Avaliação da qualidade da Águas

Avaliação da qualidade da Águas

Avaliação da qualidade da Águas do Rio Anil e Bacanga Utilizando Diferentes Parâmetros Ambientais

Projeto de pesquisa apresentado à Diretoria de Ensino Superior de Pesquisa e Pós-Graduação para solicitação de alteração de projeto de pesquisa bolsa PIBIC 2009.

Equipe Executora:

Candidato: Daniele Costa Silva

Orientador: Prof. Dr. Gilmar Silvério da Silva (DAQ/IFMA)

SÃO LUÍS

2010

1. INTRODUÇÃO

1.1 FÓSFORO

O fósforo é um nutriente essencial para o crescimento dos microorganismos responsáveis pela estabilização da matéria orgânica, além de ser indispensável para o crescimento de algas e plantas aquáticas, podendo com isso, em certas condições, conduzir a fenômenos de eutrofização em lagos, rios e represas (VON SPERLING, 1996).

Segundo Von Sperling (1996), o fósforo aparece nas águas naturais devido à presença de fontes antropogênicas, tais como os despejos domésticos, os despejos industriais, os detergentes, excrementos animais e fertilizantes.

De acordo com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB (2006), quando o fósforo está presente nas águas naturais devido às descargas de esgotos sanitários, os detergentes superfosfatados empregados em larga escala domesticamente constituem a principal fonte, além da própria matéria fecal, que é rica em proteínas. As águas drenadas em áreas agrícolas e urbanas também podem provocar a presença excessiva de fósforo em águas naturais.

Na água, o fósforo apresenta-se principalmente na forma de ortofosfatos (diretamente disponíveis para o metabolismo biológico sem necessidade de conversão em formas mais simples), polifosfatos (moléculas mais complexas com dois ou mais átomos de fósforo) e fósforo orgânico (convertido à ortofosfatos em corpos d’água). Como origem natural podem ser citadas a dissolução de compostos de solo e a decomposição da matéria orgânica e, como origem antropogênica, os despejos domésticos e industriais, detergentes, excrementos de animais e fertilizantes. Quando em concentrações elevadas em lagos e represas, pode conduzir à eutrofização por ser um elemento indispensável (juntamente com o nitrogênio) ao crescimento de algas. (VON SPERLING, 1996).

Na maioria das águas continentais o fósforo é o principal fator limitante de sua produtividade. Além disso, tem sido apontado como o principal responsável pela eutrofização artificial destes ecossistemas (ESTEVES, 1998).

A concentração máxima de fósforo total permitida pela Resolução CONAMA 357/05 para Rios Classe II é de até 0,05 mg/L, em ambientes intermediários, com tempo de residência entre 2 e 40 dias, tributários diretos de ambientes lênticos, como é o caso do Rio São Francisco Falso.

1.2 NITROGÊNIO

Segundo Von Sperling (1996), o nitrogênio pode apresentar-se de diferentes formas na biosfera. No meio aquático é encontrado nas formas de nitrogênio molecular(N2),nitrogênio orgânico(dissolvido ou em suspensão),amônia, nitrito(NO2-), nitrato(NO3-), ou ainda, escapando para a atmosfera.

De acordo com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental -CETESB (2006), as formas de nitrogênio encontradas nas águas podem ser divididas em formas reduzidas (nitrogênio orgânico e nitrogênio amoniacal) e formas oxidadas (nitrito e nitrato).

Especificamente para a água potável, o excesso de nitrato pode provocar danos à saúde humana como a metahemoglobinemia, entre outros, tendo sua concentração restrita pela legislação. (Baird, 2002).

No caso das águas de lagos e rios, o nitrato contribui para a eutrofização dos corpos aquáticos, que é caracterizada pelo elevado crescimento da biomassa, o que ocasiona danos importantes à esses sistemas aquáticos, comprometendo as condições de recreação, pesca e abastecimento público de águas (Braga et al, 2004).

Os compostos de nitrogênio são nutrientes tidos como macronutrientes e quando descarregados nas águas naturais conjuntamente com o fósforo e outros nutrientes presentes nos despejos domésticos e industriais, provocam o enriquecimento do meio tornando-o mais fértil e possibilitam o crescimento em maior extensão dos seres vivos que os utilizam, especialmente as algas, o que é chamado de eutrofização (CETESB, 2006).

