Os Adubos e a Eficiência das Adubações

Os Adubos e a Eficiência das Adubações

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BOLETIM TÉCNICO N° 3

OS ADUBOS E A EFICIÊNCIA DAS ADUBAÇÕES (3a edição)

OS ADUBOS E A EFICIÊNCIA DAS ADUBAÇÕES (3a edição)

J. C. Alcarde J. A. Guidolin A. S. Lopes

Dezembro de 1998

ANDA Associação Nacional para Difusão de Adubos São Paulo – SP

Composição, Impressão e Acabamento: Editora Gráfica Nagy Ltda Revisão e Atualização dos Anexos: Carlos Alberto Pereira da Silva

Alcarde, J. C. et al.

3.edOs adubos e a eficiência das adubações / J. C.

A271a

Alcarde,

J. A. Guidolin e A. S. Lopes – 3. ed. – São Paulo, ANDA, 1998.

35p. (Boletim Técnico, 3).

1. Adubos 2. Adubação – Eficiência I. Título I. Alcarde, J. C. I. Guidolin, J. A. IV. Lopes A. S.

CDU-631.8

APRESENTAÇÃO DA 2a EDIÇÃO

Dentre os vários fatores da produção, a adubação racional e eficiente ocupa lugar de destaque, tanto em termos quantitativos como da qualidade dos produtos agrícolas. Por outro lado, os adubos representam também uma razoável parcela nos custos de produção, justificando um esforço considerável do agricultor para, fazendo o uso mais eficiente possível da adubação, obter a Produtividade Máxima Econômica (PME).

Um ponto relevante nesse aspecto é que a eficiência da adubação não depende apenas das doses ou quantidades a serem aplicadas. Existe uma série de outros fatores circunstanciais que devem ser do conhecimento do técnico e/ou agricultor, para que, cuidadosamente analisados, conduzam a um melhor uso dos adubos.

Nesta Segunda edição do boletim – “Os Adubos e a Eficiência das

Adubações” – procura-se abordar de maneira simples as várias características e fatores responsáveis pelo desempenho dos adubos, com o objetivo de difundir o seu emprego mais racional, com todos os benefícios possíveis para o aumento da produção e da produtividade da agropecuária brasileira.

Além dessas informações são apresentadas definições claras dos adubos ou fertilizantes, sob os aspectos químico e físico, e listados os vários fertilizantes comercializados no Brasil.

Esperamos que as informações contidas nesse boletim contribuam para os objetivos propostos.

ANDA Associação Nacional para Difusão de Adubos e Corretivos Agrícolas

São Paulo, novembro de 1991

I – AS NECESSIDADES VITAIS DAS PLANTAS7
I – FATORES QUE INFLUENCIAM A PRODUÇÃO AGRÍCOLA7
I – OS ADUBOS OU FERTILIZANTES8
1. Classificação sob o ponto de vista químico8
2. Classificação sob o ponto de vista físico10
IV – CARACTERÍSTICAS DE QUALIDADE DOS FERTILIZANTES1
1. Características de natureza física1
2. Características de natureza química13
3. Características de natureza físico-quimica15
V – A EFICIÊNCIA DAS ADUBAÇÕES17
1. Fatores diretos17
2. Fatores indiretos21
VI – PERDAS DE NUTRIENTES2
1. Erosão2
2. Lixiviação ou percolação2
3. Volatilização de nitrogênio2
4. Fixação23
ECONÔMICA23
VIII – CONCLUSÃO24
IX – BIBLIOGRAFIA CONSULTADA25
ANEXO 1 – FERTILIZANTES MINERAIS SIMPLES27

VII – PRODUTIVIDADE MÁXIMA E PRODUTIVIDADE MÁXIMA ANEXO 2 – FERTILIZANTES ORGÂNICOS E ORGANO-MINERAIS.........41

José Carlos Alcarde (1)

José Adroaldo Guidolin (2) Alfredo Scheid Lopes (3)

Embora bastante conhecido, é interessante recordar que as plantas, para viver, necessitam de luz, ar, água, temperatura adequada e dos seguintes elementos minerais: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco. Esses elementos, e mais o carbono, o hidrogênio e o oxigênio, presentes no ar e na água, constituem os nutrientes essenciais aos vegetais. Para as leguminosas, inclui-se também o cobalto como nutriente essencial.

