Projeto integrado de negócios sustentáveis - Cadeia produtiva de piscicultura (Centro de Conhecimento em Agronegócios)

Projeto integrado de negócios sustentáveis - Cadeia produtiva de piscicultura...

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Centro de Conhecimento em Agronegócios - PENSA

CODEVASF, Brasília, DF 2008

PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula da Silva

MINISTRO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL Geddel Vieira Lima

PRESIDENTEDA CODEVASF Orlando Cezar da Costa Castro

DIRETOR DA ÁREA DE DESENVOLVIMENTO INTEGRADO E INFRAESTRUTURA Clementino de Souza Coelho

DIRETOR DA ÁREA DE GESTÃO DOS EMPREENDIMENTOS DE IRRIGAÇÃO Raimundo Deusdará Filho

DIRETOR DA ÁREA DE REVITALIZAÇÃO DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS Jonas Paulo de Oliveira Neres

338.1 Centro de Conhecimento em Agronegócios (PENSA) C389p Projeto integrado de negócios sustentáveis – PINS: cadeia produtiva de piscicultura/ Centro de Conhecimento em Agronegócios (PENSA).- Brasília, DF: CODEVASF, 2008. 38 p. : il. ; 30cm

Equipe Responsável CODEVASF

Diretor da Área de Desenvolvimento Integrado e Infra-Estrutura Clementino de Souza Coelho

Assistente Executivo - Desenvolvimento Integrado e Infra-estrutura Alvane Ribeiro Soares

Primeiro Secretário - Desenvolvimento Integrado e Infra-estrutura Guilherme Almeida Gonçalves de Oliveira

Coordenador Prof. Dr. Marcos Fava Neves

Gestor Executivo do Projeto Luciano Thomé e Castro

Gestor Executivo do Projeto Ricardo Messias Rossi

Assistente Executivo do Projeto Vinicius Mazza da Silva

Assistente Executivo do Projeto Marina Darahem Mafud

Equipe Técnica

Pesquisador Responsável Rafael Oliveira do Amaral

Pesquisador Assistente Vinicius Mazza da Silva

Colaborador Flavio José Tenenbojm

Resumo Executivo

Este relatório apresenta a análise de viabilidade financeira, resultado do estudo qualitativo do Sistema Agroindustrial de produção e beneficiamento de tilápias para o vale do rio São Francisco. Há também a apresentação de uma breve análise mercadológica mundial e nacional, descrição da produção para o vale do rio São Francisco bem como o seu beneficiamento com análises de viabilidade entre exportação e venda ao mercado interno. Esses resultados foram elaborados comparativamente com os resultados que seriam obtidos em outra região produtiva, o noroeste do estado de São Paulo. Quanto à produção aqüícola, foi analisado o método de produção mais adequado para a região, inserindo premissas técnicas e econômicas específicas para a região do vale, as quais são, na sua maioria, muito favoráveis para o cultivo de peixes tropicais no Brasil. O beneficiamento tem como produto principal o filé, fresco ou congelado. Há também a possibilidade de aproveitamento de subprodutos, cuja utilização para o consumo humano tem aumentado em detrimento à utilização para subprodutos. Foi considerada a instalação de uma unidade industrial com capacidade de 20 toneladas de beneficiamento de peixe vivo por dia, operando 260 dias por ano. O modelo de negócio proposto utiliza a premissa de que parte (25%) da matéria-prima utilizada no beneficiamento será produzida pela própria empresa âncora e o restante será fornecido, com base em contratos, por um grupo de pequenos produtores coordenados diretamente por uma cooperativa, a qual irá ter o auxílio da empresa âncora para adequar a quantidade e a qualidade da produção aos contratos firmados com a própria empresa. As análises de viabilidade financeira analisaram o projeto com 20 anos de duração e taxa de atratividade de 10% ao ano. Sabendo disso, os resultados com todos os investimentos, custos, despesas e receitas da empresa âncora, tanto na atividade aqüícola como na atividade de beneficiamento, consolidaram a TIR (taxa interna de retorno) de 2,34% e VPL (Valor Presente Líquido) de R$ 10.201.124 , sendo que o valor do investimento é de R$ 12.803.354.