O nitrogênio amoniacal é padrão de classificação das águas naturais e padrão de emissão de esgotos. A amônia provoca consumo de oxigênio dissolvido das águas naturais ao ser oxidada biologicamente. Os nitratos são tóxicos, causando uma doença chamada metahemoglobinemia infantil, que é letal para crianças - quando o nitrato se reduz a nitrito na corrente sangüínea, competindo com o oxigênio livre, tornando o sangue azul (CETESB,2006).

Por isso, o nitrato é padrão de potabilidade, sendo 10 mg/L o valor máximo permitido para rios de Classe II pela Resolução 357 do CONAMA; e o nitrito tem valor máximo permitido pela mesma Resolução, para rios desta Classe de 0,1 mg/L.

1.3 CLORETOS

Segundo Von Sperling (1996), os cloretos são advindos naturalmente da dissolução de sais e intrusão de águas salinas. Como origem antropogênica estão os despejos domésticos e industriais bem como as águas utilizadas em irrigação.

Todas as águas naturais, em maior ou menor escala, contêm íons resultantes da dissolução de minerais. Os cloretos são advindos da dissolução de sais, como por exemplo, o cloreto de sódio. Os despejos domésticos e industriais e as águas utilizadas em irrigação são as fontes antropogênicas dos cloretos (VON SPERLING, 1996).

O cloreto era utilizado como indicador da contaminação por esgotos sanitários, podendo-se associar a elevação do nível de cloreto em um rio com o lançamento de esgotos sanitários. Hoje, porém, o teste de coliformes fecais é mais preciso para esta função. O cloreto apresenta também influência nas características dos ecossistemas aquáticos naturais, por provocarem alterações na pressão osmótica em células de microrganismos (CETESB,2006).

O valor máximo permissível para cloretos na Resolução CONAMA nº 357/05 é de 250 mg/L.

1.4 CONDUTIVIDADE

A condutividade elétrica de uma solução é a capacidade desta em conduzir a corrente elétrica. Considerando-se que a capacidade de uma solução em conduzir corrente elétrica é função da concentração dos íons presentes, em soluções de maior concentração iônica, maior será a condutividade elétrica, mas por outro lado, em águas muito puras ocorre fenômeno inverso, maior será a resistência e menor a condutividade. A atividade iônica de uma solução é fortemente dependente de sua temperatura (aumenta cerca de 2% a cada ºC) (ESTEVES, 1998).

De acordo com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (2006), a condutividade é uma expressão numérica da capacidade de uma água conduzir a corrente elétrica. Depende das concentrações iônicas e da temperatura e indica a quantidade de sais existentes na coluna d'água, e, portanto, representa uma medida indireta da concentração de poluentes. Em geral, níveis superiores a 100 µS/cm indicam ambientes impactados.

A condutividade de uma água permite avaliar o seu grau de mineralização, podendo resultar da lixiviação de solos (com sais como carbonatos, sulfatos, cloretos, nitratos, solúveis de cálcio, sódio e potássio, entre outros), de efluentes industriais bem como de resíduos agrícolas (MENDES e OLIVEIRA, 2004).

Não há padrões em legislação nacional para condutividade em corpos d’água.

1.5 TURBIDEZ

Segundo Von Sperling (1996), a turbidez de uma amostra de água representa o grau de interferência com a passagem da luz através da água, conferindo uma aparência turva à mesma. O constituinte responsável pela turbidez está na forma de sólidos em suspensão e pode ter origem natural (partículas de rocha, argila e silte e/ou algas e outros microrganismos) e antropogênica (despejos industriais e domésticos e/ou erosão).

Em corpos d’água a presença de partículas em suspensão, que causam a turbidez, pode concorrer para o agravamento da poluição, uma vez que limita a penetração de raios solares, restringindo a realização da fotossíntese e conseqüente reposição do oxigênio (LIMA, 2001).

Alta turbidez reduz a fotossíntese de vegetação enraizada submersa e algas. Esse desenvolvimento reduzido de plantas pode, por sua vez, suprimir a produtividade de peixes. Logo, a turbidez pode influenciar nas comunidades biológicas aquáticas. Além disso, afeta adversamente os usos doméstico, industrial e recreacional de uma água (CETESB,2006).

