Apostila de Fundamentos e Fertilidade do Solo

Apostila de Fundamentos e Fertilidade do Solo

(Parte 6 de 8)

A interpretação da reação do solo varia um pouco nos diversos laboratórios do País. A Tabela 10 mostra a interpretação, segundo a ESALQ( Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” ).

Tabela 10. Interpretação da reação do solo, segundo a ESALQ( Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” ). _

pH
< 5,0Acidez
5,0 - 5,9 Acidez média
6,0 - 6,9 Acidez fraca
7,0 Neutro
7,0 - 7,8Alcalinidade
> 7,8 Alcalino

_ elevada fraca _

A experimentação tem demonstrado que as plantas suportam variações um tanto amplas de pH, porém a faixa entre 6,0 e 6,5 tem sido confirmada por diversos pesquisadores, como ideal para a maioria das culturas agrícolas.

Pode-se verificar a influência da reação do solo sobre a produção de algumas culturas, através dos dados da Tabela 1. Os nutrientes minerais essenciais existentes no solo só serão aproveitados pelas plantas se estiverem dissolvidos na solução do solo ou retidos à superfície das partículas coloidais de tal modo que possam ser facilmente deslocados dessa posição: os elementos que se encontram nessas formas se denominam “disponíveis”.

O pH controla a solubilidade dos nutrientes do solo exercendo, por isso, considerável influência sobre a absorção dos mesmos pelas plantas.

Em solos fortemente ácidos, diversos elementos, mesmo, os considerados essenciais, podem se tornar tóxicos às plantas, como no caso do Fe, Cu, Zn, B e Mn.

Solos de reação fortemente ácida, apresentam uma elevada concentração de íons H+, que provocará uma alta solubilização dos óxidos hidratados de Al, tornando-o livre em solução, determinando ao mesmo tempo, predomínio deste elemento no complexo sortivo do solo. Este efeito é extremamente negativo ao desenvolvimento vegetal, pois o Al, mesmo em baixas concentrações é altamente tóxico às plantas.

5.1. Correção da acidez

Há vários processos destinados à avaliação da quantidade de calcário necessária para corrigir a acidez do solo. O método da incubação de amostras de solo com quantidades crescentes de CaCO3, durante um certo período, até que o equilíbrio seja alcançado, permite estabelecer uma curva por meio da qual a necessidade de calcário pode ser determinada para se obter um pH desejado. Este método é muito preciso e serve como padrão para se correlacionar as doses de calcário estimadas por outros métodos.

Tabela 1. Produções relativas de algumas culturas em diferentes níveis de reação do solo. A produção mais elevada em relação a cada cultura é considerada igual a 100 e as demais são expressas como percentagens dela. _

CULTURA PRODUÇÃO MÉDIA NO pH
4,7 5,0 5,7 6,8

_ 7,5 _

MILHO34 73 83 100
TRIGO68 76 89 100
AVEIA7 93 9 98
CENTEIO0 23 80 95
ALFAFA2 9 42 100
TREVO DOCE0 2 49 89
TREVO VERMELHO12 21 53 98
SOJA65 79 80 100

O método da saturação de bases é bastante difundido nas regiões Sul e Sudeste do País. O método consiste em elevar a saturação de bases do solo a um determinado valor desejável, onde a necessidade de calcário é calculada pela expressão:

N.C. = ( V2 - V1 ) . CTC / PRNT onde: N.C. - Necessidade de calcário ( t/ha) para uma camada de solo de 20 cm de espessura.

V2 - Saturação de bases (em %), desejada em valor adequado para cada cultura.

CTC - Capacidade de Troca de Catíons ( Cmolc dm-3 ), determinada pela análise de solo.

PRNT - Poder relativo de neutralização total do calcário a ser utilizado, informado pela indústria produtora.

O método do Alumínio trocável e o método do Ca + Mg trocáveis, largamente utilizados em alguns Estados do País, inclusive em Pernambuco, mostra-se eficiente para elevar o pH dos solos e reduzir a saturação por alumínio em solos ácidos.

A quantidade de calcário calculada é baseada nas seguintes expressões:

Q = F x Al trocávelou Q = F x [ X - ( Ca + Mg trocáveis )

onde: Q - Quantidade de calcário puro (t/ha) para uma camada de solo de 20 cm de expesura.

F - Fator de calagem, podendo assumir os seguintes valores, dependendo da classe textural do solo: 1,0 para solos arenosos; 2,0 para solos argilosos; e 3,0 para solos argilosos e ricos em matéria orgânica.

X - Segundo fator de calagem, podendo assumir os seguintes valores, dependendo da classe textural do solo: 2,0 para solos arenosos e 3,0 para solos argilosos.

Al trocável - Determinado pela análise de solo (Cmolc dm-3) Ca + Mg trocáveis - Determinados pela análise de solo (Cmolc dm-3).

Em Pernambuco, de acordo com o boletim de recomendação de adubação e calagem para o Estado (1a aproximação), tanto F, como X, assumem o valor 2.

Para recomendar a necessidade de calcário, deve-se calcular a quantidade do corretivo pelos dois métodos, o que for maior é que deve ser a quantidade recomendada.

5.2. Correção da alcalinidade

Em solos de regiões áridas e semi-áridas é comum a presença de solos halomórficos de reação neutra a alcalina, devido a grande concentração de sais na superfície, resultante do processo de ascenção capilar. Dependendo da intensidade deste processo, estes solos podem se tornar improdutivos, sendo sua recuperação bastante onerosa e antieconômica. A Tabela 12 relaciona os critérios utilizados e os limites admitidos para a classificação dos solos halomórficos.

