Aplicação de Defensivos Agrícolas

Aplicação de Defensivos Agrícolas

(Parte 3 de 10)

O que afeta a aplicação?

Ao final desse módulo você será capaz de:

*Conhecer e entender os fatores que interferem na aplicação de agroquímicos e suas interelações *Saber classificar uma pulverização segunda as normas do Conselho Britânico de Proteção de Culturas

Alguns fatores devem ser analisados antes e durante a aplicação de agroquímicos, para se obter uma máxima eficiência:

• Clima • Solo

• Alvo

• Princípio ativo

• Máquina

Veremos a seguir cada um desses itens detalhadamente.

Clima

Fatores climáticos, como temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento, devem ser monitorados, com o objetivo de se escolher o momento ideal de aplicação.

Altas temperaturas, baixas umidades e fortes ventos constituem-se em condições propícias à evaporação e à deriva.

Fonte: TeeJet

Desta forma, as aplicações devem ser realizadas, preferencialmente, nas primeiras horas da manhã, ou no final do dia.

De maneira geral, deve-se seguir as seguintes recomendações para a escolha do momento ideal de pulverização:

• Velocidade do vento entre 3 e 10 km/h, • Temperatura máxima entre 27 e 30°C

• Umidade relativa do ar superior a 60%

Quando não for possível seguir essas recomendações, a aplicação deve ser precedida de maiores cuidados, para se evitar a perda do defensivo, seja por evaporação ou deriva.

A escolha de ponta de pulverização “anti-deriva” e da pressão ideal de trabalho são exemplos de cuidados que devem ser tomados durante as aplicações de defensivos em condições ambientais desfavoráveis. Utilização de adjuvantes anti-deriva e assistência de ar também contribui para uma aplicação mais segura.

Solo

A textura do solo pode influenciar na dose do produto a ser utilizada, principalmente em defensivos que visam ao solo.

Geralmente as doses para solos argilosos são maiores que para solos arenosos, já que os argilosos possuem maior quantidade de colóides, que inibem o princípio ativo de alguns defensivos.

Outro fator importante é a topografia. Em áreas declivosas, pode-se tornar inviável a aplicação com máquinas tratorizadas, uma vez que a segurança da operação pode ficar bastante comprometida.

Alvo

Aquilo que foi escolhido para ser atingido pelo processo de aplicação (planta hospedeira ou suas partes, organismo nocivo, planta infestante, solo etc.). Em função do tipo desse alvo, a pulverização a ser produzida deverá ter características específicas para melhor atingi-lo.

Dessa forma, uma aplicação de herbicida (em pré-emergência) sobre o solo, é mais fácil de ser feita quando comparada com a de um inseticida de contato, quando o inseto a ser controlado fica na superfície inferior das folhas. Por outro lado, a praga, pode estar disponível ou exposta em tempo relativamente curto ou em locais diferentes durante o processo. O conhecimento do ciclo evolutivo da praga e também da planta cultivada é um aspecto importante para a definição da estratégia de controle.

Assim sendo, o defensivo deve ser usado da forma mais eficiente possível, o alvo real tem que ser definido em termos de tempo e espaço, de maneira a ser aumentada a porcentagem de produto que o atinge em relação daquilo que foi emitido pela máquina aplicadora.

As principais características a serem observadas referem-se ao local, tamanho, mobilidade e forma de propagação.

Um bom conhecimento do alvo permite escolher a técnica de aplicação, o equipamento, a periodicidade e o defensivo a ser utilizado.

Princípio Ativo

O princípio ativo é o componente tóxico do defensivo nas formulações comerciais.

Atualmente, existe no mercado uma infinidade de produtos que devem ser analisados criteriosamente quanto à dosagem, à técnica de aplicação, à forma de atuação e à formulação.

Máquina

O sucesso de uma aplicação fitossanitária depende da regulagem, da manutenção e das características operacionais da máquina aplicadora utilizada.

Grande importância tem sido dada ao agroquímico e pouca à técnica de aplicação. A utilização de equipamento adequado e em boas condições é fator primordial para obtenção dos resultados desejados.

População de gotas

Uma aplicação eficiente pressupõe uma perfeita cobertura da superfície e uma distribuição uniforme das gotas produzidas.Caso se utilize um bico de pulverização que produza gotas muito grandes, não haverá uma perfeita cobertura da superfície e tampouco haverá uma boa uniformidade de distribuição, a não ser que se utilize grande volume de líquido. Trabalhando com gotas menores, consegue-se, geralmente, uma melhor cobertura superficial e uma maior uniformidade de distribuição.

As gotas muito grandes, devido ao seu peso, terminam no solo por escorrimento. As gotas muito pequenas podem evaporar em condições climáticas de baixa umidade relativa, ou serem levadas pela corrente de ar, provocando a perda de produto devido ao fenômeno da deriva.

Na figura abaixo é possível verificar que, dividindo uma gota grande de 400 µm de diâmetro em gotas de 200 µm, obtém-se oito gotas, com a mesma quantidade de água. Se dividirmos essa mesma gota de 400 µm em gotas de 50 µm é possível obter 512 gotas. Isso demonstra que é possível obter boa cobertura, mesmo trabalhando com pequenos volumes de pulverização.

Em aplicações de fitossanitários deve-se cuidar para que não apareçam gotas nem muito grandes, nem muito pequenas. Os estudos têm demonstrado que gotas menores que 100 µm são arrastadas com facilidade pelo vento e sofrem deriva (MARQUEZ, 1997 e LEFEBVRE, 1989). Da mesma forma, não se recomenda utilizar gotas maiores que 800 µm, devido a sua facilidade em escorrer.

De acordo com o tipo produto a aplicar é possível definir um número mínimo de gotas por unidade de superfície. Geralmente, no caso de culturas de baixo porte, recomenda-se utilizar os tratamentos de acordo com o Quadro 1.

QUADRO 1 – Recomendação da população de gotas para os tratamentos em culturas de baixo porte

(L/ha) COBERTURA (gotas/cm2)

Herbicidas

De modo geral, não se recomenda aplicar um volume de calda acima de 400 L/ha, nem abaixo de 100-150 L/ha, sem um monitoramento rigoroso das condições climáticas principalmente.

Classificação das aplicações

Um dos aspectos importantes no manejo das pulverizações em relação à deriva está relacionado com o conhecimento do espectro de gotas. Com o objetivo de estabelecer um sistema pragmático de classificação qualitativa de uma população de gotas, o Conselho Britânico de Proteção de Culturas (British Crop Protection Council - BCPC), na Inglaterra, desenvolveu um sistema de classificação das pulverizações geradas pelos diferentes equipamentos, levando-se em consideração a propensão das mesmas em produzir deriva.

Foram sugeridas cinco categoria de “Qualidade de Pulverização”: Muito

Fina (Alta Deriva); Fina (Média Deriva); Média (Baixa Deriva); Grossa (Muito Baixa Deriva) e Muito Grossa (Extrema Baixa Deriva). Esse sistema baseou-se na análise do espectro do tamanho de gotas comparado com determinados tipos de bicos usados como referências para o limite entre categorias. O espectro de gota dos bicos a serem analisados deve ser medido com o mesmo equipamento, condições e ao mesmo tempo que os bicos de referência.

Pulverizações limites entre as categorias de qualidade de pulverização de acordo com o critério do Conselho Britânico de Proteção de Culturas.

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