Princípios de cartografia topográfica

Princípios de cartografia topográfica

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A Cartografia Topografia é provavelmente o mais conhecido e o mais usado tipo de Cartografia do mundo. A razão disso é o desejo que o homem tem de conhecer a " terra aonde pisa" seja esta de natureza local, estadual, regional, nacional ou mundial. Ele quer saber sobre as planícies e montanhas, os rios e estradas, as cidades e os campos, tudo isso através dos nomes adequados e correctos, padrões que permitam a continuidade de uma folha topográfica a outra, além de exigir que o trabalho seja tão bonito quanto uma obra de arte e exiba uma precisão científica extraordinária.

A popularidade das cartas topográficas vem da sua utilidade no planejamento de quase qualquer actividade sobre a face da terra. Localidade correta das feições é importante para a colonização, a construção de vias e obras, as operações militares, o controle de áreas para a cobrança de impostos, e muitas outras actividades. E ademais, toda a produção cartográfica é feita com o objectivo de comunicar.

Mesmo que seja um livro em separado, este volume é diretamente relacionado ao primeiro, o qual é aconselhável para que o leitor se familiarize com os Princípios de Cartografia Básica ou, pelo menos, anote mentalmente os tópicos já apresentados nos primeiros sete capítulos:

Capítulo 1: A Natureza da Cartografia; ciência ou arte; os grandes componentes

Capítulo 2: A História da Cartografia; os órgãos mapeados brasileiros; o processo moderno de produção de cartas

Capítulo 3: A Comunicação Cartográfica; a teoria de informação

Capítulo 4: A Projeção UTM; coordenadas geográficas; coordenadas UTM

Capítulo 5: Escala; medição planimétrica

Capítulo 6: Simbolização; características das cartas topográficas

Capítulo 7: Conclusão do Volume Um (1)

Para enfatizar a continuidade existente entre os volumes um (1) e dois (2), os capítulos seguintes são enumerados a partir do número oito. Eles desenvolvem vários assuntos essenciais para o entendimento de cartas topográficas, principalmente aquele que o usuário não seja um não engenheiro cartógrafo. Alguns tópicos são clássicos da geografia, uma das ciências que mais aproveitam a cartografia topográfica.

Capítulo 8: Curvas de Nível

Capítulo 9: Perfil Topográfico e Outras Representações do Relevo

Capítulo 10: Direção e Orientação

Capítulo 1: Topografia, Geodesia e O Uso de Fotografias Aéreas na Cartografia Topográfica;

Capítulo 12: O Ensino da Cartografia

Capítulo 13: Leitura e Interpretação de Cartas Topográficas

Capítulo 14: Conclusão do Volume Dois (2)

Logicamente, alguns desses tópicos são importantes para os volumes Três e Quatro, sobre os Princípios de Cartografia Temática. (I) e os Princípios de Cartografia Espacial (IV). E tudo isso serve para destacar as interligações entre todas as divisões e tópicos do grande conjunto que é a cartografia.

Capítulo 8

8.1 INTRODUÇÃO: ALTITUDE, RELEVO E PONTOS COTADOS

Dois dos aspectos mais importantes dentre as características físicas de uma área são a altitude e o relevo. A Altitude é o resultado da diferença vertical entre um ponto de referencia (normalmente o nível de mar) e um outro ponto objectivo. Isto fornece a cota de ponto, ou seja, sua altitude acima do nível do mar. Altitude e cota são independentes da geomorfologia; portanto, uma cota de 800 metros tanto pode ocorrer numa zona plana ou inclinada, num vale ou num cume. O que importa e a distancia vertical até o nível do mar. O mapeamento de altitudes e uma das principais preocupações dos cartógrafos.

Relevo é o resultado da diferença vertical relativa (altura) entre vários pontos contidos numa área especifica, e não se refere a altitudes e cotas. Portanto, zonas com relevo plano ou acidentado podem acontecer tanto nas grandes altitudes quanto abaixo do nível do mar. É o relevo, e não tanto as cotas exactas, que é o principal interesse dos geógrafos e de muitos outros usuários das cartas topográficas.

Relevo e altitude são distintos, porém bem interligados e recebem nas cartas topográficas a mesma representação, a qual e feita por meio de curvas de nível. As varias outras maneiras de representa-los estão discutidos no Capítulo 1.

Na pratica, a medição de altitudes de pontos é um pouco complexa, devido à curvatura da superfície do planeta; este assunto será tratado no Capítulo 1. Porem, para o presente capítulo somente é necessário o conceito de altitude como a simples distância vertical entre um ponto e o nível do mar.

Os pontos específicos, que possuem suas cotas medidas, são marcados nas cartas topográficas com o valor escrito horizontalmente ao lado de um pequeno "X" ou triângulo, (Ver a Figura 6.5a que mostra um ponto trigonométrico no rodapé de uma carta topográfica). A variedade de símbolos indica os diversos métodos de medição de cotas, cada qual oferecendo certas vantagens e certo grau de precisão, os quais serão estudados no capítulo 1. Por enquanto, neste capítulo, as cotas são tratadas como valores bem exactos.

Nas cartas topográficas, as cotas especificas são encontradas principalmente nos cumes das elevações, em cruzamentos de estradas, ou em planícies onde existam poucas curvas de nível. Elas podem expressar qualquer altitude em metros (ou pés) inteiros.

