apostila silvicultura aplicada

apostila silvicultura aplicada

(Parte 1 de 5)

Organizadores:

Prof. Dr. nat. techn. Mauro Valdir Schumacher

Engª. Ftal. M.Sc. Francine Neves Calil Engº. Ftal. M.Sc. Hamilton Luiz Munari Vogel

Santa Maria, maio de 2005.

Unidade 1 – INTRODUÇÃO À SILVICULTURA APLICADA

O patrimônio florestal brasileiro é constituído de aproximadamente 566 milhões de hectares de florestas, que ocupam 67% da superfície do país, equivalendo a 3,76 hectares por habitante.

A atividade florestal representa 2,2% do PIB e foi responsável pelo recolhimento de R$ 2 bilhões de impostos em 1996.

A madeira produzida em reflorestamentos é utilizada por empresas de base florestal, na forma de madeira serrada e para produzir compensados, aglomerados, lâminas de madeira, chapas de fibra, celulose e papel.

O aumento das populações, aliado às mudanças do ambiente impostas pelo homem, exerce grandes pressões sobre a atmosfera, ocasionado diferentes impactos sobre o ar e também sobre a natureza, especialmente recursos florestais que proporcionam múltiplas utilizações para o homem.

De acordo com FAO1 (2005) a proteção e a boa manutenção das florestas são fundamentais para reduzir a fome e a extrema pobreza no mundo. Destaca a contribuição das florestas para alcançar as metas de desenvolvimento, que abrangem a redução pela metade, até 2015, da fome e da pobreza do mundo.

Cerca de 240 milhões de pessoas pobres que vivem em áreas florestais dependem da proteção das florestas e da indústria que geram, que se consolidou como “uma das áreas fundamentais para a economia mundial”, pois representa cerca de 3% do comércio do planeta.

As florestas são de vital importância para a sustentabilidade do meio ambiente e a conservação dos recursos naturais, pois diminuem as mudanças climáticas, melhoram os ambientes urbanos, promovem a produtividade do terreno e protegem recursos marítimos e litorâneos.

É incontestável que sem as florestas a manutenção do meio ambiente, em especial os recursos hídricos para abastecimento das cidades, onde vive a maioria da população, é impossível. O desmatamento incontrolado e insano levará fatalmente ao desabastecimento de água e a formação de solo improdutivo para a produção.

Os benefícios diretos da floresta são os seus produtos úteis ao homem, como madeira, resinas, óleos essenciais, plantas medicinais, frutos e mel.

Os benefícios indiretos são os serviços que as árvores ou florestas prestam ao homem, como conseqüência das “influências florestais”.

Os benefícios indiretos são em grande número, contribuindo para a conservação dos solos, o controle dos ventos, a qualidade de vida do homem nas cidades, a redução do risco de enchentes, a redução da poluição do ar e da água, a polinização, o controle biológico, entre outros.

Os benefícios indiretos geralmente são pouco percebidos pelas pessoas e tornam-se mais apreciados somente quando escasseiam e as conseqüências indesejáveis aparecem.

¾ Liberação de oxigênio e seqüestro de carbono; ¾ Redução da poluição do ar;

¾ Proteção contra ruído;

¾ Quebra-ventos;

1 Retirado de w.abientebrasil.com.br em 03/05/2005.

Unidade 2 – EXIGÊNCIAS EDAFO-CLIMÁTICAS E

O Platanus x acerifolia que encontra-se no Brasil e outros países da

América do Sul é o resultado da hibridização, ou cruzamento genético espontâneo entre o Platanus orientalis originário do leste do Mediterrâneo e o Platanus ocidentalis que tem sua origem nos Estados Unidos da América. Constitui-se num híbrido de grande potencial madeireiro na região sul do Brasil e também em outros países de clima temperado. Embora seja uma espécie que tem grande futuro devido sua versatilidade de aplicação nos diversos usos, principalmente na fabricação de móveis e, especialmente, para móveis vergados, o conhecimento silvicultural da espécie, em nosso meio, ainda é muito pequeno.

Origem

Segundo RAVEN, et. al. (1996) o Platanus orientalis é nativo da região leste do Mediterrâneo até o Himalaia, crescendo muito bem com as influências marítimas, não se adaptando em regiões mais frias como o norte da Europa.

