Como têm se comportado os elementos constituintes da demanda agregada (consumo das famílias e do governo; investimento privado e do governo; exportações menos importações) no desempenho do PIB brasileiro recente (considere os anos de 2008 e 2009)?

Blogue do Planalto

“No ano da maior crise econômica mundial dos últimos 80 anos, a economia brasileira teve uma pequena queda de 0,2% em seu Produto Interno Bruto (PIB)”

“A comparação do PIB do 4º trimestre de 2009 com o 4º trimestre do ano anterior já mostra a indústria crescendo 4%, os serviços 4,6%, os investimentos 3,6%, o consumo e os investimentos do governo 4,9% e o consumo das famílias 7,7%”

Boletim anual do Banco Central - 2009

“A atuação do governo no âmbito da administração da política de comércio exterior se concentrou na criação de instrumentos voltados a assegurar a liquidez em moeda estrangeira, em cenário de escassez de linhas de crédito externas e, em consequência, de deslocamento de parcela significativa das operações financeiras relativas ao comércio exterior brasileiro para o mercado doméstico”.

Site do Conselho Federal de Economia

“A taxa de investimento privado no Brasil tem girado, nos últimos anos, em torno de 17% do PIB. Em 2008, o país apresentou uma taxa animadora de 18,7%, mas a crise de crédito internacional reposicionou este número para 16,7% em 2009, interrompendo a fase de expansão verificada entre 2006 e 2008”.

Considerações

Levando em conta os anos de 2008 e 2009, os agentes que constituem a demanda agregada sofrem, em parte, com a crise mundial. É claro que o consumo das famílias aumentou, o que coopera com a movimentação da economia, porém, isso deve-se a uma tentativa do governo de diminuir os efeitos da crise, pois, uma das medidas tomadas foi a redução do IPI de eletrodomésticos, eletrônicos, automóveis, etc., além disso, durante o auge da crise o Presidente Lula, fez um pronunciamento, incentivando a população brasileira a comprar, o que motivou muitas famílias que estavam com receio de consumir.

Uma das promessas de governo durante esse período, foi de não parar os investimentos públicos, ou seja, continuar fazendo os investimentos previstos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e em outro programas de investimento propostos pela atual gestão, e por isso, continuou investindo no país, mesmo durante a crise. Isso demonstra que o que segurou o PIB durante esse período foi o consumo das famílias e o consumo e investimento do governo.

Já o investimento privado comporta-se de modo um pouco diferente, pois, as empresas ficam com receio de aumentar seus investimentos, e acabam “puxando o freio” em relação a isso, muitos funcionários foram demitidos, mas isso não resultou, no Brasil, em um aumento do desemprego.

Os elementos componentes da demanda agregada que tiveram seu pior desempenho durante o período foram as exportações e importações. Com a crise em alta, as regiões desenvolvidas como EUA e Europa diminuíram drasticamente as importações de mercadorias como as fabricadas no Brasil, o que afetou a balança comercial brasileira, que terminou o ano de 2008 com queda de 38% do superávit, mostrando que as exportações foram as principais afetadas pela crise.

É visto que o Brasil foi pouco afetado pela crise mundial, porém, não é necessariamente verdade que saiu-se tão bem assim, acredito que mesmo com investimentos e consumos em alta, o Brasil ainda teve algum efeito sim, como por exemplo a balança comercial. Penso que uma das alternativas seria investir em tecnologia fabricada dentro do país, pois enquanto os países mais desenvolvidos exportam muita tecnologia, o Brasil está focado em produtos agrícolas e matérias primas energéticas o que não é ruim, mas, não nos permite concorrer com outros países em matéria de tecnologia.

Por outro lado vejo como ponto positivo o investimento nas matérias primas combustíveis, pois, neste sentido, o Brasil é muito rico, e um grande concorrente perante outras potencias.

Como estão se comportando as condições de emprego no Brasil na atual conjuntura econômica?

Folha Online

“A expectativa é que, sem sobressaltos econômicos, 2 milhões de empregos formais sejam criados no próximo ano --quase o dobro do número deste ano. A maior parte desse emprego será ofertada pelo setor de serviços”.

“Economistas e representantes de associações da indústria e do comércio estimam para o ano que vem (2010) alta de 2,2% a 5,5% do pessoal ocupado, de 1,8% a 8,82% do rendimento médio real e de 4,8% a 11,2% da massa real de salários na comparação com este ano(2009)”.

“Dez milhões de brasileiros que tinham emprego em 2009 estavam em busca de um trabalho melhor. Esse número é recorde em termos absolutos e equivalia a 10,8% do total da população ocupada no ano passado, o maior percentual também já registrado”.

“O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, prevê que o país criará mais de 3 milhões de empregos formais no próximo ano e atingirá a marca de 10 milhões de novas vagas ao longo do próximo governo, superando o desempenho recorde dos últimos anos”.

