Avaliação de genótipos de cebola em diferentes níveis de água no solo

Avaliação de genótipos de cebola em diferentes níveis de água no solo

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RECANTO DAS EMAS - DF 2009

Monografia apresentada ao Curso de Agronomia da Faculdade da Terra de Brasília – FTB, como requisito parcial a obtenção do título de Bacharel em Agronomia.

RECANTO DAS EMAS - DF 2009

Comissão examinadora constituída por:

Dr. Valter Rodrigues Oliveira

Pesquisador – Embrapa Hortaliças Orientador

Ms. Júlio Henriques Fernandes César

Professor – Faculdade da Terra de Brasília Examinador

RECANTO DAS EMAS – DF, Dezembro de 2009

Dedico este trabalho aos meus irmãos Fabio, Hugo (Tiuza) e Pedro, e a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a sua realização.

A Deus, por ser o principal responsável por trilhar meus caminhos

Aos meus pais Ajax Batista Tosta e Dionuza Barbosa, por toda dedicação e empenho na minha educação.

Ao meu tio Hermes Tosta, pelo apoio e ajuda financeira durante a faculdade.

À minha avó Lizomira Dias da Costa pelo carinho e compreensão na realização deste trabalho.

À Embrapa Hortaliças, pelo suporte e oportunidade de realizar o estágio e este trabalho.

momentos mais difíceis

A minha companheira Lili (in memoriam), que sempre me ajudou nos

Ao Dr. Valter Rodrigues Oliveira, pelos ensinamentos, orientação deste trabalho e, principalmente, a oportunidade dada.

Ao Dr. Agnaldo Donizete Ferreira de Carvalho, pelo auxílio na condução do experimento de campo.

Ao professor Júlio Cesar, pelos ensinamentos e por ter aceitado o convite de ser meu examinador

A Dr. Nirlene Junqueira Vilela, pela ajuda dada ao longo do estágio na

Embrapa Hortaliças.

Aos funcionários de campo da Embrapa Hortaliças Antonio Ribeiro

Pereira (Tonhão) e Rivadalvo Pereira Gomes (Riva), pela contribuição durante o experimento de campo.

Aos amigos Gustavo e Cléia, pelo apoio e amizade ao longo dos trabalhos.

A todos os professores da FTB que ministraram disciplinas durante o decorrer do curso.

Aos demais colegas e amigos da FTB e da Embrapa Hortaliças, pela amizade e colaboração.

Finalmente, a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a realização e sucesso deste trabalho.

Tabela 1. Resumo das análises de variância, relativas à massa fresca de bulbos totais (diâmetro 35 m), massa média de bulbos totais, massa seca

cultivados em cinco níveis de água no solo35

de folhas e teor de massa seca dos bulbos de seis genótipos de cebola

Tabela 2. Massa fresca de bulbos totais (diâmetro 35 m), massa média de

Figura 1. Detalhes do experimento em casa de vegetação37
cebola em função de níveis de água no solo38

Figura 2. Massa fresca de bulbos totais (diâmetro 35 m) de genótipos de

de água no solo38

Figura 3. Massa média de bulbo de genótipos de cebola em função de níveis

O presente trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho de genótipos de cebola em diferentes níveis de água no solo. O experimento foi conduzido em condições de casa de vegetação na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – Centro Nacional de Pesquisa de Hortaliças (CNPH). Os tratamentos, em esquema fatorial 6x5, consistiram da combinação de seis genótipos de cebola („Granex Ouro‟, „Optima F1‟, CNPH 6400, 407Ax474B, 433Ax480B, Grano TX 08), com cinco níveis de água (80, 70, 60, 50 e 40% da capacidade de retenção do solo). Foram avaliadas a massa fresca de bulbos, a massa média de bulbos, a massa seca de folhas e a concentração de massa seca no bulbo. Os genótipos de cebola avaliados apresentaram diferenças marcantes. O genótipo Grano TX 08 foi o mais produtivo, o de maior massa média de bulbo, o de maior massa seca de folhas e o de menor concentração de matéria seca no bulbo. Os genótipos CNPH 6400, 407Ax474B e 433Ax480B, todos do tipo Baia Periforme, foram os menos produtivos, os de menor massa média de bulbo e os com maior concentração de matéria seca nos bulbos. Os genótipos mais produtivos tenderam a apresentar menor concentração de matéria seca nos bulbos. A bulbificação foi drasticamente afetada pelo déficit hídrico no solo.