É por isso que uma planta desenvolve-se perfeitamente em “solução nutritiva”, isto é, em água contendo aqueles elementos minerais em quantidades suficientes e na presença de luz, ar e temperatura adequada.

Portanto, o solo não é essencial à vida das plantas. Porém, é de fundamental importância para a agricultura, isto é, para o cultivo das plantas em escala maior e com fins econômicos, porque serve para abrigar e fixar as plantas, armazenar e fornecer água e todos aqueles elementos minerais exigidos pelos vegetais.

A produção agrícola depende de uma série de fatores limitantes, isto é, o mau desempenho de um pode comprometer todos os demais. Basicamente, esses fatores são os seguintes: clima, solo, planta, práticas culturais e incidência de pragas e doenças.

Entende-se como clima, um conjunto de condições naturais que determinam a ecologia de uma região, destacando-se a radiação solar, a temperatura e a água.

O solo, conforme já referido, é fundamental para abrigar e fixar as plantas, armazenar água e fornecer os nutrientes essenciais à vida vegetal. Em relação à função de fornecedor de nutrientes, os solos podem ser ricos ou pobres nesses nutrientes, e solos ricos são empobrecidos com o decorrer da exploração agrícola. A função dos adubos ou fertilizantes é levar nutrientes vegetais ao solo.

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1 Eng° Agrônomo, Professor Titular do Dept° de Química, ESALQ-USP, Piracicaba – SP 2 Eng° Agrônomo 3 Eng° Agrônomo, Professor Emérito do Departamento de Ciência do Solo, UFLA, Lavras – MG. Consultor Técnico da ANDA.

Quanto à planta, atualmente dispõe-se de variedades mais adaptadas a determinadas condições e, conseqüentemente, mais produtivas.

As práticas culturais compreendem todas as recomendações técnicas gerais e específicas que devem ser observadas: preparo do solo, calagem, adubação, qualidade da semente, espaçamento, irrigação, controle do mato, etc.

Finalmente, todas as plantas estão sujeitas às pragas e doenças, que comprometem não só a produção como a qualidade do produto. O controle fitossanitário, ou seja, o combate às pragas e doenças, é uma prática indispensável à agricultura.

De todos os fatores relacionados, o clima e o solo são os que determinam o potencial agrícola da região. No Brasil, o clima é dos mais favoráveis, dispondo, em abundancia, de radiação solar, temperatura adequada e água. Em termos de solo, a área agricultável é também imensa. Nestas condições naturais privilegiadas, ocorrem algumas deficiências: certa desuniformidade pluviométrica e solos com acidez elevada e pobres de nutrientes. Porém, são deficiências corrigíveis do ponto de vista técnico, até com certa facilidade, através da irrigação, calagem e adubação. É por isso que o Brasil é conceituado como ‘um País eminentemente agrícola” e que está predestinado a ser o “celeiro do mundo”.

O presente trabalho trata especificamente da prática da adubação, isto é, do fornecimento ao solo de nutrientes essenciais ao desenvolvimento dos vegetais, através da adição de adubos.

Adubo ou fertilizante é um produto mineral ou orgânico, natural ou sintético, fornecedor de um ou mais nutrientes vegetais.

1. Classificação sob o ponto de vista químico

1.1. Fertilizantes minerais: são os fertilizantes constituídos de compostos inorgânicos (compostos desprovidos de carbono). São também considerados fertilizantes minerais aqueles constituídos de compostos orgânicos (compostos que contêm carbono) sintéticos ou artificiais, como a uréia – CO(NH2)2, a calciocianamida e os quelatos.

Os fertilizantes minerais se subdividem em três classes:

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a) Fertilizantes simples: são os fertilizantes constituídos fundamentalmente de um composto químico, contendo um ou mais nutrientes vegetais, quer sejam eles macro ou micronutrientes ou ambos. A relação dos fertilizantes minerais simples reconhecidos pela legislação brasileira encontra-se no Anexo 1 (página 21).

b) Fertilizantes mistos ou misturas de fertilizantes: são os fertilizantes resultantes da mistura de dois ou mais fertilizantes simples.

c) Fertilizantes complexos: são misturas de fertilizantes resultantes de processo tecnológico em que se formam dois ou mais compostos químicos. São misturas produzidas com a participação de matérias- primas (amônia – NH3, ácido sulfúrico – H2SO4, ácido fosfórico – H3PO4), as quais dão origem a compostos químicos como sulfato de amônio – (NH4)2SO4, fosfato monoamônico (MAP) – NH4H2PO4, fosfato diamônico (DAP) – (NH4)2HPO4.

