Projeto de Criação de Peixes administraçao rural

Projeto de Criação de Peixes administraçao rural

(Parte 1 de 4)

José Valdeci Biserra Lúcia Maria Ramos Silva

SÉRIE DIDÁTICA Nº 25

1 - INTRODUÇÃO01
2 - LOCALIZAÇÃO02
3 - ESTUDO DE MERCADO03
4 - PLANEJAMENTO03
5 - ANÁLISE DE INVESTIMENTO05
6 - ANÁLISE DAS MEDIDAS DE RESULTADO ECONÔMICO1
7 - CONCLUSÕES16
8 - BIBLIOGRAFIA16

Página 9 - ANEXOS ............................................................................................................... 18

O presente trabalho apresenta o resultado da criação de várias espécies de peixes em regimes alimentares diferentes, de tal modo que sejam aproveitados todos os alimentos disponíveis nos viveiros, visando obter uma quantidade tão grande quando possível de peixes para o consumo e, consequentemente, para comercialização. Aqui, os indivíduos são estocados com o mesmo comprimento e peso médio e não se reproduzem no viveiro.

Esta prática, isto é, criação de várias espécies de peixes submetidos a diferentes regimes alimentares, é um evento que se reveste da maior importância, não só para o desenvolvimento da aquicultura continental, como também, porque, muito em breve, irá ocupar um lugar de destaque no mundo, na produção de alimentos protéicos de melhor qualidade.

Foram escolhidas as seguintes espécies: tambaqui, Colossoma macropomum Curvier, 1818, híbrido de tilápias, Oreochromis hornorum Trew. X O. niloticus L., 1766 e carpa espelho, Cyprinus carpio L., 1758 vr. specularis.

SILVA et al. (1983a) referiram-se a importância do policultivo de peixes, práticas muito antiga, realizada há mais de 1.0 anos na Ásia. Na China, desde o ano de 904, foram estabelecidas suas bases e fundamentos.

O tambaqui é um peixe da bacia amazônica, introduzido no Nordeste brasileiro pelo

Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS, visando estudá-lo para povoamento de açudes e estocagem em viveiros (SILVA, 1981).

A espécie desova através da hipofisação, pois não se reproduz naturalmente na

Região.

Utilizando-se alevinos de tambaqui, vários experimentos de mono e policultivo foram realizados, visando determinar o potencial da espécie para criação em viveiros, tais como os de BEZERRA DA SILVA et al. (1975a e 1978).

Pesquisadores do DNOCS também, desenvolveram tecnologia para a obtenção de híbridos 100% machos, graças ao cruzamento de tilápia de Zanzibar, Oreochromis hornorum Trew., com fêmea do Nilo, O. niloticus L., 1766. Estas espécies são oriundas da África e foram introduzidas no Brasil, mais precisamente no nordeste, pelo DNOCS, em 1971.

1 Os dados originais deste projeto foram retirados de um projeto feito por estudantes da disciplina “Planejamento e Avaliação de Projetos em Aquicultura”, do Curso de Especialização em Aquicultura ministrado em 1989, no Departamento de Economia Agrícola, pelo professor José Valdeci Biserra.

O híbrido acima citado já foi devidamente testado para criação em viveiros no

Nordeste brasileiro, tanto em mono como em policultivo (BEZERRA DA SILVA et al., 1975b; CARVALHO & FERNANDES, 1981 e SILVA et al. 1983a, 1983b e 1983c).

A carpa é um dos peixes mais criados no mundo. Sua procedência é muito discutida, parecendo ser originária da Ásia Central, ou da Europa Ocidental e Ásia e foi introduzida no Brasil em 1882.

Dentre as variedades de carpa, as mais indicadas para cultivo em viveiro são a comum, C. carpio L., 1758 comunnis, e a espelho, C.carpio L., 1758 vr specularis, em virtude de apresentarem melhores taxas de crescimento e de sobrevivência, além de outras qualidades desejáveis.

Em 1977, segundo SILVA (1983), é que o DNOCS recebeu de Israel exemplares de linhagem pura da carpa espelho. Contudo, somente a partir de 1981 foi que deu ênfase às pesquisas, visando testá-la para cultivos em viveiros desta Região.

Com base nos diversos experimentos feitos,é possível antecipar que o rendimento do policultivo do tambaqui com o híbrido de tilápias e com a carpa espelho proporcionará a obtenção de uma maior produtividade e, consequentemente, lucros mais elevados, já que as espécies atingem um tamanho e peso comercializável em pouco tempo e são plenamente apreciadas pelos seus aspectos e gostos.

2 - LOCALIZAÇÃO

O projeto terá suas unidades produtoras localizadas na Fazenda Maranata, propriedade particular, situada no município de Pentecoste, no estado do Ceará, distante 86 km de Fortaleza.