Palavras-chave: Allium cepa, estresse hídrico, bulbificação.

This study aimed to evaluate the performance of onion genotypes at different levels of water in the soil. The experiment was conducted under greenhouse conditions in the Brazilian Agricultural Research Corporation (Embrapa) - National Research Center for Vegetables (CNPH). The treatments in a factorial 6x5, included a combination of six genotypes of onion ('Granex Ouro', 'Optima F1', CNPH 6400, 407Ax474B, 433Ax480B, Grano TX 08), and five water levels (80, 70, 60 , 50 and 40% of the retention capacity of soil). We have measured the fresh weight of bulbs, the average bulb weight, dry weight of leaves and dry mass concentration in the bulb. Onion genotypes evaluated showed marked differences. Genotype Grano TX 08 was the most productive, the most average mass of the bulb, the highest dry mass of leaves and with lower concentrations of dry matter in the bulb. Genotypes CNPH 6400, 407Ax474B and 433Ax480B, all of type Baia Periforme were the least productive, those with lower average weight of bulb and the highest concentration of dry matter in the bulbs. The higher bulb yield tended to have lower concentrations of dry matter in the bulbs. The onset of bulbing was dramatically affected by soil water deficit.

Keywords: Allium cepa, water stress, bulbification.

1. INTRODUÇÃO1
2. REFERENCIAL TEÓRICO13
2.1. A CULTURA DA CEBOLA13
2.2. CULTIVARES DE CEBOLA13
2.3. REGIÕES DE PLANTIO DA CEBOLA14
2.4. CLIMA15
2.5. IMPORTÂNCIA DA IRRIGAÇÃO16
2.6. IRRIGAÇÃO DA CULTURA DA CEBOLA20
2.7. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE O ESTRESSE2
2.8. EFEITO DO ESTRESSE HÍDRICO24
2.9. ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA AO ESTRESSE HÍDRICO24
3. MATERIAL E MÉTODOS2
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO25
5. CONCLUSÕES29

1. INTRODUÇÃO

A cebola, como as demais espécies hortaliças em geral, é exigente em água para se obter boa produtividade com qualidade. Assim, na maior parte da área cultivada com cebola no Brasil e no mundo, a ocorrência de seca ou períodos de estresse hídrico é um dos principais fatores abióticos causadores de substanciais reduções na produtividade (Kumar et al., 2007). A irrigação, além de inacessível para a maioria dos agricultores, devido ao seu alto custo, quando utilizada, eleva substancialmente o custo de produção e conseqüentemente o preço final dos produtos.

Com relação aos recursos hídricos, já se pode prever uma crise mundial de água potável em um futuro próximo. Segundo Meirelles (2000), a irrigação responde por 73% do consumo mundial de água, ficando 21% para uso industrial e os 6% restantes para uso doméstico. Para Chaves & Oliveira (2004), aproximadamente 70% de toda a água potável do planeta, utilizada pelo homem, é destinada à irrigação e 40% dos alimentos são produzidos sob este sistema.

Costa (2007) verificou que os estresses abióticos, como a seca, podem reduzir significativamente os rendimentos das lavouras e restringir as latitudes e os solos onde espécies comercialmente importantes podem ser cultivadas. As implicações são enormes, uma vez que não somente produtores, mas toda a sociedade é afetada. A ocorrência de veranicos e de previsões ambientais que indicam a ocorrência de um aquecimento global nas próximas décadas, onde certamente períodos de seca acompanharão este fenômeno, aumentam a necessidade de desenvolvimento de cultivares tolerantes ao déficit hídrico para que ocorra a manutenção da produção agrícola brasileira e mundial.

