Alimentação de Potamotrygon orbignyi

Alimentação de Potamotrygon orbignyi

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TÍTULODOSUB-PROJETO:COMPOSIÇÃODADIETADA RAIA DE ÁGUA DOCE Potamotrygon orbignyi (Castelnau, 1855) (CHONDRICHTHYES:POTAMOTRYGONIDAE)NA REGIÃODAILHADEMARAJÓ-PARÁ

Aluno: Paulo Marcelo de Oliveira Lins Orientador: Dr. Ronaldo Borges Barthem Co-Orientadores: M.Sc. Maurício Pinto de Almeida e Dra. Patricia Charvet-Almeida Número do processo: 117021/2006-7 Vigência da Bolsa: 01/08/2006 a 01/07/07 Processo de Renovação:01/07/07 a 01/08/08

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1 - INTRODUÇÃO3
2 - OBJETIVOS4
2.1 - OBJETIVO GERAL4
2.2 - OBJETIVOS ESPECÍFICOS4
3 - METODOLOGIA5
3.1 - ÁREA DE ESTUDO5
3.2 - MATERIAL E MÉTODOS6
4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO8
5 - CONCLUSÕES14
6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS15
7 - ATIVIDADES CIENTÍFICAS18
7.1 – PARTICIPAÇÃO EM CURSOS, EVENTOS E MINI-CURSOS18
7.2 – TRABALHOS APRESENTADOS EMCONGRESSOSE OUTROS EVENTOS CIENTÍFICOS19
9 – ANEXOS21

SUMÁRIO Create PDF with GO2PDF for free, if you wish to remove this line, click here to buy Virtual PDF Printer

3 1 - INTRODUÇÃO

A América do Sul apresenta uma grande diversidade de peixes de água doce (Lowe-

McConnell, 1998) e dentre estes existe uma família de raias (Potamotrygonidae) que está restrita a ambientes dulcícolas (Compagno & Cook, 1995). As raias ou arraias de água doce pertencem à Classe Chondrichthyes, Subclasse Elasmobranchii e a Ordem Rajiformes (Moyle & Cech, 2000).

O estuário amazônico abriga tanto raias continentais quanto marinhas (Barthem, 1985;

Sanyo Techno Marine, 1998). Esta área envolve a foz dos rios Amazonas e Tocantins e um arquipélago de ilhas flúvio-marinhas onde se destaca a ilha de Marajó.

As raias da família Potamotrygonidae, são peixes que possuem o corpo circular ou em forma de disco, comprimido dorso-ventralmente. A boca está situada em posição ventral e possui uma série de pequenos dentes molariformes considerados adaptados ao tipo de alimento consumido, sendo moluscos, crustáceos e pequenos peixes itens alimentares considerados principais (Lasso, 1985)

A revisão sistemática da família Potamotrygonidae realizada por Rosa (1985) apontou a existência de três gêneros válidos para a região Neotropical, sendo: Paratrygon e Plesiotrygon (monoespecíficos) e Potamotrygon (compreendendo aproximadamente 18 espécies). Entretanto, algumas evidências sugerem que outras espécies ainda possam ser descritas (Mould, 1997; Araújo, 1998; Charvet-Almeida, 2001). A região amazônica é a que oferece maior diversidade de espécies nos três gêneros (Rosa, 1985).

Algumas espécies de raias de água doce possuem valor no mercado de peixes ornamentais, apesar de não serem amplamente utilizadas para fins de consumo na região da bacia Amazônica (Charvet-Almeida, 2001, 2006). Potamotrygon orbignyi está entre as espécies capturadas na região da foz Amazônica como peixe ornamental (Charvet-Almeida, 2001, 2006).

Apesar de estudos relacionados aos hábitos e estratégias alimentares de raias de água doce em ambiente natural ainda serem escassos, essas informações são importantes; pois, nos permite realizar inferências sobre o comportamento, nutrição e conservação da espécie estudada (Zavala-Camin, 1996).

