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Na busca pela sobrevivência no campo, várias atividades foram, ao longo do tempo, evoluindo no sentido de gerar sustentabilidade à vida rural. Conforme passam-se os anos, algumas atividades saem da linha de subsistência para ganhar ares de grandes negócios, como é o caso da cotonicultura, da carcinicultura, da piscicultura e outras atividades que saíram do campo para as páginas de negócios do mundo inteiro. No caso da criação da tilápia em cativeiro não há exceção, destacada como uma atividade rentável para os grandes produtores, a produção mundial de tilápia vêm crescendo e gerando cada vez mais divisas. Em contrapartida essa é uma atividade que está sendo utilizada como meio de sobrevivência para algumas comunidades do interior, como é o caso das famílias que vivem próximas à Barragem do Castanhão, assunto este que foi abordado através da alusão feita ao Projeto Curupati, que se utiliza da criação de tilápia.

Palavras Chaves: Piscultura , Tilápia , Sustentabilidade ABSTRACT the sense of producing sustentabilidade to the rural life. As they spend the years, some activities go out from the line of subsistence to gain air of great business, since it is the case of the cultivation of cotton, of the carcinicultura, of the fish farming and other activities that In the search for the survival in the field, several activities were, along the time, evolving in went out from the field for the business pages of the whole world. In case of the creation of the tilápia in captivity there is no exception, pointed out how a profitable activity for the great producers, the world-wide production of tilápia are growing and produce more and more emblems. In this counterentry it is an activity that is being used like way of survival for some communities of the interior, as it is the case of the families that live near to the Dam of the Castanhão, I pay attention to this one that was boarded through the allusion done to the Project Curupati, which makes use of the creation of tilápia.

A cadeia produtiva da tilápia é considerada uma das mais importantes da aqüicultura brasileira. A tecnologia para produção de alevinos está bem desenvolvida e o produto final é comercializado inteiro, eviscerado, em forma de filés, defumados, entre outros, e os subprodutos do processamento, como vísceras, restos de carcaça e couro, constituem uma renda alternativa à agroindústria (SIPAÚBA, 1995). As tilápias são nativas do continente africano e da Ásia menor. Cerca de 70 espécies estão taxonomicamente classificadas. A primeira espécie que chegou ao Brasil foi a T. rendalli, em 1952. As tilápias são predominantemente de águas quentes. A temperatura da água do cultivo pode variar de 20 a 30°C, embora possam tolerar temperaturas de aproximadamente 12°C. (SIPAÚBA, 1995)

Na grande maioria das tilapiculturas brasileiras, é freqüente constatar o início de reprodução nos viveiros 3 - 4 meses após a estocagem dos alevinos, sendo que esta reprodução prematura em animais de 30 a 40 gramas pode conduzir à ocorrência da indesejada superpopulação dos viveiros, embora a maturidade sexual nas tilápias seja função da idade e do tamanho (MACEDO-VIEGAS, 1997).As tilápias de importância comercial estão divididas em três principais grupos taxonômicos, distinguidos basicamente pelo comportamento reprodutivo. São eles o gênero Tilapia (os peixes incubam seus ovos em substratos), Oreochromis (incubam os ovos na boca da fêmea) e Sarotherodon (incubam os ovos na boca do macho ou de ambos). (SIPAÚBA, 1995)

A despeito de haver várias espécies de peixes nativos que apresentam crescente potencial para a atividade da piscicultura, as espécies exóticas já introduzidas no Brasil como a tilápia, a carpa, a truta e o catfish americano, mostram uma grande vantagem sobre elas no que diz respeito ao conhecimento técnico disponível, tanto no campo da biologia quanto no da piscicultura propriamente dita. Tais conhecimentos são imprescindíveis para viabilizar técnica e comercialmente qualquer programa de piscicultura, seja ele público ou privado. Dentre as espécies exóticas encontradas no Brasil a tilápia merece destaque.