A Resolução CONAMA nº 357/05 estabelece um valor máximo de turbidez de 100 UNT para rios Classe 2.

1.6 pH

O pH representa a concentração de íons hidrogênio (H+), dando uma indicação sobre a condição de acidez, neutralidade ou alcalinidade da água. O constituinte responsável encontra-se na forma de sólidos e gases dissolvidos tendo como origem natural à dissolução de rochas, a absorção de gases da atmosfera, a oxidação da matéria orgânica e a fotossíntese, e origem antropogênica os despejos domésticos (devido à oxidação da matéria orgânica) e industriais (lavagem ácida de tanques por exemplo) (VON SPERLING, 1996, p. 26). A Resolução Conama nº 357/05 estabelece para rios Classe 2 um pH entre 6 e 9.

1.7 DUREZA

A dureza é definida por Von Sperling (1996), como sendo a concentração de cátions multimetálicos em solução. Os cátions mais freqüentemente associados à dureza são os cátions divalentes Ca2+ (cálcio) e Mg2+ (magnésio), em condições de supersaturação, esses cátions reagem com ânions na água, formando precipitados. A dureza pode ser classificada como dureza carbonato, correspondente à alcalinidade, e dureza não carbonato, correspondente às demais formas. A dureza carbonato é sensível ao calor, precipitando-se em elevadas temperaturas. Os sólidos dissolvidos são os constituintes responsáveis pela dureza, sendo que a origem natural deve-se à dissolução de minerais contendo cálcio e magnésio e a origem antropogênica é devida a despejos industriais.

A dureza é característica pela extinção da espuma formada pelo sabão, índice visível de uma reação mais complexa, que dificulta o banho e a lavagem de utensílios domésticos e roupas, criando problemas higiênicos. As águas duras, por causa de condições desfavoráveis e equilíbrio químico, podem incrustar as tubulações de água quente, radiadores de automóveis, hidrômetros, caldeiras, etc. (BRAGA et al, 2005).

Não há especificações sobre a dureza na legislação CONAMA.

1.8 EUTROFIZAÇÃO

A eutrofização é o processo de crescimento acelerado de algas em rios, lagos e outros ambientes aquáticos, resultante do aumento da quantidade de nutrientes e/ou matéria orgânica nestes ecossistemas aquáticos. Esse aumento da quantidade de nutrientes acarreta na diminuição do volume total do ecossistema (CRUZ e BRAZ,2006).

Segundo Carvalho (2004), os efeitos da eutrofização artificial manifestam-se com a quebra do equilíbrio ecológico, pois passa a haver mais produção de matéria orgânica do que o sistema é capaz de decompor. As principais alterações decorrentes dizem respeito às condições físico-químicas do meio (aumento da concentração de nutrientes, alterações significativas no pH em curto período de tempo, aumento da concentração de gases, como metano e gás sulfídrico) e biológicas (alterações na diversidade e na densidade dos organismos).

De acordo com Cruz e Braz (2006), à medida que o número de fitoplâncton e sua profundidade aumentam nos sistemas aquáticos, ocorre a diminuição da capacidade de auto-purificação do sistema, ou seja, o poder de reciclar a matéria orgânica diminui, levando à acumulação de detritos e sedimentos. Num estado mais avançado a concentração de oxigênio vai diminuindo, a profundidade de compensação (profundidade à qual o consumo de oxigênio iguala a sua produção) diminui e as espécies que não conseguem tolerar concentrações de oxigênio baixas tendem a desaparecer, havendo uma nova redução na biodiversidade. O pH também se altera, passando de neutro ou ligeiramente alcalino a ácido.

O aumento da concentração de nutrientes implica não só aumento da densidade de algas mas também alterações qualitativas, como o surgimento de novas espécies e o desaparecimento de outras (CARVALHO, 2004).

Inúmeras atividades rotineiras do homem moderno geram agentes eutrofizantes, como fosfato, amônia e nitrato. Essas substâncias estão diretamente relacionadas com o processo fotossintético das algas e das plantas aquáticas superiores, uma vez que pertencem à estrutura de muitos compostos importantes para o metabolismo da célula vegetal, como a adenosina trifosfato e as proteínas.