1. O PENSA e a CODEVASF6
2. Características e Competitividade dos Vales do São Francisco e Parnaíba7
3. Casos de Empresas da Região10

Sumário

Parnaíba para o Negócio “de tilápia beneficiada”12
4.1. Consumo de organismos aquáticos e tilápias12
4.1.1. Consumo mundial12
4.1.2. Consumo mundial de tilápias13
4.1.3. Comércio de pescado no Baixo São Francisco16
4.2. Distribuição17
4.3. Beneficiamento17
4.4 Produção18
4.4.1. Produção Mundial de tilápias18
4.4.2. Produção nacional19
4.5 Insumos20

4. Análise do Sistema Agroindustrial e Atratividade dos Vales do São Francisco e do

processadas21
subprodutos2

4.6 Atratividade do Vale do São Francisco e Parnaíba para o Negócio de tilápias 4.6.1 Produçãod e tilápia no VSF para exportaçãoem ercado internod ef ilé fresco e

Francisco e Parnaíba23
5.1 Introduçãoa oN egócio23
5.1.1 Descrição do modo de produção adequado24
5.2 Modelo de Negócio25
5.2.1 Responsabilidades25
5.2.2 Modelo de Negócio fundamentado na coordenaçãod eu ma empresa âncora27
5.3 Análises para a Sustentabilidade Econômica28
5.3.1 Custos de Produção e Investimentos da Atividade Aqüícola28
5.3.2 Investimentos e Custos da Atividade de Beneficiamento3

5. Oportunidade de Investimento na Produção de Tilápias Beneficiadas nos Vales São 6. Conclusão .................................................................................................................... ...36

1. O PENSA e a CODEVASF

A CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) é um órgão público, vinculado ao Ministério da Integração Nacional do governo brasileiro, que visa o desenvolvimento da região Nordeste por meio da Agricultura Irrigada. A CODEVASF atua nos Estados de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe, perfazendo 640.0 km² do Vale, nas regiões do médio, submédio e baixo São Francisco. De acordo com a Lei nº 9.954, de 6 de janeiro de 2000, a CODEVASF passou a atuar também, no vale do rio Parnaíba, numa área de 340.0 km², abrangendo os Estados do Maranhão e Piauí.

O PENSA (Centro de Conhecimentos em Agronegócios da USP) é uma organização que integra professores e pesquisadores dos departamentos de Economiae Administraçãod aF EA-USP( São PauloeR ibeirãoP reto). Sua finalidade é promover estudos sobre o agronegócio brasileiro.

O PENSA foi convidado a estudar a viabilidade de implementação de sistemas agroindustriais completos na área de atuação da CODEVASF. O estudo foi realizado para abacaxi, apicultura, aves, banana, bioenergia, caprinos e ovinos, frutas secas, laranja, limão, piscicultura e vegetais semi-processados.

O objetivo do projeto é atrair empresas do setor de alimentos e fibras, com forte inserção em mercados nacionais e internacionais, para ter nos produtores de perímetros públicos irrigados uma de suas fontes de suprimentos. Para isso, foi estabelecido o Projeto Integrado de Negócios Sustentáveis; sendo que no “P” de Projetos, análises técnicas e de viabilidade econômica e financeira são desenvolvidas para empresas candidatas, no “I” de Integração, mecanismos privados de contratos e relacionamentos entre agroindústrias e pequenos produtores são sugeridos, no “N” de Negócios, taxas interessantes de retorno às agroindústrias âncoras são calculadas, bem como a necessária renda interessante ao pequeno produtor familiar e, finalmente, no “S” de Sustentáveis, a sustentabilidade, nas suas vertentes social, ambiental e econômica devem ficar evidentes.

Os objetivos, como colocados pela companhia, são a “geração de emprego e renda, a redução dos fluxos migratórios dos efeitos econômicos e sociais de secas e inundações freqüentes e, ainda, a preservação dos recursos naturais dos rios São Francisco e Parnaíba, visando melhorar a qualidade de vida dos habitantes dessas regiões”. Para isso, a administração da CODEVASF é regionalizada e dividida em 7 superintendências, denominadas superintendências regionais, que atuam no médio, submédio e baixo São Francisco. No médio São Francisco, ficam localizadas as superintendências regionais de Montes Claros (MG) (1ª Superintendência Regional) ea de Bom Jesus da Lapa (BA) (2ª Superintendência Regional). Em Montes Claros, foram instalados arranjos produtivos locais em apicultura, ovinocultura e piscicultura, sendo que o destaque produtivo está no projeto Jaíba, com a fruticultura irrigada, principalmente de banana, manga e limão. Em Bom Jesus da Lapa, os projetos de irrigação em destaque são o Baixio do Irecê, Barreiras do Norte e do Sul, Estreito e Formoso. Nesses perímetrosod estaqueéaf ruticulturai rrigada porm eio do cultivo de banana e manga, bem como a produção de grãos em Barreiras do Norte. Além disso, a região está desenvolvendo fortemente a aptidão para a bioenergia por meio do etanol e do biodiesel.

