Composição da dieta da arraia Dasyatis colarensis

Composição da dieta da arraia Dasyatis colarensis

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COMPOSIÇÃO DA DIETA DA ARRAIA Dasyatis colarensis SANTOS, GOMES & CHARVET-ALMEIDA, 2004 (CHONDRICHTHYES: DASYATIDAE) NA REGIÃO DA ILHA DE COLARES, PARÁ

COMPOSIÇÃO DA DIETA DA ARRAIA Dasyatis colarensis SANTOS, GOMES & CHARVET-ALMEIDA, 2004 (CHONDRICHTHYES: DASYATIDAE) NA REGIÃO DA ILHA DE COLARES, PARÁ

Relatório apresentado a Comissão de Estágio Supervisionado do Curso de Engenharia de Pesca da Universidade Federal Rural da Amazônia como requisito para obtenção do grau de Engenheiro de Pesca.

Orientador(a): Dra. Patricia Charvet-Almeida

COMPOSIÇÃO DA DIETA DA ARRAIA Dasyatis colarensis SANTOS, GOMES & CHARVET-ALMEIDA, 2004 (CHONDRICHTHYES: DASYATIDAE) NA REGIÃO DA ILHA DE COLARES, PARÁ

Relatório apresentado ao curso de graduação em Engenharia de Pesca do Instituto Sócio-Ambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia como requisito para a obtenção do grau de Engenheiro de Pesca.

Aprovado em 19 de setembro de 2008 BANCA EXAMINADORA

Profª. Dr. Patricia Charvet-Almeida (Orientadora) Pesquisadora colaboradora MPEG - PA.

M.Sc. Maurício Pinto de Almeida. Doutorando MPEG/UFPA.

Membro a ser definido pela comissão de estágio supervisionado.

Belém,de setembro de 2008.

4 DEDICATÓRIA

À minha avó Maria Yolanda, que tanto sonhava em ver este momento. Dedico

AGRADECIMENTOS A Deus por todas as oportunidades e amigos que ele me proporcionou.

À minha mãe por todo o carinho, dedicação, torcida e apoio incondicional nas horas difíceis dessa cruzada, e sobretudo por cuidar de mim; ao meu pai pelo exemplo de honestidade e determinação que sempre ficarão guardados comigo.

À minha tia Jurema por todo o carinho e apoio durante esses anos.

À Sheila por toda amizade e carinho durantes esses anos.

Aos meus irmãos Luizinho e Neto, à minha Tia Bolota, aos meus primos Taysse, Jéssica e João, ao meu padrasto Sérgio, e demais familiares.

À minha orientadora Patricia Charvet-Almeida, pela orientação, e sobretudo pela sua amizade rara nos dias de hoje.

Ao Maurício Pinto de Almeida, pela amizade, ensinamentos e momentos de descontração.

A todos os colegas de curso: Átilla Melo, Ádria , Akeme, Dilson, Edson, Fábio, July, Ligia, Marlene, Mari, Márcio e Jr Terra. Em especial aos eternos amigos: Átila Brandão (Baiano) por toda amizade (e por ter me apresentado ao Maurício e a Patricia), e à Déborah Elena (Dé) por toda amizade, conhecimento e parceria em quase todos os meus trabalhos acadêmicos.

A todos os professores que contribuíram em minha formação durante esses anos de graduação.

E todos aqueles que tenham contribuído tanto diretamente quanto indiretamente nesta longa e sinuosa estrada.

“Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir.”

George Orwell

Aspectos da dieta da arraia Dasyatis colarensis amostradas na região da ilha de Colares, Pará, foram abordados neste trabalho. Os exemplares (n = 47) foram coletados em 2006. Os itens alimentares foram identificados até a menor classificação taxonômica possível. Durante as análises, foram levados em consideração aspectos qualitativos e quantitativos, calculando-se os seguintes índices para cada item alimentar analisado: Freqüência de Ocorrência (% FO), Porcentagem Numérica (% N), Porcentagem em Peso (% P) e a porcentagem do Índice de Importância Relativa (% IRI). As análises apontaram que o item de maior porcentagem de Freqüência de Ocorrência e em Número foi o grupo dos crustáceos (% FO = 8,24; % N = 68,37; % IRI = 57,87), incluindo representantes das famílias: Portunidae, Alpheidae, Penaeidae e Palaemonidae. O item de maior Porcentagem em Peso foi o grupo dos peixes (% P = 81,51; % IRI = 42,08), com representantes das ordens: Perciformes e Siluriformes. A maioria dos estômagos analisados apresentavam pouco conteúdo (87,2 % com ¼ de repleção). Enquanto que, a maioria dos itens apresentavam-se bastante digeridos (32,7 % com grau de digestão 5). Os resultados apontam D. colarensis como uma espécie predadora do tipo oportunista que se alimenta de peixes, crustáceos, moluscos e anelídeos.