8.2 CARACTERÍSTICAS DAS CURVAS DE NÍVEL 8.2.1 Introdução

Um dos aspectos mais importantes das características físicas de uma área é o relevo. São várias as maneiras de representá-lo e algumas estão discutidas ao final deste capítulo

A tradição histórica favorece o uso de curvas de nível para a representação da altitude e do relevo. É importante notar que estas curvas são apenas um exemplo do conceito técnico cartográfico de "isolinhas", que são contínuas formadas de pontos de mesmo valor; no caso do relevo, os valores são cotas acima do nível do mar medidas em metros (ou pés). As curvas de nível não são marcadas no terreno, porém podem ser identificadas e representadas cartograficamente. Com ligeiras modificações de vocabulário, as regras a serem apresentadas neste capítulo para curvas de nível podem ser adaptadas para isóbaras (pressão barométrica), isoietas (precipitação) isodapanos (linhas que mostram o total constante de custos industriais) e muitos outros tipos de isolinhas.

Define-se como curva de nível uma linha traçada no mapa que representa outra linha imaginária na superfície da terra situada a uma elevação constante acima ou mais abaixo de um plano de referência determinado. Se uma pessoa quisesse andar sobre uma curva de nível não poderia ir nem para cima nem para baixo; ela sempre andaria num mesmo nível, até fazer uma volta completa mesmo se tivesse que dar uma volta completa em um continente.

O plano de referência ou o ponto zero a partir do qual mede-se as elevações e, portanto, as curvas de nível, é geralmente o nível médio do mar, que é o ponto equidistante entre as marés oceânicas mais altas e as mais baixas. Nessa marca média a costa oceânica pode ser considerada como a curva de nível de valor zero, a partir da qual se medem todas as demais.

Estas curvas devem obedecer certas normas a serem estudadas neste capítulo. Em sua forma mais sucinta, são resumidas "Dez Mandamentos das Curvas de Nível":

1. Todos os pontos de uma curva de nível têm a mesma elevação acima do nível do mar.

2. Os dois extremos de uma curva de nível eventualmente se encontram sem que a linha dessa curva de nível durante todo o seu percurso se junte ou atravesse uma outra curva de nível.

3. Curvas de nunca se bifurcam, ou cruzam entre si (excepto em situações muito especiais de penhascos, saltos, falhas geológicas profundas, etc., que merecem símbolos especiais).

4. Curvas de nível sempre atravessam horizontalmente declives.

5. O terreno de um lado da curva de nível sempre é mais alto que o terreno do outro lado da mesma curva de nível, em outras palavras, a parte alta do terreno fica sempre de um lado só da curva de nível. Portanto o lado de dentro de uma curva de nível "fechada" é o lado mais alto do terreno, (menos em depressões que tem um símbolo especial).

6. O lado alto de uma curva de nível é o lado baixo da próxima curva, isto é, o terreno entre curvas é mais alto que uma curva e mais baixo que a outra.

7. Hachuras em curvas de nível apontam o lado baixo da curva. (se usa geralmente para depressões e penhascos)

8. Quando uma curva de nível é atravessada por uma estrada, uma caminho, etc., esta estrada tem um declive para cima ou para baixo.

9. Curvas de nível têm reentrâncias em forma de v onde são atravessadas por drenagens. (Os "V" são a expressão horizontal dos pequenos vales de drenagem).

10. Curvas de nível muito próximas uma das outras representam declives mais acentuados do que curvas afastados entre si, quando tiradas na mesma escala e com as mesmas equidistâncias verticais entre as linhas.

Figura 8.1 – Exemplo de equidistancia entre curvas de nivel. 8.2.2 Equidistância das curvas de nível

As curvas de nível devem espaçar-se por igual mediante medidas verticais. A este espaço, ou seja, à distância vertical entre as curvas de nível, denomina-se "equidistância" das curvas de nível. Mede-se a equidistância das curvas de nível (10 metros na Figura 8.1) verticalmente e nunca na direção horizontal. Os cumes das colinas raramente coincidem com as equidistância das curvas de nível. Eles frequentemente são indicados mediante elevações auxiliares conhecidas. Observe que as elevações das três colinas da Figura 8.2 estão indicadas por essas elevações auxiliares conhecidas. No mapa elas são marcadas com um pequeno "X" indicando a altura do ponto.

A equidistância das curvas de nível varia desde alguns metros em mapas de grande escala e de regiões relativamente planas, até varias centenas ou milhares de metros em mapas de pequena escala e de regiões montanhosas (compare as equidistância nas Figuras 4.5; 4.8; e 7.2).

Figura 8.2 - Os espaços horizontais entre as curvas de nível de um mapa indicam o tipo e o grau de declinação

Figura 8.2a - Formações Escarpadas e Formações Suaves

VISÃO OBLIQUA (VISTA OBLIQUA) - As curvas de nível com espaços pequenos entre si indicam um declive escarpada (íngreme)

VISTA DE MAPA (acima) - As curvas de nível com espaços largos entre si indicam um declive suave VISTA DE PERFIL (acima, baixo) - As curvas de nível com espaços iguais entre si indicam declinação uniforme

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