Neste sentido, é necessário que esforços sejam direcionados com o objetivo de encontrar soluções para os efeitos diretos e indiretos do aquecimento global. Especificamente em relação ao uso da água, é fundamental que programas de melhoramento genético de plantas dediquem esforços na busca de cultivares menos exigentes neste insumo. Diversos programas de melhoramento de plantas vêm buscando desenvolver novos materiais, mais adaptados a condições edafoclimáticas estressantes, tais como temperaturas elevadas, solos ácidos, baixa disponibilidade de nutrientes e déficit hídrico (Terra, 2008). No entanto, ainda são incipientes os resultados concretos em termos de novas cultivares com caracteres morfofisiológicos que promovam maior eficiência no uso de insumos utilizados no processo produtivo.

Especificamente em relação à cebola, apenas pequena parte dos produtores brasileiros faz uso de irrigação, tornando ainda mais importante o desenvolvimento de cultivares mais bem adaptadas a condições de deficiência hídrica. Assim o presente trabalho teve como objetivo avaliar, em condições de casa de vegetação, o desempenho de genótipos de cebola em diferentes níveis de água no solo.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. Cultura da Cebola

A cebola (Allium cepa L.) possui três prováveis centros de origem: as regiões de Punjab e Cachemira, localizadas no Norte da Índia, o Afeganistão e a região que compreende o Tadjiquistão e Uzbequistão (Kassab, 1994). Alguns autores citam que em muitas regiões da extensa zona compreendida entre os países do Mediterrâneo Oriental e a Índia, crescem formas espontâneas da planta (Sobrino Illescas & Sobrino Vesperinas, 1992).

Segundo dados da FAO (2009), a cebola é a terceira hortaliça mais produzida no mundo e sua produção mundial em 2007 foi de 64,47 milhões de toneladas, em 3,45 milhões de hectares (produtividade média de 18,64 t ha-1). No Brasil, após a batata e o tomate, a cebola destaca-se como a terceira hortaliça economicamente mais importante, principalmente pela quantidade de emprego e renda que gera em toda a sua cadeia produtiva (Costa et al., 2005). A importância dessa hortaliça está ligada principalmente ao seu aspecto social, por envolver um número grande de famílias e por ser típica de pequenas propriedades (Boeing, 2002).

2.2. Cultivares de Cebola

As cultivares de cebola são mais bem adaptadas a locais e épocas nas quais ocorrem o mínimo de fotoperíodo e de temperatura exigidos para a bulbificação. Entre as cultivares de ciclo precoce, médio e tardio que podem ser plantadas nos estados da região Sul citam-se: Aurora (plantio em abril-junho), Baia Periforme (março-junho), Bola Precoce (março-maio), Bella Crioula (março-maio), Crioula (abril-junho). Entre as cultivares super precoces, precoces e de ciclo médio que podem ser plantadas nas regiões Sudeste temse: Alfa Tropical (plantio em novembro-janeiro), Aurora (abril-junho), Baiadura

(março-junho), Baia Periforme Super Precoce (março-julho), Baia Periforme (março-junho). Na região Centro-Oeste são plantadas cebolas super precoces, precoces e médias como Optima F1, Perfecta F1, Sirius, Mercedes, entre outras. Nos estados do Nordeste plantam-se cultivares “super precoces” e precoces, especialmente as da série IPA como Vale Ouro IPA 1 e Franciscana IPA 10 e a cultivar BRS Alfa São Francisco desenvolvida pela Embrapa (Embrapa, 2009).

A maioria das cultivares disponíveis são para semeio de final de verão a meados de outono e colheita de outubro a novembro, época considerada ideal no Brasil. O cultivo de verão (semeio de meados da primavera a inicio do verão) tem como principal inconveniente a bulbificação sob altas temperaturas, chuvas excessivas e maior incidência de doenças, praga e plantas daninhas. A cultivar Alfa Tropical, disponibilizada pela Embrapa Hortaliças e Epamig em 1998, é uma cebola para plantio no verão das regiões Sudeste e Centro Oeste (Embrapa, 2009).

2.3. Regiões de Plantio da Cebola

As distintas regiões produtoras de cebola do país apresentam diversidade quanto às épocas de semeadura e colheita. Isto possibilita o atendimento da demanda nacional, com produção interna durante o ano todo (Costa et al., 2007).