Os mesmos autores informam que o Platanus ocidentalis é originário do sudoeste dos Estados Unidos, sendo encontrado naturalmente em trinta e quatro estados americanos e em duas províncias do Canadá, cresce em regiões frias, sendo por isso levado para a Europa para ser cultivado no norte, onde teve uma perfeita adaptação inclusive com florescimento abundante.

Em meados da década de 1670, estas duas espécies hibridizaram se espontaneamente em locais onde eram cultivadas juntas, na Platanus de Londres Inglaterra, produzindo uma espécie intermediária e totalmente fértil, o, Platanus x híbrida, hoje conhecido como Platanus acerifolia e que cresce em regiões de invernos rigoroso em qualquer parte do mundo.(RAVEN, et. al., 1996).

Existem outras espécies de Platanus spp nos Estados Unidos e México.

O Platanus acerifolia é uma árvore lenhosa de porte avantajado, podendo, atingir aos 25 anos de idade, 25 metros de altura e 40 centímetros de diâmetro no DAP. É uma espécie intolerante, isto é, cresce muito bem em luminosidade total, muito adaptada as baixas temperaturas, resistente a seca, porém sensível as altas temperaturas, desenvolvendo muito bem em climas temperados e temperados frio. (Leonardis, 1977 Apud LAZZARI 1997, HARLOW & HARRAR, 1969).

LAZZARI (1997) citando LEONARDIS (1977) afirma que o Platanus spp é uma espécie que possue indivíduos de grande porte com folhas caídas, copa globosa e frondosa , a casca é de cor amarelo esverdeada que se desprende em placas ao longo do tronco. As folhas são caducas, simples, alternadas e lobuladas com comprimento e largara entre 10 e 25 cm, com três a cinco lóbulos triangulares. As flores são imperfeitas, os estames formados por 3 a 8 sépalas, unissexuadas, sem cálice, dispostas em capítulos globoso presos por um longo pedúnculo. Os frutos apresentam cor amarelo ocre agrupados em forma de globos que ocorrem aos pares, sendo raros mais que dois.

De acordo com HARLOW & HARRAR (1969) no sudoeste dos Estados

Unidos esta espécie pode atingir até 3 metros de altura e um diâmetro de 1 a 3 metros. Naquela região a produção de sementes é irregular, no entanto a porcentagem de germinação é bastante alta, exigindo, porém umidade e boa nutrição do substrato para uma germinação e crescimento satisfatórios.

Sementes:

O Platanus acerifolia produz muitas sementes por frutos, variando esta produção de região para região nos Estados Unidos.

Pesquisas realizadas com 17 lotes de sementes originárias do Estado do

Mississipi e da Luisiana, coletadas no inverno de 1967, apresentaram as seguintes características.( Quadro 1 ).

Quadro 1: Características culturais dos frutos e sementes de Platanus acerifolia

Peso seco ao ar por litro 140 –236 g188 g

Amplitude de produção Média Número de frutos por litro 19 – 46 32

Sementes limpas por litro de fruto 90 –145 g 117 g Sementes limpas por Kg de frutos 550 – 650 g 600 g Número de sementes limpas por Kg 292.951 – 588.105 g 440.528 g Tamanho das sementes 6 – 13 m 9.5 m Número de sementes por fruto 804 – 3.050 1727 Diâmetro do fruto 21 – 38 m 29.5 m Germinação 1 – 81 % 46 %

Produção de sementes:

As sementes coletadas são de qualidade considerável, uma vez que as áreas de coleta apresentam confiabilidade razoável. As sementes completam sua maturação em meados de abril logo após o inverno. A viabilidade varia com o sitio e os anos de produção. Em anos de pouca produção e em sítios pobres a polinização com certeza não foi eficiente, por isso ocorre uma baixa produção. Em árvores isoladas ou grupos de árvores onde a polinização é mais eficiente a viabilidade das sementes é maior (Griggs,1909; Beland & Jones, 1967; Webb & Farmer, 1968 apud BRISCOE, 1969).

