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PROENF | SAÚDE DO ADULTO | Porto Alegre | Ciclo 2 | Módulo 2 | 2007

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As ciências da saúde estão em permanente atualização. À medida que as novas pesquisas e a experiência ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de um erro humano ou de mudanças nas ciências da saúde, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que lanejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contra-indicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso.

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Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Docente do Curso de Mestrado Acadêmico Cuidados Clínicos em Saúde (CMACCLIS). Docente do Mestrado Profissional em Saúde da Criança e do Adolescente. Coordenadora do Curso de Especialização em Enfermagem Clínica. Líder do Grupo de Pesquisa Políticas, Saberes e Práticas em Saúde Coletiva

As doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT), sobretudo as cardiovasculares, têm se destacado como um dos maiores problemas da saúde pública mundial, exigindo múltiplas habilidades dos enfermeiros e dos demais profissionais de saúde no estabelecimento de ações para a promoção da saúde direcionadas ao seu controle.

Entre as doenças cardiovasculares, a hipertensão arterial merece destaque por se tratar de uma síndrome de caráter crônico caracterizada pela presença de níveis elevados de pressão arterial (PA), associados a alterações metabólicas, hormonais e a fenômenos tróficos.

A hipertensão arterial apresenta custos médicos e socioeconômicos elevados, decorrentes principalmente das suas complicações, tais como doença cerebrovascular, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, insuficiência renal crônica e doença vascular de extremidades.

Pela elevada prevalência e pelas graves repercussões que a hipertensão pode causar, é de suma importância que os profissionais de saúde se preocupem em detectá-la na população e em revelar essa condição aos interessados,para que as medidas de redução da morbidade e da mortalidade decorrentes da doença não-controlada assumam impacto epidemiológico, além de contribuir na promoção de um estilo de vida saudável nos que ainda não têm a doença.

TERIALCuidar de pessoas com hipertensão arterial pode parecer fácil, mas é tarefa árdua, pois o caráter silencioso dessa doença leva seu portador a acreditar que não possui alteração de saúde por, muitas vezes, não manifestar sinais e sintomas. Além disso, não raro, os profissionais de saúde se empenham com mais afinco no atendimento a outras doenças com sinais mais visíveis do que os da hipertensão, como o diabete. A ação programática conjunta a essas duas doenças em nosso sistema de saúde atual reforça tal tendência. Com isso, temos boa parte dos elevados índices de mortalidade por complicações da hipertensão arterial decorrentes do tratamento inadequado da doença ou mesmo de sua ausência.

É necessário, portanto, repensar conceitos e condutas. Como profissionais da saúde, fomos formados sob um forte paradigma nosológico e tecnicista, sendo difícil quebrar as amarras que nos detêm e caminhar em direção a uma prática pautada na promoção da saúde e no agir comunicativo.

Por sua vez, a população, há anos excluída do sistema de saúde, tem dificuldades em exercer a co-participação na condução do seu processo saúde-doença. Tais restrições têm levado a uma prática em saúde distanciada do discurso idealizado e regulamentado pela Constituição de 1988, que considera saúde como direito de todos e dever do Estado. Falamos e escrevemos sobre promoção da saúde, mas em nossas condutas ainda mantemos muito das abordagens hierarquizadas, individualizadas e, em muitos casos, ainda adotamos posições corporativistas, que se contrapõem ao necessário trabalho de saúde em equipe com vistas à atenção integral ao ser humano.

Nossos representante políticos também devem ser cobrados a criarem e defenderem leis que favoreçam a operacionalização de políticas públicas, pois muitas decisões tomadas na unidade independem da vontade do profissional e se constituem em decisões, sobretudo administrativas e políticas. A avaliação da rede de serviços de saúde também deve sofrer alterações, combinando melhor variáveis quantitativas e qualitativas, não devendo se reduzir a simples verificação numérica do cumprimento de tarefas.

Esses e outros pontos advindos do cotidiano dos serviços de saúde devem subsidiar o desenvolvimento de uma prática reflexiva, que favoreça o estabelecimento de relações efetivas entre profissional-cliente-família, com repercussão na saúde e na qualidade de vida.

Ao final deste capítulo, espera-se que o leitor possa:

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Cuidando de pessoas com hipertensão arterial

Epidemiologia Classificação Fatores de risco

O tratamento da hipertensão arterial

Tratamento não-medicamentoso

Redução do peso corporal Redução da ingestão de sal/sódio

Redução do consumo de bebidas alcoólicas Aumento da ingestão de potássio

Exercício físico regular Abandono do tabagismo

Suplementação de cálcio e magnésio Controle das dislipidemias e do diabete melito

Tratamento medicamentoso

Classificação dos anti-hipertensivos Esquema terapêutico Adesão ao tratamento da hipertensão arterial

Enfermagem e hipertensão arterial

Procedimentos para verificação da pressão arterial

Preparação do cliente Técnica de verificação Material necessário Diagnóstico de enfermagem

Caso clínico Conclusão

Sistematização da assistência de enfermagem

No atual quadro epidemiológico, as doenças cardiovasculares têm se sobressaído por elevados índices e complexidade de controle. O número de mortes por doenças cardiovasculares cresce continuamente e é maior que o de todas as outras causas de morte juntas, tanto para homens como para mulheres.

