Apostila de Fundamentos e Fertilidade do Solo

Apostila de Fundamentos e Fertilidade do Solo

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Obtido por meio da mistura estequiométrica de H2SO4 com fosfatos naturais (apatitas). Possui, no mínimo, 18% de P2O5 solúvel em solução de citrato neutro de amônio (CNA), 1% de S e 19% de c) Superfosfato triplo ou concentrado

Obtido a partir da mistura estequiométrica de H3PO4 com fosfatos naturais (apatitas). Possui 43% de P2O5 solúvel em CNA e 13% de Ca.

d) Escória de Thomas total, 12% de P2O5 solúvel em ácido cítrico (AC) a 2%, 25% de Ca e pequenas quantidades de Si, Mg, Fe e Mn.

e) Termofosfato

Obtido pela fusão a 1450oC de fosfato natural (apatita ou fosforita) com uma rocha magnesiana (serpentina). Contém 18% de

f) Fosfato monoamônio (MAP)

Obtido por meio da neutralização parcial de H3PO4 pela amônia. Possui 48% de P2O5 solúvel em CNA e 9% de N.

g) Fosfato diamônio (DAP)

Obtido por meio da neutralização parcial de H3PO4 pela amônia. Possui 45% de P2O5 solúvel em CNA e 16% de N.

h) Parcialmente acidulado

Obtido pela reação do fosfato natural (apatita) com uma quantidade de ácido sulfúrico inferior à necessidade estequiométrica

i) Farinha de ossos autoclavados

6.3. Potássicos

O potássio constitui, juntamente com o nitrogênio e o fósforo, o grupo denominado de elementos nobres da fertilização. É de ocorrência generalizada na natureza, aparecendo sempre em formas combinadas inorgânicas ou, no solo, em forma iônica.

A fertilização potássica tem que garantir uma concentração de

K na solução do solo suficientemente alta para satisfazer as necessidades da planta nos períodos em que o elemento é mais exigido. Este objetivo poderá ser alcançado quando forem evitadas perdas por lixiviação e fixação.

A eficiência dos fertilizantes potássicos depende sistematicamente da maneira de como são aplicados e das condições do solo a ser fertilizado. Diante disso, pode-se inferir algumas sugestões quanto ao uso do potássio no solo: a) solos naturalmente pobres em potássio requerem adições frequentes e moderadas. b) práticas culturais que melhoram as condições de aeração do solo (aração, gradagem, drenagem), bem como aquelas que evitam as perdas por lixiviação (adição de matéria orgânica e calagem) e por erosão (plantio em nível, terraço, etc) tendem a promover um melhor aproveitamento do K no solo. c) A tendência para o equilíbrio entre o K não trocável, trocável e em solução e as perdas às quais o K solúvel está sujeito, sugerem dois princípios básicos para a adição de K como fertilizante: o primeiro é que o elemento deve ser aplicado parceladamente em lugar de toda a quantidade necessária de uma só vez; o segundo é que se deve concentrar o K no sulco ou na cova de plantio, sempre que possível.

Os fertilizantes potássicos mais utilizados são: cloreto de potássio (60% de K2O), sulfato de potássio (50% de K2O), sulfato duplo de potássio e magnésio (2% de K2O) e nitrato de potássio (4% de K2O).

6.4. Orgânicos

Fertilizantes orgânicos são todos aqueles produtos que, adicionados ao solo, têm como objetivo fundamental produzir húmus e contribuir, desta forma, para manter, ou elevar, o equilíbrio húmico dos solos cultivados. É possível que esses produtos contenham, também, outros elementos fertilizantes, porém, este aspecto deve ser considerado secundário.

A Legislação Brasileira através do Decreto 86.955 de 18.02.82, considera fertilizantes orgânicos os produtos de origem vegetal ou animal, classificados em três categorias: (a) fertilizante orgânico simples (fertilizante de origem vegetal ou animal contendo um ou mais nutrientes das plantas), (b) fertilizante organomineral (fertilizante procedente da mistura ou combinação de fertilizantes minerais e orgânicos), e (c) fertilizante composto ou, simplesmente, composto (fertilizante obtido por processo bioquímico, natural ou controlado, com mistura de resíduos de origem vegetal ou animal).

A eficiência dos fertilizantes orgânicos para melhorar a produtividade do solo depende de alguns fatores que devem ser considerados: (a) qualidade e quantidade de aplicação; (b) épocas e condições de utilização; (c) métodos de aplicação; (d) adequabilidade aos sistemas agrícolas predominantes na região; (e) custo relativo de sua utilização.

A matéria orgânica favorece o aumento da produção, ao melhorar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. Na Tabela 13., resumem-se os principais efeitos da matéria orgânica no solo. É necessário dizer que os diferentes tipos de húmus contribuem de maneiras diferentes para esses efeitos. Em geral, quanto mais avançado o nível de humificação (relação C/N mais baixa) mais próximos estarão seus efeitos aos assinalados na referida Tabela.

6.5. Micronutrientes

Alguns elementos químicos são essenciais para o desenvolvimento das plantas. Desses elementos, alguns são exigidos em grandes quantidades e outros em pequenas quantidades e, por isso, comumente chamados de micronutrientes (B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo e Zn). Eles são de natureza essencialmente inorgânica e sua disponibilidade é muito variável, principalmente em cultivos intensivos, quando ocorrem alterações nas práticas de manejo do solo ou quando, de alguma maneira, haja esgotamento desses nutrientes sem a devida reposição por fertilizantes.