1.2. Fertilizantes orgânicos: são os fertilizantes constituídos de compostos orgânicos de origem natural, vegetal ou animal. A relação dos fertilizantes orgânicos reconhecidos pela legislação brasileira encontra-se no Anexo 2 (página 35).

É importante distinguir-se bem a capacitação dos fertilizantes minerais e orgânicos. Isso fica facilitado utilizando-se o conceito de melhorador ou condicionador do solo: são produtos que promovem a melhoria das propriedades físicas (porosidade, aeração, capacidade de retenção de água) ou físico-quimicas (capacidade de retenção de cátions) do solo. Exemplo: serragem, vermiculita. Portanto, a função de melhorar as características químicas (conteúdo de nutrientes) fica reservada aos fertilizantes.

E comparando-se os conceitos de fertilizante e de condicionador, verificase que os materiais orgânicos se enquadram muito melhor no segundo, pois sua ação é muito mais eficaz no aumento da porosidade, aeração, retenção de água, atividade microbiana e capacidade de retenção de cátions, do que como fornecedor de nutrientes. Isto porque os materiais orgânicos contêm nutrientes vegetais em baixíssimas concentrações, necessitando-se de grandes quantidades desses produtos para funcionarem como fertilizantes. E isso fica limitado pela disponibilidade do produto e pelo custo, principalmente do transporte.

Assim, é evidente que os produtos orgânicos desempenham muito mais as funções de condicionador ou melhorador do solo e muito pouco as funções de fertilizante, enquanto os produtos minerais desempenham efetivamente as funções de fertilizante.

Essa distinção é muito importante porque é incorreta a comparação dessas duas classes de produtos como fertilizantes: os produtos orgânicos certamente estarão prejudicados, e poderão ser conduzidos a um errôneo descrédito, quando na verdade deve-se fazer uso de todo o material orgânico de que se puder dispor devido à sua função de condicionador e ao aumento na eficiência dos fertilizantes minerais. Por outro lado, essa distinção de funções serve também para desmistificar o caráter de agrotóxico que, por pura ignorância, não raro é atribuído aos fertilizantes minerais, o que certamente tem sido bastante negativo à agricultura brasileira.

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1.3. Fertilizantes organo-minerais: são os fertilizantes resultantes da mistura de fertilizantes orgânicos e minerais. O objetivo dessas misturas é enriquecer os materiais orgânicos de nutrientes vegetais. Porém, sua aplicabilidade tem sido restrita porque só se consegue produzir essas misturas com concentrações relativamente baixas tanto do componente orgânico como do mineral.

2.Classificação sob o ponto de vista físico 2.1. Sólidos: são os fertilizantes que se apresentam no estado sólido. Os fertilizantes sólidos estão subdivididos em duas classes:

a) Pó ou farelado: quando as partículas são de pequenas dimensões. b) Granulado: quando as partículas são de dimensões que permitem caracterizar um granulo. Nesta classe, as misturas de fertilizantes apresentam peculiaridades próprias:

- misturas de grânulos ou misturas de granulados: são as obtidas pela simples mistura de dois ou mais fertilizantes simples previamente granulados. São misturas físicas e caracterizam-se por apresentar os nutrientes contidos em grânulos distintos;

- misturas granuladas: são as obtidas pela mistura de dois ou mais fertilizantes simples em pó e sua posterior granulação, ou são obtidas de uma mistura complexa e posterior granulação. No primeiro caso, são também misturas físicas e, no segundo, misturas químicas; mas ambas caracterizam-se por conter, em cada grânulo, todos os nutrientes garantidos na mistura.

