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Módulo 1 - TI na Educação

digital e o empreendedorismo, entendido como uma das variantes da qualificação

O mundo moderno se tornou uma Sociedade da Informação. A produção e troca de informação entre pessoas, empresas e governos ocorrem em quantidade e intensidade crescentes. Os avanços tecnológicos acrescentam a esse quadro a automação de processos que exigem, dos trabalhadores, cada vez mais qualificação. O antigo operário que manejava máquinas tende a ser mais e mais um programador de robôs. Neste contexto, toda a área de Tecnologia da Informação – empresas, centros de pesquisas e universidades – tem uma contribuição expressiva a dar a diversos campos da Educação. Desde a educação formal para crianças até a inclusão

Os desafios da Sociedade da Informação

Quase 70 anos depois da construção do primeiro computador - o Z1, desenvolvido pelo pesquisador alemão Konrad Zuse em 1936 -, a Sociedade da Informação entrou para a agenda mundial. Em novembro de 2005, 18 mil representantes de 176 países se reuniram em Túnis, capital da Tunísia, na Cúpula da Sociedade da Informação, promovida pela Unesco (Organização das Nacões Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

partir dos anos 90

Tratava-se da segunda fase da reunião, que teve sua primeira etapa dois anos antes, em 2003, em Genebra, na Suíça. Nos dois momentos, a Cúpula se propôs a debater os desafios colocados para a Humanidade e para o Conhecimento pelo desenvolvimento vertiginoso de computadores e das telecomunicações que resultou na Internet, a rede mundial de informação. A Internet começou em 1969 com a Arpanet (rede militar do Pentágono, dos EUA) e se consolidou comercialmente a

No encontro em Tunis, o assunto principal foi o controle da Internet. Atualmente, a rede mundial é gerida pela Icann, (sigla em inglês para Corporação da Internet para o Anúncio de Nomes e Números), organização privada contratada pelo Departamento de Comércio dos EUA. A Icann, sediada na Califórnia, responde a leis estaduais e federais americanas, o que, para os críticos, caracteriza o controle da rede mundial pelos Estados Unidos. Dos 13 servidores-raiz que centralizam toda a informação disponível na Internet, dez estão nos EUA. Os outros três ficam na Inglaterra, Suíça Japão.

Os países que questionam o gerenciamento americano da web, entre eles o Brasil, defenderam na Cúpula a descentralização deste controle. O encontro terminou com a decisão de se estender até 2010 a gestão da rede pela Icann. Mas os defensores da democratização do controle foram contemplados pela proposta de criar o Fórum Internacional de Governança da Internet para se dedicar, entre outros assuntos, ao crescimento do “spam” e ao abismo tecnológico entre nações ricas e pobres.

Superado o principal impasse, a Cúpula da Sociedade obteve avanços no esforço para reduzir o abismo tecnológico. Foram firmados mais de 200 acordos entre governos, empresas e ONGs envolvendo desde negócios entre multinacionais das áreas de tecnologia da informação e telecomunicações até contatos entre inventores e investidores. Governos dos países ricos doaram 8 milhões de euros ao Fundo Digital de Solidariedade da ONU, cujo objetivo é possibilitar que metade da população mundial – 3 bilhões de pessoas em 2005 – tenha acesso à Internet até 2015.

O representante do Ministério do Planejamento do Brasil na reunião, Rogério Santana, classificou como aceitável para todos o resultado do encontro. E destacou que o país vai defender a democratização da Internet e a formulação de políticas públicas de combate à exclusão digital por meio do desenvolvimento tecnológico autônomo.

Idéias como fonte de riqueza

Presente ao encontro como embaixador da indústria de tecnologia e comunicações, o Presidente do Conselho da Intel Corporation, Craig Barrett, destacou em discurso na cerimônia de abertura a nova era na história da economia, em que idéias são uma nova fonte de enriquecimento. Para ele, a tecnologia possibilita que pessoas e empresas participem da comunidade tecnológica globalizada.

O mundo mudou e a geografia já não comanda nosso destino. A tecnologia permite que cada criança, em cada pequena comunidade, tenha acesso às mesmas oportunidades. Para serem competitivos nessa sociedade informatizada, no entanto, os estudantes precisam desenvolver habilidades para o século 21 como colaboração, resolução de problemas e pensamento crítico. A Intel trabalha com governantes e educadores para ajudar os estudantes a desenvolverem essas capacidades por meio da educação e de programas de inclusão social em mais de 50 paises.

