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OURO PRETO 2009

2 DIEGO LUIZ CARVALHO DE BRITO PEREIRA

Monografia apresentada ao Curso de Turismo da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito à obtenção do título de Bacharel em Turismo.

Orientador: Prof. Ms. Rodrigo Burkowski.

OURO PRETO 2009

Monografia apresentada ao Curso de Turismo da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito à obtenção do título de Bacharel em Turismo.

Orientador: Prof. Ms. Rodrigo Burkowski.

Prof. Msc. Rodrigo Burkowski Universidade Federal de Ouro Preto

Prof. Msc. Leandro B. Brusadim Universidade Federal de Ouro Preto

Prof. Msc. Bruno Pereira Bedim Universidade Federal de Ouro Preto

Ouro Preto, _ de ___ de 2009.

Dedico esta obra a todos que me incentivaram e contribuíram para sua realização, lembrando de meus avôs Antônio de Brito e Luiz Gonçalves.

Agradeço a Deus por me guiar pelas trilhas do sucesso, sempre me dando garra e força de vontade para conquistar meus sonhos.

Agradeço ao Mestre Rodrigo pelas dúvidas sanadas e conhecimentos repassados com o propósito de amadurecimento e aperfeiçoamento deste trabalho.

Aos companheiros de trekking da Equipe Rosa dos Ventos, ao Gerente do Centro Dom Bosco, Júlio César Lopes, e ao Wellinton Coelho, proprietário do Circuito Iron Adventure de Trekking, deixo meu agradecimento pela atenção e cordialidade frente às minhas pesquisas.

Àqueles que durante todos estes anos compartilharam de uma amizade eterna: amigos da turma Turismo UFOP 05/2 e ao Guilherme, pelos importantes ensinamentos, deixo meus agradecimentos.

Por fim, agradeço às pessoas sempre presentes em minha vida: pai, mãe, irmãos e a Carla, uma verdadeira e incondicional incentivadora neste trabalho.

“Com o poder da sua mente, determinação, instinto e experiência, você pode voar muito alto.”

Ayrton Senna

O turismo e o trekking são atividades crescentes no Brasil. Neste estudo são discutidos os impactos da atividade de trekking, tendo como campo de análise uma prova realizada no distrito de Cachoeira do Campo,Ouro Preto, Minas Gerais. Para a produção deste trabalho, foram realizadas visitas in loco para mapear a trilha usada na competição (antes e depois), entrevista com o gerente do Centro Dom Bosco e entrevista com o organizador do evento. Além disso, foi feita uma pesquisa bibliográfica para fundamentar as análises. Com isso, evidenciou-se a influência do trekking, principalmente nos aspectos ambientais, econômicos, sociais e culturais. Dentre os resultados obtidos, destaca-se o baixo impacto negativo no meio ambiente e o potencial para geração de renda durante e depois da realização das provas.

Palavras-chaves: Turismo, trekking, impactos, Ouro Preto.

Tourism and trekking are expanding activities in Brazil. This research discusses the impacts of the trekking activity and its analysis‟ area is the competition happened at the district of Cachoeira do Campo, in Ouro Preto, Minas Gerais. At this survey, some visits “in loco” were made to map the track of the competition (before and after), also an interview with the manager of Centro Dom Bosco and an interview with the organizer of the competition. Moreover, a bibliographic research was done to support these analyses. Then, the trekking influence was evidenced, mainly in the environmental, economics, social and cultural aspects. Among the outcomes, the low negative impact to the environment and the potential to generate an income - during and after the tryouts - are highlighted points.

Key-words: Tourism, trekking, impacts, Ouro Preto.

9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01. Modelo de uma planilha de trekking36
Figura 02. Bússola comum37
Figura 03. Palm Top convencional39
Figura 04. Odômetro para trekking40
Figura 05. Mapa da localização do Centro Dom Bosco47
Figura 06. Vista frontal do edifício48
Figura 07. Trilha no interior da mata49
Figura 08. Mapeamento da trilha da competição50
Figura 09. Imagem de satélite da competição51
Figura 10. Foto do ponto 6 da trilha5
Figura 1. Foto do ponto 6 da trilha pós competição5
Figura 12. Foto do ponto 13 da trilha56
Figura 13. Foto do ponto 13 da trilha pós competição56
Figura 14. Foto do ponto 7 da trilha57
Figura 15. Foto do ponto 7 da trilha pós competição57
Figura 16. Foto do ponto 12 da trilha59
Figura 17. Foto do ponto 12 da trilha após competição59
Figura 18. Confraternização 165
Figura 19. Confraternização 265
Figura 20. Confraternização 365
Figura 21. Confraternização 46
Figura 2. Confraternização 56