De acordo com o estágio de eutrofização em que se encontra um corpo d’água, este pode ser classificado em: oligitrófico (águas claras e com baixa produtividade), mesotrófico (com produtividade intermediária) ou eutrófico (com elevada produtividade) (VON SPERLING, 1996).

Quando a bacia é ocupada por agricultura, as matas e florestas são substituídas por vegetais agricultáveis acarretando em uma redução da capacidade de infiltração de água no solo e conseqüente escoamento superficial de sedimentos. Além disso, para tornar a agricultura mais intensiva, são adicionados produtos fertilizantes com elevados teores de N e P. Esses sedimentos acabam por atingir o lago ou represa, são decompostos e contribuem para o aumento de nutrientes e conseqüente aumento do nível de eutrofização. Dependendo dos usos previstos para o corpo d’água, esse aumento de nutrientes pode até ser bem-vindo (VON SPERLING, 1996).

Segundo Braga et al (2005), os organismos fotossintetizantes aquáticos dependem da disponibilidade de diversos nutrientes para seu crescimento e proliferação. São necessários carbono, oxigênio, enxofre, potássio, cálcio, nitrogênio, fósforo e outros. Entre esses, o carbono, o nitrogênio, o fósforo e o oxigênio são utilizados em maior quantidade. O crescimento pode ser limitado pela insuficiência de qualquer um desses elementos, sendo que, na maioria dos ecossistemas aquáticos, o fósforo é o nutriente limitante.

Um nutriente limitante é aquele que sendo essencial para uma determinada população limita seu crescimento. Assim, em baixas concentrações do nutriente limitante têm-se baixo crescimento populacional, e em elevadas concentrações têm-se um elevado crescimento populacional. Tal crescimento pode elevar-se tanto na presença do nutriente limitante que, outro nutriente, poderá passar a ser o nutriente limitante (VON SPERLING, 1996).

2. JUSTIFICATIVA

3. OBJETIVO GERAL

Utilizar parâmetros ambientais para caracterizar e avaliar a qualidade das águas dos rios Anil e Bacanga

3.1 Objetivo Específico

  • Determinar o perfil espacial-temporal dos parâmetros físico-químico

  • Aplicar métodos de análise multivariada (Análise de Componentes Principais) na interpretação dos parâmetros;

  • Identificar a presença de fontes pontuais e difusas;

  • Aplicar índices da qualidade da água

4. METOLODOGIA

4.1 Áreas de Estudo

4.1.1Rio Anil

A Bacia Hidrográfica do Rio Anil está localizada no quadrante NW da ilha de São Luis – MA, possui cerca de 13,6 Km de extensão (Figura 1). Sua nascente fica localizada na Aurora, bairro periférico da cidade de São Luis descendo ao nível do mar aproximadamente 9,5 Km em linha reta, com o eixo direcional orientado de SE para NW a partir da nascente, a sua calha caracteriza-se por apresentar um perfil meândrico, cortando a porção NE do centro urbano da cidade. Apresenta leito margeado por vegetação de mangues, recebendo grande influência das marés salinas na maior parte de seu percurso. Caracteriza-se por um grande número de palafitas nas suas margens. A bacia do Rio Anil vem sofrendo com o grande adensamento populacional, com a conseqüente ocupação das áreas mais baixas, onde estão localizados os manguezais e a várzea.

Figura 1: Rio Anil – São Luís –Ma.

