Aplicação de Defensivos Agrícolas

Aplicação de Defensivos Agrícolas

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Os pulverizadores montados em tratores, conhecidos também por “pulverizadores de três pontos”, normalmente são equipados com barras de 12 a 16 metros de comprimento e operam em velocidades de 5 a 8 km/hora. São geralmente encontrados no mercado brasileiro com capacidade de carga de agroquímicos entre 400 a 800 litros.

Pulverizador montado

Os pulverizadores tracionados ou de arrasto, normalmente, são equipados com barras de 18 a 24 metros de comprimento e operam em velocidades de 6 a 10 km/hora. São encontrados no mercado brasileiro em geral com capacidade de carga de agroquímicos entre 1.0 a 3.0 litros.

Pulverizador de arrasto

Levando-se em consideração as especificações técnicas desses pulverizadores tratorizados montados e tracionados, seria possível teoricamente, desenvolver um rendimento diário de área aplicada em torno de 60 a 80 hectares por dia pelos tracionados e de 30 a 40 hectares aplicados pelos pulverizadores de três pontos.

No entanto, devido aos vários problemas de planejamento e logística durante as operações de controle químico com esses pulverizadores, a maior parte deles não consegue chegar a 50% desse rendimento operacional estimado. 6

Entre os problemas mais comuns relacionados a pulverizadores hidráulicos estão a falta de um manômetro funcionando, bicos de pulverização entupidos, desgastados ou danificados, corpo de bico simples sem a presença da válvula anti-gotejante, abraçadeiras de corpo de bico quebradas e “amarradas” com tiras de borrachas ou arame.6

Todos esses problemas acontecem pela falta de manutenção nos pulverizadores e resultam na ineficiência das aplicações de agroquímicos, colocando em risco a sanidade da cultura tratada,

Pulverizador Autopropelido

Pulverizadores autopropelidos, autopropulsados ou automotrizes são máquinas agrícolas com grande capacidade de carga e alto rendimento operacional, utilizadas nas aplicações de agroquímicos equipadas com motor, cabine e sistemas de pulverização (bombas, barras, bicos, etc) em uma mesma plataforma, em um mesmo chassi.

São máquinas de alto desempenho, podem substituir cinco ou seis cojunto trator-pulverizador, conseguem desenvolver velocidades entre 15 a 30 km/h durante as pulverizações nas culturas em campo e até 70 km/h durante o translado. As barras de pulverização possuem total acionamento hidráulico com sistema auto-nivelante e medem entre 20 até 30 metros de comprimento. 6

Normalmente apresenta motor diesel, de quatro tempos, sistema de direção e barra de pulverização. Apresenta barra que pode ser posicionada na parte anterior ou posterior da máquina, com altura regulável. 5

Conta com sistema de compensação com comando hidráulico para cada lado da barra, permitindo manter a mesma paralela ao solo em terrenos irregulares ou em curva de nível.

O chassi pode ser rígido ou articulado com estrutura reforçada.

Apresenta cabine climatizada, isolando o contato direto do operador com eventual deriva da aplicação. 5

Um pulverizador autopropelido com capacidade de carga para 3.0 litros, com barras de pulverização com 27 metros de comprimento é capaz de conseguir um rendimento operacional aproximado de 500 hectares em um único dia de trabalho. Se esse equipamento não estiver corretamente calibrado e regulado, serão muitos hectares aplicados de maneira incorreta, com grandes prejuízos para os produtores. 6

Não somente o pulverizador autopropelido precisa ser bem projetado e avançado, mas também a tecnologia em bicos e pontas de pulverização também precisa ser corretamente formatada para as condições de trabalho desse equipamento para que seja possível conseguir a total eficiência nas aplicações de agroquímicos.

O monitoramento da qualidade nas aplicações de agroquímicos realizadas nesses pulverizadores é de extrema importância, pois um erro de apenas 10 cm em uma faixa de aplicação de 27 metros (comprimento da barra) poderá resultar em uma área de 400 metros quadrados sem deposição de agroquímicos, em somente 100 hectares aplicados. Em um dia de aplicação, essa falha na faixa terá provocado uma área sem proteção química em torno

Pulverizadores pneumáticos

Os pulverizadores pneumáticos, também são conhecidos no campo como atomizadores.

Tipos de atomizadores:

• Atomizador tipo canhão • Atomizador costal motorizado

Atomizador tipo canhão

Fonte: Empresa Jacto

O atomizador tipo canhão é geralmente utilizado em culturas anuais ou arbustivas, permitindo aplicação de defensivo numa faixa, de acordo com os fabricantes, de 30 a 40 metros de largura. Propicia boa capacidade operacional do conjunto trator-atomizador.