A época de plantio deve ser definida em função da compatibilização das exigências fisiológicas da cultivar com as condições ambientais locais e do mercado consumidor. O plantio na época certa determinada, principalmente, em função das exigências climáticas de cada cultivar em relação ao fotoperíodo e à temperatura, proporciona aumento da produtividade e melhoria considerável na qualidade dos bulbos. Na região Sul (Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná), efetua-se a semeadura no período compreendido entre abril e junho, e a colheita de novembro a janeiro. Na região Sudeste (São

Paulo e Minas Gerais), faz-se a semeadura no período de fevereiro a maio e a colheita de julho a novembro (Costa et al., 2007).

Na região Centro-Oeste (Goiás), Costa et al. (2007) afirma que a semeadura é feita de fevereiro a março e a colheita de julho a setembro. No Nordeste, o cultivo da cebola é realizado durante o ano todo, com concentração de plantio nos meses de janeiro a março e colheitas de maio a julho, para atender à demanda dos mercados consumidores das regiões Nordeste, Sul e Sudeste.

2.4. Clima

Os elementos climáticos exercem forte influência sobre a cultura da cebola, sendo os mais importantes a temperatura e o fotoperiodismo (Brewster, 1994). A cebola é fisiologicamente uma espécie de dias longos para bulbificação que, de modo geral, não bulbifica em dias com duração inferior a 10 horas de luz. Em função do número de horas de luz diária exigido, as cultivares de cebola são tradicionalmente classificadas em quatro grupos: de dias curtos (DC), de dias intermediários (DI), de dias longos (DL), e de dias muito longos (DML) (Bosch Serra & Currah, 2002). As DC iniciam a bulbificação em dias com pelo menos 12 horas de luz, as DI exigem dias com 13 ou mais horas de luz, as DL exigem mais de 14 horas de luz diária, e as DML exigem dias com duração superior a 15 horas.

De acordo com Resende et al. (2007), no Brasil, em função dos fotoperíodos que ocorrem ao longo do ano, as cultivares possíveis de serem plantadas em condições normais de temperatura são as dos tipos DC e DI. Uma vez satisfeita às exigências fotoperiódicas para a indução à bulbificação, é importante temperaturas elevadas para completa formação dos bulbos (ideal entre 15 e 25ºC).

2.5. Importância da Irrigação

Por irrigação, subtende-se a aplicação de água ao solo no qual se pratica a agricultura, com o objetivo de suplementar a chuva, aumentando, assim, o crescimento das plantas, a qualidade do produto e a produtividade (Reichardt, 1990). Ainda segundo Reichardt (1990), a irrigação é praticada principalmente em regiões áridas e semi-áridas, porque nestas regiões a chuva é geralmente insuficiente para o ciclo completo de uma cultura, de tal forma que a produção agrícola ou é impossível ou é severamente prejudicada sem a aplicação artificial de água. É comum também em regiões úmidas a presença de períodos de déficit de água que limitam drasticamente a produtividade do solo e, nestes casos, a irrigação suplementar garante a agricultura produtiva.

De acordo com Ludlow & Muchow (1990), a redução no conteúdo de água no solo causa significativa variação na distribuição e desenvolvimento radicular, podendo mudar o período de disponibilidade e a quantidade de água disponível para as plantas. No entanto, nem toda água que o solo armazena é disponível às plantas. Segundo Carlesso (1995) o suprimento de água às plantas é determinado pela habilidade da cultura em utilizar a água armazenada no solo, enquanto a demanda da atmosfera está relacionada à combinação dos fatores meteorológicos interagindo com o dossel vegetativo da cultura.

O uso total de água pelas plantas, também chamado uso consuntivo, engloba toda a água transpirada pelas plantas, a evaporada da superfície do solo e retida nos tecidos vegetais. Como a parcela retida nos tecidos vegetais representa cerca de 1% do total transpirado, durante todo o ciclo de crescimento, a necessidade das plantas refere-se apenas à evapotranspiração (Costa et al., 2002).

Colocar em disponibilidade genótipos produtivos e com características de tolerância a estresses abióticos, especialmente quanto à deficiência hídrica, é desafio contínuo para os programas de melhoramento, pois a seca é a maior fonte de instabilidade do rendimento das hortaliças em áreas sujeitas a tal condição (Lazar et al., 1995).

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