10 LISTA DE TABELAS

Tabela 01. Modelo teórico dos impactos do trekking52
Tabela 02. Recorte do bloco das relações ambientais54
Tabela 03. Recorte do bloco das relações econômicas60
Tabela 04. Recorte do bloco das relações sociais63

Tabela 05. Recorte do bloco das relações culturais..................................67

ABETA - Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de

LISTA DE SIGLAS Aventura

AFAN - Atividades Físicas de Aventura na Natureza

CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente

EMBRATUR - Instituto Brasileiro de Turismo

FGV - Fundação Getúlio Vargas

GPS - Global Positioning System HP - Hewlett-Packard

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

ISO – International Organization for Standardization

SENAC-MG - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de Minas Gerais OMT - Organização Mundial do Turismo

INTRODUÇÃO13
1. O TURISMO E SUAS RELAÇÕES COM A AVENTURA18
1.1. A essência do turismo18
1.2. Interfaces entre esportes e aventura24
1.3. O Turismo de Aventura25
1.3.2. Segurança e impactos30
2. ESTUDO DA ATIVIDADE ESPORTIVA DO TREKKING3
2.1. Trekking: tipologia e caracterização3
2.2. Trekking: equipamentos e sua utilização37
2.3. Impactos do Trekking40
2.3.2. Impactos sociais43
2.3.3. Impactos econômicos4
2.3.4. Impactos culturais46
3. CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE DE ESTUDO DE CASO47
3.1. Modelo teórico dos impactos do Trekking52
3.2 Impactos ambientais do trekking no Centro Dom Bosco54
3.3 Impactos econômicos do trekking no Centro Dom Bosco60
3.4 Impactos sociais do trekking no Centro Dom Bosco63
3.5 Impactos culturais do trekking no Centro Dom Bosco67
CONSIDERAÇÕES FINAIS69
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS71
esportiva do trekking vêm ganhando força frente a esta procura

No mundo contemporâneo é cada vez mais evidente a presença de práticas esportivas junto ao meio natural. O homem parece estar retornando, ou ao menos, buscando aproximar suas relações com a natureza. Para alcançar este fim, ferramentas como o turismo e a atividade

com outras pessoas, potencializando os benefícios da atividade

No turismo, um segmento que vem se desenvolvendo e recebendo destaque é o turismo de aventura. Este é um segmento recente que proporciona o tão almejado contato com a natureza e

Neste trabalho, parte-se do princípio de que o trekking é um elemento de aperfeiçoamento físico, mental e social.

A vontade de pesquisar este tema surgiu de um desejo pessoal em retratar tal assunto, devido ao pesquisador ser praticante da atividade de trekking há cerca de quatro anos, estar engajado nas causas deste esporte, ter o interesse de tornar a atividade complemento em sua vida profissional e já ter participado de 18 competições em diferentes cidades em Minas Gerais.

Mesmo após uma pesquisa sobre o tema específico do trabalho ter sido realizada, sentiuse a necessidade de aprofundar tais conhecimentos, a respeito das atividades mencionadas, haja vista a carência de pesquisas nacionais especificamente voltadas a este trabalho.

Desta maneira, tal carência foi encarada como um fator de incentivo e de busca da produção de conhecimentos mais coesos e que possam contribuir academicamente e profissionalmente com os que manifestarem interesse em compartilhar esta idéia.

Sendo assim, este trabalho tem como objetivo maior investigar as relações entre impactos (sociais, econômicos, ambientais e culturais) e o trekking. Além deste, há outros ojetivos, tais como: mensurar financeiramente o lucro do trekking para um empreendimento turístico; analisar as interações entre os atletas e a comunidade receptora da competição; verificar a compactação do solo ocasionada pelo trekking; validar o trekking como uma ferramenta de incremento turístico; verificar a satisfação da realização da competição tanto para os que a recebem (Hotel Centro Dom Bosco), quanto para os organizadores (Circuito Iron Adventure de Trekking). Além desta gama de objetivos a serem „trilhados‟, outros serão apontados durante o trabalho. A hipótese inicial era a de que o trekking causa mínimo impacto ao meio ambiente e a de que tal atividade fomenta o turismo nas regiões em que ocorrem competições deste esporte. Para se alcançar os objetivos propostos, foram utilizadas certas técnicas durante a produção deste trabalho. A pesquisa em sites, artigos, livros, monografias e dissertações que diretamente, ou indiretamente, pudessem auxiliar a produção deste trabalho, foi o primeiro passo dado. Assim, o procedimento da pesquisa bibliográfica foi utilizado. Para Dencker (1998, p. 125) a pesquisa bibliográfica é:

desenvolvida a partir de material já elaborado: livros e artigos científicos. Embora existam pesquisas apenas bibliográficas, toda pesquisa requer uma fase preliminar de levantamento e revisão da literatura existente para elaboração conceitual e definição de marcos teóricos.

