Boletim acadêmico arborização urbana

Boletim acadêmico arborização urbana

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BOLETIM ACADÊMICO Série Arborização Urbana

UNESP/FCAV/FUNEP Jaboticabal, SP - 2002

Kathia Fernandes Lopes Pivetta Demóstenes Ferreira da Silva Filho

PIVETTA & SILVA FILHO, 2002

Apresentação

Este boletim é direcionado prioritariamente para os alunos de Graduação em

Agronomia e Engenharia Florestal.

Os autores agradecem os alunos de Graduação e da Pós-Graduação, funcionários e docentes da FCAV/UNESP e da ESALQ/USP e funcionários da Prefeitura Municipal de Jaboticabal, que direta ou indiretamente tem colaborado para o aprimoramento deste boletim.

PIVETTA & SILVA FILHO, 2002

Profa. Dra. KATHIA FERNANDES LOPES PIVETTA, Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras, UFLA, Mestrado e Doutorado pela Universidade Estadual Paulista, UNESP/FCAV, Campus de Jaboticabal, SP. Professora do Departamento de Produção Vegetal da UNESP/FCAV, responsável pelas disciplinas “Floricultura e Plantas Ornamentais” e “Paisagismo”, em nível de Graduação e “Produção de Flores e Plantas Ornamentais” e “Produção de Sementes de Plantas Ornamentais”, em nível de Pós-Graduação.

Prof. Ms. DEMÓSTENES FERREIRA DA SILVA FILHO, Engenheiro Agrônomo. Graduação, Mestrado e Doutorado pela Universidade Estadual Paulista, UNESP/FCAV, Campus de Jaboticabal, SP. Professor do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo, responsável pela disciplina “Silvicultura Urbana” e colaborador nas disciplinas “Ecologia Florestal” e “Gestão Ambiental Urbana” em nível de Graduação na ESALQ/USP.

PIVETTA & SILVA FILHO, 2002

1. INTRODUÇÃO01
2. IMPORTÂNCIA DAS ÁRVORES NO MEIO URBANO02
3. CLASSIFICAÇÃO DA VEGETAÇÃO ARBÓREA URBANA02
3.1. Arborização de parques e jardins02
3.2. Arborização de áreas privadas03
3.3. Arborização nativa residual03
3.4. Arborização de ruas e avenidas03
MEIO URBANO

4. FATORES NEGATIVOS PARA O BOM DESENVOLVIMENTO DAS ÁRVORES NO 03

5. PLANEJAMENTO DA ARBORIZAÇÃO DAS RUAS E AVENIDAS04
5.1. Condições do ambiente04
5.2. Características das espécies04
5.3. Largura de calçadas e ruas06
5.4. Fiação aérea e subterrânea07
5.5. Afastamentos09
5.6. Uso de palmeiras e árvores colunares10
5.7. Diversificação das espécies10
6. PLANTIO E MANEJO1
6.1. Escolha das mudas1
6.2. Plantio12
6.2.1. Espaçamento12
6.2.2. Coveamento13
6.2.3. Canteiro ao redor da muda13
6.2.4. Grade ao redor do canteiro14
6.2.5. Cinta14
6.2.6. Revestimento interno da cova par direcionamento das raízes14
6.2.7. Tutoramento15
6.2.7. Grade deporteção da muda16
6.3. Manejo inicial16
6.4. Caiação17

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6.5.1. Época de poda18
6.5.2. Equipamentos19
6.5.3. Execução da poda20
6.5.4. Tipos de poda21
6.5.5. Técnicas de poda2
6.5.6. Tratamentos pós-poda e dendrocirurgia23
6.7. Aspectos fitossanitários23
6.8. Remoção27
7. ANÁLISE DA ARBORIZAÇÃO DE RUAS E AVENIDAS27
7.1. Curitiba, PR29
7.2. Céu Azul, PR30
7.3. Ilha Solteira, SP31
7.4. Piracicaba, SP31
7.5. Jaboticabal, SP32
8. REPLANEJAMENTO DA ARBORIZAÇÃO DE RUAS E AVENIDAS3
URBANA DO BRASIL

INDICE 9. ESPÉCIES RECOMENDADAS E MAIS UTILIZADAS NA ARBORIZAÇÃO 34

REDES ELÉTRICAS

10. ESPÉCIES NATIVAS COM POTENCIAL DE UTILIZAÇÃO NAS RUAS SOB 60

1. SOCIEDADES E ORGÃOS LIGADOS À ARBORIZAÇÃO URBANA64
12. LITERATURA CITADA E CONSULTADA OU RECOMENDADA65

13. SITES DA ÁREA.................................................................................................. 69

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1. INTRODUÇÃO

Desde muito tempo, o homem vem trocando o meio rural pelo meio urbano. As cidades foram crescendo, na maioria das vezes de forma muito rápida e desordenada, sem um planejamento adequado de ocupação, provocando vários problemas que interferem sobremaneira na qualidade de vida do homem que vive na cidade.

Atualmente, a maioria da população humana vive no meio urbano necessitando, cada vez mais, de condições que possam melhorar a convivência dentro de um ambiente muitas vezes adverso.