No Brasil, o estabelecimento desse quadro epidemiológico sofreu influência de vários fatores, entre os quais: o maior número de idosos; o processo de industrialização das últimas décadas, que favoreceu o êxodo rural e a alta taxa de urbanização, levando à aquisição de hábitos nocivos à saúde; o abandono de hábitos favoráveis à saúde; variáveis como a idade, o sexo, o grau de instrução e a inserção dos indivíduos no sistema de produção. Mas a doença cardiovascular pode ser controlada e, sobretudo, evitada.

A hipertensão arterial tem sido constante alvo de estudos em virtude da sua elevada prevalência, estimada em 20% dos adultos no mundo, e em decorrência da dificuldade já demonstrada e comentada de adesão ao seu tratamento.

No Brasil, em 2003, 27,4% dos óbitos foram decorrentes de doenças cardiovasculares, atingindo 37% quando excluídos os óbitos por causas mal definidas e pela violência. Observa-se tendência lenta e constante de redução das taxas de mortalidade cardiovascular. No entanto, apesar do declínio, a mortalidade no Brasil ainda é elevada em comparação a outros países. Entre os fatores de risco para mortalidade, a hipertensão arterial explica 40% das mortes por acidente vascular cerebral e 25% por doença coronariana. A mortalidade por doença cardiovascular aumenta progressivamente com a elevação da pressão arterial, a partir de 115/75mmHg. Além disso, a hipertensão arterial e as doenças relacionadas à pressão arterial são responsáveis por alta freqüência de internações. Em 2005, ocorreram 1.180.184 internações por doenças cardiovasculares, com custo global de R$ 1.323.775.008,283.

A elevação da pressão arterial representa um fator de risco independente, linear e contínuo para doença cardiovascular.

Comunitariamente, a hipertensão é referida como pressão alta. O termo pressão representa a força exercida sobre uma superfície, por unidade de área. Dessa maneira, a pressão arterial (PA) seria a pressão existente no interior das artérias ou em suas paredes, e a hipertensão arterial a elevação crônica da pressão arterial sistólica e/ou diastólica.

Devido à dificuldade para estabelecer uma divisória entre normotensão e hipertensão, tornou-se necessária a operacionalização de critérios para definir tais limites. As V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial trazem a classificação diagnóstica da doença em maiores de 18 anos de idade, conforme mostra o Quadro 1.

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Quadro 1

CLASSIFICAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL EM INDIVÍDUOS MAIORES DE 18 ANOS

Segundo as cifras tensionais, a pressão é considerada ótima quando a sistólica <120 mmHg e a diastólica <80mmHg; é normal quando a pressão arterial sistólica (PAS)<130 mmHg e a pressão arterial diastólica (PAD)<85mmHg; é borderline ou limítrofe quando PAS se encontra entre 130 a 139mmHg e PAD entre 85 a 89mmHg. Acima desses valores, temos hipertensão arterial.

A hipertensão arterial é considerada leve ou em estágio I quando PAS está entre 140 a 159mmHg e PAD entre 90 a 99mmHg; moderada quando PAS se situa entre 160 a 179mmHg e PAD entre 100 a 109mmHg; é denominada grave ou em estágio I quando PAS é igual ou maior do que 180mmHg e PAD é igual ou maior do que 110mmHg.

Na hipertensão sistólica isolada, a pressão sistólica é igual ou superior a 140mmHg, mas a diastólica é inferior a 90mmHg, ou seja, a pressão diastólica encontra-se dentro da faixa de normalidade. A hipertensão sistólica isolada torna-se cada vez mais comum entre idosos (presente em 65% dos idosos hipertensos). Quando as pressões sistólica e diastólica situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificação da pressão arterial.

A classificação de portador de hipertensão é dada a todo indivíduo adulto, acima de 18 anos, com valores de PAS igual ou maior do que 140mmHg ou com PAD igual ou superior a 90mmHg. A elevação pressórica deve ser confirmada em pelo menos duas determinações consecutivas, em eventos distintos, preferencialmente na posição sentada.

Deve-se também verificar a classificação etiológica da hipertensão arterial. Pode ser considerada primária ou essencial, quando não possui uma causa identificável, e secundária, quando há uma causa sem a qual a doença não se desenvolve. Em 90 a 95% dos casos, tem etiologia desconhecida, recebendo a classificação de primária ou essencial. Nos 5 a 10% de casos restantes, a doença é dita secundária. Suas causas são, principalmente, endócrinas, renais, neurológicas, bem como relacionadas a substâncias exógenas ou cirurgia.

Tratando-se de hipertensão secundária, a correção ou retirada do agente causal restabelece os níveis tensionais normais.

Além dos níveis tensionais, os fatores de risco, lesões de órgãos-alvo, co-morbidades associadas e o risco cardiovascular devem ser avaliados.

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