Por entender que os bens mais valiosos no mundo de hoje são as idéias e as pessoas que as criam e as desenvolvem, a Intel investe também significativamente em companhias locais que possibilitam o crescimento e a adesão à tecnologia. Para futuras ajudas às empresas locais, a Intel abriu Centros de Definições de Plataformas (Platform Definition Centers) em Bangalore (Índia), Cairo (Egito), São Paulo (Brasil) e Xangai (China).

Infra-estrutura é a chave para conectar pessoas e idéias, na visão de Barrett. A Intel comanda o desenvolvimento e a entrega de tecnologias de transmissão sem fio, como a WiMAX, para melhorar as infra-estruturas e atender as necessidades dos usuários das nações em desenvolvimento, sem contar com as redes legadas. A tecnologia fortalece os indivíduos, mas não é uma solução por si só, alerta Barrett, para quem governos e empresas precisam ajudar a criar o ambiente perfeito para que cada economia possa prosperar.

Educação para a Economia do Conhecimento

Essa criação de ambientes perfeitos para a prosperidade econômica passa pela Educação. Não a Educação convencional, formal, mas a Educação para a Economia do Conhecimento, para o futuro que chega cada vez mais depressa, com os avanços tecnológicos. Educação para a Economia do Conhecimento foi o tema do Workshop apresentado pela Intel na Cúpula da Sociedade da Informação, em Túnis.

No estudo, a empresa destacou que as transformações ocorridas nas últimas décadas criaram uma única Economia Global do Conhecimento. A interdependência crescente dos agentes econômicos resultou em competitividade também crescente. Só nos últimos 15 anos, 3 bilhões de pessoas entrarem para essa nova economia planetária.

Para dar conta dos desafios desta nova ordem, a Educação precisa se voltar para os saberes necessários ao século XXI: conhecimento básico de mídia e tecnologia, comunicação efetiva, pensamento crítico, capacidade de resolver problemas e de trabalhar colaborativamente. As chaves para o sucesso nesta nova economia são três habilidades: adquirir, aprofundar e criar conhecimento. E todas essas capacitações dependem também de três iniciativas de governos, empresas e instituições: políticas educacionais, ensino e tecnologia. Para que as habilidades relativas à criação do conhecimento sejam adquiridas, cada uma dessas ações – políticas educacionais, ensino e tecnologia – precisa atender determinadas exigências.

Assim, as políticas educacionais só se prestarão à aquisição de conhecimento se derem ênfase à quantidade e não apenas à qualidade de conhecimento e tiverem seu desempenho medido em testes padronizados. Contribuirão efetivamente para aprofundar conhecimentos se propiciarem uma compreensão profunda de assuntos relevantes para a vida real e se integrarem a programas de desenvolvimento sócioeconômico. Por fim, para contribuírem para a criação de conhecimento, as políticas educacionais devem se apoiar em bases profundas de conhecimento e se voltar para a colaboração, criação e compartilhamento de saberes.

Quanto ao ensino, especificamente, são as seguintes as suas missões: para a aquisição de conhecimento, deve se ater a fatos e conceitos, à busca de precisão e à especialização; para o aprofundamento de conhecimento, precisa se colocar questões abertas, ilimitadas e interdisciplinares; e, para a criação de conhecimento, deve oferecer currículos flexíveis conforme as necessidades e interesses dos estudantes, ensinar a aprender e ter foco em conhecimentos para o século XXI.

divulgação de conhecimento, a qualquer hora e de qualquer lugar

Para a terceira das ações educacionais - o uso de tecnologia e infra-estrutura – estão postos os seguintes desafios: para aquisição de conhecimento, prover acesso a computadores; para o aprofundamento, usá-los em salas de aula para promover a compreensão, análise e compartilhamento de conceitos-chaves e princípios; e, para a criação do conhecimento, computadores e infra-estrutura são a principal ferramenta desse processo ao permitirem o acesso a fontes de informação e de

Os sete saberes necessários

formação de jovens, futuros cidadãos do mundo

Em 1999, a Unesco solicitou ao filósofo francês Edgar Morin a sistematização de um conjunto de reflexões que servissem como ponto de partida para se repensar a educação do século XXI. Preparado a partir do trabalho conjunto de educadores em todo o mundo, o estudo resultou no livro “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, que critica as falhas da educação e propõe novos caminhos para a Os sete saberes indispensáveis enunciados por Morin são:

• Evitar as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão

Como a percepção do mundo é sempre uma reconstrução, estamos todos sujeitos ao erro e à ilusão. É um problema de todos e cada um deve levá-lo em conta desde muito cedo e explorar as possibilidades de erro para ter condições de ver a realidade, porque não existe receita milagrosa.