O hábito das raias de permanecerem enterradas em fundos arenosos de rios para surpreenderem e capturarem suas presas foi descrito desde o estudo de Schomburgk (1843). O trabalho de Achenbach & Achenbach (1976) relacionou a anatomia dos potamotrigonídeos com seus hábitos alimentares, afirmando que suas placas dentárias eram consideradas ideais

Create PDF with GO2PDF for free, if you wish to remove this line, click here to buy Virtual PDF Printer para triturarem conchas e carapaças. Esses autores também indicaram ocorrência de modificações nos hábitos alimentares das raias que estariam relacionados ao desenvolvimento ontogenético das espécies.

Um dos estudos que incluiu a espécie Potamotrygon orbignyi foi o trabalho de Lasso et al. (1996). Este estudo apontou Potamotrygon orbignyi como sendo insetívora e Paratrygon aiereba possuindo preferência alimentar por peixes e camarões.

Bragança (2002), analisando o conteúdo estomacal de três espécies de raias de água doce na ilha de Cotijuba (baía de Marajó), verificou que P. orbignyi apresentou uma preferência alimentar por piolhos d’água (Família Sphaeromatidae) e larvas de insetos (Família Chironomatidae).

Zuanon (1999), num estudo realizado sobre a ictiofauna da região do médio rio Xingu, indicou as táticas alimentares de Potamotrygon leopoldi e Potamotrygon aff. histrix (possivelmente se referindo a Potamotrygon orbignyi), como sendo do tipo fossadoras/especuladoras de substrato.

O presente relatório tem o intuito principal de fornecer dados acerca da composição da dieta de Potamotrygon orbignyi, uma espécie considerada de ampla distribuição na região Amazônica (Rosa, 1985) e que também está presente na ilha de Marajó. O conhecimento da alimentação desta espécie contribuirá para o melhor entendimento acerca de sua ecologia, conservação e eventual manutenção em cativeiro.

2 - OBJETIVOS

2.1 - Objetivo Geral

Estudar aspectos da biologia alimentar de Potamotrygon orbignyi na região da ilha de Marajó.

2.2 - Objetivos Específicos - Analisar qualitativamente e quantitativamente os itens alimentares ingeridos em ambiente natural por Potamotrygon orbignyi; - Determinar o Índice de Importância Relativa (IRI) para os itens alimentares observados;

- Avaliar os níveis de repleção dos estômagos analisados;

- Avaliar o grau de digestão dos itens alimentares ingeridos;

- Comparar os resultados obtidos com estudos realizados com outras espécies.

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5 3-METODOLOGIA

3.1 - Área de Estudo

O estuário amazônico forma um ambiente peculiar e ainda pouco estudado, que abriga espécies marinhas, estuarinas e de água doce, sendo algumas de fundamental importância para a pesca regional e nacional (Barthem, 1985). A enorme descarga de águas continentais (6.300 km3/ano) e de sedimentos (9,3x108 ton./ano) do rio Amazonas (Gibbs, 1970; Meade et al.,1979; Milliman & Meade, 1983) formam um ambiente complexo e de grande extensão na sua foz.

A ilha de Marajó está situada no norte do Brasil, no nordeste do Estado do Pará, na foz do rio Amazonas, nas proximidades da linha do Equador. Suas coordenadas geográficas estão entre os paralelos 0o e 2º de latitude sul e os meridianos 48º e 51º de longitude oeste, ocupando uma área aproximada de 50 mil km2. Ao norte, está delimitada pelo canal principal do rio Amazonas e o Oceano Atlântico, a oeste pelo o canal de Breves, ao sul pelos rios Pará e Tocantins e a leste o Oceano Atlântico (Cruz, 1987).

A topografia geral da ilha de Marajó é muito plana, com desníveis máximos que não ultrapassam 10 m e com algumas formações mais elevadas denominadas “tesos”. A drenagem natural da ilha é bastante influenciada pela ação das marés, as quais atuam como freio no escoamento da água (Cruz, 1987; Miranda Neto, 1976).

A ilha de Marajó pode ser dividida didaticamente neste trabalho em duas grandes áreas de influência de fatores abióticos, sendo: (1) ambiente externo, que compõem basicamente a costa da ilha de Marajó, influenciado principalmente pelo rio Amazonas, Rio Tocantins e Oceano Atlântico; e (2) ambiente interno, formado pelos campos na região oriental, fortemente influenciado pela chuva e pelas áreas de floresta inundada na porção ocidental da ilha.

