Apostila de Fundamentos e Fertilidade do Solo

Apostila de Fundamentos e Fertilidade do Solo

(Parte 4 de 8)

De acordo com a função que os macro e micronutrientes exercem nas plantas, eles serão responsáveis por diferentes papéis na formação das colheitas, como mostra a Tabela 5.

A redistribuição dos elementos essenciais à vida das plantas, dar-se predominantemente pelo floema. No entanto, os elementos podem mostrar mobilidade muito diferente. Os elementos considerados móveis são o N, P, K, Mg, Cl e Mo; os pouco móveis são o S, Cu, Fe, Mn e o Zn; os imóveis são o Ca e o B.

Essa mobilidade maior ou menor tem muita relevância prática, já que ocorrendo uma deficiência de um elemento móvel, inicialmente os sintomas se manifestarão nas folhas mais velhas, enquanto que a deficiência de um elemento pouco móvel ou imóvel na planta, o sintoma de deficiência se manifestará nas folhas e órgãos mais novos.

A cultura exige um suprimento contínuo dos elementos pouco móveis e imóveis pois, havendo interrupção ou diminuição no suprimento, não haverá mobilização suficiente do nutriente para “socorrer” os órgãos mais novos.

Tabela 5. Participação dos macro e micronutrientes na formação e na qualidade da colheita.

ElementoPapéis
NitrogênioEstimula a formação e desenvolvimento de gemas

floríferas e frutíferas; maior vegetação e perfilhamento; aumenta o teor de proteína.

FósforoAcelera a formação de raízes; aumenta a

frutificação; apressa a maturação dos frutos.

PotássioEstimula a vegetação e perfilhamento (gramíneas);

estimula o enchimento de grãos; promove o armazenamento de açúcar e amido; aumenta a eficiência do uso da água; aumenta a resistência a seca, geadas, pragas e moléstias.

CálcioEstimula o desenvolvimento das raízes; aumenta a

resistência a pragas e moléstias; maior pegamento das floradas.

MagnésioColabora com o fósforo
EnxofreAumenta a vegetação e a frutificação; aumenta o

teor de óleos, gorduras e proteínas

BoroColabora com o cálcio; aumenta a granação
CobreAumenta à resistência às doenças; menor

esterilidade masculina(cereais)

FerroFixação do nitrogênio
ManganêsAumenta a resistência a algumas doenças

Molibdênio Fixação simbiótica do nitrogênio

ZincoEstimula o crescimento e frutificação.

1.3. Absorção dos elementos: o contato íon - raiz

Para que um elemento M(mineral) existente na solução do solo possa ser absorvido pelas raízes é necessário que entre em contato com as mesmas. Existem três processos para estabelecer o contato: a interceptação radicular, o fluxo de massa e a difusão.

A interceptação radicular trata-se do encontro da raiz absorvente com o elemento em forma disponível no solo. A quantidade do elemento que dessa maneira entra em contato com o sistema radicular é relativamente pequena e proporcional a relação superfície da raiz/superfície do solo. Nestas condições, pode-se perceber que quanto mais desenvolvido o sistema radicular de uma planta maior será o contato com a superfície do solo.

O fluxo de massa pode ser definido como o movimento do íon em uma fase aquosa móvel. A medida que as raízes absorvem água, ou melhor, solução do solo, estabelece-se um gradiente de potencial de água no solo e a solução se move para a superfície da raiz: os elementos dissolvidos são então carregados pela água por fluxo de massa. Este é o meio de contato mais importante para a maioria dos elementos essenciais entrarem em contato com a superfície das raízes no processo de absorção.

A difusão é definida como o movimento do íon em uma fase aquosa estacionária, a distâncias curtas. A absorção de M pela raiz faz com que diminua a sua concentração na superfície das mesmas, criando um gradiente de concentração ao longo do qual o elemento se difunde.

Tomando-se a cultura do milho como exemplo, a contribuição dos três processos é a que aparece na Tabela 6. De acordo com o que se pode observar na referida tabela, o conhecimento do tipo de contato íon-raiz é de fundamental importância na localização do adubo durante a sua aplicação.

Tabela 6. Relação entre o processo de contato e a localização do adubo

Processo de contato
ElementoInterceptação fluxo de massa Difusão Aplicação de adubos
------------------------(% do total)------------------
N1 9 0 Distante, cobertura
P2 4 94 Perto, localizado
K3 25 72 Perto, localizado
Ca287 760 0 Lanço
Mg57 375 0 Lanço
S5 95 0 Distante, cobertura
B29 1000 0 Distante, cobertura
Cu70 20 10 Lanço, localizado
Fe50 10 40 Lanço , localizado
Mn15 5 80 Perto, localizado
Mo10 200 0 Lanço
Zn20 20 60 Perto, localizado

Os processos de contato do íon com a raiz são alguns dos fatores que determinam a localização do adubo em relação à semente ou à planta: o adubo nitrogenado tem de ser colocado de maneira tal que a água possa conduzi-lo até a raiz; já os adubos contendo P e K, elementos que atingem as raízes por difusão, devem ser colocados de modo a garantir o maior contato com a raiz, pois devido ao pequeno deslocamento destes elementos, as necessidades da planta poderão não ser satisfeitas.