Na referida fazenda existe 1 açude cuja capacidade total é de aproximadamente 1.500.0 m3 de água.

A temperatura média do local é de 26,8 °C sendo a máxima de 34°C e a mínima de 20,2 °C.

O período de chuvas se estende de janeiro a junho, sendo praticamente seco no restante do ano.

3 - ESTUDO DE MERCADO

As perspectivas da introdução dos exemplares de tambaqui, híbrido de tilápia e carpa no mercado internacional são extremamente promissores, considerando-se que diversos criadores importam alevinos para criação e posterior venda, já que são de custos relativamente baixos e largamente aceitos pelas classes média e pobre que compõe a maioria da população destes países.

Já o mercado nacional é caracterizado por apresentar uma demanda insatisfeita. Esta demanda é proporcionada pelos melhores níveis de renda “per capita” e pela aceitação do peixe como alimento rico em proteínas.

Assim, faz-se necessária uma ampliação na produção de peixes, através de um processo sistematizado, capaz de atender ao atual mercado insatisfeito.

O mercado regional, por sua vez, é caracterizado pela existência de uma grande demanda potencial, pois a utilização de formas tradicionais para se obter o pescado tem limitado a produção do produto.

Portanto, a idéia do policultivo dessas espécies torna-se favorecida pelo fato de estar o mercado consumidor amplamente insatisfeito por este produto.

Particularmente, neste projeto, pretende-se comercializar toda a produção na própria fazenda, cabendo aos compradores distribuir o produto de forma que lhes seja mais conveniente, não se constituindo, portanto, ônus para o empreendimento.

4 - PLANEJAMENTO

Serão construídos dois viveiros de meio hectare cada (100 x 50), de forma retangular e profundidade de 1 metro.

Serão abastecidos pela água do açude que se deslocará por gravidade. A tubulação de tomada de água para o viveiro possui tela para evitar a entrada de peixes estranhos no viveiro. A saída da água terá lugar em um ponto oposto à entrada da mesma.

Neste projeto, cada viveiro (de 0,5 ha) recebeu 2.500 tambaquis (5.0/ha), 2.500 híbridos de tilápias (5.0/ha) e 1.250 carpas (2.500/ha). Assim, a densidade de estocagem total será de 12.500 alevinos/ha.

Vale esclarecer que esta densidade de estocagem está dentro dos padrões exigidos para essas espécies, conforme os experimentos já realizados.

Os peixes serão alimentados com ração balanceada, lançada na massa d’água, estimada com base na biomassa do tambaqui mais carpa, e reajustada, mensalmente, com base no peso médio.

Os peixes serão alimentados por um período de 6 meses, no fim do qual estarão aptos à comercialização, por terem atingido um peso médio equivalente a 750g (tambaqui), 400g (híbridos de tilápia) e 370g (carpas).

A taxa de sobrevivência foi estabelecida em 100%, isto é, 6.250 sobreviventes em cada unidade produtora (viveiro com 0,5 ha).

Relacionando-se os dados de peso atingido para a comercialização com o número de sobreviventes, obtem-se os seguintes dados de produção: a) produção por viveiro: 3.337,5 kg/semestre; b) produção total semestral: 6.675 kg/semestre; c) produção total anual: 13.350 kg/ano. Serão feitas amostragens aleatórias, utilizando uma rede de arrasto, para se acompanhar o desenvolvimento dos peixes. Os indivíduos amostrados, após computados seu tamanho e peso, serão recolocados nos viveiros.

Os viveiros, no final do período, serão despescados, mediante esvaziamento, e todos os peixes contados e pesados.

O projeto constará de: a) uma área física de 2 hectares; b) dois viveiros com 0,5 ha cada; c) um galpão com 12,69 m2.

5 - ANÁLISE DE INVESTIMENTO

Serão apresentados a seguir as informações necessárias para a realização da análise dos investimentos (TABELAS 1 a 8). Os indicadores de rentabilidade e a análise de sensibilidade serão apresentados para a situação com e sem financiamento. Deve-se ainda considerar as seguintes informações: - todos os valores monetários estão expressos em cruzados de novembro de 1989.

- o salário mínimo em novembro de 1989 era de Cz$ 804,0. O valor da diária considerada foi de Cz$ 12,50; - dado o cronograma de implantação do projeto, a produção do ano zero será apenas 6.675 kg de peixes. A produção anual a partir do ano 1 (um) foi 13.350 kg de peixe; - o preço médio ponderado pelas quantidades produzidas de cada tipo de peixe foi de Cz$ 6,0/kg.

TABELA 1 - Cronograma dos Investimentos1.

Ano Zero do Projeto

Especificação 1o Semestre 2o Semestre (CZ$)

Implantação - Terreno (2 ha) 80.0,0 -

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