Considerações

Aparentemente o Brasil vive uma era inédita tratando-se de empregos. As vagas cresceram imensamente e a previsão é para que cresçam mais. Acontece que não adianta criar milhões de vagas de empregos, se não existem pessoas qualificadas para ocupá-las. A educação no Brasil é de muito baixa qualidade, o acesso à cultura não é possível para todas as pessoas, a distribuição de renda no país é completamente desordenada o que gera uma imensa desigualdade social.

Tudo isso, influencia na falta de pessoal qualificado para vagas de gestão nas empresas, pois essas, necessitam de pessoas no mínimo graduadas. Porém, se o problema todo fosse somente esse, ainda não estaríamos tão mal assim, porque agora, estão faltando pessoas para vagas operacionais/administrativas também, e a construção civil é um dos setores mais afetados por isso.

Uma possível solução para isso seria não só investir em qualificação de pessoas, mas incentivar aquelas que não estão trabalhando a procurarem e aceitarem essas vagas de emprego, pois, os brasileiros estão preferindo trabalhar em escritórios e ambientes fechados, então setores como a construção civil ficam com poucos profissionais, e os que existem não são pontuais e nem assíduos, por que sabem que não existe muita concorrência.

Em que consiste o chamado regime de metas de inflação e o que há no Brasil neste particular?

Qual é o indicador que mede para efeitos oficiais a inflação no Brasil? Como o indicador tem se comportado em períodos recentes (considere os anos de 2005 e 2009 ao último dado mensal disponível).

FIESP

”A partir de junho de 1999 o Banco Central do Brasil (BC) adotou o regime de metas para inflação. Nesse regime, cabe ao BC conduzir a política monetária de forma a cumprir a meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para os dois anos

Subseqüentes”.

“A proposta do regime de metas é tornar pública a taxa de inflação a ser alcançada pelo banco central, bem como os instrumentos a serem efetivamente empregados visando este objetivo e as análises que amparam o processo de tomada de decisão”.

Banco Central

“No Brasil, a meta para a inflação foi definida em termos da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE”

“Dentro do conjunto de índices de preços ao consumidor, o IPCA foi escolhido por ser, dentre os dois índices com cobertura nacional (o outro é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC), o que tem maior abrangência: enquanto o INPC mede a inflação para domicílios com renda entre 1 e 6 salários-mínimos (na época da escolha, entre 1 e 8 salários-mínimos), o IPCA inclui domicílios com renda entre 1 e 40 salários-mínimos”.

Considerações

O Regime de Metas para a Inflação foi criado para controlar a inflação no Brasil, através dele, criam-se metas a serem atingidas para controlar a elevação dos preços de mercado. Esse método já foi adotado por vários países emergentes, e no Brasil, vigora desde 1999. Como publicado no artigo da FIESP, o regime de metas para a inflação tem como principal objetivo publicar as taxas de inflação, e com isso, girar um “ciclo”, pois dependendo da meta estabelecida pelo banco central, as empresas permitem-se investir mais, os preços diminuem, e o consumo das famílias aumenta, e mesmo que nenhum banco central tenha total controle sobre os preços, isso tudo faz com que a “roda da economia” gire de melhor forma.

Os indicadores que medem a inflação no Brasil são os índices de preços, sendo o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) o principal deles, pois esse, abrange famílias com rendas de 1 á 40 salários mínimos, e é medido segundo o calendário anual. Dentro desses índices são avaliados vários grupos de produtos como: Transportes que em 2005 apresentou um uma variação de 8,07%, a maior daquele ano, já o grupo de Alimentação e Bebidas apresentou menor variação sendo ela a de 1,99% no mesmo ano. Já em 2009 as alimentos demonstram uma alta nos preços.

O regime de metas tem mostrado de maneira geral, bons resultados, pois, mesmo com a alta de preços esporadicamente a inflação consegue ser prevista com certa tolerância, e a economia do país consegue ser melhor controlada.

Bibliografia

Blog do Planalto

http://blog.planalto.gov.br/consumo-das-familias-governo-e-servicos-seguram-pib-de-2009/

Boletim Anual do Banco Central

http://www.bcb.gov.br/pec/boletim/banual2009/rel2009introdp.pdf

Artigo da FACESM (Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas do Sul de Minas Gerais)

http://www.facesm.br/index.asp?p=artigo&codigo=932

Folha Online

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u671407.shtml

IBGE

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=524&id_pagina=1

FIESP

http://www.fiesp.com.br/download/pesquisa/regime_metas_infla%C3%A7ao.pdf

Universidade do Vale do Rio dos Sinos

Franciele Cardoso de Oliveira

Conjuntura Econômica Brasileira e Internacional

Exercícios Grau A

Victor Hugo Santana

Outubro/2010

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