O surgimento da luz elétrica e a expansão da oferta dos serviços de abastecimento de água, coleta de esgoto e telecomunicações trouxeram para as cidades um complexo sistema de cabos, galerias e dutos que tomam conta do ar e do subsolo. A rede aérea de energia passou a interferir de forma decisiva no plano de arborização da cidade. Na seqüência, com o advento da era “desenvolvimentista” e da explosão imobiliária na década de 60 houve a perda dos jardins privados e a impermeabilização do solo e o patrimônio das áreas verdes das cidades ficaram cada vez mais restritos à arborização de ruas, praças, parques e maciços florestais (MILANO e DALCIN, 2000)

Pode-se acrescentar a compactação e baixa fertilidade do solo resultantes dos processos de movimentação de terra para urbanização de loteamentos. De maneira semelhante, o processo de evolução da ocupação e uso do solo urbano, especificado no parágrafo anterior, ocorreu na grande maioria das cidades brasileiras.

A vegetação, pelos vários benefícios que pode proporcionar ao meio urbano, tem um papel muito importante no restabelecimento da relação entre o homem e o meio natural, garantindo melhor qualidade de vida.

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2. IMPORTÂNCIA DAS ÁRVORES NO MEIO URBANO

A vegetação urbana desempenha funções muito importantes nas cidades. As árvores, por suas características naturais, proporcionam muitas vantagens ao homem que vive na cidade, sob vários aspectos: ü proporcionam bem estar psicológico ao homem; ü proporcionam melhor efeito estético; ü proporcionam sombra para os pedestres e veículos; ü protegem e direcionam o vento; ü amortecem o som, amenizando a poluição sonora; ü reduzem o impacto da água de chuva e seu escorrimento superficial ü auxiliam na diminuição da temperatura, pois, absorvem os raios solares e refrescam o ambiente pela grande quantidade de água transpirada pelas folhas; melhoram a qualidade do ar; ü preservam a fauna silvestre;

3. CLASSIFICAÇÃO DA VEGETAÇÃO ARBÓREA URBANA

A vegetação urbana é representada por conjuntos arbóreos de diferentes origens e que desempenham diferentes papéis (MELLO FILHO, 1985).

As florestas urbanas podem ser definidas como a soma de toda a vegetação lenhosa que circunda e envolve os aglomerados urbanos desde pequenas comunidades rurais até grandes regiões metropolitanas (MILLER, 1997).

3.1. Arborização de parques e jardins

Os parques, normalmente são representados por grandes áreas abundantemente arborizadas e os jardins, ou mesmo as praças, são espaços destinados ao convívio social. Nestes locais pode-se utilizar árvores de todos os portes.

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3.2. Arborização de áreas privadas

Corresponde à arborização dos jardins particulares como quintais, jardins de hospitais, clubes, industrias, entre outros.

3.3. Arborização nativa residual

São espaços da natureza que se protegeram da ocupação e que por suas características florísticas, faunísticas, hídricas, influenciaram no microclima e são essenciais ao complexo urbano.

3.4. Arborização de ruas e avenidas

Componente muito importante da arborização urbana, porém, pouco reconhecido, do ponto de vista técnico e administrativo, devendo ser encarado como um dos componentes do plano de desenvolvimento e expansão dos municípios.

4. FATORES NEGATIVOS PARA O BOM DESENVOLVIMENTO DAS ÁRVORES NO MEIO URBANO

Vários fatores impedem o desenvolvimento normal de uma árvore na área urbana, por exemplo: ü compactação do solo, necessária para a pavimentação ou fundação de prédios, porém, prejudicial ao desenvolvimento das plantas; ü depósitos de resíduos de construção e entulhos no subsolo; ü pavimentação do leito carroçável e das calçadas impedindo a penetração do ar e das águas de chuvas; ü poluição do ar, com suspensão de resíduos industriais, fumaça dos escapamentos de veículos automotores e de chaminés industriais, impedindo a folha de exercer livremente suas funções, uma vez que a poeira e as gotículas de óleo existentes no ar se acumulam sobre a superfície das folhas, obstruindo

PIVETTA & SILVA FILHO, 2002 total ou parcialmente os estômatos, dificultando a respiração e as fotossíntese; podas drásticas, muitas vezes obrigatórias e abertura de valas junto à arvore, mutilando o seu sistema radicular.

5. PLANEJAMENTO DA ARBORIZAÇÃO DAS RUAS E AVENIDAS

Os vários benefícios da arborização das ruas e avenidas estão condicionados à qualidade de seu planejamento.

A arborização bem planejada é muito importante independentemente do porte da cidade, pois, é muito mais fácil implantar quando se tem um planejamento, caso contrário, passa a ter um caráter de remediação, à medida que tenta se encaixar dentro das condições já existentes e solucionar problemas de toda ordem.

Para um adequado planejamento da arborização das ruas e avenidas de uma cidade, alguns fatores devem ser considerados:

5.1. Condições do ambiente

O conhecimento das condições ambientais locais é pré-condição para o sucesso da arborização das ruas e avenidas.

Qualquer planta só adquire pleno desenvolvimento em clima apropriado, caso contrário poderá ter alterações no porte, floração e frutificação. Deve-se evitar, portanto, o plantio de espécies cuja aclimatação não seja comprovada.

5.2. Características das espécies

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