Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

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• temperatura: as espécies tropicais têm entre 20 e 30 graus sua faixa ideal de conforto térmico para crescimento e reprodução, sendo que a maioria delas encontra um nível ótimo entre 25 e 28 graus centígrados. Aqui em nossa região a temperatura da água varia de 24 a 30 graus centígrados.

• transparência: o ideal é que consigamos enxergar até 30 centímetro de profundidade, para que se possa avaliar a concentração de plânctons. Os plânctons servem como alimento natural para os peixes. Para fazer essa avaliação pode-se usar o disco de secchi. Este disco é feito com

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes uma placa de ferro pintada de branco e preto presa em uma fita métrica e quando mergulhado deve desaparecer entre 15 e 30 centímetros de profundidade.

• oxigênio dissolvido: é sem dúvida alguma, o fator mais limitante no cultivo. Deve ser maior que 5 mg/litro; este resultado pode ser obtido através de análise em laboratório ou com equipamentos portáteis.

• dióxido de carbono, CO2 dissolvido na água: este parâmetro também deverá ser avaliado em laboratório ou com equipamentos portáteis; teores acima de 50 mg/litro são letais aos peixes.

• acidez (pH): através da avaliação deste parâmetro é possível saber qual a acidez da água, níveis abaixo de 5 ou superior a 9 são tóxicos à maioria das espécies cultivadas.

• amônia: é o segundo parâmetro em importância depois do oxigênio dissolvido. A amônia presente na água pode ter origem na decomposição da matéria orgânica, poluição, nos excrementos dos organismos aquáticos e morte de algas.

3.5 Arranjo Físico

O arranjo físico dos viveiros implica no melhor posicionamento para o aproveitamento racional da área, facilitando o manejo.

No arranjo físico da área devemos observar o aproveitamento da maior área alagada possível com a menor movimentação de terra, não esquecendo que o manejo também deve ser considerado, pois após o peixamento, existirão atividades diárias que deverão ser facilitadas, devendo-se prever também a entrada de caminhões de carga em época de despesca.

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4 TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO

A tecnologia de produção de peixes vem evoluindo desde que o homem pela primeira vez capturou peixes e os manteve vivos para consumir em outros períodos, isto nada mais foi do que o início da piscicultura.

Foram os chineses que iniciaram as primeiras técnicas para aumentar a produtividade em viveiros, com o uso do esterco, resíduos orgânicos e sistema de drenagem para esvaziar os tanques.

Basicamente, podemos dizer que existem atualmente quatro métodos de cultivo de peixes, dos quais tem origem a nossa tecnologia. São eles:

a) SISTEMA CHINÊS: fazem o policultivo com quatro ou mais espécies em duas faixas etárias (idades diferentes), utilizam alimentação orgânica e grande número de trabalhadores; b) SISTEMA EUROPEU: teve início com os romanos e desenvolveu-se a partir do século XIV, baseado no cultivo da carpa comum e de linhagens selecionadas. O policultivo foi introduzido na Europa nas últimos trinta anos. Os viveiros são de grande porte e a alimentação baseada em milho; c) SISTEMA JAPONÊS: surgiu inicialmente junto à cultura do arroz e evoluiu para a piscicultura intensiva. Predomina o cultivo de uma só espécie com alto grau de mecanização, sem utilização de estercos e baseado principalmente, no uso de ração balanceada rica em proteína. Viveiros pequenos com renovação de água e aeração intensa; d) SISTEMA ISRAELENSE: fazem policultivo intensivo, adubação orgânica na fase inicial, uso de fontes de carboidratos (milho e sorgo) na fase intermediaria e ração balanceada na fase final.

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O nosso sistema de criação ainda está em fase de definição, mas existe uma tendência para as criações em sistema intensivo com a utilização de viveiros “berçário”, para o desenvolvimento inicial e o povoamento, já com alevinos avançados (maiores), a alimentação do berçário é baseada em plânctons e ração balanceada com alto valor de proteína bruta (35%), ração balanceada com (28%) de proteína bruta para crescimento, podendo baixar para (24%) na engorda.

O tamanho dos viveiros varia de 4.0 a 5.0 m² de espelho d’água e os sistemas de abastecimento e escoamento de água, totalmente controlados.

O policultivo ainda é pouco utilizado, pois, a oferta de alevinos de outras espécies ainda tem limitações de disponibilidade e preço, porém, é uma técnica que certamente fará parte do nosso sistema de criação.

4.1 Processo de Produção

No presente trabalho, faremos a exposição de um fluxograma do processo de produção para tambaqui numa área de espelho d’água igual a 1 ha.

O tambaqui é um peixe que originalmente vive em rios e faz piracema para se reproduzir, entretanto não se reproduz em viveiros. Sua reprodução, para obtenção de alevinos, é feita em laboratório, através da indução da desova com hormônios.