O presente conceito de tilapicultura é bastante ufanista, sobretudo quando abordado pela imprensa especializada. Alguns acadêmicos ao fazerem uma analogia entre a avicultura e a piscicultura, garantem que a tilápia tornar-se-á a “galinha dos viveiros”. As estatísticas comprovam um surto desenvolvimentista da tilapicultura, tanto que as tilápias já são o segundo grupo de peixes mais cultivado no mundo, superado apenas pelas carpas. A produção mundial de tilápias praticamente dobrou entre 1984 e 1994, alcançando 620.0 toneladas. Em 1996, a produção saltou para 800.800 toneladas apresentando o maior crescimento percentual entre os principais grupos de peixes cultivados do mundo.

Os países asiáticos foram responsáveis pela produção de 700.400 toneladas de tilápia, das quais 56,3% foram produzidas pela China. Outros grandes produtores foram Indonésia, Tailândia, Filipinas e Taiwan. A produção brasileira de 1996 foi de 19.200, o que correspondeu a 2,4% da produção mundial. Nos capítulos seguintes, serão apresentados números sobre a criação da tilápia, bem como os impactos sócio-econômicos de sua criação para o Ceará, Brasil e Mundo.1

1.0 ASPECTOS GERAIS DA TILAPICULTURA

1.1 Características da criação de tilápias

As tilápias caracterizam-se por ser um dos peixes com maior potencial para a piscicultura

SIPAÚBA-TAVARES (1995), pois: alimentam-se dos itens básicos da cadeia trófica; aceitam uma grande variedade de alimentos; respondem com a mesma eficiência a ingestão de proteínas de origem vegetal e animal; apresentam resposta positiva à fertilização (adubação) dos viveiros; são bastante resistente às doenças, super-povoamentos e baixos teores de oxigênio dissolvido, e; desovam durante todo o ano nas regiões mais quentes do país.

Além disso, possuem boas características orgânicas e nutricionais, tais como: carne saborosa, baixo teor de gordura (0,9 g/100g de carne) e de calorias (172 kcal/100g de carne), ausência de espinhos em forma de “Y” e rendimento de filé de aproximadamente 35% a 40 %, em exemplares com peso médio de 450 g, o que as potencializa como peixes para industrialização.

Ainda segundo Sipaúba-Tavares (1999), a espécie de peixe que apresenta o melhor perfil para cultivo em todo mundo é a tilápia nilótica, de origem africana. É utilizada tanto em cultivos puros como em cruzamentos com as primeiras, chamadas de “nativas”. Em qualquer dos casos, os resultados no oeste do Paraná não evidenciam a campo rendimentos significativamente diferentes. Trata-se de uma espécie onívora que aceita com facilidade vários tipos de alimento, dócil ao manejo em todas as fases de cultivo, boa rusticidade, prolífica e de fácil domínio da reprodução, precoce, com alta qualidade de carne (filé). Estas são, basicamente, as razões da opção por esta espécie.

1 Site: http://www.mercadodapesca.com.br/cadeias_tilapia – acesso em 30/08/2005

Além dos parâmetros de qualidade físico / química, a água deve ser livre de agentes contaminadores (agrotóxicos, ovos, larvas ou peixes indesejáveis ao cultivo, argila, por exemplo). A origem da água de abastecimento necessita ser externa ao viveiro para permitir o controle do volume e da qualidade. Uma criação segura de tilápias necessita, para cada hectare de viveiro, uma vazão mínima de 15 litros por segundo. SIPAÚBA-TAVARES (1995)

As decisões relativas ao manejo da água e da criação são tomadas tendo em vista um conjunto de fatores. Dessa forma, considerando o viveiro um organismo vivo, ele é um resultado da interação de vários fatores. Se alterarmos esses fatores, ou por qualquer razão houver um desequilíbrio de um deles, todos os demais também serão influenciados. Entender essas correlações é fundamental para o sucesso da criação.

O viveiro é um sistema biológico e por esta razão está diretamente ligado às variações da temperatura da água. É a temperatura que determina a intensidade do metabolismo dos organismos vivos no viveiro. A tilápia desenvolve-se bem na temperatura de água entre 26 a 28ºC. Os outros organismos vivos, principalmente os fitoplânctons e os zooplânctons, que estão presentes nos viveiros são importantes para a tilápia e precisam ser mantidos em condições adequadas ou desejáveis.

Para se buscar o melhor crescimento dos peixes é necessário administrar o conjunto “peixe e água”, dando a cada um as condições para o desenvolvimento equilibrado. Nos períodos do ano em que as temperaturas são mais altas, a água do viveiro pode atingir níveis superiores aos limites confortáveis (28ºC).