Tabela 12. Classificação dos solos halomórficos. _

SOLOC.E. (dS/m a 250C)1 pH
SALINO> 4 < 8,5 <15
SALINO-SÓDICO> 4 < 8,5 >15
SÓDICO< 4 > 8,5 > 15

_ 1- C.E. ( Condutividade elétrica ); 2- PST ( Percentagem de sódio trocável )

A correção de solos salinos é baseada no cálculo de uma lâmina de lixiviação que dependerá do teor de sais na água utilizada, da tolerância das culturas ao sal, aliada a um satisfatório sistema de drenagem.

No caso dos solos salino-sódicos e sódicos antes de se aplicar uma lâmina de lixiviação é necessário utilizar-se um corretivo para reduzir a concentração do sódio no complexo sortivo do solo. Alguns corretivos podem ser utilizados, como: gesso, enxofre, ácido sulfúrico, cloreto de cálcio, etc. O gesso é o corretivo mais utilizado por ser de custo relativamente reduzido e de fácil obtenção. Este processo é denominado de gessagem e a quantidade de gesso pode ser determinada pela seguinte expressão:

N.G. = [ ( PSTi - PSTf ) . CTC . 86 . h . Da ] / 100

onde: N.G. - Necessidade de gesso(Kg/ha). PSTi - Percentagem de sódio trocável em que o solo se encontra (%). PSTf - Percentagem de sódio trocável final desejável (%).

CTC - Capacidade de Troca de Catíons do solo (Cmolc dm-3).

86 - Peso do equivalente químico do gesso (CaSO4 . 2H2O). h - Profundidade do solo que se deseja recuperar (cm).

Da - Densidade aparente ou global do solo (g/cm3).

6. O USO DE FERTILIZANTES

6.1. Nitrogenados

em geral, exceto as leguminosas

O nitrogênio é um dos nutrientes mais importantes para as plantas e, com freqüência, o mais limitante à produção das culturas

A fertilização nitrogenada é uma complementação à capacidade de suprimento de nitrogênio dos solos, a partir da mineralização de seus estoques de matéria orgânica, geralmente altos em relação às necessidades das plantas.

Em função de sua forma de atuação e das condições gerais de emprego é habitual classificar os fertilizantes nitrogenados em orgânicos e químicos, cuja seleção de uma ou outra forma depende dos fatores e condições do solo, das condições climáticas, da velocidade de atuação e do valor econômico.

Os fertilizantes nitrogenados orgânicos são provenientes da mineralização dos resíduos vegetais e animais, através da ação efetiva da microbiota do solo. Pertencem a essa classificação o esterco eqüino (1,4%N), o esterco bovino (1,67%N), o esterco suino (1,86%N), o esterco de galinha (2,76%N), a torta de amendoim (7,65%N), a torta de coco (4,37%N), a torta de soja (6,56%N), a torta de usina de cana-de-açúcar (2,19%N), cascas de castanha de caju (0,74%N), borra de café (2,30%N), sangue seco (1,80%N), entre outros.

Os fertilizantes nitrogenados químicos são subdivididos em quatro grupos. Os amoniacais, que apresentam o nitrogênio na forma amoniacal, como a amônia anidra (82%N), as soluções amoniacais (20%N), o sulfato de amônio (21%N), o cloreto de amônio (25%N), o fosfato de monoamônio-MAP (9%N), o fosfato diamônio-DAP (16%N), o fosfosulfato de amônio (13%N). Os nítricos, que apresentam o nitrogênio na forma nítrica, como o nitrato de sódio (16%N), o nitrato de potássio (13%N), o nitrato de cálcio (16%N), o nitrofosfato (14%N). Os nítrico-amoniacais, que apresentam o nitrogênio nas formas nítrica e amoniacal, como o nitrato de amônio (32%N), o nitrato de amônio e cálcio (20%N), o nitrosulfocálcio (25%N), o sulfonitrato de amônio (25%N), o sulfonitrato de amônio e magnésio (19%N). Os amídicos, que apresentam o nitrogênio na forma amídica, como a uréia (4%N), a uréia formaldeído (35%N), a uréia revestida com enxofre (39%N) e a crotonilidina diuréia (28%N).

Devido à sua alta mobilidade, a quantidade total de nitrogênio adicionada com os fertilizantes nitrogenados deve ser aplicada de forma fracionada, a fim de que a planta possa encontrar no solo o nitrogênio que necessita, nos períodos críticos do seu ciclo vital.

6.2. Fosfatados

As fontes minerais de fósforo são todas originadas de rochas fosfáticas, conhecidas como “fosfatos naturais”, que são encontrados na forma de compostos de ferro, alumínio e de cálcio. Os fosfatos de ferro e de alumínio têm sua solubilidade aumentada com a elevação do pH do solo. Os fosfatos de cálcio (apatitas e fosforitas), por sua vez, são mais solúveis em solos com pH ácido.

No comércio, são encontradas fontes naturais de fósforo e fontes industrializadas, obtidas a partir das naturais.

a) Fosfatos naturais

Os fosfatos naturais de maior ocorrência são as apatitas. Esses fosfatos possuem um teor considerável de fósforo total (24 a

27% de P2O5 total), contudo, de baixa solubilidade. A solubilidade desses materiais é aumentada em meio ácido.

b) Superfosfato simples

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