Após o arcabouço teórico ter sido absorvido, foi definido qual seria o enfoque da pesquisa a ser trabalhada. Como estudo de caso escolheu-se o Hotel Centro Dom Bosco, que receberia em um domingo, mais precisamente no dia 29 de março de 2009, uma competição de trekking. Parte- se, então, para um estudo de caso, que é definido de acordo com Dencker (1998, p.127) como:

É o estudo profundo e exaustivo de determinados objetos ou situações. Permite o conhecimento em profundidade dos processos e relações sociais. (...) O estudo de caso pode envolver exame de registros, observação de ocorrência de fatos, entrevistas estruturadas e não-estruturadas ou qualquer outra técnica de pesquisa. O objeto do estudo de caso, por sua vez, pode ser um indivíduo, um grupo, uma organização, um conjunto de organizações ou até mesmo uma situação.

Previamente à esta competição, foi enviada ao gerente do Hotel Centro Dom Bosco uma carta (Apêndice A – pág. 76) solicitando a presença do pesquisador na localidade para realizar tal pesquisa. Em um mesmo momento, enviou-se outra solicitação direcionada ao proprietário e diretor de provas do Circuito Iron Adventure de Trekking (Apêndice B – pág. 7), requerendo que o pesquisador pudesse mapear a trilha da competição quinze dias antes da etapa e no dia da prova, analisando a situação das trilhas antes e após a prova. Juntamente à estas solicitações, existiam algumas questões produzidas pelo pesquisador para que os destinatários respondessem - não foi imposta a obrigação de resposta a nenhuma questão -, para que tais respostas servissem como dado real para complementação ao trabalho. Ambos atenderam prontamente, autorizando a pesquisa. Em relação às perguntas inseridas nas cartas, o pesquisador obteve respostas, mesmo que parciais, apenas do gerente do Centro Dom Bosco. O Circuito Iron Adventure de Trekking deixou de responder o que foi solicitado.

Como ferramentas durante o mapeamento da trilha, ocorrido no dia 15 de março de 2009, o pesquisador utilizou alguns equipamentos, tais como: GPS - Global Positioning System - para a marcação de pontos na trilha onde ocorresse algum tipo de impacto ambiental; máquina fotográfica para registros dos pontos marcados pelo GPS, além de uma prancheta para anotações convenientes ao momento. Durante a competição, no dia 29 de março de 2009, novamente fez-se o uso do GPS para percorrer o caminho, assim como da máquina fotográfica, que registrou as alterações ocorridas no meio ambiente instantes após a última equipe passar pelos pontos previamente demarcados. Foi necessária também, a utilização de dois softwares (GPS TrackMaker e Google Earth) que pudessem converter as informações produzidas em imagens visualmente interessantes a este trabalho (Figuras 8 e 9).

Dando sequência, ao mesmo tempo em que este trabalho de conclusão de curso estava sendo produzido, o pesquisador realizou na cidade de Belo Horizonte, especificamente no SENAC-MG, entre os dias 30 de março a 6 de abril de 2009, o curso Levantamentos de Aspectos e Impactos Ambientais. Apesar de o curso ter um caráter mais direcionado à implementação de normas e sistemas de gestões ambientais, em empresas que desejam controlar suas atividades maléficas ao meio ambiente e conseguirem titulações como as normas ISO, o pesquisador percebeu uma possibilidade de utilizar uma tabela criada pelos autores do curso para distinguir aspectos de impactos e, ao mesmo tempo, atribuir notas aos critérios inseridos na tabela.

Sendo assim, uma adaptação (ver página 52) da tabela criada pelo SENAC-MG, foi produzida para este trabalho. Ela está dividida em blocos - relações ambientais, econômicas, sociais e culturais – e cada bloco representa os diferentes possíveis impactos causados pelo trekking. Dentro dos itens de cada bloco, temos sub-itens que passam por um exame, ou seja, por uma avaliação de seus impactos; se são positivos ou negativos. Cada sub-item recebe uma nota nos quesitos severidade „S‟, freqüência „F‟, área „A‟ e variável independente „V‟. As notas variam de 1 a 3 e, ao final, devem ser multiplicadas para que possamos chegar ao valor da importância do impacto „I‟. Com os valores que serão observados mais adiante, o pesquisador determinou o valor de I=4 como média para análise, haja vista que o valor da importância igual a 8 (I=8) foi o máximo encontrado.

Antes de descrevermos os quesitos, deixa-se claro que o item 7 da tabela em questão sempre poderá ser interpretado como fator positivo ou negativo, dependendo das circunstâncias.

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