Coleta de sementes de Platanus spp

Os frutos devem ser coletados quando apresentarem coloração marrom esverdeado. Normalmente, no estado do Mississipi, colhem-se as sementes no mês de outubro. A viabilidade das sementes pode permanecer durante 2 a 4 meses, dependendo das condições de armazenamento. É importante realizar a coleta das sementes antes da queda dos frutos para evitar a rachadura dos mesmos e a conseqüente perda. A coleta das sementes pode ser executada através dos métodos convencionais, ou seja, coleta de árvores abatidas, coleta dos frutos após sua queda e/ou coleta de árvores em pé, sendo este o método mais indicado. Para a coleta em árvores em pé recomenda-se o uso de podões com cabo comprido cortando o pedúnculo do fruto.

Beneficiamento de sementes de Platanus spp

separa-se dos resíduos dos frutos através de peneiramento

Quando a quantidade dos frutos colhidos for pequena o beneficiamento das sementes do plátano pode ser efetuado de maneira convencional, utilizando panos ou lonas para expor as sementes ao ar e, depois, através de fricção

Quando a quantidade for maior pode-se usar equipamentos semelhantes ao distribuidor de calcáreo ou fertilizantes para desintegrar o fruto e separar as sementes mediante uma corrente de ar, onde as sementes precipitam-se por gravidade e os resíduos são eliminados pela corrente de ar. A poeira resultante do beneficiamento das sementes de plátano é muito prejudicial à saúde, causando principalmente doenças pulmonares (Webb & Portelfield, 1969 Apud BRISCOE, 1969).

Armazenamento de sementes de Platanus spp

Normalmente as sementes de plátano são armazenadas em temperaturas que devem variar entre 1.5 e 6 ºC e com umidade relativa variando entre 10 e 15 %. As embalagens utilizadas podem ser sacos de pano, espalhados em pilhas não muito altas.

Germinação de sementes de Platanus spp

Aparentemente as sementes de Platanus spp não apresentam dormência, não exigindo tratamento pré-germinativo; no entanto, é aconselhável colocar em umidade por um período de 20 dias a uma temperatura em torno de 2 ºC (McElwee; 1966, Webb & Farmer, 1968 Apud BRISCOE, 1969). Normalmente em viveiros tecnicamente dirigidos, a produção de mudas chega aproximadamente a 6000 plantas por kilograma de sementes.

Produção de mudas de Platanus spp

ao vento (Lobeav, 1950 Apud BRISCOE 1969)

Os viveiros para a produção de mudas de plátano são do tipo convencional, no entanto deve-se salientar que a irrigação é muito importante uma vez que as sementes e as mudas exigem constante umidade. É importante que exista uma proteção do viveiro porque as mudas jovens são muito sensíveis

meados da primaveraO preparo dos canteiros segue o padrão normal para
mecanicamente com fertilização simultânea

A semeadura é feita no final do inverno e a germinação ocorre em outras espécies, podendo ser arado profundamente e nivelado como para agricultura, de acordo com a estação do ano. As sementes são normalmente semeadas manualmente e em grandes viveiros podem ser semeadas

A densidade de mudas varia consideravelmente com o tamanho das plantas, variando entre 25 a 30 plantas por metro quadrado. A decisão final da densidade requer conhecimentos sobre o nível de crescimento da espécie.

O espaçamento ideal em viveiros pode ser calculado pela fórmula:

Espaçamento = A x d / n. g. s

A =área do canteiro d = número de mudas desejadas por metro quadrado n = número de sementes a ser semeada g = % de germinação s = % de mudas esperadas

Outro método prático e simples para determinar a quantidade de sementes a ser semeada é função do resultado da análise de germinação das sementes, utilizando quantidade de sementes em grama por metro quadrado. No quadro 2 observa-se as quantidades de sementes a serem semeadas por metro linear de acordo com a % de germinação. ( BRISCOE, 1969 ).

Quadro 2: Quantidade de sementes a ser semeadas em função da % de germinação.

% Germinação Gramas / metro linear 10 48 20 24 40 12 80 06

Para a cobertura das sementes pode-se usar palha, areia, serragem ou resíduo de cone triturado. BRISCOE, ( 1969 ), conforme sugere o quadro 3.