Os locais escolhidos para serem amostrados pela representatividade dos diferentes ambientes encontrados e áreas de influência na ilha são: (1) a localidade de Afuá (0º09’S e 50º23’W) pela possível influência nesta região das águas doces e barrentas do rio Amazonas; (2) Muaná (01º31’S e 49º13’W), pela possível influência das águas do rio Tocantins, pelo perfil vegetacional de florestas e um regime de águas relacionado principalmente com as chuvas; (3) Soure (00º42’S e 48º31’W), pela predominância nesta localidade das águas salobras e da chuva; (4) o lago Arari (0º 39’S e 49º10’W), que é uma área com tradicional atividade de pesca. Os locais de coleta descritos anteriormente foram indicados no mapa abaixo (Figura 1).

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Figura 1 - Mapa indicando os pontos de coleta: Afuá, Muaná, Soure e lago Arari.

A fauna na ilha é variada e, no tocante aos peixes, a diversidade é bastante elevada. A pesca predominante na ilha é a artesanal, sofrendo grandes adaptações tecnológicas nos últimos anos. A ilha do Marajó pode ser considerada o maior centro abastecedor de pescado para Belém (Cruz, 1987; Barthem, 2004).

3.2 - Material e Métodos

Os indivíduos foram coletados na ilha de Marajó nos municípios de Soure, Muaná,

Afuá e Santa Cruz do Arari, em diversas etapas abrangendo períodos de seca e chuva entre 2004 e 2006. Uma parte das raias coletadas será depositada em coleções ictiológicas para servirem como material de referência.

As raias capturadas foram evisceradas em posição ventral. Os estômagos tiveram suas extremidades amarradas antes de serem seccionados para serem retirados. A fixação dos estômagos ocorreu em campo através de solução de formol a 10% tamponada com bórax. Todo o material foi levado para análise no Laboratório de Ictiologia do Museu Paraense Emílio Goeldi. As amostras foram lavadas em água corrente para eliminar o excesso de formol e conservadas em pequenos tambores contendo álcool etílico (70%) para análise.

Durante a análise do material, os estômagos foram abertos, seu conteúdo colocado numa placa de Petri e analisado em lupa estereoscópica (Nikon, SMZ-10). Uma balança de

Create PDF with GO2PDF for free, if you wish to remove this line, click here to buy Virtual PDF Printer precisão (Sartorius, LC621S) foi utilizada nas pesagens dos estômagos e dos respectivos itens alimentares. O excesso de umidade dos estômagos e dos itens foi removido com papel toalha.

Os níveis de repleção dos estômagos foram observados e aos mesmos foram atribuídos os seguintes valores: 0 = vazio; 1 = ¼ de cheio; 2 = cheio até a metade; 3 = ¾ de cheio; 4 = cheio. Os estômagos vazios não foram considerados na análise, pois este método considera o item alimentar, sua porcentagem de freqüência relativa de ocorrência, peso e número.

Uma análise do grau de digestão dos itens alimentares encontrados nos estômagos também foi efetuada com base nos seguintes valores indicados por Zavala-Camin (1996), onde: 1 = exemplar não digerido; 2 = partes externas parcialmente digeridas; 3 = partes externas e massa muscular parcialmente digerida; 4 = somente o esqueleto axial e partes da massa muscular; 5 = somente fragmentos.

Os resultados obtidos a partir das análises foram anotados em planilhas específicas

A composição da dieta de P. orbignyi foi obtida através dos cálculos de Freqüência

Relativa de Ocorrência, Percentagem Numérica e Percentagem em Peso. Esses valores foram obtidos de acordo com as seguintes fórmulas: a) Freqüência Relativa de Ocorrência (%F.O.):

Onde Fi = Número de vezes que o item alimentar ocorreu; e n = número total de estômagos com ocorrência de itens. b) Percentagem Numérica (%N):

Onde Ni = Número de itens de cada táxon; e n = número total de itens de todas as categorias taxonômicas. c) Percentagem em Peso (%P):

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