Neste equipamento, existe um ventilador acionado pela tomada de força do trator responsável pela corrente de ar que promoverá a quebra do líquido em gotas de pequeno diâmetro. Com excesão do ventilador, o aspecto construtivo é semelhante a um pulverizador hidráulico.

Possui algumas limitações de uso, principalmente devido à deriva e à evaporação das gotas, ocasionadas por ventos, velocidade excessiva e baixa umidade do ar, dentre outras. Outro limitante é a determinação da faixa de aplicação, que em campo é difícil execução pelo tratorista.

Atomizador costal motorizado

Geralmente empregado em pequenas áreas, em instalações avícolas ou similares.

Esse atomizador geralmente possibilita sua utilização para a aplicação de defensivos líquido ou pó seco. Neste caso, deve-se ter o cuidado de retirar o bocal atomizador.

Os atomizadores costais motorizados, quando forem utilizados na aplicação de defensivos em plantas perenes de porte alto, devem possuir uma bomba centrífuga para conduzir a calda até o bocal atomizador.

Possui um motor dois ou quatro tempos, responsável pela geração da corrente de ar. Em geral, a ergonomia deste equipamento não é muito boa.

Pulverizadores hidro-pneumáticos

São também chamados de atomizadores tipo cortina de ar. Esses pulverizadores constituem uma das alternativas viáveis para aplicação de defensivos em culturas perenes, tais como citrus, macieiras, pessegueiros, cafeeiros, etc.

São também muito utilizados nas pulverizações em videiras, porém, necessitam de algumas modificações no direcionamento dos bicos e na regulagem dos defletores de ar, devido à arquitetura foliar da cultura da uva, permitindo aplicação de defensivo. Propicia boa capacidade operacional do conjunto trator-atomizador.

Correspondem a aproximadamente 15% do total dos pulverizadores em operação no Brasil. São equipados com reservatórios de calda de agroquímicos com capacidade entre 200 a 4.0 litros e no arco de pulverização são instalados os bicos, geralmente do tipo cone vazio ou cheio.

O sistema de assistência de ar é formado por um ventilador de grande vazão, que com o auxílio de defletores expele o ar na forma de um leque perpendicular à direção de caminhamento da máquina. Os ângulos de abertura desses defletores são regulados e ajustados de acordo com a altura das plantas a serem pulverizadas. Alguns equipamentos possuem regulagem do ângulo das pás do ventilador permitindo alterar a velocidade de saída do ar. Isso permite evitar a perda de defensivo.

As principais causas de perdas com esses equipamentos são:

1. Distribuição incorreta dos bicos no arco de pulverização, o que resulta na liberação de gotas muito acima das copas das árvores. 2. Falta de controle no tamanho das gotas pulverizadas, produzindo gotas muito finas. 3. Alto volume nas aplicações em altas pressões de trabalho.

Deriva com pulverizadores hidro-pneumáticos

A correta seleção e disposição dos bicos no arco de pulverização possibilita que a maior parte do volume de calda a ser aplicado seja direcionado para a região mediana e superior da copa das plantas, possibilitando depositar com eficiência as gotas nos ponteiros, que normalmente são áreas de difícil acesso, com o mínimo de perdas por evaporação e deriva.

Termo-nebulizadores

São equipamentos capazes de produzir gotas com diâmetro menor que 50µm. Utilizados geralmente para aplicação de inseticidas dissolvidos em óleo (diesel), que ao serem colocados em contato com uma superfície aquecida, ou ar quente, sofrem evaporação.

Pulverizador eletrostático

O princípio de funcionamento do pulverizador eletrostático baseia-se em transferir cargas elétricas às gotas, as quais quando se aproximam do objeto aterrado (planta) com carga de sinal contrário a sua, são fortemente atraídas a este.

Fonte: Juan José Olivet

As gotas geradas são carregadas eletricamente e aceleradas em direção do alvo aterrado através de um campo elétrico, principalmente quando próximas deste alvo. 5

Um estudo foi realizado pela EMBRAPA7 sobre um bocal eletrostático, comparado-o a uma aplicação convencional, para a cultura do tomate. Os resultados mostraram que o pulverizador eletrostático pode depositar até 70% do agrotóxico aplicado, enquanto que a pulverização convencional pode depositar somente 30% do agrotóxico aplicado, para a cultura do tomate. O estudo também mostra que a aplicação eletrostática possibilita uma redução real na dose do produto aplicado, sem perda da eficácia de controle e também uma sensível redução de contaminação por parte do aplicador.

Fonte:VM CONTROLE DE PRAGAS

Em locais fechados, como galpões, armazéns e tubulações, permitem aplicação dos inseticidas de forma econômica, uma vez que, por se tratar de uma nebulização, ocorre uma completa ocupação do interior das instalações, utilizando baixo volume de pulverização.

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