Palavras-chaves: Dasyatidae, alimentação, Ilha de Colares, Pará.

Feeding aspects of the whiptail stingray Dasyatis colarensis sampled in the region of Colares Island, Pará, were approached in this work. The rays (n = 47) were collected in 2006. The food itens were identified until the lowest taxonomic category. During the analyses, qualitative and quantitative aspects were taken in consideration, for each itens the following parameters were calculated: Frequency of Occurence (% FO), Numeric Percentage (% N), Weight Percentage (% P) and the percentage of Index of Relative Importance (% IRI). The results indicated that crustaceans as the group with the highest percentage of Frequency of Occurence and Numeric (% FO = 8,24; % N = 68,37; % IRI = 57,87), including members of the families: Portunidae, Alpheidae, Penaeidae e Palaemonidae. Fishes was the group with the highest Weight Percentage (% P = 81,51; % IRI = 42,08), including members of the orders: Perciformes and Siluriformes. The most of stomaches were ¼ filled with food content (87,2 %). The most of itens were well digested (32,7 % with degree 5). The results indicate D. colarensis as an opportunistic predator that feed upon fishes, crustaceans, mollusc and annelids.

Key words: Dasyatidae, feed habit, Colares Island, Pará.

1. INTRODUÇÃO12
2. OBJETIVOS15
2.1. OBJETIVO GERAL15
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS15
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA16
3.1. CARACTERÍSTICAS DA FAMÍLIA16
3.2. CARACTERIZAÇÃO DA ESPÉCIE16
3.3. SISTEMÁTICA18
3.4. HÁBITO19
3.5. DESLOCAMENTO SAZONAL19
3.6. ESTUDOS DE ALIMENTAÇÃO DE DASITÍDEOS20
3.7. ESTATÍSTICA PESQUEIRA21
4. MATERIAL E MÉTODOS2
4.1. ÁREA DE ESTUDO2
4.2. METODOLOGIA24
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO28
6. CONCLUSÕES38
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS39
Figura 01: Vista dorsal e ventral da raia D. colarensis17
margem17
Figura 03: Desenho esquemático das papilas orais bifurcadas de D. colarensis18
Figura 04: Mapa indicando o ponto de coleta na Ilha de Colares23
Estômago e b = Vávula espiral25
campo28
C = região cárdica e P = região pilórica29
região cárdica e P = região pilórica, notar as suas dobras e vilosidades29
Sarnambi (Veneroida); (c) Siri (Portunidae) e (d) Camarão (Penaeidae)34

LISTA DE FIGURAS Figura 02: Detalhe do lábio inferior de D. colarensis, notar mancha escura na Figura 05: Processo de evisceração das arraias D. colarensis em campo, onde a = Figura 06: Fotografia de um dos 47 exemplares de D. colarensis amostrados em Figura 07: Foto de um dos estômagos de D. colarensis coletados para análises, onde Figura 08: Foto da parede interna de um dos estômagos de D. colarensis, onde C = Figura 09: Itens alimentares da dieta de D. colarensis, onde (a) Amuré (Gobiidea); (b) Figura 10: Representação gráfica tridimensional do Índice de Importância Relativa (IRI), obtido para os itens alimentares observados para D. colarensis, onde D = dominante, R = raro, G = generalista e S = especialista...........................................36

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Tabela 2. Nível de repleção observado nos estômagos coletados para análise31
98)32
de D.colarensis identificados (n = 98)3

Tabela 1. Número, condição e categoria dos estômagos de D. colarensis estudados. Tabela 3. Grau de digestão dos itens analisados (número de itens observados n = Tabela 4. Categorias taxonômicas dos itens alimentares encontrados nos estômagos Tabela 5. Índices alimentares dos itens analisados..................................................35

1. INTRODUÇÃO

Os peixes são os animais que constituem o mais diversificado grupo dentre os representantes do reino animal, estima-se que existem mais de 30.0 espécies viventes (MOYLE; CECH, 2000). Essa diversidade é conseqüência de sua longa história evolutiva, que culminou, há pelo menos 400 milhões de anos, nas três principais linhas evolutivas: Myxini (Myxiniformes, peixe-bruxa), Cephalaspidomorpha (Petromyzontiformes, lampréia) e Gnathostomata (Placodermi, Chondrichthyes e Osteichthyes) (REDDING; PATIÑO, 1993; MOYLE; CECH, 2000).

