Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes

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Voltamos a ressaltar, que além de estarmos localizados na região que detém a maior parte da maior bacia hidrográfica do mundo, possuímos um grande potencial de consumo de peixe.

O mercado potencial representado pelos Estados de Roraima e

Amazonas, torna a criação de peixes em viveiros e açudes muito interessantes financeiramente. Como se isso não bastasse, ainda temos as outras regiões do Brasil, onde se produz atualmente 100.0 toneladas/ano, com consumo per capita de 4 kg/ano por habitante, o que nos dá um consumo ainda baixo de 600.0 toneladas gerando uma lacuna muito grande na oferta.

Esse grande mercado consumidor, Roraima e Amazonas, está localizado geograficamente, de maneira que dificulta a entrada de produtos perecíveis vindos de outros estados, visto as dificuldades de transporte de Porto Velho a Manaus.

O consumidor, tanto do Amazonas quanto de Roraima, tem o tambaqui como peixe de sua preferência e o elegeu como peixe de primeira qualidade, consumindo também outras espécies, como matrinxã, curimatã, jaraqui, pirarucu, tucunaré, pescada, etc.

Sendo eleito o tambaqui como o peixe ideal para criação em cativeiro e em 0função dos motivos já expostos anteriormente, ainda tem-se a vantagem de poder adquirir alevinos em diversas épocas do ano, em várias partes do Brasil a um preço bastante acessível. Atualmente pode-se adquirir alevinos na estação de piscicultura de Boa Vista/R, Usina de Balbina, em Presidente Figueiredo/AM e em Natal/RN, além de algumas estações que estão em fase de implantação tanto no Amazonas quanto em nosso estado, no município de Rorainópolis.

Os produtores de pescado para consumo, que abastecem o mercado de Boa Vista, estão instalados nos municípios vizinhos de Alto Alegre e Bonfim.

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No Estado de Roraima existe um potencial de produção instalado suficiente para abastecer o mercado local, porém, isto não ocorre por problemas estruturais, técnicos e de investimento em alimentação.

A grande maioria dos açudes construídos, tinha a finalidade de perenizar a água para o gado e posteriormente houve o interesse na utilização destes para a criação de peixes.

As principais dificuldades nesse tipo de instalação são, a grande profundidade, presença de obstáculos à despesca, grandes extensões e grande quantidade de predadores.

Estima-se que o setor possui hoje, aproximadamente, 250 hectares de viveiros e 500 hectares de açudes. Produzindo efetivamente, existem aproximadamente 150 hectares entre os dois sistemas.

Nota-se uma tendência de crescimento na construção de viveiros com controle de abastecimento e esvaziamento.

Segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de

Roraima, o número de produtores rurais que hoje possuem em suas propriedades viveiros ou açudes é de aproximadamente 450 produtores.

Consumo normal em Boa Vista1600 t/ano
Quantidade ofertada para compra1300 t/ano

2.1 Resumo da Oferta e Procura

Existe um consumo reprimido de 300 toneladas/ano. A quantidade ofertada é composta por:

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Origem Produção (tonelada/ano)

Criatórios 400 Pesca nos rios 200 Vindos do Amazonas 700

Normalmente, os produtores deixam para vender a maior parte da sua produção no período da páscoa, e como a produção ainda é pequena, falta peixe logo após essa período.

Em 2001, foram comercializados aproximadamente 100.0 kg de peixes criados em cativeiro na cidade de Boa Vista. Os peixes mais comercializados foram tambaqui, tambacu e piauvuçu ou aracu.

3 LOCALIZAÇÃO

O empreendimento em piscicultura deverá ser de fácil acesso durante toda a época do ano e estar localizado, de preferência, próximo ao mercado consumidor, próximo aos fornecedores de ração, próximo da residência do proprietário.

3.1 Infra-Estrutura Necessária

Para se investir em piscicultura é necessário, em primeiro lugar, que se tenha disponibilidade de água durante todo o ano e que essa água tenha características químicas e físicas adequadas à criação de peixes. Além da disponibilidade e da qualidade da água é interessante que esteja bem localizada, ou seja, o local de criação seja de fácil acesso, pois será necessário levar alevinos, transportar insumos e a produção, etapas que exigem cuidados.

À distância a ser percorrida para dar o devido atendimento ao empreendimento, influenciará de maneira significativa no resultado final.

