do século XIX, quando já eram registradas subidas à Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro.

Segundo Schwartz (2002), é notória a expansão da prática do montanhismo e, a escolha por essa atividade pode ser traduzida pelo desejo de aproximação maior e mais intensa com o meio natural, movido por inúmeros ideais.

A prática do montanhismo oferece a possibilidade de vivenciar sentimentos de prazer em função de suas características que promovem, inclusive, a ampliação do senso de limite da liberdade e da própria vida, conforme evidenciados nos estudos do mesmo autor.

A prática do montanhismo é de características consideradas sob a premissa de “radicais”, entre as quais se configuram o risco, a vertigem e a superação de limites internos e externos. Uma busca incessante pelo prazer, concretizando um ideal de liberdade de vida e satisfação da superação pessoal em vivências significativas, onde os seres humanos, atraídos pelo entretenimento, por emoções e pela oportunidade de aventura, buscam as práticas alternativas e criativas, tais como os esportes radicais, os quais requerem o meio natural como cenário principal para sua realização.

Nota-se diversos motivos que levam à prática do montanhismo. A montanha para cada pessoa tem um significado diferente como: desafio, acolhimento, alívio de estresse, encontro com a paz espiritual e motivação de novas amizades. Para Schwartz (2002), a escolha por essa atividade pode ser traduzida pelo desejo de aproximação maior e mais intensa com o meio natural, movido por inúmeros ideais. A prática do montanhismo oferece a possibilidade de vivenciar sentimentos de prazer em função de suas características que promovem, inclusive, a ampliação do senso de limite da liberdade e da própria vida. A busca pela aventura, pelo desconhecido, longe dos padrões urbanos, tem-se mostrado mais freqüente ultimamente, quando se percebe o aumento de vivências naturais, presentes nas atividades físicas de aventura em contato direto com meio ambiente natural, no sentido de buscar condições favoráveis à possibilidade de imprimir mais qualidade à vida.

Assim, a prática do montanhismo estimula uma integração entre necessidade e prazer, oriundos dos diversos aspectos positivos provenientes das vivências em meio natural (Schwartz, 2002).

2.2 Modalidades

Niclevicz (1995) relata que existem atividades de montanha para todas as idades e condições físicas, devido as várias modalidades que o montanhismo apresenta para sua prática. Alguns exemplos são: escalada livre, escalada esportiva, escalada esportiva em paredes artificiais (indoor) escalada de competição, escalada artificial em rocha, big wall, escalada alpina, alta montanha, cascatas de gelo.

2.2.1 Escalada

A escalada é uma prática que utiliza as técnicas e movimentos de montanhismo e que tem como objetivo exigir o máximo de força e concentração do atleta. Os fatores que atraem para esta atividade são a técnica, a coragem, a adrenalina e a força.

Guedes (1998), relata que a Escalada em Rocha é considerado o esporte de maior contato entre o homem e a natureza. O atleta da escalada tem como objetivo encontrar diferentes soluções para ultrapassar os obstáculos, não importando se está em uma grande cadeia de montanhas ou na parede de uma academia.

A parede de escalada foi criada por um ucraniano que não queria deixar de escalar durante o rigoroso inverno do país e resolveu colocar pedras na parede. A idéia foi um sucesso. Atualmente já é muito difundida a prática da Escalada nos grandes centros, sendo um atrativo para a atividade. Muitos seguidores interessam-se a sair a campo a partir desta opção indoor do montanhismo. Desta maneira, segundo informações retiradas do site www.geocities.com/Yosemite/1151/games a escalada é dividida nas seguintes modalidades:

Escalada em rocha tradicional: É a de montanha, podendo apresentar trecho vertical, trecho positivo e/ou negativo. A meta do montanhista é conquistar o topo, a visão privilegiada que o alto da montanha proporciona. Na escalada livre tradicional o objetivo é escalar a via no melhor estilo possível. Isso significa basicamente evitar o uso de pontos de apoio artificiais. A ascensão é, em geral, feita em duplas. Cada escalador se prende a uma das pontas da corda. Aquele que sobe primeiro é chamado de guia, e dá segurança por cima ao outro, chamado participante ou segundo. É comum os dois trocarem de posições após cada enfiada de corda. A proteção móvel é empregada sempre que possível e pode haver trechos sem proteção nenhuma na via.

Big Wall:A modalidade big Wall consiste na ascensão de grandes paredões de pedra com trechos verticais, tetos e negativos. Essas escaladas podem demorar vários dias e fazem uso intenso de técnicas de progressão em artificial.

O percurso é longo, são necessários vários dias para chegar ao cume e este é a meta. É necessário transportar comida e outros equipamentos para pernoitar na rocha. A escalada tradicional e Big Wall vêm do espírito que iniciou a busca do homem pela altura, pelas grandes montanhas. Elas são instrumentos técnicos para se acender a um determinado cume. Normalmente mais técnicas e menos explosivas, exigem um maior conhecimento, preparo psicológico, equipamento e investimento.