No entendimento de Sipaúba-Tavares (1995) as fontes de oxigênio num viveiro de criação de tilápia são: o contato com o ar, o fitoplâncton, a renovação de água e também os equipamento aeradores elétricos. A quantidade de oxigênio disponível na água é que determina a capacidade do viveiro em manter equilibrado (vivo) os peixes e os demais organismos. O oxigênio produzido e acumulado no viveiro durante o dia é consumido durante a noite. A implantação da atividade exige:

• Água de boa qualidade

• Licenciamento ambiental;

• Planejamento e projeto técnico da construção dos viveiros e do manejo da criação;

• Acesso de caminhões na propriedade e nos viveiros em qualquer época do ano;

• Profissionalização do produtor, pois é uma atividade complexa;

• Inserção no mercado comprador – frigoríficos e pesque & pagues. SIPAÚBATAVARES (1995)

1.1.2 - Investimentos Iniciais

Comparada com a avicultura ou a suinocultura, que requerem um investimento inicial de

R$ 50,0 a R$ 10,0/m² (valores de maio/04), a piscicultura em tanques escavados requer um investimento em torno de R$ 2,0/m². KUBITZA (205)

No entendimento de Sipaúba-Tavares (1995), os viveiros devem atender as necessidades de produção de “juvenis” e de “engorda”, com estocagem de volumes compatíveis com os contêineres de transporte, em parâmetros de construção que minimamente contemplem: formato retangular, tamanho de 2.0 a 3.0 m² para engorda, profundidade média de 1,20 m (0,80 a 1,80 m) com caixa para despesca, camada de lodo máximo de 10 cm, abastecimento de água individualizado e escoamento através de comporta.

• Serviço de esteira (D 50)140 horas/ha
• Serviço de retro escavadeira25 horas/ha
• Monges, canos, taxas, etcR$ 2.470,0

Para a produção de juvenis, os viveiros podem ser menores (500 a 1.0 m²) isentos de lodo, profundidade média 1,0 m (0,5 a 1,5 m). Viveiros com essas dimensões não são indicados para estocagem de alevinos durante o inverno devido ao risco de quedas de Temperatura.

1.1.4 - Reprodução

Os criadores especializados - os alevinocultores – são os que mantêm um plantel de reprodutores e fornecem alevinos aos demais criadores: os piscicultores “terminadores”. Para maior rendimento, somente os machos - porque tem maior crescimento – são cultivados. Para obter esta população, as larvas são submetidas ao processo de reversão sexual e após 30 dias estão prontas para iniciar a fase seguinte, ou seja, o cultivo. SALDANHA (1998)

É possível fazer com que indivíduos que geneticamente são fêmeas desenvolvam fenótipo de machos, através da administração de hormônios masculinizantes adicionados a ração. Chamase isso de reversão sexual.

Para obterem-se alevinos revertidos, alimentam-se as larvas com rações contendo de 40 a 60mg de 17 alfa-metiltestosterona/kg de alimento (Panorama da Aqüicultura, 1995) por 3 a 4 semanas em condições de temperatura entre 24 a 29°C, quando todos os alevinos têm, pelo menos, 14 m de comprimento. O percentual de machos após o tratamento freqüentemente fica acima de 95 %, mas ocasionalmente podem ocorrer percentuais de 80 a 90 %. A eficácia da reversão sexual é similar para O. niloticus, O. aureus e O. mossambicus. O início do tratamento com o hormônio, por precaução, deve ser o mais cedo possível, ou seja logo após o consumo do saco vitelíno, isto porque o "timing" onde o peixe decide pelo sexo pode variar de acordo com as condições ambientais, principalmente com a temperatura da água. O mais comum, atualmente, é utilizar - se como referência o tamanho de até 13 m. Aparentemente, parece não haver nenhum dano ao consumidor, já que o peixe é criado muitos meses sem esteróides antes do abate. SALDANHA (1998)

1.1.5 - Produção do Juvenil

O criador pode optar por adquirir os “juvenis” de outro criador especializado ou produzilos em sua propriedade. Em ambos os casos, alguns cuidados são fundamentais: procedência e idoneidade da estação produtora de alevinos; garantia do índice mínimo de reversão sexual de 98%; lotes homogêneos (mesma idade e tamanho) e livre de doenças. Os viveiros de produção de “juvenis” podem ser considerados como uma “quarentena” pois em aproximadamente 40 dias terão tamanho e peso adequado para povoar os viveiros de engorda. Por essa razão, a água que sai do berçário não deve ser utilizada por outros viveiros como forma de evitar a disseminação ou contágio de doenças. Se ocorrer algum problema sanitário o viveiro e a água devem ser tratados.