4.1.2 Rio Bacanga

Nascendo na região do Maracanã, área industrial de São Luis, o Rio Bacanga, tem como afluente principal o Rio das Bicas e além córregos e igarapés que confluem nos seus 22 Km da nascente à desembocadura na Baía de São Marcos (Figura 2). É constituído por uma parte integrante da Área de Proteção Ambiental do Parque Esta­dual do Rio Bacanga, que visa proteger principalmente suas nascentes bem como a maior parte da área percorrida pelo rio e sua mata ciliar. O Parque Estadual do Bacanga foi criado pelo governo do Estado do Maranhão por meio do Decreto-Lei nº 7.545 de 2 de março de 1980, está localizado na região norte do Estado do Maranhão e ocupa a área centro-oeste da ilha de São Luís e parte da zona central do município de São Luís, capital do Estado e apresentando área total de 2.634 ha. Geograficamente encontra-se em área próxima ao Equador de cuja linha imaginária está distante a 2º18’, abrangendo parte da área sul do núcleo central da sede do município de São Luís, estando confinada entre zonas de forte pressão demográfica e o Distrito Industrial. O parque é de grande importância para ilha de São Luís, pois é um dos únicos fragmentos florestais de mata pré-amazônica de forma conservada, servindo para a manutenção de uma grande área verde e mananciais na ilha, contribuindo com a qualidade ambiental na ilha de São Luís por meio da conservação dos recursos hídricos locais, recreação, educação e lazer ambiental. Entretanto, diversas intervenções sofridas no decorrer dos anos tendem a reduzir toda sua funcionalidade como unidade de conservação. A parte norte do Parque está localizada em uma área considerada urbana pelo Plano Diretor de 1992 do município de São Luís, sendo caracterizada neste como Reserva Floresta do Sacavém. De acordo com a Lei 9.985/00, toda área onde está inserida uma Unidade de Conservação e sua área de entorno que compreende um raio de 10km, as atividades devem ser Maranhão.

Do ponto de vista ecológico este ecossistema ainda apresenta diversidade biológica, com a ocorrência de espécies vegetais representadas por imponentes bosques de mangues, buritizeiros e açaizeiros, além de uma fauna aquática composta de peixes, crustáceos e moluscos, que são utilizados pela população local para fins de alimentação e comercialização. Com a construção de uma bar­ragem na década de 70, cortou a conexão natural entre o estuário e a Baía de São Marcos, condicionando o represamento de suas águas, que são utilizadas para diluição dos esgotos dos bairros do entorno do corpo hídrico. O acelerado processo de expansão urbana da cidade tem se constituído no principal fator da al­teração da qualidade ambiental deste ecossistema, devido ao lançamento de esgotos “in natura” e lixo, causando prejuízos de ordem social, econômica e ecológica.

Figura 2. Rio Bacanga – São Luís-MA

4.2 Coleta das Amostras

A fim de atingir os objetivos do projeto foram realizadas 4 coletas de água nos 4 pontos determinados e realizadas análises das amostras.

As amostras foram coletadas na superfície da coluna d’água e acondicionadas seguindo a Norma NBR 9898 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT (ANEXO E), e encaminhadas ao laboratório da UFMA onde posteriormente foram analisadas.

4.3 Determinações Analíticas

Coletadas as amostras, estas foram submetidas a análises para determinação de fósforo total, nitrato, nitrito, amônia, e ainda, a análises complementares de turbidez, pH, condutividade, dureza e cloretos, que serão descritas abaixo:

  • Fósforo total

A análise fósforo total é feita com água bruta, sem filtração, através do aquecimento de 100 mL da amostra de cada ponto de coleta com 0,5 g de perssulfato de potássio e 1 mL de ácido sulfúrico concentrado sendo então digeridas em chapa de aquecimento. Após o aquecimento e redução, é acrescentado 4 gotas de fenolftaleína e titulado com hidróxido de sódio 5N até pH neutro. Em seguida, é acrescentado 8 mL de solução mista que produz uma cor azul cuja leitura é feita no espectrofotômetro a 880 nm e convertido o valor em concentração. (STANDARD METHODS, 1985).

  • Nitrato

O nitrato presente nas amostras é reduzido a nitrito através de cádmio metálico (APHA, 1985).

A redução de nitrato a nitrito é realizada com água previamente acidificada, em que 25 mL de água de cada um dos quatro pontos são adicionados com 75 mL de solução EDTA-NH4Cl e 2 gramas de cádmio metálico (Cd-Cu), e agitada por 30 minutos.

Depois da redução, deve-se adicionar 2 mL de reagente de coloração em 50 mL da amostra reduzida e fazer leitura em espectrofotômetro a 543 nm. O resultado final é obtido em mg NO3- N/L.

  • Nitrito

O nitrito presente nas amostras é determinado através da formação de um complexo de coloração púrpura avermelhada pela diazotação do ácido sulfanílico com o dicloreto de sódio. A leitura no espectrofotômetro deve ser realizada a 543 nm. O resultado final é determinado em mg NO2- N/L (APHA, 1985).