Na região do submédio do vale do rio São Francisco, estão localizadas as superintendências regionais de Petrolina (PE) (3ª Superintendência Regional) e Juazeiro (BA) (6ª Superintendência Regional). A fruticultura irrigada é muito desenvolvida nessa região, com destaque para a manga, uva e coco. Ján a região do baixo São Francisco estão as superintendências regionais de Aracaju (SE) (4ª Superintendência Regional) e Penedo (AL) (5ª Superintendência Regional). Devido às condições de topografia plana, baixa altitude e da abundância de recursos hídricos, a região desenvolveu fortemente a rizicultura e está desenvolvendo sua vocação na piscicultura em tanques escavados, produzindo tambaquis e tilápias para o mercado regional. Por fim, na região do vale do rio Parnaíba a CODEVASF atua por meio da superintendência regional de Teresina (PI) (7ª Superintendência Regional). Nessa região o foco está no manejo da região semi-árida, a fim de revigorar fauna e flora e desenvolver a apicultura e a pecuária caprina como atividades econômicas sustentáveis.

2. Características e Competitividade dos Vales do São Francisco e Parnaíba

O Vale do São Francisco ocupa uma área de cerca de 640 mil km2, dos quais 36,8% situam-se em Minas Gerais, 0,7% em Goiás e Distrito Federal, e os 62,5% restantes estão nos estados da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. O Vale do Parnaíba está inserido no nordeste brasileiro abrangendo área total de cerca de 330 mil km², dos quais 75,73% estão no Piauí, 19,02% no Maranhão, 4,35% no Ceará e o restante em área litigiosa.

Figura 1: Localização do Vale do São Francisco e Parnaíba. Fonte: CODEVASF (2007).

A população1 do Pólo de Petrolina e Juazeiro2 é de aproximadamente 570m il habitantes, sendo que 68% vivem na zona urbana e 32% na zona rural. Da

1 Censo Demográfico, 2000. 2 Devido à grande extensão de área que engloba os Vales do São Francisco e do Parnaíba, a região de Petrolina e Juazeiro foi utilizada como referência para apresentação de características de competitividade.

população domiciliada, 86% têm acesso à energia elétrica3,5 7% à água encanada e 85% têm coleta de lixo.

Tabela 1: Resumo dos dados sócio-econômicos.

MUNICIPIO UF POPULAÇÃO PIB PER CAPTA (EM R$ 1,0)

Quanto à educação, a taxa de alfabetização é de 74%, a expectativa de vida de 65 anos e a mortalidade infantil é de 4,9%. Na região, cerca de 37 mil alunos estãon oe nsino médioe 7.0 no ensino superior. O PIB do Pólo de Petrolina e Juazeiro é de cerca de R$ 3 bilhões, levando a um PIB per capita médio anual de cerca de R$ 6.50,0.

OP ólod eP etrolinae Juazeiro está localizado na latitude 8 ºS, a uma altitude média de 365 metros. O clima é o semi-árido, quente e seco, com precipitações mensais de 4 m concentradas no primeiro semestre, a insolação é de 3.0 horas/ano com 300 dias de sol por ano. Dessa forma a temperatura média mensal é de 26ºC, com umidade relativa do ar de 67% e evaporação média mensal de 7,5mm.

Os solos do Pólo são planos com pequenos declives, com no mínimo 90 cm de profundidade. No projeto Pontal, os solos podem ser Podzólicos ou Latossolos. No projeto Salitre, os solos têm perfis pouco desenvolvidos com o predomínio de Cambissolos e Vertisolos.

Alguns solos da região de Petrolina e Juazeiro terão que contar com a implantação de sistema de drenagem subterrânea, a fim de se evitar que haja encharcamento do solo em períodos de muita chuva, reduzindo os riscos com salinização de solos irrigados em regiões semi-úmidas e semi-áridas.

A fruticultura no vale do São Francisco tem experimentado, nos últimos anos, um vertiginoso crescimento. A área plantada atinge cerca de 100 mil hectares, incluindo as áreas privadas e os perímetros da CODEVASF, tendo essa atividade apresentado, nos últimos três anos, um crescimento médio de 9 mil hectares ao ano.

Tabela 2: Perfil da produção frutícola no Pólo de Petrolina e Juazeiro. CULTURA PERMANENTE

PERMANENTE PRODUÇÃO (toneladas) ÁREA (hectares)

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