Enfocaremos, portanto, a tecnologia de engorda a partir da aquisição dos alevinos produzidos em estações de piscicultura.

Como a área modelo é de 1 ha, iniciaremos o raciocínio desde a construção do viveiro, desprezando o custo do desvio da água, pois este poderá

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes servir para muitos viveiros. São dois viveiros que medem 50x100m cada, o que é igual a 1 ha, ou seja, 10.0 m2 de espelho d’água.

berçário
200 m

Barragem Viveiros

Para a construção destes viveiros podemos calcular o valor desta obra da seguinte maneira: R$ 10,0 a hora de um trator de esteira (modelo D – 65) mais 10% para compactação.

Esses viveiros irão consumir 85 horas para serem construídos. Somadas as horas para construção dos viveiros (serviço de escavação) de R$ 8.50,0 mais R$ 850,0 para a compactação, o investimento para abertura dos viveiros totalizará R$ 9.350,0. Em seguida, será feito o canal de abastecimento, que terá uma distância média de 50 metros com tubulação de 100 m. Para tal atividade o piscicultor necessitará de mão de obra, 10 barras de canos, conexões e tela para filtro, totalizando R$ 20,0 a obra. Além disso, deve-se construir um “monge” para escoamento da água no valor de R$ 1.0,0. Assim, chegamos a R$ 10.550,0, o custo de investimento em infra-estrutura.

A nova fase será a correção do solo do viveiro e a fertilização da água.

Inicialmente colocaremos 1 t de calcário em cada viveiro ao preço de R$ 120,0 a tonelada e 1,5 t de esterco de gado em cada viveiro para fertilização inicial, no valor de R$ 70,0 a tonelada, totalizando R$ 450,0, o custo para a correção dos dois viveiros.

Nova adubação será feita conforme a necessidade determinar, podendose reservar R$ 50,0 para adubação durante o ano. A adubação química também poderá ser usada.

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Conforme o exposto, vimos que o custo/ano para a correção e adubação dos viveiros é de R$ 950,0.

Após ter abastecido o viveiro, corrigidas a acidez e a fertilidade, já teremos gastado R$ 1.50,0.

Com o viveiro já cheio e abastecido, livre de predadores, colocaremos os alevinos de 180g provenientes de um berçário.

O custo do berçário não será orçado aqui, pois sua utilização é variável em função do projeto.

Vale ressaltar que o custo de aquisição de 6.0 alevinos com peso de 3 gramas é de R$ 30,0 e para atingirem o peso de 180 gramas terão como alimento: 85kg de ração nos 30 dias iniciais, 190kg dos 30 aos 60 dias e 500kg dos 60 aos 90 dias, alcançando o peso desejado ao consumirem ração igual a 775Kg.

Portanto, até os alevinos atingirem 180 gramas, os custos envolvidos serão os seguintes:

Alevinos:R$ 30,0
Ração:R$ 542,50_
Total:R$ 842,50

Na fase de berçário é necessário adquirir uma rede de despesca para alevinos, com o custo de R$ 450,0.

Na transferência dos peixes, é preciso se precaver de doenças oportunistas. Será indispensável o uso de antibióticos na ração de forma preventiva, com custo de R$ 30,0.

Durante a transferência, selecionam-se os 5.0 maiores alevinos, colocando-os nos tanques de crescimento e engorda.

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Durante todo o processo de produção deverá haver um trabalhador para cuidar dos viveiros, pagando-se um salário mínimo por mês, mais 60% de encargos sociais, chegando a R$ 3.744,0 por ano, de custo da mão-de-obra fixa.

Considerando que os alevinos entraram para crescimento e engorda com 180 gramas e irão sair com 2.300 gramas, em um ano, o peixe teve uma evolução na fase de crescimento de 2.120 gramas cada.

Essa diferença é o aumento de peso em nove meses.

Visto isso e sabendo-se que a conversão alimentar do tambaqui em nossa região é de 1,6 Kg de ração para cada quilo de peixe vivo, teremos um consumo de 16.960 Kg de ração nesta fase. Esse resultado é obtido através da seguinte operação: 2,12 kg por peixe x 1,6 kg de ração x 5000 peixes. Os 16.960 Kg de ração irão custar R$ 1.872,0, ou seja, R$ 0,70 o quilo de ração.

80,0, além da contratação de mão-de-obra, ao custo de R$ 10,0

Para a despesca dos peixes será necessária uma rede que custa R$

Adicionaremos às despesas, os valores de depreciação que é igual a 10%, mais 6% de juros sobre o valor investido e 2,5% de manutenção dos viveiros.

Estes valores são calculados sobre o valor do Investimento Fixo, ou seja, R$ 1.80,0.

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