O aparelho espectrofotômetro utilizado para a leitura da quantidade de fósforo total, nitrito e nitrato.

  • Alcalinidade

A alcalinidade é obtida pela titulação das amostras com HCL 0,01 mol/L, utilizando como indicadores a fenolftaleína até a viagem da cor amarela para a cor salmão. O pH das amostras deve estar abaixo de 8,3 por isso é adicionado as mesmas, 3 gotas de metlorange

Para se obter o resultado final, o volume gasto na titulação é multiplicado ao fator de correção do ácido.

  • Dureza

Para a titulação da dureza acrescenta-se a cada amostra de 100 mL: 1 mL de solução tampão de (NH4OH) e 6 gotas de Negro de Eriocromo T, titulando-se com a solução de EDTA 0,01mol/L até o ponto de viragem (vermelho para azul).

O resultado final é obtido pela multiplicação do volume gasto na titulação com o fator de correção.

  • Cloretos

Para a determinação dos cloretos, é realizada a titulação de 100 mL das amostras adicionando o indicador cromato de potássio (K2CrO4), com nitrato de prata 0,01 N até a viragem e aparecimento de uma cor avermelhada.

O resultado final é obtido pela multiplicação do volume gasto na titulação por 3,55.

  • pH, Turbidez e Condutividade sera determinado utilizando-se métodos instrumentais

5 Cronograma

5.1 Atividades

1) Domínio do método analítico

• limite de detecção, faixa linear, precisão, exatidão

2) Coleta, processamento, acondicionamento e preservação da amostra;

3) Determinação dos parâmetros

4) Tratamento estatístico

5) Relatório Final

Atividades 2010

Atividade

2010

Fev

Mar

Abr.

Maio

Jun

Jul

Ag.

1

x

x

x

2

x

x

x

x

3

x

x

x

x

4

x

x

5

x

x

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Preservação e técnicas de amostragem de efluentes líquidos e corpos receptores. NBR 9898. JUN 1987.

BAIRD, C. Química ambiental.2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002, 622p.

BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental.São Paulo: Pearson/Prentice Hall, 2004, 305p.

BRASIL. Resolução CONAMA 357, 17 de março de 2005. Diário Oficial da Republica Federativa do Brasil, Brasília, DF, 2006. Disponível em: <http://www. mma. gov.br/conama>. Acesso em 10 de janeiro de 2007.

CARVALHO, S. L. Eutrofização Artificial: Um Problema em Rios, Lagos e Represas. Artigo publicado no jornal Correio de Três Lagoas, 28 de Agosto de 2004. Disponível em: < http://www.agr.feis.unesp.br/ctl28082004.php>, acesso em : 20 de novembro de 2006.

Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. IET - Índice do estado trófico. Disponível em:<http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/rios/indice_iva_ iet.asp>. Acesso em: 04 outubro de 2006.

CRUZ, M. J., BRAZ, R. A Eutrofização dos Sistemas Aquático. Disponível em : <http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=2499&iLingua=1>, acesso em: 28 de novembro de 2006.

ESTEVES, F. A. Fundamentos de Limnologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 1998, 602p.

LAMPARELLI, Marta C. Grau de Trofia em Corpos D’Água do Estado de São Paulo: Avaliação dos Métodos de Monitoramento. 2004. Tese (Doutorado)- Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.

LIMA, E. B. N. R. Modelagem integrada para gestão da qualidade da àgua na Bacia do Rio Cuiabá. Rio de Janeiro, 2001. Tese - Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE.

MENDES, B.; OLIVEIRA, J. F. S. Qualidade da água para consumo humano.Lisboa-Porto-Coimbra: Lidel, 2004.

VON SPERLING, E. Introdução a Qualidade das Águas e ao Tratamento de Esgotos.2º ed. Belo Horizonte: Departamento de Engenharia Sanitária: UFMG, 1996.

SETTI, A. A. et al. Introdução ao Gerenciamento de Recursos Hídricos. 3ª ed.Brasília : Agência Nacional de Energia Elétrica; Agência Nacional de Águas, 2001.

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Variáveis de qualidade das águas. Disponível em: <http://www. cetesb.sp.gov.br/Agua/rios/variaveis.asp>, acesso em : 20 Fevereiro 2010.

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