2.2. Fluidos: são os fertilizantes que se apresentam no estado liquido. Estão subdivididos em duas classes:

a) Soluções: são os fertilizantes líquidos que se apresentam na forma de soluções verdadeiras, isto é, isentas de material sólido.

b) Suspensões: são os fertilizantes líquidos que se apresentam na forma de suspensões, isto é, uma fase sólida dispersa num meio liquido.

2.3. Gasosos: são os fertilizantes que se apresentam no estado gasoso, nas condições normais de temperatura e pressão. O único fertilizante que se apresenta nesta forma é a amônia anidra.

As características de qualidade dos fertilizantes são as condições naturais ou artificiais com que esses produtos podem se apresentar, e têm relação direta ou indireta com a sua eficiência.

Essas características são diversas ou até numerosas e podem ser de natureza física, química ou físico-química.

1. Características de natureza física

As características de natureza física são:

1.1.Estado físico: os fertilizantes podem se apresentar nos três estados físicos: sólido, fluido e gasoso.

A forma sólida foi, e ainda é, a predominantemente usada no Brasil.

O uso de fertilizantes fluidos, soluções e suspensões, é relativamente recente no Brasil, mas vem mostrando um ritmo crescente de consumo.

Quanto ao estado gasoso, o único fertilizante assim empregado em aplicação direta é a amônia anidra, mas, no Brasil, praticamente não é usada, pois exige cuidados rigorosos e tecnologia.

1.2. Granulometria: a granulometria dos fertilizantes sólidos relaciona-se com o tamanho e a forma de suas partículas.

a) Tamanho: a influência do tamanho das partículas nas características dos fertilizantes sólidos fundamenta-se no fato de que a subdivisão de um material aumenta sua superfície de exposição por unidade de massa. Como conseqüência, todos os fenômenos que dependem do contato, como velocidade de dissolução, absorção de umidade atmosférica ou higroscopicidade e outros, são intensificados ou reduzidos em função do tamanho.

Assim, o tamanho das partículas dos fertilizantes sólidos deve ser considerado sob dois aspectos:

- Os fertilizantes solúveis em água e higroscópicos, como nitrato de amônio, uréia, nitrocálcio, etc., devem ser preferidos com granulometria grosseira. A maioria dos processos de produção de fertilizantes solúveis dão origem a produtos de granulometria fina, podendo esta ser considerada sua forma inata; a fim de minimizar os inconvenientes apontados, aumenta-se o tamanho de suas partículas através da granulação.

- Os fertilizantes pouco solúveis em água, como os termofosfatos, fosfatos naturais, etc., devem ser preferidos com granulometria fina. O grau de finura deve ser maior quanto menor a solubilidade, a fim de que esta seja facilitada.

Uma importante característica de qualidade dos fertilizantes sólidos, relacionada com o tamanho de suas partículas, é a uniformidade do tamanho. A desuniformidade gera a segregação, isto é, a separação e acomodação seletiva das partículas por ordem de tamanho, com a movimentação e trepidação do produto. Isso pode comprometer seriamente a homogeneidade, em especial da mistura de grânulos, onde a separação por ordem de tamanho leva automaticamente à separação dos nutrientes. Além disso, a desuniformidade do tamanho acarreta a distribuição irregular dos fertilizantes nas adubações, tanto quantitativamente, dificultado as regulagens das adubadoras, quanto qualitativamente, se ocorrer a segregação no caso das misturas de grânulos.

b) Forma: a forma das partículas dos fertilizantes sólidos é bastante variada e não tem um maior relacionamento com suas características de qualidade, a não ser em relação à fluidez, isto é, o livre escoamento do produto dos recipientes que os contém, e ao empedramento, como será visto adiante.

1.3. Consistência: é o grau de dureza ou resistência dos grânulos à quebra ou à abrasão. A fragilidade dos grânulos provoca sua quebra ou esfarelamento (gerando pó) no armazenamento, no transporte e no manuseio, tornando suas partículas desuniformes no tamanho e provocando, como conseqüência, os inconvenientes já apontados. A consistência dos grânulos pode ser aumentada com o uso de substâncias chamadas aglutinantes.

1.4. Fluidez: é a capacidade de livre escoamento do fertilizante por determinados espaços. Essa característica relaciona-se com a eficiência da distribuição mecânica dos fertilizantes. No caso dos fertilizantes sólidos, diversos

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