• Os princípios do conhecimento pertinente

É preciso ter uma visão capaz de situar o conjunto. É necessário dizer que não é a quantidade de informações, nem a sofisticação, que podem dar sozinhas um conhecimento pertinente, mas sim a capacidade de colocar o conhecimento no contexto. O contexto tem necessidade, ele mesmo, de seu próprio contexto. E o conhecimento, atualmente, deve se referir ao global. Os acidentes locais têm repercussão sobre o conjunto e as ações do conjunto sobre os acidentes locais.

• Ensinar a condição humana

É curioso que nossa identidade seja completamente ignorada pelos programas de instrução. Podemos perceber alguns aspectos do homem biológico em Biologia, alguns aspectos psicológicos em Psicologia, mas a realidade humana é indecifrável. Somos indivíduos de uma sociedade e fazemos parte de uma espécie. Mas, ao mesmo tempo em que fazemos parte de uma sociedade, temos a sociedade como parte de nós, pois desde o nosso nascimento a cultura nos imprime. Nós somos de uma espécie, mas ao mesmo tempo a espécie é em nós e depende de nós. Portanto, o relacionamento entre indivíduo-sociedade-espécie é como a trindade divina, um dos termos gera o outro e um se encontra no outro. A realidade humana é trinitária.

• Ensinar a compreensão

A palavra compreender vem do latim, compreendere, que quer dizer: colocar junto todos os elementos de explicação, ou seja, não ter somente um elemento de explicação, mas diversos. A grande inimiga da compreensão é a falta de preocupação em ensiná-la. Na realidade, isto está se agravando, já que o individualismo ganha um espaço cada vez maior. Estamos vivendo numa sociedade individualista, que favorece o sentido de responsabilidade individual, que desenvolve o egocentrismo, o egoísmo e que, consequentemente, alimenta a autojustificação e a rejeição ao próximo. Por isso, é importante compreender não só os outros como a si mesmo, a necessidade de se auto-examinar, de analisar a autojustificação, pois o mundo está cada vez mais devastado pela incompreensão, que é o câncer do relacionamento entre os seres humanos.

• Enfrentar as incertezas

Apesar de, nas escolas, ensinar-se somente as certezas, como a gravitação de Newton e o eletromagnetismo, atualmente a ciência tem abandonado determinados elementos mecânicos para assimilar o jogo entre certeza e incerteza, da micro-física às ciências humanas. É necessário mostrar em todos os domínios, sobretudo na história, o surgimento do inesperado. As duas guerras mundiais destruíram muito na primeira metade do século X. Três grandes impérios da época, por exemplo, o romano-otomano, o austro-húngaro e o soviético, desapareceram. Assim tem acontecido em todas as etapas da história. O inesperado aconteceu e acontecerá, porque não temos futuro e não temos certeza nenhuma do futuro. As previsões não foram concretizadas, não existe determinismo do progresso. Os espíritos, portanto, têm que ser fortes e armados para enfrentarem essa incerteza e não se desencorajarem.

• Ensinar a identidade terrena

O fenômeno da globalização que estamos vivendo hoje – e começou, na verdade, no século XVI com a colonização da América e a interligação de toda a humanidade - é um outro aspecto que o ensino ainda não tocou. Assim como o planeta e seus problemas, a aceleração histórica, a quantidade de informação que não conseguimos processar e organizar. O crescimento da ameaça letal se expande em vez de diminuir: a ameaça nuclear, a ameaça ecológica, a degradação da vida planetária. É necessário ensinar que não é suficiente reduzir a um só a complexidade dos problemas importantes do planeta, como a demografia, ou a escassez de alimentos, ou a bomba atômica, ou a ecologia. Os problemas estão todos amarrados uns aos outros. É preciso mostrar que a humanidade vive agora uma comunidade de destino comum.

• A ética do gênero humano,

Os problemas da moral e da ética diferem a depender da cultura e da natureza humana. Existe um aspecto individual, outro social e outro genético, de espécie. Algo como uma trindade em que as terminações são ligadas: a antropo-ética. Cabe ao ser humano desenvolver, ao mesmo tempo, a ética e a autonomia pessoal (as nossas responsabilidades pessoais), além de desenvolver a participação social (as responsabilidades sociais), ou seja, a nossa participação no gênero humano, pois compartilhamos um destino comum. Tudo deve estar integrado para permitir uma mudança de pensamento; para que se transforme a concepção fragmentada e dividida do mundo, que impede a visão total da realidade. Essa visão fragmentada faz com que os problemas permaneçam invisíveis para muitos, principalmente para muitos governantes. E hoje que o planeta já está, ao mesmo tempo, unido e fragmentado, começa a se desenvolver uma ética do gênero humano, para que possamos superar esse estado de caos e começar, talvez, a civilizar a terra.