Escalada Esportiva: Modalidade atlética em rocha que se desenvolveu muito nos anos 80. Envolve regras e um vocabulário bastante específicos. Realizada geralmente em falésias (blocos de pedra menores) ou em rochas. A característica principal é a de ser de via curta. A intenção da escalada não é chegar ao cume e sim a técnica e a habilidade física necessária. Na escalada esportiva, não existe conquista de via. As vias são grampeadas de cima para baixo, em rapel. As costuras são também colocadas em rapel. Quando se usa proteção móvel as ancoragens são previamente instaladas na rocha. Como nas competições em muro artificial, o escalador sobe sem nenhum material de proteção e vai engatando a corda nos mosquetões previamente instalados à medida que progride.

O objetivo básico é escalar a via inteira, a partir do chão, com segurança por baixo, sem cair e sem se apoiar na corda ou nos grampos para descansar. Isso é chamado de redpoint. Se uma via foi grampeada, mas ninguém conseguiu fazer o redpoint, então ela é chamada de projeto. Se o redpoint for conseguido na primeira tentativa, ganha o nome de flash. Se o autor do flash não viu ninguém escalando a via antes, então trata-se de um flash on-sight. Se o escalador cai repetidas vezes enquanto ensaia uma via, isso é chamado de hangdogging. Em geral, os catálogos de vias esportivas indicam o nome do autor do primeiro redpoint que, geralmente, é o mesmo esportista que grampeou a via. Na escalada esportiva ortodoxa, não se escala com corda por cima, exceto como treinamento

Exige muita força e é geralmente a escolha de quem faz Indoor nas academias. A exigência é a força para permanecer "colado" na parede. Mesmo para quem prefere a escalada tradicional, vale a pena praticar um pouco em vias esportivas. É uma ótima maneira de desenvolver as habilidades para escalar graus mais elevados.

Bouldering: É uma prática moderna e radicalmente atlética, a pessoa faz um trabalho de poucos movimentos, mas de muita força em pequenos blocos de pedras. Atinge os mais altos graus de dificuldade técnica entre todas as formas de escalada. A pessoa tenta "construir ventosas para não cair da rocha". Ao contrário de outras modalidades que são de ascensão, no Bouldering tanto quanto na modalidade esportiva a força é a base e cume não importa.

Um problema de bouldering consiste num único lance, extremamente difícil, que é escalado sem corda, sempre a poucos metros do chão. As quedas são normais e fazem parte do jogo. Embora o escalador possa ferir o tornozelo se cair de mal jeito, a modalidade é bastante segura; é improvável que aconteça um acidente grave em bouldering.

Ao praticar o bouldering, é recomendável remover as pedras soltas do chão e ter alguém por perto para equilibrar o escalador quando ele cair, evitando que caia de mal jeito.

Indoor/Muro Artificial: São paredes artificiais de alvenaria para a pessoa exercitar-se na escalada que simula uma prática na montanha. Exige pouquíssimo equipamento, é bastante segura e pode ser praticada mesmo com chuva ou milhares de quilômetros das montanhas. Perde a essência da escalada que é o contato direto com a natureza. Além disso, a "ascensão" é sempre igual não tem variação de adrenalina. Em geral, a escalada em muro artificial para fins de treinamento ou simples diversão é feita com corda por cima. Já nas competições, a segurança é dada por baixo.

Escalada Alpina: A escalada alpina envolve ascensões em ambiente de montanha. São sempre vias de grande extensão, em geral com visual espetacular. Podem ou não incluir trechos de progressão em artificial, e também em gelo. Esta é uma modalidade de extrema exposição às condições ambientais. Nela, conhecimentos básicos de meteorologia, navegação, nutrição esportiva e até primeiros socorros são fatores importantes para o sucesso e para a sobrevivência. O guia também precisa ter uma certa habilidade para farejar a via e encontrar o melhor caminho para o cume, que nem sempre é uma linha bem definida. Deve, ainda, ser capaz de avaliar as condições do gelo e da rocha e tomar decisões de maneira a evitar áreas sujeitas a avalanches. Além disso, como as vias são muito longas, é normal começar a ascensão de madrugada, ainda no escuro. Esta é a modalidade de escalada que exercita conhecimentos e habilidades mais variados.

Alta Montanha: É a ascensão de montanhas de grande altitude. Nela, além de todas as dificuldades da escalada alpina em gelo e neve, é preciso enfrentar a escassez de oxigênio. O escalador de alta montanha deve ter um certo gosto por situações de extremo desconforto. Além disso, deve estar apto a lidar com avalanches, tempestades e temperaturas de muitas dezenas de graus abaixo de zero. É uma modalidade que exige muito tempo para aclimatação, aproximação da montanha, espera por um período de bom tempo, ascensão e retorno.

Cachoeiras Congeladas: Nos países frios, onde as cachoeiras se congelam no inverno, elas proporcionam excelente diversão a escaladores de gelo. A ascensão de cachoeiras congeladas atinge graus de dificuldade mais altos do que a escalada alpina em gelo.

Escalada Mista: Esta é a modalidade que atinge o mais alto grau de dificuldade em gelo. Consiste na ascensão de paredes rochosas parcialmente cobertas de gelo, sempre com crampons e picaretas.

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