Pedologia simplificada

Pedologia simplificada

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(2ª edição - ampliada e totalmente modificada) Engº Agrº, Dr., Pesquisador Científico do Instituto Agronômico, CEP 13020-902 Campinas-SPTelefones: (19) 231-5422 (IAC) ou (19) 434-5336 (residência).

ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 1

Tabela 1. Critérios gerais de classificação dos vários tipos de horizonte B (CAMARGO et al., 1987).

B latossólico (Bw): Horizonte mineral não iluvial e muito intemperizado (teor de argila semelhante ao do horizonte A).

B textural (Bt): Horizonte mineral iluvial com concentração de argila translocada do horizonte A (teor de argila bem mais elevado do que no horizonte A). Se o teor de argila for relativamente uniforme entre os horizontes A e B, deve ocorrer cerosidade relativamente nítida nos agregados estruturais.

B nátrico (Btn): Horizonte B textural rico em sódio trocável. B incipiente (Bi): Horizonte mineral não iluvial e com menor grau de intemperização do que o B latossólico (teor de argila semelhante ao do horizonte A). B podzol (Bh, Bs, Bhs): Horizonte mineral iluvial, com concentração de matéria orgânica e/ou ferro translocados do horizonte A.

Deve-se verificar se há boa luminosidade, ou seja, se não há sombra na face da trincheira escolhida ou no lado do barranco de estrada. Isto porque a pouca luminosidade dificulta a separação dos horizontes.

É recomendável não descrever o perfil de solo logo após dias chuvosos, pois nessas condições há dificuldade em se avaliar certas características morfológicas como estrutura, consistências seca e úmida, e cerosidade (se ocorrer).

A descrição morfológica é feita segundo as normas contidas no Manual de descrição e coleta do solo no campo, de LEMOS & SANTOS (1984).

Após separar os horizontes, tendo-se como base as variações de cor, textura, estrutura, cerosidade (se ocorrer), consistência e transição entre horizontes, inicia-se a coleta de amostras de solo, começando pelos horizontes ou camadas mais profundas, até os horizontes mais superficiais, para evitar a contaminação entre as amostras de horizontes, o que poderia ocorrer caso a amostragem fosse feita no sentido inverso.

As amostras de solo são acondicionadas em sacos plásticos em quantidade de 2-5 kg, fazendo-se antes a etiquetagem, anotando-se as respectivas profundidades dos horizontes (ou camadas) e o respectivo número do perfil.

3. HORIZONTE DIAGNÓSTICO DE SUBSUPERFÍCIE

O horizonte diagnóstico de subsuperfície é utilizado para classificar o solo porque sofre pouca ou nenhuma influência do manejo, sendo que o horizonte B2 é considerado diagnóstico de subsuperfície porque apresenta o grau máximo de desenvolvi- mento de cor, textura, estrutura e cerosidade (se ocorrer), ao con- trário do BA (antigo B1) e do BC (antigo B3), que são horizontes de transição. Se o solo não possui o horizonte B em subsuperfície, utiliza-se o horizonte C como diagnóstico, e, finalmente, se não existe o horizonte B e nem o horizonte C, utiliza-se o horizonte A como diagnóstico de superfície.

A Tabela 1 resume os critérios gerais de classificação dos vários tipos de horizonte B.

Na Tabela 2 são relacionadas as seqüências de horizontes

A-B, A-C, A-R, A-(B e/ou C pouco espessos), A-E-Btg, A-Cg e H-Cg, com as respectivas possibilidades de classificação do solo.

1. INTRODUÇÃO

Apedologia, uma ciência relativamente recente (tem pouco mais de um século), estuda o solo tendo como base o seu perfil. O perfil do solo é uma secção vertical que contém horizontes ou camadas sobrejacentes ao material de origem.

O levantamento pedológico consiste de dois componentes: mapa e relatório técnico. O mapa mostra a distribuição espacial dos solos na paisagem, enquanto o relatório aborda as suas características morfológicas, químicas, físico-hídricas e mineralógicas.

Tem-se verificado que as informações pedológicas são subutilizadas pelo usuário com poucos conhecimentos de solos. Procurando mudar esta situação, foram escolhidas algumas informações básicas de como identificar os solos no campo e feitos os comentários gerais sobre as potencialidades e limitações dos principais solos que ocorrem no país.

2. PROCEDIMENTO NO CAMPO PARA SE CLASSIFICAR O SOLO

São vários os procedimentos que devem ser tomados no campo para se classificar os solos. As observações podem ser feitas mediante tradagens, trincheiras ou em barrancos adequados de estradas (sem sinais de erosão ou de adição de materiais).

O estudo dos solos mediante a amostragem por tradagens tem alguns inconvenientes, tal como a destruição das unidades estruturais, impossibilitando a avaliação correta da estrutura, da cerosidade e da consistência nos estados seco e úmido. Entretanto, é possível examinar a cor, avaliar a textura e a consistência do solo no estado molhado.

O estudo em trincheiras ou em barrancos de estrada permite o exame das características morfológicas sem limitações, pois as unidades estruturais estão no seu estado natural. Deve-se ter o máximo cuidado para não amostrar o solo em local onde foi adicionado material estranho.

Para se estudar os solos em barrancos de estrada recomendase cavar aproximadamente 30-50 cm para dentro do barranco, e em toda a extensão do perfil, para se evitar que o ressecamento prejudique a avaliação da estrutura e da consistência nos estados seco e úmido.