O teor de micronutrientes na matéria seca das plantas é, como regra, muito menor que o dos macronutrientes, sendo por isso, expressos quase sempre em partes por milhão (ppm), mg kg-1, por exemplo. Por isso, enquanto a necessidade dos macronutrientes são dadas em dezenas (às vezes centenas) de quilos por hectare, as exigências dos micronutrientes são medidas em gramas por hectare.

O conhecimento da ocorrência, reação e movimento no solo é de muita importância para se analisar o comportamento dos micronutrientes no sistema solo-planta. Eles podem ser encontrados no solo, tanto complexados com a parte orgânica, como na forma inorgânica. A fração orgânica do solo é muito complexa e compõe-se de uma grande variedade de compostos solúveis e insolúveis que são capazes de reagir com os micronutrientes.

TABELA 13. Principais efeitos da matéria orgânica nos solos cultivados

Aumento da capacidade calorífica

Solos mais quentes na primavera Redução das oscilações térmicas Agregação de partículas elementares Aumenta a estabilidade estrutural Proporciona coesão nos solos arenosos Aumenta a permeabilidade hídrica e gasosa Solos menos encharcados Facilita a drenagem Reduz a erosão Aumenta a capacidade de retenção hídrica Reduz a evaporação Melhora o balanço hídrico

QUÍMICAS Aumento do poder tampão

Regula o pH Aumenta a capacidade de troca catiônica Mantêm os cátions em formas trocáveis Formação de fosfohumatos Formação de quelatos Mantêm as reservas de nitrogênio

BIOLÓGICAS Favorece a respiração radical

Favorece a germinação das sementes Regula a atividade microbiana

Fonte de energia para os microrganismos heterotróficos Modifica a atividade enzimática

Melhora a nutrição mineral dos cultivos Ativa a rizogênese

Favorece a solubilização de compostos minerais Inibe o efeito de algumas toxinas

A capacidade do solo de reter micronutrientes depende das suas propriedades químicas, físicas e biológicas, assim como da forma química em que o elemento foi aplicado. Dentre os fatores que influem na retenção dos micronutrientes podem ser citados: a textura, o pH, a umidade, o teor de matéria orgânica, o teor de óxidos de ferro, alumínio e manganês, a espécie e a concentração dos constituintes da solução do solo.

Normalmente, a solubilidade, e conseqüentemente a movimentação dos micronutrientes catiônicos (Zn, Cu, Fe e Mn), aumenta com a diminuição do pH do solo. De maneira inversa, a mobilidade do ânion molibdato aumenta com o aumento do pH.

Embora as necessidades de micronutrientes das culturas sejam pequenas, suas deficiências têm aparecido com muita frequencia, principalmente devido ao uso crescente de fertilizantes bastante concentrados.

Há pelo menos três classes de produtos portadores de micronutrientes que são usados para prevenir ou corrigir deficiências: óxidos, ácidos e sais minerais; silicatos complexos; quelatos naturais ou sintéticos.

Os fertilizantes contendo micronutrientes podem ser aplicados no tratamento de sementes, na pulverização foliar e diretamente no solo, isoladamente ou em mistura com os fertilizantes portadores de macronutrientes.

As quantidades que podem ser aplicadas com as sementes são limitadas e por isso o tratamento pode não ser suficiente para garantir o fornecimento necessário do elemento. As aplicações foliares da maioria dos micronutrientes são eficientes, mas em geral exigem sua repetição o que aumenta o custo da operação. Por outro lado, a aplicação isolada do micronutriente no solo também implica em aumento de custos. Porém, a desvantagem mais séria do uso isolado, é a dificuldade em se distribuir de modo uniforme a pequena quantidade exigida pelas culturas. Por tudo isso, é muito viável a prática de se distribuir o micronutriente previamente misturado com os demais fertilizantes no planejamento das fertilizações rotineiras e freqüentes.

7. RECOMENDAÇÃO DE FERTILIZANTES

Para que se possa fazer uma indicação correta de adubação, é indispensável o conhecimento do nível atual de fertilidade do solo a ser cultivado. É através da análise química da amostra do solo que se determina a sua fertilidade, permitindo o conhecimento prévio das quantidades dos nutrientes e da necessidade de correção destes e da reação do solo.

As análises são processadas em pequenas quantidades de solo e assim, facilmente, verifica-se a importância que representa a amostragem. Pouco valor terá uma análise feita com todo rigor, se a amostra não for representativa da área a ser cultivada.

Por essa razão, é de máxima importância que a amostragem do solo seja bem executada e é indispensável que as recomendações a seguir expostas, sejam seguidas com todo o cuidado:

7.1. Amostragem

Por definição, amostragem é o processo de obtenção da amostra para ser analisada como representante de um todo. Estatisticamente, é o conjunto de métodos utilizados na obtenção de amostras representativas de uma população. Nesta linha de raciocínio, amostra é a parte ou unidade de um produto natural, neste caso o solo, que se obtém para representar uma área homogênea.

A amostragem de solo é a primeira etapa de um programa para avaliação da sua fertilidade. Portanto, o conhecimento da condição da fertilidade do solo no âmbito de uma área cultivada ou não, permite o emprego das mais confiáveis práticas de manejo de fertilizantes e de corretivos.

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