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A infra-estrutura básica para se ter uma criação de peixes é, em primeiro lugar, os viveiros de alevinagem e os viveiros ou açudes para engorda, com as devidas instalações de abastecimento e esvaziamento.

Como infra-estrutura propriamente dita e para efeito de cálculo, consideraremos dois viveiros de 50 x 100 ( 10.0 m²), para engorda e um de 20 x 50 ( 1.0 m²) para alevinagem, ou seja, 1.0 m², ou 1,1 ha de espelho d´água. Para a criação em açude, também consideraremos espelho d´água de 1 ha com berçário1 de 1.0 m².

Além dos locais de criação, recomenda-se dispor de:

a - um barracão para guardar ração; b - rede de arrasto para despesca; c - tarrafa para analisar o desenvolvimento dos peixes; d - meio de transporte; e e - equipamento para verificar a acidez da água.

3.2 Área Física

A quantificação, em metros quadrados, de espelho d’água economicamente viável, depende das despesas totais, de maneira que o lucro da atividade seja maior que os custos de manutenção, custeio e sobre a receita para amortizar parte do investimento inicial.

Sabe-se que a receita financeira desejada é aquela em que a atividade piscícola produz e suficiente para cobrir todos os gastos com a criação e ainda

1 Obs.: O berçário não será orçado neste caso, pois, pode variar muito o seu custo e em algumas situações pode até ser suprimido. Em casos de criação em barragem é fundamental a existência de bercário para evitar perdas por ataque de outros peixes predadores. Já no caso de viveiros escavados, pode-se usar no primeiro ano o próprio viveiro como berçário. A partir do segundo ano, caso se queira esvaziar os viveiros para um novo cultivo, utilizar-se-á o bercário para o crescimento inicial.

Criação comercial de peixes em viveiros ou açudes sobrar para reinvestir, portanto, definir uma área ideal é extremamente importante, pois as condições e necessidades variam de produtor para produtor.

O melhor seria que a piscicultura não fosse a única atividade em uma propriedade, mas que fizesse parte de um contexto agropecuário.

3.3 Seleção da Área

A escolha do local para implantação da piscicultura implicará na adequada viabilização do projeto, onde se deve observar os aspectos ligados a atividade.

Esses aspectos referem-se à topografia da área de implantação, o tipo do solo, a avaliação quantitativa e qualitativa da água para abastecimento dos tanques e açudes e a vegetação local. Devem ser consideradas também, informações meteorológicas diárias disponíveis, como temperatura do ar (máximas, mínimas e médias), umidade relativa do ar, chuvas, evaporação e ventos. Além disso, o reconhecimento e seleção da área de implantação da piscicultura deverão levar em consideração o tipo de projeto, o manejo a ser adotado e as facilidades de comercialização do produto.

Todos esses aspectos influenciarão no sucesso do empreendimento e orientarão o dimensionamento e a implantação da piscicultura.

3.4 A Qualidade da Água

Em termos gerais, a qualidade da água inclui todas as características químicas, físicas e biológicas que influem no seu uso benéfico. Tratando-se especificamente de piscicultura, qualquer característica da água, que de alguma forma afeta a sobrevivência, reprodução, crescimento, produção ou manejo de peixes, é uma variável da qualidade da água. Existem muitas variáveis envolvidas na qualidade da água, mas somente algumas delas têm papel muito importante e nas quais iremos nos concentrar, especialmente naquelas que podemos controlar através de um manejo adequado.

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A avaliação quanti-qualitativa da água necessária ao abastecimento dos tanques e viveiros é, sem dúvida, o fator primordial na implantação de um projeto de piscicultura.

É extremamente importante, tanto o conhecimento da origem da água, quanto à quantidade disponível a suprir as necessidades da unidade de piscicultura.

A seguir serão abordadas as relações fundamentais entre as principais variáveis físicas e químicas da qualidade da água e a aqüicultura, comentando-se as relações mais comuns:

a - temperatura; b - transparência; c - oxigênio dissolvido na água; d - dióxido de carbono (co2) dissolvido na água; e - acidez (pH); e f - amônia.

Todos estes fatores são de suma importância para a atividade piscícola e serão descritos a seguir, porém, são informações técnicas que devem ter acompanhamento de um profissional habilitado para melhor interpretação e as devidas recomendações. Existem ainda outros parâmetros que podem ser analisados, caso o responsável julgue necessário.

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