1.4. Leis e princípios da fertilidade do solo a) Lei da Restituição: É indispensável restituir ao solo, para evitar o seu empobrecimento, todos os nutrientes removidos pelas colheitas.

b) Lei do Mínimo: As produções das culturas são reguladas pelas quantidades do elemento disponível que se encontra no mínimo em relação às necessidades das plantas.

c) Lei dos Acréscimos não Proporcionais: O aumento de produção não é proporcional ao aumento do fator limitante.

d) Lei do Máximo: Qualquer fator de produção, quando em excesso, tende a não aumentá-la ou mesmo a diminuí-la.

e) Lei do Decréscimo da Fertilidade do Solo: A fertilidade dos solos cultivados tende a decrescer com o tempo se não forem executados trabalhos especiais, possibilitados pela ciência e pela técnica, para mantê-la ou mesmo elevâ-la.

2. A FRAÇÃO ARGILA E SUA IMPORTÂNCIA NA FERTILIDADE DO SOLO

O termo argila é usado no solo com três diferentes significados: Para designar o separado mecânico na análise granulométrica de partículas inferiores a 0,002 m; designar a classe textural do solo, conhecida como argila; designar a fração do solo constituída de silicatos hidratados de alumínio, denominados argilo-minerais.

Numa classificação geral, as argilas podem se agrupar em silicatadas, também chamadas minerais de argila ou argilo-minerais e as formadas por óxidos hidratados de Fe e Al, principalmente.

A estrutura dos minerais de argila é formada por duas unidades cristalográficas básicas: os tetraedros de sílicio e os octaedros de alumínio ou magnésio. O arranjamento estrutural dessas unidades e o grau de expansão irão agrupar estes argilominerais em diferentes tipos, com diferentes características, tais como: caulinita, montmorilonita, vermiculita, ilita e clorita, etc.

A fertilidade natural de um solo depende, indubidavelmente, de sua capacidade adsortiva, que é função dos argilo-minerais e coloídes orgânicos. Os elementos minerais, essenciais à vida vegetal, serão então, adsorvidos a estas estruturas minerais e/ou orgânicas, sendo, gradativamente, liberados e absorvidos pelas plantas.

Os elementos minerais em forma iônica são denominados de íons e são chamados de catíons quando carregados positivamente e aníons quando carregados negativamente. Os argilo-minerais e os coloídes orgânicos geram cargas negativas e/ou positivas no solo que são neutralizadas pelos catíons e/ou aníons. Quando os catíons dominam o complexo sortivo do solo( argilo-minerais e coloídes orgânicos ) dá-se o nome de capacidade de troca de catíons do solo( CTC ). Já no caso da adsorção de aníons dá-se o nome de capacidade de troca aniônica( CTA ). A CTC é um fenômeno mais característico na maior parte dos solos agrícolas.

A CTC é muito variável dependendo do tipo do coloíde, como se pode observar na tabela 7 abaixo:

Tabela 7. Capacidade de troca de catíons de alguns coloídes do solo. _

COLOÍDE CTC(Cmolc dm-3)
Caulinita 5 - 15
Montmorilonita 50 - 100
Ilita 10 - 50
Vermiculita 100 - 150
Óxidos de Fe e Al 2 - 5
Humus 150 - 500

3. PROPRIEDADES QUÍMICAS

O complexo sortivo do solo consiste de um complexo radical negativo e de uma mistura de catíons adsorvidos.

A troca de catíons é uma reação dinâmica, reversível da troca de um ou mais catíons adsorvidos por outros no complexo sortivo do solo.

A capacidade de Troca de Catíons (CTC) é a capacidade que os argilo-minerais e a matéria orgânica possuem para adsorver catíons trocáveis. Está CTC depende do tipo de mineral de argila, do teor da matéria orgânica presente no solo e do pH.

Soma de bases (S) é a soma de todos os catíons trocáveis no complexo sortivo com exceção do H+ e Al3+.

S = Ca + Mg +K + Na +...........(Cmolc dm-3)

A saturação de bases (V) é a percentagem da soma de bases em relação ao complexo sortivo (CTC).

V = S x 100
CTC

A saturação por alumínio (m) é a percentagem do alumínio em relação a soma de bases mais o alumínio.

m = Al x 100
S + Al

A saturação por sódio (PST) é a percentagem de sódio (Na) em relação ao complexo sortivo do solo.

PST = Na x100
CTC

2.1. Classificação dos solos quanto a saturação por bases (V), saturação por alumínio (m) e saturação por sódio (PST).

a) Saturação por bases:

• V ≥ 50% - Eutrófico • V < 50% - Distrófico b) Saturação por alumínio

• m ≥ 50% - Álico • m < 50% - Não-álico c) Saturação por sódio

• PST ≥ 15% - Sódico • PST < 15% - Não-sódico

4. MATÉRIA ORGÂNICA DO SOLO

4.1 Constituição, conteúdo e distribuição

A matéria orgânica do solo é constituída, basicamente, de duas frações distintas: uma os restos vegetais e animais em diferentes estados de decomposição e outra, o húmus, que é o produto desses restos após decomposição biológica.

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