1.1.6 - Viveiros-berçário

Devem ter localização privilegiada para proteção contra predadores e para acesso do tratador; evitar trocas de água, para não perder nutrientes primários importantes no equilíbrio do ambiente. Na maioria dos casos a manutenção do volume já é suficiente. A estabilidade dos parâmetros físico/químico e nutricionais, são determinantes do desenvolvimento do juvenil e repercutirá na fase posterior: a engorda; a programação da produção (e da comercialização) somente será possível com o domínio da disponibilidade de juvenis;

1.1.7 - Alimentação

Como na maioria das atividades pecuárias, a alimentação é o que mais pesa no custo de produção, representa de 68 a 79% do custo total de produção. A conversão alimentar da tilápia nas propriedades acompanhadas nas Redes de Referências e no Processo Piscicultura, situou-se em torno de 1,3 kg de ração/kg de peixe produzido. O alimento natural dos peixes é composto de inúmeros organismos vegetais (algas, plantas aquáticas, frutas, sementes, entre outros) ou animais (crustáceos, larvas e ninfas de insetos, vermes, moluscos, anfíbios, peixes, entre outros). De acordo com os autores, algumas espécies de tilápias, em particular a tilápia do Nilo, aproveitam de forma eficiente o fito e o zooplancton. SALDANHA (1998)

Esse é o momento que se poderia chamar de “hora da verdade”. O manejo dos peixes na despesca é tão importante quanto durante o cultivo, pois se realizado de forma incorreta, poderá causar estresse e comprometer a sobrevivência no transporte.

Os principais canais de comercialização são os frigoríficos e os pesque & pagues.

Considerando o mercado, os fatores de oportunidade precisam ser observados para a tomada de decisão sobre o momento de efetuar a venda. A partir de 350g, a tilápia entra na fase de melhor rendimento econômico para o produtor, mas o mercado é restrito. O mercado, de forma geral (frigoríficos, pesque & pague, exportação), apresenta tendência a exigir peixes com peso mínimo de 500g. EUCLYDES (1983)

Peixes maiores são mais atrativos tanto aos pesque & pagues quanto aos frigoríficos: são mais procurados pelos pescadores, produzem filés mais adequados a exportação e rendem mais na linha de processamento dos frigoríficos, embora não apresentem maior rendimento de filé que os peixes de 350 a 500g.

A decisão sobre a que mercado atender ou produzir, deve levar em conta a capacidade de investimento do criador, a estrutura da propriedade e a oportunidade de negociar. A origem dos peixes e as boas práticas de manejo também são fatores determinantes do rendimento que a criação apresentará no momento da comercialização.

1.1.9 - Escolha do Alevino

garantam qualidade sanitária e potencial de desempenho

A escolha dos alevinos é um dos fatores de maior importância no sucesso de uma piscicultura. O produtor deverá adquirir alevinos geneticamente adequados em estações que

taxas de sobrevivência e grandes variações

Algumas populações de espécies exóticas de peixes (carpas, tilápias-do-Nilo e catfish) apresentam melhoramento genético, produzindo um rápido crescimento e uma grande uniformidade nos lotes. Entretanto, devido a um recente processo de manejo, a domesticação das espécies brasileiras ainda apresenta um desempenho muito variável entre lotes e dentro de um lote. Nestas condições, mesmo em lotes homogêneos de alevinos, podem ser encontradas baixas 1.1.9.1 - Transporte dos Alevinos

transporte e da temperatura da água

Os alevinos são transportados em embalagens hermeticamente fechadas - sacos plásticos preenchidos com água e oxigênio puro injetado sob pressão. O tamanho das embalagens, a quantidade de água e alevinos é muito variável, depende da espécie, do período estimado de

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