Módulo 2 - TI NA EDUCAÇÃO NO MUNDO Em busca de um modelo internacional

(TIC) na educação. A Intel apóia a idéia

Sem prejuízo dos conteúdos, que devem respeitar as culturas regionais, especialistas do mundo inteiro propõem a criação de um padrão tecnológico internacional para adoção nos projetos referentes ao uso de Tecnologia da Informação e Comunicação

Segurança e governança na comunicação via Internet. Mas, também, melhoria do grau de interoperabilidade de sistemas, ainda muito baixo. Esses são os três maiores obstáculos ao sucesso de projetos educacionais que se apóiam no uso da tecnologia. A conclusão é de um encontro de especialistas do mundo inteiro, reunidos em Londres, em março de 2007. Ao examinarem a situação dos países em desenvolvimento, eles apontaram, além da debilidade da segurança, o uso de sistemas obsoletos, de diferentes procedências e arquiteturas incompatíveis entre si, o que dificulta o acesso à informação em escala mundial.

O encontro, com o objetivo estabelecer referenciais associados a práticas de uso da TIC nos processos de aprendizagem, educação e capacitação, gerou a proposta, aprovada por unanimidade, de que todos os aplicativos educacionais em linguagem digital devem ser utilizados, independentemente de plataforma ou linguagem. A recomendação não anula uma outra, do governo brasileiro – de que se observe o multiculturalismo, ajustando-se os projetos às realidades regionais e particularidades de cada comunidade atendida.

Um mês antes, o alto comando de empresas de tecnologia instaladas no Vale do Silício fechou parceria com membros de um grupo especial das Nações Unidas, representantes dos governos de vários países e organizações não-governamentais (OnGs) para garantir aos países em desenvolvimento acesso à TIC para o desenvolvimento de projetos educacionais, do ensino fundamental até a capacitação de profissionais.

A experiência do fazer

A Intel, que organizou o encontro do Vale do Silício em parceria com a Aliança Global para o Desenvolvimento de Tecnologias de Informação e Comunicação das Nações Unidas (U.N. GAID), coloca a serviço do grupo a experiência adquirida nas dezenas de projetos que patrocina mundo afora, há mais de cinco anos, por intermédio do Programa Intel Educação para o Futuro, lançado em 2000.

De lá para cá, ela observa, in loco, a realidade dos países alvo dos programas. Somente no primeiro semestre de 2006, o próprio chairman da Intel, Craig Barrett, visitou dez países em desenvolvimento, a fim de verificar de que modo a tecnologia vem sendo utilizada nas áreas rurais.

Com base na constatação do estágio em que se encontram os países pobres, no que diz respeito ao uso da tecnologia em ações educacionais, a Intel defendeu, ainda, no encontro do Vale do Silício, que se trabalhe, a fim de aumentar a velocidade do acesso deles à Internet por banda larga. Somente assim, argumentou Barret, será possível melhorar o padrão de qualidade na educação, saúde, empreendedorismo e serviços governamentais.

A proposta é coerente com a ação desenvolvida pela empresa, uma das que mais apóia iniciativas na área da educação à distância (EaD). Disposta a promover o uso do e-learning no século XXI, como forma de favorecer o acesso dos estudantes do mundo inteiro à informação e ao conhecimento, a Intel oferece um conjunto de recursos e tecnologias, que permitem definir, desenvolver e tornar acessível o melhor da TIC aplicada à EaD.

Quanto à reunião no Vale do Silício, da qual participaram mais de cem pessoas, incluindo representantes de mais de 30 países e investidores estratégicos, a empresa considera que foi altamente positiva. Forneceu importantes subsídios aos interessados no projeto internacional de apoio às nações em desenvolvimento, para que possam compartilhar idéias e formar parcerias, inclusive envolvendo os setores acadêmico e produtivo, incluindo a indústria de capital estratégico.

As Nações Unidas, por intermédio da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), têm sido uma firme defensora da expansão e da capitalização das tecnologias de informação e comunicação para fomentar o desenvolvimento e beneficiar o maior número de pessoas possível, nos países em desenvolvimento.

Nesta linha de ação, a U.N. GAID, apoiada pela Intel, foi criada em fevereiro de 2005, com a finalidade de incentivar parcerias com a indústria privada e OnGs, para acelerar o acesso aos computadores, à conectividade e ao conteúdo local relevante. O objetivo final é melhorar o setor industrial, a educação, a saúde e os serviços governamentais.

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