Os Chodrichthyes (peixes cartilaginosos), formam um grupo separado dos

Osteichthyes (peixes ósseos), este segundo compreende em torno de 95% da fauna de peixes viventes, a origem dos Chodrichthyes está estimada para o período Siluriano há 420 milhões de anos (MOYLE; CECH, 2000; LÉOPOLD, 2004).

Os peixes cartilaginosos se dividiram em duas linhas evolutivas recentes:

Elasmobranchii (tubarões e raias) e Holocephali (quimeras) (STEVENS, 2005; COMPAGNO et al.,2005).

Os elasmobrânquios compõem um grupo com cerca de 1.100 espécies, predominantemente marinhas, totalizando 60 famílias dentro da classe Chondrichthyes ainda viventes (COMPAGNO et al., 2005). Existem aproximadamente 500 espécies de tubarões, em torno de 600 espécies de batóides (do grego “batis” raia, “eidos” forma) e 50 espécies de quimeras, além de existir a possibilidade de descrição de novas espécies e revisão das existentes (COMPAGNO, 2001; STEVENS, 2005; COMPAGNO et al., 2005; ACANOMAS, 2008).

Os batóideos formam um grupo numeroso e diversificado, no qual estão incluídas as raias elétricas ou “torpedos”, peixes serra, raias manta, raias violas, raias “skates” e raias com ferrão (STEVENS, 2005).

A ordem Rajiformes está dividida atualmente em 23 famílias. A família

Dasyatidae compreende 6 gêneros e 69 espécies (COMPAGNO,2005), esta informação pode variar (ITIS, 2008). O gênero com maior quantidade de representantes é o Dasyatis (do grego “dasys” áspero, e “atus” tubarão), com 42 espécies descritas com ocorrência no mundo inteiro (GOMES et al., 2000; PASSARELLI; PIERCY, 2004).

Segundo registros, seis espécies de Dasyatis foram reportadas para o

Atlântico sul (águas brasileiras) (SANTOS et al., 2004). Recentemente este número aumentou para 8 com as descobertas das espécies Dasyatis colarensis Santos, Gomes e Charvet-Almeida, 2004 e Dasyatis hypostigma Santos & Carvalho, 2004 (SANTOS et al., 2004; SANTOS; CARVALHO, 2004).

De acordo com o portal IUCN (2008), a raia D. colarensis é classificada como “vulnerável”, haja vista que atualmente tanto a pesca artesanal quanto a industrial já apresentam modalidades direcionadas para a captura desta espécie.

A avaliação da composição da dieta, a partir das análises do conteúdo estomacal, já é bem praticada nos estudos de ecologia de peixes (HYSLOP, 1980). Algumas revisões referentes aos métodos a serem aplicados foram realizadas, e aparentemente convergem para consenso de que mais de um índice deve ser empregado nos estudos de alimentação, tornando os resultados mais consistentes e também reduzindo a quantidade de vícios nas análises (HYNES, 1950; WINDELL, 1968; PINKAS et al., 1971; HYSLOP, 1980; CORTÉS, 1997).

Estudos em torno da dieta e dos hábitos alimentares de raias e tubarões são imprescindíveis para a compreensão do papel ecológico desses animais na dinâmica trófica de um ecossistema e também para a sua conservação (HESS, 1961; GILLIAM; SULLIVAN, 1993).

De acordo com a literatura este grupo é bastante sensível a ação do esforço pesqueiro e o restabelecimento de uma população pode levar décadas (MUSICK, 2005).

Estudos de alimentação de dasiatídeos no Brasil ainda são escassos, restringindo-se apenas à espécie D. guttata (Bloch & Schneider, 1801) (SILVA et al., 1998; SILVA et al.,2001).

Atualmente, a dieta da espécie D. americana Hildebrand & Schroeder, 1928, está sendo estudada atualmente pela doutoranda Aline Aguiar no arquipélago de Fernando de Noronha (PE).

Com relação a estudos sobre a espécie enfocada neste trabalho, somente

Charvet-Almeida et al., (2006) apresentaram observações a respeito do deslocamento sazonal, que esta espécie e outros dasyatídeos realizam no estuário amazônico.

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