Hélio do Prado(1)

2ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 1 – DEZEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

Seqüência de horizontesClassificação do solo

Tabela 2. Seqüência de horizontes e classificação do solo.

A-Bw-CLatossolos Ferríferos, Latossolos Roxos, Latossolos Vermelho-Escuros, Latossolos Vermelho-Amarelos, Latossolos Amarelos, Latossolos Brunos e Latossolos "variação Una"

A-Bt-CRubrozéns, parte dos Podzólicos Vermelho Escuros, parte dos Podzólicos Vermelho-Amarelos, parte dos Brunos

Não Cálcicos, parte dos Podzólicos Amarelos, parte dos Podzólicos Brunos Acinzentados, parte dos Podzólicos Acinzentados

A-E-Bt-CPlanossolos, parte dos Podzólicos Vermelho Escuros, parte dos Podzólicos Vermelho-Amarelos, parte dos Brunos

Não Cálcicos, parte dos Podzólicos Amarelos, parte dos Podzólicos Bruno Acinzentados, parte dos Podzólicos Acinzentados

A-Btn-CnParte dos Solonetz Solodizados A-E-Btn-CnParte dos Solonetz Solodizados A-Bi-CCambissolos, parte dos Brunizens A-E-Bh-C ou A-E-Bhs-C ou A-Bh-C ou A-Bhs-CPodzóis A e/ou Eg-Bhg ou Ag e/ou Bhsg-CgPodzóis hidromórficos A-CAreias Quartzosas, Regossolos, Vertissolos, Solonchaks, parte das Rendzinas e Solos Aluviais A-RLitossolos, Solos Litólicos e parte das Rendzinas A-(B e/ou C pouco espessos)Litossolos, Solos Litólicos e parte das Rendzinas A-E-Btg-CgParte dos Planossolos e Hidromórficos Cinzentos A-CgGlei Húmico e Glei Pouco Húmico

H-CgGlei Húmico e Solo Orgânico w = intensa alteração do solo, com inexpressiva acumulação de argila, com ou sem concentração de sesquióxidos; t = acumulação de argila silicatada; n = acumulação de sódio; h = acumulação aluvial de matéria orgânica; i = desenvolvimento incipiente, imaturo; s = acumulação de óxidos de ferro e alumínio; g = cor glei (cinza).

Observação: a classe do Plintossolo exige a presença do horizonte plíntico e pode ser solo hidromórfico ou não.

No exame do perfil de solo deve-se verificar qual é a seqüência de horizontes, ou seja, se é A-Bw ou A-Bt ou A-E-Bt ou A-Btn ou A-E-Btn ou A-Bi ou A-E-Bh ou A-E-Bhs ou A-Bh ou A-Bhs ou A-C ou A-R ou A-(e/ou C pouco espessos) ou A-EBtg ou A-Cg ou H-Cg. A Figura 1 mostra o esquema de um perfil de solo hipotético, contendo os principais horizontes ou camadas (EMBRAPA, 1988).

Figura 1. Esquema de um perfil de solo hipotético mostrando os principais horizontes ou camadas.

4. PRINCIPAIS ATRIBUTOS DO SOLO PARA FINS DE CLASSIFICAÇÃO

4.1. Cor

A cor é a sensação visual que se manifesta na presença da luz e, de certo modo, reflete a quantidade de matéria orgânica, o tipo de óxido de ferro presente, além da classe de drenagem do solo. A carta Munsell é comumente utilizada na designação de cores do solo. Nela constam o matiz, o valor (ou tonalidade) e o croma (ou intensidade). O matiz refere-se à combinação dos pigmentos vermelho (do inglês red) e amarelo (do inglês yellow), o valor indica a proporção de preto e de branco e o croma refere-se à contribuição do matiz. Os matizes variam de 5R (100% de vermelho e 0% de amarelo) até 5Y (0% de vermelho e 100% de amarelo) (Figura 2).

Figura 2. Carta Munsell para designação de cores do solo.

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Profundidade (cm)Cor Horizonte pH em H2O V (%)
64-140 Vermelha Bw 5,6 6

Tabela 3. Atributos de um Latossolo Vermelho Escuro ácrico.

Em geral, existe boa correlação entre os valores de pH em água e o grau de saturação por bases (V%), válida para o horizonte A (QUAGGIO, 1983) e geralmente para o B. Nesta correlação, o valor de pH em água é maior ou igual a 5,5 quando o valor de saturação por bases for maior ou igual a 50%. Entretanto, alguns solos ácricos apresentam valores relativamente altos de pH em água no horizonte B, e não possuem valores elevados de saturação por bases. Por isso, não se deve sempre considerar no horizonte B a referida correlação, especialmente para solos ácricos.

4.2. Textura do solo

A textura, que constitui a fase mineral sólida do solo, mede, em porcentagem, as proporções de argila, silte e areia, e tem sido utilizada como sinônimo de granulometria.

O solo possui textura arenosa quando o teor de argila + silte for menor ou igual a 15%, textura média se o teor de argila + silte for maior ou igual a 15% e também se o teor de argila não superar 35%, textura argilosa se o teor de argila estiver entre 35 e 60% e, finalmente, textura muito argilosa se o teor de argila for superior a 60%.

A Tabela 5 apresenta, como exemplo, a relação entre os atributos de textura e a interpretação pedológica, as características do solo e as implicações de manejo.

Na textura do solo a argila é sentida através de sua pegajosidade, o silte pela sua sedosidade e a areia pela sua aspereza. As diferentes proporções destes constituintes são agrupadas em classes texturais e representadas no triângulo de classificação textural.

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