Quadro 3: Germinação de acordo com a espessura da camada de cobertura das sementes

Espessura da Camada (cm) % de Germinação

Poda das mudas:

Durante o período de crescimento estacional a prática mais comum de poda refere-se à poda das raízes, para isso usa-se um podador mecanizado acoplado no comando de força do trator, podando as raízes a uma profundidade em torno de 10 cm. Esta prática é efetuada durante o período de verão, época de crescimento normal das plantas. Pode-se também, se for o caso, realizar poda aérea com a finalidade de diminuir o crescimento em altura das mudas durante a estação de crescimento. (BRISCOE, 1969).

Mudas de estacas:

do ramo cujo crescimento ocorreu no último anoQuando o sitio for favorável
( BRISCOE), 1969

Embora a produção de mudas por sementes seja muito eficiente, na região de ocorrência natural, também é possível a produção de mudas através de estacas extraídas dos galhos das árvores. As estacas devem ser extraídas às estacas devem ter em torno de 50 cm de comprimento e dois cm de diâmetro, podendo o plantio ser feito diretamente a campo através de plantio mecanizado

No Brasil a propagação de mudas ocorre somente através de estacas, as quais são retiradas das matrizes selecionadas e do crescimento do ano. As dimensões das estacas são de 30cm de comprimento e 1 a 2cm de diâmetro.

enraizamento

ORIKA et al. (1994) estudando enraizamento de estacas de Platanus acerifolia tratadas com auxinas, concluíram que a primavera é a melhor época para a coleta de estacas para a propagação vegetativa e estacas tratadas com ácido indolbutírico ou ácido naftalacético a 0,5 % foram mais eficientes no

Estudos sobre influencia de épocas de coleta de estacas, tipos fisilógicos de estacas boro, zinco e ácido indolbutírico no enraizamento de estacas de plátano realizado por LAZZARI, (1997) mostrou que: o mês de julho é o período mais adequado para a coleta de estacas para o enraizamento das mesmas; o boro e o zinco não têm influencia no enraizamento das estacas; o ácido

apresentam o maior potencial de enraizamento

indolbutírico em dosagens acima de 20 mg por litro tem influência negativa no enraizamento das estacas e ainda que as estacas basais do crescimento do ano

sem prejuízo no enraizamento

TEDESCO et all, (1998) estudaram o efeito da época de coleta e plantio de estacas de Platanus acerifolia no enraizamento e concluíram que a melhor época de coleta compreende os meses de maio, junho e agosto. Os mesmos autores estudando a influencia do período de armazenamento de estacas de Platanus acerifolia no enraizamento, concluíram que as estacas podem ser armazenadas pelo período de até 60 dias em temperatura de 5 graus Celcius

viveiros de platanus sppO manejo adequado dos viveiros é a maneira mais
pragas (Toole, 1967, apud BRIOSCOE 1969)

Nos Estados Unidos os viveiros de Platanus spp são propenso ao ataque de fungos, especialmente dos causadores do Damping-off, cujo controle, naquele país, ocorre pela aplicação do fungicida tipo Captan 72-S. Também os viveiros podem ser atacados por percevejos que destroem as folhagens das plantas. O controle destas pragas se consegue com o uso de inseticida Lindane ou Malation com aplicações em intervalos de 10 dias (Morrs, 1964 Apud BRISCOE, 1969). Ainda os nematóides podem causar grande mortalidade aos convencional de controle, podendo também usar os produtos para o controle das

No Brasil a produção de mudas através de sementes é quase nula ou inexiste, sendo comum a utilização de estacas. A ocorrência de doenças nos viveiros ainda não é preocupante, embora seja importante o uso de tratamentos preventivos.

FORMAÇÃO DE POVOAMENTOS DE Platanus X acerifolia

A seleção do sítio é a decisão mais importante no estabelecimento de florestas puras de plátano. Esta espécie ocorre naturalmente em solos medianamente alcalinos, com crescimento vigoroso, alcançando seu desenvolvimento máximo próximo a córregos e rios. Embora a espécie exija muita umidade não cresce bem em solos saturados durante grandes períodos da estação de crescimento (Bonner, 1966b; Hall & Smith, 1955, apud BRISCOE, 1969). Os mesmos autores informam ainda que a espécie cresce naturalmente sobre dunas, encosta e topos de montanhas; no entanto, as condições físicas do solo são muito importantes para o desenvolvimento da espécie quando acompanhada da umidade e disponibilidade de nutrientes.

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